“Caiu”, “toma”, “dá”… estimular a linguagem compreensiva!

Ainda que a linguagem expressiva sob a forma mais comum que a percebemos vá levar alguns meses a chegar até cá a casa, na fase em que a Eva está, alguns sons, lalação e balbucio são já audíveis! São tão engraçadas as variações de intensidade e de frequência que ela já vai conseguindo! Por vezes pergunto-me como é que um trato vocal/garganta tão pequenina já é capaz de sons tão agudos e de toda aquela miscelânea harmoniosa! É música para os nossos ouvidos, e por vezes, soa mesmo a uma pequena cantiga, tão terna, tão doce! Um dia, hei-de gravar para mais tarde recordar!

Sim, todos queremos que os nossos pequenos falem cedo, que digam “papá” ou “mamã”, pela ordem que indico se forem, respetivamente, o pai orgulhoso ou a mãe galinha, sim, todos teremos um certo orgulho futuro em o relembrar se fomos os primeiros eleitos! Mas, o que não devemos esquecer, e várias vezes já o fui aqui referindo nos textos do blog: não só a linguagem expressiva é essencial, pois a sua base está na linguagem compreensiva, ou seja, a expressão é o reflexo de tudo aquilo que a criança vai ouvindo e “gravando” na sua memória ao longo do tempo, desde os momentos intra-uterinos!

O que ouvem será pronunciado daqui a uns tempos e hoje, para além de vos relembrar isso mesmo, dou ainda algumas sugestões de tarefas que podem fazer em casa com os vossos filhos, netos, sobrinhos, afilhados ou, se forem educadores, com os vossos pequenos aprendizes, em contexto de creche!

A Eva adora ter uma colher na mão, é um objeto simples e comum, do quotidiano, que lhe proporciona vários minutos de animação e atenção. Basta mostrar-lha em frente aos seus olhitos para os ver a arregalar e a cintilar e, logo em seguida, há uma mão ansiosa que se estende, trêmola de tanta ansiedade! Claro que sim, o destino é logo a boca, mas não faz mal! Brincadeira agora, intencional, podemos dizê-lo, mas feito por acaso ao início, é o fato de a colher, de vez em quando, ser largada pelas mãos da Eva. Por vezes cai ao chão, outras vezes fica no sítio onde ela está sentada. Quando isso acontece e ela não a consegue voltar a alcançar autonomamente, é aí que começa o jogo: “oh… caiu!”. Devemos dizer estas frases-chave de forma animada, com um enorme sorriso, com expressividade quase que exagerada. Isso desperta-lhe logo um sorriso maroto, como que percebendo a brincadeira. Quando lha volto a devolver, para prolongar a brincadeira, digo: “toma!”. Ela fica toda feliz e aquela dinâmica dura minutos e minutos em seguida.

Para além de estimular a comunicação, é ainda uma forma de a pequena se começar a aperceber dos turnos de comunicação, o chamado “Turn-Taking”, também conhecido vulgarmente como “tomada de vez”. Assim, a colher vai dela para mim, de mim para ela, e assim sucessivamente. Não é esta a base de um diálogo, em que ora fala um dos interlocutores, ora fala o outro, gerando-se uma conversa? Neste momento, a Eva ainda só fala à maneira dela, com sons, com a expressividade da sua face ao ceder-nos os sorrisos em jeito de agradecimento por lhe darmos os objetos, mas o essencial, a base imprescindível, está lá, desde já! A partilha de atenção para um mesmo objeto, conhecida como “atenção conjunta”, vai também sendo desenvolvida! E tudo isto é tão importante!

Ontem, a brincadeira foi outra! Com o pai, no quarto, mesmo antes do momento de dormir, colocámos a luz de presença na tomada. A Eva fica alerta quando vê a luz surgir. E o pai fazia assim: tirava a luz de presença da tomada e dava-a à pequena: “toma!”, dizia ele, e bem! (Parece que as dicas estão a passar positivamente, pelo menos cá por casa). Depois de a pequena estender a mãozita para a pegar, algum tempo depois o pai dizia-lhe “dá ao pai!”, ou simplesmente “dá”! Esta é mais uma forma de passar todos os ensinamentos de base da comunicação, e há tantas outras formas. Qualquer ocasião serve: a partilha de um pedaço de pão ou bolacha, a exploração conjunta de um brinquedo, de uma peça de roupa, … valem todos os momentos, tudo o que entra na rotina dos nossos tesouros, pois a comunicação é assim, natural, não precisa de horas marcadas para acontecer! Tentem em vossas casas, nas creches, nas escolinhas, …! É fácil, e atenção, fica o alerta: proporciona momentos de doçura imensa e de grande gratificação para pais, educadores e para as próprias crianças!

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