Fez ontem um ano que a Eva fez o desmame natural. Processo invejado por muitas mães e famílias, mas que em mim acarretou grande mágoa, hoje mais balançada, compreendida e suportada. Não, não estava preparada. Eu, bebé que poucas semanas fui amamentada, com receios imensos quando me tornei mãe, percebi ao fim do primeiro, do segundo, do terceiro, do sexto mês, … do primeiro ano, que afinal era possível amamentar mais que meros dias ou meses. Que podia dar o melhor de mim ao meu bebé, em forma de pequenas gotas de amor.

Quando completámos o primeiro ano da pequena, foi também o dia do comemorar secreto desta minha vitória enquanto mãe. Não era ainda CAM (Conselheira em Aleitamento Materno) quando me tornei mãe, só quando a Eva estava prestes a fazer o primeiro aninho é que isso aconteceu. Era um sonho de há muito, um desejo que carregava em mim e que ganhou forma naquele mês de Julho de 2017. E que feliz sou assim! Quase que este texto surge também em jeito de balanço do primeiro ano a ajudar mamãs, bebés, famílias, … e aí tudo ganha uma nova cor e alegria. Não, não foi por acaso, e acredito que esta é uma missão que me foi entregue para o coração…. para a vida! Por mim, .. por tantas pessoas bonitas com que me cruzo todos os dias!

O início da amamentação não foi fácil, foi conseguido com muita dedicação e persistência. Com muito apoio do Carlos. Com algumas palavras menos boas dos que me rodeavam… costumo dizer que quando nasce um bebé, nasce também uma mãe e o ser mais criticável à face da terra. Mas esta fase foi ultrapassada com sucesso e conseguimos 14 meses de amamentação… os 6 primeiros em exclusivo, como recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Depois desta meta, já só sonhava com os doces dois anos de amamentação, juntamente com a alimentação complementar. Já aqui vos falei no blog do que me aconteceu aos 14 meses da Eva: a minha cirurgia inesperada, … toda a luta para manter a amamentação, … as vitórias (ver aqui)  e as derrotas (e aqui) .

Aquele dia 2 de Novembro de 2017 fico marcado com a recusa da maminha pela manhã, … pensei que fosse só porque sim. Depois à noite aconteceu o mesmo, … voltou a acontecer todos os dias durante aquele longo mês em que fui extraindo leite por entre lágrimas, … sempre na expetativa que a pequena voltasse a querer a maminha. Mas havia recusa, cara virada, … foi duro, muito duro. Não estava fácil de aceitar, e só ao fim de mais de um mês deixei de extrair o leite. Mas a verdade é que, ainda hoje, tentando tirar algumas gotas, mesmo que manualmente, ele jorra docemente. É a prova provada que o leite não seca de um dia para o outro, é parte da minha missão com as mamãs e com os bebés com que me cruzo. Não há leite fraco, não há leite que seca de um dia para o outro, … é disso que falo a muitas mamãs, tentando encorajá-las!

E este último ano foi passado assim, a conformar-me, … a arranjar novas formas de dar miminho e aconchego à pequena… a fazê-la sentir-se segura e amada. E quantas vezes ela me procura e se aninha junto ao meu peito, quase como se mamasse. Sabe tão bem. Já chegou a pedir leitinho! Vem calmamente, … sente, toca, .. mas depois pouco liga. Outras vezes pede leitinho e eu tiro um pouco manualmente. Ela dá duas ou três lambidelas pequeninas que me recordam todos os bons momentos passados nos primeiros meses de vida e segue as suas brincadeiras. Sei que continuo a ser o porto seguro, o aconchego, o colo, o calor… tudo! E isso ninguém nos pode tirar! O vínculo que criámos naqueles meses de partilhas imensas ficam para a vida como laços infinitos e intrincados, com tanta, tanta força!

Sei também que neste último ano fui o colo e aconchego de muitas famílias, mamãs e bebés, .. a maior parte delas nunca as vi, … conheço-as apenas do facebook, aqui do blog, das páginas… outras cruzei-me com elas em workshops, no nosso espaço “amigo do bebé”, .. mas o melhor de todos os agradecimentos que recebo, o que me faz equilibrar e me compensa de tudo o que aconteceu, é saber que continuo a fazer diferença naquelas vidas, … no progredir da amamentação. Sem dúvida que isso preencheu este último ano, e por isso estou realizada e feliz.

A Eva é também uma menina feliz, amada, alegre, segura, carinhosa! A nossa relação é forte e segura. Somos tão cúmplices, … tudo o que se consegui com os primeiros meses de maminha não se perdeu, antes se fortaleceu. O balanço do desmame é hoje mais positivo e tranquilo. Foi a decisão dela… eu limitei-me a respeitar, a aceitar e a dedicar-lhe um amor diferente, talvez ainda mais profundo e consciente. Obrigada filha, … tão pequenina que és, e todos os dias me ensinas tanto. Obrigada pela força que me dás para ajudar outros bebés e crianças como tu! Assim, sou realmente feliz! A inspiração… és tu!


4 comentários

Eliana Guerra · 4 de Novembro, 2018 às 9:12

Olá! Apesar de tentar de TUDO, o Rodrigo fez o seu desmame natural aos 18 meses. Chorei secretamente uma semana seguida! O meu filho é apesar de ser DOIDO pela mãe, gosta de dormir na sua cama sozinho, gosta de ficar na ronha sozinho, e temos que aceitar esta personalidade! Um beijinho grande

    joanaaterapeuta · 4 de Novembro, 2018 às 22:07

    Nem mais Eliana! Foi mesmo pensando nisso que aceitei, semanas depois, tudo o que tinha acontecido. Gosto da Eva, gosto muito, com todas as minhas forças! Só fazia sentido aceitar a decisão dela! E como digo, os laços criádos jamais os perdemos. Vamos reforçando esse amor a cada dia! 🙂 Um grande beijinho para vocês, um especial ao Rodrigo! Felicidades| 🙂 :*

A Mãe é minha! · 14 de Novembro, 2018 às 23:23

Que bonito!
Por aqui também já muitas saudades em amamentar. Faz 3 anos do primeiro e 1 ano da segunda! Mesmo assim foi incrível, á volta de 16/17 meses de cada um deles <3

Quanto a ser CAM, muitos parabéns! Papel de ajuda fundamental para muitas mães. Penso é que não estará assim tão divulgado. è pena. Na altura tive ajuda de uma Cam e realmente é valiosíssimo.

Beijinhos e tudo de bom!

    joanaaterapeuta · 15 de Novembro, 2018 às 0:57

    Obrigada pelo miminho! 🙂 Sim, de facto as memórias que ficam são as melhores. É tão bom recordar! 🙂 Obrigada pelo carinho. Faço todo o esforço por divulgar o que faz uma CAM, tendo ajudar a desmistificar as ideias pré-concebidas, … com o tempo, e aos poucos, sei que vamos conseguindo mais e mais avanço. Conseguindo mães e famílias mais informadas teremos aliados de peso! 🙂

    Um grande beijinho! 🙂

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