Cada vez mais a amamentação é um assunto falado e discutido em sociedade, dado que, felizmente, cada vez mais mães levam em frente a sua vontade em amamentar os seus filhos, por períodos de tempo cada vez maiores. Nesta semana, dedicada mundialmente à sensibilização para o Aleitamento Materno, que decorre de 1 a 8 de Agosto, não podia deixar de abordar para esta temática!

Partilho ainda com vocês que, se já adorava este assunto, muito pela minha parte profissional, mas ainda mais pela minha própria experiência como mãe, recentemente me tornei Conselheira em Aleitamento Materno (CAM). Mas, o que faz uma CAM? Uma CAM auxilia mães e famílias nas questões do aleitamento materno e não falo apenas na amamentação, pois muitas outras formas de facultar o leite materno aos bebés existe, e em breve falarei disso mesmo! Esta ajuda começa logo na gestação, altura em que as futuras mães e pais, e as famílias, em geral, começam a tomar a decisão de amamentar ou não os seus bebés!

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Pois bem, sabem quais são as principais vantagens para os bebés? São muitas, imensas, … todas as que possam imaginar e mais algumas, … tantas que é até impossível fazer uma listagem intensiva e que abrace todos os pormenores! O leite materno, cedido seja de que forma for, por oposição ao leite artificial/de fórmula, fornece à criança um cocktail ultra completo de vitaminas, nutrientes, proteínas, ácidos gordos, formas de imunização, … por isso é o alimento mais completo e o único que a criança necessita nos 6 primeiros meses de vida, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Nem chás, nem água, nem qualquer outra solução açucarada, …nada, o bebé apenas necessita de leite materno! Para além disso, recomenda-se ainda a continuidade do aleitamento materno, em associação à alimentação complementar, pelo menos até ao segundo ano de vida, podendo prolongar-se sempre que mãe e criança assim o desejem!

Para além de ser a opção mais económica, já que os gastos com leite artificial, nos primeiros meses, podem rondar os 1000 euros, ou mais, (considerando a compra das latas de leite, biberons, tetinas, a sua higienização, …) é também a que mais protege contra doenças, no momento e no futuro. Estudos de Ball e Wright, realizados na Escócia, compararam 1000 crianças amamentadas em exclusivo até aos 3 meses e outras 1000 não amamentadas. A diferença entre elas foi de cerca de 60 episódios de doenças do foro respiratório, mais 580 episódios de otite registados no grupo não amamentado e mais 1053 episódios de gastroenterite, só no primeiro ano de vida. Para além dos custos que acarretam ao serviço nacional de saúde, para os pais, os episódios de doença e de hospitalização são sempre momentos complicados e que em muito afetam a dinâmica familiar!

Um outro estudo de Quiglev, feito com mais de 15000 crianças em Inglaterra, concluiu que se o aleitamento materno fosse exclusivo, cerca de 53% dos internamentos por diarreia no recém-nascido e 27% das infeções respiratórias poderiam ser evitadas. Dados ainda mais preocupantes da UNICEF, relatados por Gonzaléz, indicam que mais de um milhão e meio de crianças morrem a cada ano pela privação da amamentação.

A amamentação reduz ainda a incidência de outros quadros clínicos como a meningite, tal como indicado por Silverdal, de leucemia, segundo Benner e Shu, e de morte súbita, segundo Alm. A longo prazo, os níveis de obesidade apresentados por estas crianças são diminutos (Von Kries), e a pontuação obtida em testes de QI é superior (Angelsen). A proteção é extensiva a casos de diabetes tipo I e II, hipertensão, obesidade e colesterol. A lista de benefícios e de doenças em que a incidência é menor nas crianças alimentadas por leite materno é extensa e cresce todos os anos, com os novos estudos, permanentemente realizados.

