O “nosso” colo… o abrigo dos dias!

Ser mãe, ser pai,  não é tarefa fácil, … educar é talvez dos trabalhos mais duros do mundo. O que acarreta mais responsabilidade, mais dedicação, … o que não escolhe nem horas, nem dias, … uma atividade que não carece de contrato, nem de regras pré-definidas. É para a vida, para todos os momentos, sem viagem de volta!

Ao mesmo tempo, é também a “profissão” mais bem paga de sempre, … a mais ternurenta e ambicionada por muitos! Não trocava a condição de mãe por nada deste mundo, mas hoje, escrevo-vos em jeito de desabafo.

Quem nunca sentiu que por vezes não sabe ser bom pai, boa mãe? Quem nunca teve dias mais difíceis onde parece que cada acontecimento e reação dos pequenos nos desafia arduamente, … onde sentimos que os outros olham para nós como as piores pessoas de sempre? Por vezes tenho a sensação que devo ser a única mãe que fala num tom um pouco mais alto, … que chama a atenção da pequena duas, três, quatro vezes…

Tenho momentos em que sinto que se repreendo sou má, … mas se deixo passar em falso alguma coisa, também não sou boa mãe! Tenho dias em que acho que a minha filha deve ser a única que chora ou que faz uma birra, … só pode, pelo ar de estranheza e pelas várias cabeças viradas que surgem na nossa direção. Enfim, … realmente este é mesmo o trabalho mais complexo de sempre!

Depois, como ontem aconteceu, paro e penso: “Eu sou eu, … com todo o amor que tenho para oferecer à minha filha! Sim, repreendo! Sim, aconselho! Sim, amo-a! Mais que tudo na vida! Sim, … ficou triste, … desgastada, … mas amo-a, mais que tudo na vida, mesmo, sem qualquer margem para dúvida!”

O “nosso” colo ontem foi mais uma vez o meu abrigo, … é-o tantas vezes! Há realmente dias mais complicados, em que parece que não reconhecemos os nossos filhos e as suas atitudes, … mas depois penso e coloco-me no lugar da pequena: o dia tinha começado às 7:00… no dia anterior tínhamos festejado juntos o aniversário do papá! Ora, se até nós, adultos, totalmente conscientes e responsáveis temos dias menos bons, porque não hão-de eles de os ter? Por acaso acordou muito bem disposta, … tinhamos um batizado e estava toda feliz por ir ter um vestido como o da Bela, da Bela e o Monstro. Esqueçam os folhos e o amarelo caraterístico daquela princesa. Era apenas um simples vestido às riscas, mas era comprido e tinha um laçarote a trás! Sim, porque as crianças valorizam a simplicidade. Era apenas um vestido de 9,99€, mas para ela tinha magia. Ainda por cima, iamos de igual! 🙂 Para se ser feliz é realmente preciso tão pouco. Quem dera a metade dos adultos do mundo manter esta essência tão pura.

Mas depois, o dia fez-se longo, entre muita gente nova, muitas outras crianças, muitas brincadeiras, muitas descobertas, … uma piscina apetitosa que chamou por ela todo o dia! Foram muitas novidades, muitos desafios, … as nossas regras de adultos, os perigos à espreita, …

Foi mesmo um dia cansativo! Feliz, por estar com ela, mas repleto de chamamentos de criança, no auge dos seus dois anos, quase a completar os três. No meio de todas as coisas bonitas da natureza, nas brincadeiras diferentes que lhe surgem na ideia, nos perigos que ainda não reconhecem…

Eram cerca de 19:00 quando a Eva me caiu no colo. “Mamã, só quero dormir no teu colinho!” Conseguem imaginar o render que foram aquelas palavras? Senti ali de novo a minha menina. Agradeci todos os miminhos, que retribuí sem demora, com tanto, tanto amor! A minha menina doce estava ali de volta, depois de todas as corridas desafiantes, de todos os “nãos” que não acatou, …

E o “nosso” colo, voltou a ser o refúgio feliz dos dias que correm. Não tardou cinco minutos e já lhe sentia a respiração profunda no meu peito. Ali ficámos umas duas horas, … o meu peito já estava molhado da transpiração toda dela, mas ainda assim, soube tão bem. Já noutro texto o disse, e continuo a sentir isso mesmo: não é só ela que pede colo! Quando lhe dou o meu colinho, temos ali o “nosso” colo! Ela recebe o aconchego e o miminho, mas eu encontro ali também o melhor local do mundo, o mais seguro, o mais terno, … o mais desejado. Perdi a conta das vezes que lhe acariciei o cabelo, madeixa por madeixa… das vezes que lhe fiz festinhas na face, … que lhe toquei nas orelhas ao de leve e na testa, massajando as zonas de relaxamento, por excelÊncia. Aconchegava-a mais e mais, … os beijinhos foram aos milhares, … as carícias, …

Todo o mundo ali, só nós as duas, … o descanso da guerreira. Que dia intenso, quantas descobertas e desafios. Mas a verdade é que ela estava feliz, e eu por ela, também! Depois, comecei a sentir os olhos rasos de água, … e o que eu fiz para controlar todas as lágrimas que teimavam em cair, … a minha menina está a ficar crescida, … o mundo dela cresce todos os dias, os seus horizontes alargam-se a cada nova experiência, … desafiar faz parte de todos os caminhos! Nós, pais, estamos tão pouco preparados para isso! Sei que tem de acontecer, .. que esse caminho já começou há muito.

O dia em que eles nascem, em que saem de dentro de nós, marca o início de tudo isso. A verdade é que estamos tão preocupados com os sonos, as fraldas, as mamadas, … que nem nos damos conta!

Ontem, mais uma vez, tive essa noção. Arrepiei-me… gelei-me… Senti que tinha de aproveitar aquele e tantos outros momentos ao máximo. Revi passagens,  revi recordações, … gravei vezes e vezes seguidas aquela imagem na minha cabeça. Como é possível sentir tantas saudades de um momento que ainda estava a acontecer? Estranho, não é?

É em situações assim que sentimos o amor desmedido que lhes temos, ainda mais… e juramos que vamos ter mais tempo para eles, para continuar a vê-los crescer felizes e em graça. Ali, mais uma vez, pensei para mim: “vamos aproveitar cada momento ao máximo, por mais pequenino e simples que seja!”. Guardo cada frase, cada sorriso, cada expressão deliciosa, …

Ser mãe, não é fácil, … mas a recompensa é sem dúvida a melhor do mundo. E tanto que aprendo contigo! Fica prometido minha Eva, … hoje, vou ser ainda melhor mãe que ontem. Prometo respeitar as tuas reguilices, as tuas descobertas, a tua ânsia de crescer e de ser, … mais que uma espetadora, quero ser companheira, hoje e sempre!

Desculpem o testamento, … desculpem o desabafo, … há dias assim, mas a escrita traz-me sempre esta paz que necessito!

Filha,.. OBRIGADA pelo colo que me dás, … o “nosso” colo é sem dúvida o “nosso” melhor abrigo!

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