Ouço imensas vezes a várias mamãs, famílias e educadores expressões do género “hoje bebeu leitinho de lata, dormiu que nem um anjo”… “ficou mais saciado”, …”chorou muito menos e fez menos birras”. Sim, tudo isso é verdade e, realmente, ocorre mas, na verdade, conhecem o real motivo?

Será mesmo o leite artificial um “presente dos deuses”? Não, na verdade não! É-o apenas para aqueles (raros) casos em que a mãe não pode mesmo amamentar, casos extremos em que, e só aí, se deveria prescrever o leite de fórmula. Sim, pois concordo e defendo que este deveria mesmo ser sujeito a receita médica. Não me oponho a quem toma esta opção, mais uma vez o digo. Sou Conselheira em Aleitamento Materno (CAM) e compreendo que amamentar é uma opção de cada mãe, de cada família. Mas também acredito que esta escolha deve ser tanto mais informada quanto possível.

O mito do leite fraco (aqui), os picos de crescimento (aqui), … sobre tudo isso temos aqui falado no blog. Mas, porque se diz que com o leite artificial os bebés ficam mais saciados? Pois, na verdade, isto que parece uma vantagem é, na realidade, o resultado da maior desvantagem deste alimento processado e feito industrialmente, com todas as contaminações a que pode estar sujeito, já para não falar dos custos imensos que acarreta para as famílias.

Este leite é artificial, é igual para todos os bebés. O leite materno, por si só, tem imensas vantagens (aqui), que também já aqui referimos nos vários textos, ao longo dos tempos. É um leite “personalizado”, de cada mãe para o “seu” bebé. A sua constituição varia ao longo dos tempos, … varia mesmo ao longo dos dias, no próprio dia, … na mesma mamada até (vejam como é um alimento perfeito e adaptativo aqui, o vídeo é simplesmente fantástico)! É perfeito para o bebé, adaptado às suas necessidades do momento, adequado ao grau de maturação do seu sistema digestivo. Por isso é muito melhor digerido, … e o bebé pode ficar com fome mais depressa. O motivo é esse mesmo! Também aqui surge novamente o conceito de amamentação em livre demanda que tanto defendo. O bebé, idealmente, deveria mamar sempre que assim queira, sem controlo externos extremos de relógios e rotinas dos pais e cuidadores.

O leite de fórmula é igual para todos os bebés, mesmo tendo eles funcionamentos orgânicos tão díspares. A maior saciedade que provoca advém da sua menor digestibilidade. É comum também nestes bebés que ingerem leite de fórmula haver mais cólicas. Já pensaram que este é um dos grandes motivos? E as contaminações a que pode estar sujeito? O próprio pó, o recipiente onde vem, as condições onde está, desde que é fabricado até que chega a casa dos consumidores finais… Mais ainda! Os custos, a necessidade de ter de levar coisas e coisas numa saída em família para o preparar, o esterilizar biberãos, mais formas de contaminação, … tanto em desvantagem que aqui pode ser enunciado.

Mas refiro novamente, há casos e casos, e sou sempre a primeira a tentar perceber o motivo da sua introdução nos casos que acompanho, … ainda que, na maioria deles, ache que poderia ter sido adiada ou mesmo evitada a sua introdução.

O bebé não pega na mama? A mãe teve algum problema? Não poderia primeiro extrair do seu leite e dar ao bebé? Não se falaria aqui de amamentação, mas sim de aleitamento materno, mas seria na mesma o melhor leite para o bebé! Porque nunca se pensa nesta opção? Basta fazer extração simples, mesmo que seja manual.

Porque se dá tantas vezes o leite em biberão, muitas vezes sem ser fisiológico (biberão que se aproxima ao máximo da forma de sucção do seio da mãe)? Claro, o bebé percebe que assim consegue mais facilmente o seu alimento, pois o esforço feito é quase nulo… com todas as consequências negativas que esta ausência de estimulação pode acarretar em termos de desenvolvimento da face, das suas estruturas e funções (mastigação, fala, deglutição, sucção e respiração).

Se há mesmo necessidade de se dar leite que não pela mama, porque não continuar com leite materno mas num biberão fisiológico? Ou com o copo ou a colher, sempre que o bebé tenha dificuldade em pegar na tetina. Tetinas, sejam elas de chupeta ou de biberão, logo nos primeiros dias ou semanas, podem gerar no bebé a chamada “confusão de bicos” o que em nada favorece a continuidade da amamentação.

Por fim, deixo-vos mais um pedido, também ele em forma de reflexão. Se vos for em determinado momento introduzido leite de fórmula, não encarem esta situação como permanente. Vejam-na sempre como transitória. Se assim puderem, nunca deixem de oferecer a mama. Continuem a manter o peito estimulado e os níveis de produção continuarão altos e adequados ao “vosso” bebé. Ultrapassado aquele que pode ser o problema do momento, o bebé pode voltar à amamentação normal, com todos os seus benefícios e vantagens.

Não se deixem levar por medos, por mitos, … informem-se sempre! Eu, por cá, estou sempre ao dispor, aqui pelo blog, na página de Facebook (“Joana a terapeuta… e a mãe!”) ou no grupo de Facebook “Amamentar sem Barreiras” (link direto para o grupo)! Mães e famílias informadas fazem mesmo as melhores escolhas! Vamos juntas?


0 comentários

Joana Teixeira · 14 de Março, 2019 às 1:13

Desculpe que lhe diga mas acho o texto um tanto ou quanto exagerado e bastante alarmista para aquelas mães que tal como eu não tiveram outra hipótese de não o leite artificial… Concordo em pleno que o bebé deveria ser alimentado com leite materno e também concordo com as mamadas em livre demanda, no entanto nem todas puderam esse privilégio…

    Carlos · 14 de Março, 2019 às 1:29

    O texto salvaguarda a impossibilidade de dar mama que refere. Não percebo onde acha que está o alarmismo. Na minha opinião é um texto bastante informativo! Assim como todo o blog! Já li neste blog muita coisa que me fez ficar muito mais esclarecido para tomar decisões. Parabéns e continue!

    joanaaterapeuta · 14 de Março, 2019 às 1:29

    Olá Joana! O texto é apenas informativo! Salvaguardo nele todas as situações, precisamente pois sei que há mulheres e famílias que não tiveram outra escolha. Salvaguardo ainda as escolhas de mães que, sem qualquer problema de saúde, apenas por opção própria que respeito, tomaram esta escolha. Julgo não estar errada com nenhuma das informações que dou no texto. Não julgo que informar seja alarmar. O meu objetivo é apenas o de fazer as famílias refletir, dado que perante certas opiniões médicas não têm margem para questionar nem para se oporem ao indicado, sob pena de parecerem famílias menos cuidadosas. Todas as mães têm direito à informação, e nem sempre se diz o porquê de realmente o bebé ficar mais tempo saciado quando bebe leite artificial! Porque não falar das coisas abertamente? Não devemos deixar que interesses económicos se superiorizem tantas vezes ao que é essencial e simples. Agradeço ainda assim o seu comentário, pois, como eu o faço, acredito que todos têm direito à sua opinião!

Amamentação vs Leite artificial/fórmula: a guerra que NÃO se impõe! – Joana a Terapeuta… e a Mãe! · 17 de Março, 2019 às 15:27

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