Não há nada mais perfeito entre mãe e filho que o momento de amamentar! No início as coisas parecem não ser fáceis, sobretudo para mamãs de “primeira-viagem” mas, com o avançar do comboio e com a passagem nas sucessivas estações, com o crescimento dos pequenotes e com o nosso amadurecimento como mães, esta torna-se das tarefas mais prazeirosas e intuitivas que praticamente todas as mães relatam!

Não é por acaso que, quando amamento a Eva em locais públicos, muitas vezes se abeiram de nós senhoras de olhar enternecido, mães mais ou menos recentes, … mas o olhar de apreciação, num misto de saudade e de “oh tempo, volta para trás!”, está em todas. Quase que poderia ser um olhar invejoso, mas não, não o sinto assim, apenas o entendo como uma mágoa terrível e que todas aprenderam a aceitar com o crescer dos seus pequenotes: “aquele momento não dura para sempre!”. Para além do enorme gosto que sinto em amamentar a Eva, estas reações que tenho presenciado nos últimos 6 meses têm-me feito aproveitar ainda mais estes momentos a duas, tantas vezes partilhado com o pai (e com o Trilo, o nosso gato, que adora estar por perto em tudo o que fazemos com a pequena!).

A minha particular paixão recai na altura em que amamento a Eva no quarto, já noite feita, mesmo antes de a adormecer! Nesta altura do dia, para a relaxar e a mimar, amamento-a na posição deitada, como tantas e tantas vezes fiz, quase durante todo o dia, nas suas primeiras semanas de vida. O contacto pele a pele, corpo a corpo, aqui é ainda maior. E de vez em quando lá vou sentindo as suas pernocas agitadas num movimento frenético e acelerado, seja nas minhas pernas ou na barriga. Não faz mal, está feliz, está bem, está a usufruir do momento, tanto quanto eu. Mas o melhor mesmo é quando ela me acaricia o seio, como que em jeito de agradecimento. E aqui, nada mais digo, pois as palavras faltam-me para descrever o êxtase de sentimentos que ali se gera. E quando a sua pequena mãozita tenta alcançar a minha e ali se entrelaçam? Doçura pura! Por vezes, faço um esforço mental gigante para guardar cada passo, cada segundo na minha mente, … para mais tarde recordar, para sentir que aproveitei bem cada uma daquelas experiências mágicas.

Nutrir um filho com o próprio seio, com o fruto do próprio corpo, um filho que também brotou de nós, … obrigada pelo dom da vida, sou tão grata por poder ser mãe e passar momentos destes, de felicidade extrema! Amamentar é o melhor retrato da simbiose entre mãe e filho, mesmo que no início pareça algo tão complicado… com o tempo, a naturalidade que lhe é devida chega sem se dar por nada, e é aí que a magia se revela!

Mamãs que nunca amamentaram: se a opção, infelizmente, não foi vossa, não se sintam inferiores, não desesperem, nem se culpem… certamente foram e são cúmplices dos vossos rebentos em tantos outros momentos. Foi vossa a paciência de tentar vezes e vezes sem conta, horas a fio, … têm todo o mérito e toda a minha admiração.

Mamãs que ainda amamentam: parabéns guerreiras. Cada dia é mais um para agradecer, para sermos gratas pelo dom de alimentar os nossos filhos desta forma tão singela e tão grande ao mesmo tempo. Gravem cada experiência na memória, repitam-na na vossa cabeça para que nunca se perca este sentimento. Eu quero prolongar a amamentação com a Eva até me ser possível! Se não terei vergonha em estar a amamentar um bebé com um ano, dois anos? Não, não terei! Só espero conseguir! Que nada quebre nunca os laços fortes assim criados, estreitados a cada mamada, fortalecidos com cada carícia!

Obrigada pai pelas vezes em que és tu que amamentas a Eva, com o leitinho tirado com a bomba…se não fosses tu, infelizmente teríamos que ter optado por outra via que não a do leite materno em exclusivo, … Tantas vezes, eu deixo matéria, tu dás amor à tua maneira, com o teu jeito e aconchego de pai. O colo é maior, o amor tem um sabor diferente, mas a dedicação é sempre a mesma! Devo-te isso, eu e a Eva! Esta é a prova de que a simbiose do amor existe mesmo! Só eu sei o que me custou ouvir que a Eva iria começar a comer sopa e fruta duas vezes por dia e que ia mamar menos vezes! Senti a minha condição de “leiteira” ameaçada, mas a vontade de a prolongar é tanta, que cumprirei o meu desejo! Assim o espero!


1 comentário

carlosamaralphotography · 10 de Fevereiro, 2017 às 12:05

É o meu dever…

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