Quando “fugimos”, … para a cama dos filhos!

Por norma, para os mais pequeninos, a cama dos pais é o refúgio perfeito, … para iniciar a noite quando adormecem, … a meio da noite quando têm um pesadelo ou terror noturno, … ao raiar da manhã, … nas manhãs mais preguiçosas de fim de semana… Sim, sempre soube que era isso que se dizia! Por vezes, em pequena, usava a cama dos meus pais para isso mesmo!

Oh, como ficava num misto de alegria quando o meu pai saia em trabalho. Ia ficar uns dias sem o ver, … mas sabia que naquelas noites podia dormir com a minha mãe! Ficava tão feliz pelo aconchego!

Mais recentemente descobri o bom que é partilhar a cama com a Eva. Sempre teve o seu berço no quarto, recentemente desmontado por já estar, por decisão dela própria, a dormir no seu quarto, sozinha. De pequenina dormia no berço e vinha para a nossa cama para mamar. Algumas noites ali ficava algum tempo até que regressava… depois foi ficando e passámos a fazer co-sleeping. E fizemo-lo quase até aos dois anos, como já partilhei com vocês, sem qualquer receio de julgamento. Penso que foi essa mesma segurança que lhe transmitimos que a fez sentir-se forte, crescida e determinada para pedir por ela própria, há cerca de um mês, para ir dormir para o seu quarto, preparado desde a gravidez. E até hoje lá continua, sem qualquer hesitação!

Chegar à nossa cama com ela lá, depois de um serão de trabalho, de preparação de sessões e de tudo para o dia seguinte, sempre foi uma alegria! Agora, com ela a dormir na cama nova, as coisas ganharam uma nova dimensão. Devo confessar que sinto saudades de me deitar e me enroscar a ela, se sentir o seu cheirinho a bebé, de lhe ouvir o respirar sereno…

Agora, adormeço com ela como fazia antes, mas na cama dela. Por vezes basta virar-me para o outro lado que adormecemos coladinhas. Ela coloca o pequeno bracito por cima de mim e sinto ali um teto que me protege e me ampara. O dia a dia tem sido de muitas emoções, … de algumas fraquezas e de muitos cuidados e preocupações. Ali encontro o meu ninho, o meu altar, o meu refúgio… e várias vezes sou eu que volto a fugir, … mas desta vez para a cama da Eva!

Quantas vezes sei que ela adormece rápido, mas ali fico a absorver-lhe cada gota de amor, cada respiração curta e tranquila, … Passo-lhe as mãos pelo cabelo repetidas vezes, acaricio a sua bochecha, … dou-lhe um milhão de beijos e sussurro-lhe ao ouvido o quanto a amo.  Já a vi sorrir por várias vezes quando o faço, mesmo adormecida,… parece que me ouve e me percebe.

Outras vezes, depois de a adormecer, levanto-me e venho trabalhar, .. mas quando as forças escasseiam vou até lá e bastam por vezes cinco minutos para retemperar forças e energias, …. e regresso ao trabalho. Ou quando me levanto cedo, pela manhã, para ultimar as coisas para o dia que se aproxima… quantas vezes a primeira coisa que faço depois de sair da minha cama é ir até ela, … todos os dias é a primeira coisa para dizer a verdade! Vou até lá, … tapo-a com amor, … ajeito-a na almofada, e fico ali a olhá-la. Agradeço aquele dom tão pequenino mas com tanto significado para mim. Digo para mim mesma que as coisas têm todas um significado e ela é o maior de todos eles, … o motor dos meus dias. Aí, mesmo que as forças estejam em nível quase negativo, a pequena lança qualquer coisa de mágico, e tudo passa a fazer sentido.  O dia ganha cor e começa com o maior de todos os amores.

Por vezes fugimos para a cama dos filhos, … a sensação é fantástica, … é de amor duplicado, triplicado, … muito mais que quando eramos nós a fugir para a cama dos nossos pais. Ali, com a pequena, sinto-me menina outra vez, e ela é que me ampara. Sinto o seu calor e o ar que vem do seu respirar, … o vento perfeito que me diz: “vai em frente, continua… confio em ti, … preciso de ti e da tua força”! Obrigada filha, … obrigada pela doçura e pela calma do teu regaço… dás-me tanto, mesmo sem saber!

Leave a Reply