Para além de tudo, sabe-se que um bebé amamentado permanece mais tempo junto da mãe, o que permite o desenvolvimento do vínculo materno, que se torna cada vez mais estreito. Para além da cumplicidade gerada entre mãe e filho, e muitas vezes, por todos os que partilham este momento, muitas das vezes o pai, os bebés tornam-se mais seguros. No futuro, a sua personalidade ancorará em muitos destes sentimentos de bem estar e de confiança, gerados no momento do aleitamento.

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Ainda tem dúvidas em relação aos benefícios? Coloque-me todas as questões, pois estarei ao dispor! Divulgue esta informação pelo seu grupo de amigos e familiares, sobretudo se vêm bebés a caminho para breve!

 

 


5 comentários

Raquel Ribeiro · 3 de Agosto, 2017 às 20:03

Boa tarde. Tenho uma bebe com quase 3 meses, exclusivamente a LM, e desde 2f que começou a estar mais chorona e a mamar menos. Fiquei com os mamilos vermelhos e parte da auréola. Neste momento mama uma mama até ao fim e a segunda mama rejeita passado uns 5min, fica bem disposta e não quer mesmo mamar mais e tenho de ser eu a acorda-la para mamar, não se queixa de fome. já experimentei pôr o meu leite no biberão e tb não quer. Hoje resolvi pesa-lá antes e depois pq achei q estava com menos leite e está só a mamar 80ml, antes mamava 120/130 por mamada. Não sei o que fazer. Consegue ajudar-me?

    joanaaterapeuta · 4 de Agosto, 2017 às 2:23

    Olá Raquel! 🙂 Que bom que já lá vão 3 meses de aleitamento materno em exclusivo! 🙂 É o melhor que podemos dar aos nossos bebés! Os 3 meses, por norma, são marcados por mais um pico de crescimento, por isso é natural que note algumas alterações no comportamento da sua bebé! Aconselho o aleitamento feito em livre demanda, para que a pequenina supra todas as necessidades e o seu corpo se vá habituando à quantidade de leite que ela necessita, produzindo sempre a quantidade certa. Quanto mais a pequena mamar, mais leite a Raquel estará a produzir! E o nosso corpo sabe tão bem o que faz, que a cada momento produz leite com as características certas que o bebé necessita nessa fase. Mesmo ao longo de um dia, e ao longo da mesma mamada, o leite vai assumindo diferentes composições! Nunca duvide que o seu leite é mesmo o melhor para ela! Confirme os sinais de pega correta da pequenina, veja se ela está a pegar bem na maminha, pois se assim for, mama melhor e não é doloroso para si http://maedacabecaaospes.com.br/wp-content/uploads/2014/01/pega-correta.png.

    Quanto à questão de mamar uma ou as duas mamas, nem sempre os bebés necessitam de mamar as duas. Mais importante que isso, e serão sempre eles a decidir a quantidade a ingerir, o que interessa é que façam o total esvaziamento da mama, dado que o leite inicial é mais aquoso e o final é mais rico em gordura, o que perfaz uma “refeição completa” e que realmente sacia e nutre!

    Confie na amamentação em livre demanda, a sua bebé sabe quando ficará saciada! Eles gerem muito bem tudo isto! Se ela está a crescer bem, não necessita de a acordar para mamar! Apenas se estiver a aumentar pouco o deve fazer, caso contrário, se ela passar mais algumas horas sem mamar, vai reparar que depois, quando acordada, fará mamadas mais regulares para “compensar”!

    Espero ter ajudado! Qualquer outra questão ou dúvida estarei inteiramente ao dispor!

carlosamaralphotography · 4 de Agosto, 2017 às 1:16

E viva a mama!

O leite artificial sacia mais, … mas sabe realmente porquê? – Joana a Terapeuta… e a Mãe! · 14 de Março, 2019 às 0:12

[…] é artificial, é igual para todos os bebés. O leite materno, por si só, tem imensas vantagens (aqui), que também já aqui referimos nos vários textos, ao longo dos tempos. É um leite […]

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