Amamentar para mim é tudo o que de mais belo a natureza e o tornarmo-nos mães tráz consigo! É um dom, é a magia a acontecer ante os nossos olhos. Nem comento quando há “pessoas” que põem em causa a naturalidade e o amor contido neste gesto. Certamente que essas pessoas também um dia foram assim nutridas, com o alimento da alma, o melhor que algum dia poderão ter recebido, mas para elas, deixo apenas o meu silêncio pesaroso. Para mim, amamentar continuará sempre a ser um momento sagrado, um gesto lindo, uma dádiva maior que qualquer outra.

Foi através da amamentação que estreitei laços com a Eva… que nos tornamos ainda mais mãe e filha, vivendo uma para a outra sem pedir mais nada em troca que aqueles longos minutos, e por vezes horas, que tanta saudade deixam logo depois de terem acontecido. Sempre quis amamentar, sempre me quis dar assim, ainda mais, em amor, em forma de alimento, o primeiro e único que a minha menina ingeriu nos primeiros 6 meses de vida. Voltava a fazer tudo igual, tudo, tudo, tudo!

O desafio chegou há cerca de 2 meses quando, na noite do dia 9 de Outubro comecei a sentir umas dores estranhas na barriga. Não,… dores menstruais não eram, …pelo menos aquelas a que eu estava habituada e tão bem conhecia, … essas eram ainda mais insuportáveis e chegaram-me a fazer desmaiar algumas vezes. Assim passei o resto da noite, sem saber o que fazer, pensando que com uma bela soneca de uma hora no sofá tudo voltaria ao sítio, … mas a verdade é que não voltou. Nem na manhã seguinte! Depois de ligar para a linha de saúde 24, e a conselho deles, lá fui eu para  hospital, pelo meu próprio pé, sozinha!

Duas horas depois vinha o diagnóstico e a certeza da necessidade de uma cirurgia: apendicite aguda! Fiquei totalmente desorientada pois tinha a Eva  na creche apenas há duas semanas, … tinha voltado ao trabalho em força ao fim de um ano de pausa para me dedicar a ela, … e o Carlos partiria uma semana para a Alemanha em trabalho dali a dois dias. O pior foi quando me tentaram dar medicação, … disse logo que estava a amamentar, em pânico total. Antes da certeza da cirurgia, ainda suportei as dores e permitiram-me ficar sem medicação, mas quando vieram os resultados dos exames e não havia mais dúvidas, teve mesmo que ser! Chorei horas a fio por entre enfermarias e corredores, com o Carlos, naquela maca, onde estive quase 6 horas até ser operada, … porquê? Porquê naquele momento? Tantas perguntas, … mas a verdade é que nunca temos o tempo certo para deixar estas coisas acontecer!

A equipa médica foi excelente, pediu-me calma, estavam compreensivos e solidários com tudo aquilo, … O choque maior veio depois, quando já quase “meio hospital” sabia que eu tinha uma bebé que ainda amamentava! Notei que a compreensão diminuia quando lhes dizia que ela já tinha 14 meses! “Oh, … já deu maminha tanto tempo…vai ver, já nem lhe vai fazer falta!” Como?? Profissionais de saúde a dizer aquilo, assim, de ânimo leve? Quando se preconiza que a amamentação deve ser dada juntamente com a alimentação complementar até cerca dos 2 anos de idade, como recomenda a OMS? Fiquei em choque, mais do que já estava! Tantas vezes ouvi aquele discurso que me comecei a identificar como conselheira em aleitamento materno, dizendo que sabia bem do que estava a falar, .. perante algumas evidências científicas que lhes fui indicado, e que eles mesmo deveriam saber, lá foram respeitando a minha posição. Se bem que ainda vi alguns olhares mais castradores enquanto ia extraindo leite com a bomba! Eu ia vencer aquela!!!! Mesmo que tivesse que extrair leite durante mais 4 ou 5 dias para que fosse expelido todo o antibiótico do meu corpo, e tudo a que estive sujeita na cirurgia e depois dela!

Respeito os profissionais de saúde, também sou uma delas! Mas peço-vos que respeitem a opinião de quem é mãe, de quem quer apenas dar o melhor de si, … ainda por cima quando vocês sabem, ou deveriam saber, que eu estava cheia de razão. Por estas e por outras, por haver pessoas que assim pensam em meio hospitalar, e muitas vezes em muitas maternidades, muitos bebés não sabem o que é mamar num seio materno, e tantos outros saem já da maternidade com aleitamento artificial exclusivo, … triste, muito triste, .. e revoltante!

Os dias foram passando, … eu só queria voltar a dar a maminha à Eva. Felizmente que ela não tinha pedido na minha ausência, nem mesmo quando regressei a casa. No dia em que lha voltei a dar, Domingo à noite, no amaldiçoado dia 15 dos incêndios, … aquele foi o mais perfeito refúgio de todos. Depois da azáfama do dia no combate aos fogos, em que toda a gente entrava e saia de casa, em que não pude ajudar por estar como estava, em que vi a minha família correr perigo, … aquele foi mesmo o momento mais perfeito. Quase sem ninguém dar conta, levantei a camisola e ali mesmo voltei a amamentar a Eva! Vitória!!! Tinha conseguido! Seguir o instinto de mãe será sempre o meu ideal e o meu conselho a todas as mães e futuras mães. Nenhuma outra pessoa saberá cuidar melhor do nosso bebé, … nenhum conselho médico, nenhum livro, nem mesmo um sábio conselho de quem já foi mãe! Foi por ter seguido o meu instinto que ali cheguei, e voltei, quase passada uma semana, a deliciar-me com o melhor momento dos meus dias, .. o momento em que a Eva vem ao meu colo e ao meu miminho e mata a sede e se alimenta com o fruto do meu amor, enriquecido todos os dias pelas demonstrações ternurentas que também ela me dá! Desistir, nunca!!! Ouvir “más vozes”? Ainda menos! Sigam o vosso coração, … e tudo dará certo!


4 comentários

carlosamaralphotography · 30 de Dezembro, 2017 às 13:31

“Sigam o vosso coração, … e tudo dará certo!”

Desmame natural… um ano de CAM… o balanço! – Joana a Terapeuta… e a Mãe! · 3 de Novembro, 2018 às 14:46

[…] a minha cirurgia inesperada, … toda a luta para manter a amamentação, … as vitórias (ver aqui)  e as derrotas (e aqui) […]

Amamentação vs Leite artificial/fórmula: a guerra que NÃO se impõe! – Joana a Terapeuta… e a Mãe! · 17 de Março, 2019 às 15:28

[…] o episódio que também vos deixei aqui, na altura da minha cirurgia? (texto 1 e texto 2). Tive médicos a rir-se e a cochichar à porta do quarto quando me viam a extrair […]

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