A quinta feira foi um dia de coração cheio, de muitas emoções, … de todo o tipo. Mas o serão não podia ter sido mais enriquecedor e ternurento. Fomos, pela primeira vez nestes dois anos e meio, a um concerto todos juntos. Tanto que o queríamos fazer há muito, mas infelizmente nem todos os locais o permitem! Desta vez, foi diferente.

Enviámos email ao TAGV (Teatro Académico de Gil Vicente) e logo nos permitiram a entrada da pequena, ainda que ficando ao colo. Nada contra, mais uns momentos de mimo, de colo e de ternura, que valeram por tudo. O concerto era pela paz, pelos direitos humanos… Coro Sinfónico Inês de Castro! Majestosos espetáculo, com todo o mérito aos intervenientes. Há muito que não me deixava assim levar pela emoção da música, pelo som, pelas intensidades, pela harmonia das vozes e o seu entrelaçar feliz com todos os instrumentos, … durante tanto tempo foi ali que cresci! No meio do coro, das orquestras, dos festivais da canção infantis da escola de música que frequentei durante quase vinte anos, … o burburinho do palco, o nervoso miudinho, o peso da responsabilidade e o prazer dos momentos de apresentação ao grande público. Que saudades de todo aquele frenesim!!!

Várias vezes me arrepiei, quer pelo tema, quer pelas lembranças felizes de uma infância e juventudes passadas no meio da música e de todos os seus afazeres felizes. Sou grata a esta educação que tive, … a este caminho que tracei.. a todos com quem me cruzei. Saber que hoje posso partilhar isso com a Eva deixa-me ainda de coração mais aquecido!

E ela vibrou! Delirou com tudo! Os sons, as pessoas, os instrumentos, as imagens que passavam num ecrã, no grande palco. Os olhos enchiam-se depressa de mais, ela queria absorver tudo: cada som, cada passo, cada vez que os solistas se abeiravam da frente do palco, os movimentos do maestro… Sinalizava com expressões faciais e corporais fortes cada mudança de andamento e cada intensidade mais forte, sobretudo da percussão e dos metais. Estava rendida … uma estimulação variada, mas tão harmoniosa, que lhe tomou conta dos sentidos durante cerca de uma hora e meia, uma hora e meia grandiosa, de tanto para contar!

Estava petrificada, com olhar atento e quase nem pestanejava. Colheu cada emoção, verbalizou isso tantas vezes! “Tenho medo mamã e papá!”. E via-a olhar com compaixão para as crianças que o vídeo ia mostrando… aquelas que, como lhe dissemos, eram “os meninos que não tinham comida”, como tantas vezes a alertamos.

E foi assim, do início ao fim, sem desligar daquela nova realidade, sempre reagindo aos medos, aos momentos mais serenos, que o concerto chegou ao fim. Teve magia,… a magia do nosso primeiro concerto “à seria”! A magia de um momento magnífico em família, … que prazer ver a satisfação no seu olhar, nos olhos do pai que a teve quase sempre ao colo vivendo tudo isto ainda mais intensamente.

Obrigada filha, … contigo, tudo se torna ainda mais especial!


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