Os pés… e todo um mundo de aprendizagens!

Já há alguns dias que ando para escrever acerca deste tema, por causa de um episódio que se passou com a Eva na passada Quinta-feira. Ainda assim, a semana que já lá vai foi um pouco mais ocupada e por isso estive ausente! Mas esta semana estamos de regresso, … e com tanto para aprender e partilhar!

Ora, lá aproveitámos mais um dos momentos de “veste e despe” para estimular a pequenota, algo muito simples que também em vossas casas, creches e outros locais podem fazer para interagir com os mais pequeninos. Agora que o frio já se faz sentir, as meias são aliadas indispensáveis para ajudar a acumular o calor do corpo e manter os nossos rebentos mais quentinhos. São, sem dúvida, uma parte fundamental da indumentária diária! E o que vem também com as meias, sobretudo as que são novas? Pequenos pelos e restos de algodão que ficam alojados nos dedos pequeninos! E assim, um novo mundo de aprendizagens surge com os pequenos pés dos nossos bebés!

Quando preciso de mudar a Eva, seja apenas para lhe trocar a fralda ou mesmo antes de ir para o banho, pego nos pés e vou-os tocando. “Pé direito, … onde está? É este!!!! E o esquerdo?? Está aqui!!!!” Sempre com muita alegria à mistura e expressividade facial. Ela adora e responde com o seu enorme sorriso. Repito isto mesmo quando lhe tiro as meias! E depois, … “ai o chulé!!! Puhhhh…o pé esquerdo cheira tão mal!!! Hummm (inspirando profundamente!)… mas este cheira tãoooo bem!!!!”. Claro que vou sempre acompanhando estas frases com a voz a condizer, bem como com as expressões da face, para ela ir percebendo esta dicotomia de sentimentos e de sensações! E foi neste momento que da Eva retirei uma pequena gargalhada, tão boa, tão docinha, tão tudo!!!

Mas a brincadeira continuou! “Oh… tanto lixinho no meio dos teus dedos!! Quantos são? Um… dois… três… quatro… cinco!!!” E ia percorrendo cada um dos seus pequenos deditos, enquanto ela se mostrava toda divertida! “Agora vamos limpar o lixinho todo! De um dedo… do outro… ena, tantas caquinhas!”. E assim, ao mesmo tempo que a ia mimando e lhe ia proporcionando momentos divertidos, lá estava eu a estimular a linguagem, o vocabulário, a capacidade sensorial da minha menina… tantas coisas numa simples tarefa rotineira! Esquerda-direita, números, expressões e sentimentos… experimentem! Os sorrisos que vão receber valem tudo!

Tu vestes-me… eu aprendo!

Já no último texto do blog o defendi e defendo sempre! Qualquer momento do dia e qualquer tarefa quotidiana e rotineira podem constituir experiências muito enriquecedoras para os nossos pequenitos!

Com a Eva, costumo utilizar muitas vezes o momento do vestir e do despir para ensinar vocabulário e muitas expressões novas. Há tanta coisa que eles podem aprender! Ora vejam só: expressões de lugar, nome de peças de roupa, o conceito de “direita” e “esquerda”, as cores, as partes do corpo … tantas, tantas coisas!

O momento em que mudamos a fralda à Eva ou em que mudamos também a roupa, já se sabe, é uma festa cá por casa! Ela adora estar sem roupa! O frio é algo que ela ainda parece desconhecer! E lá começamos nós! “Vamos tirar o fatinho? Agora as calças, … as meias, … e o body!” Boa, tantas peças de roupa para aprender e descobrir! E depois ainda temos as saias, os vestidos, as camisolas, os collants, os casacos… é sempre a aprender, a cada dia a somar!

E quando a visto? Adoro a hora em que vestimos o body! “Eva, vamos lá! Uma ‘cuca’ para o body entrar! Vai pela cabeça… e já está! Agora vamos puxá-lo… de cima para baixo! Pegamos-lhe atrás, aqui nas costas, e vimos para a frente para apertar as molas aqui no meio e para a barriga ficar quentinha!” Um sem fim de expressões temporais e locativos! Tão úteis que vão ser estas “lembranças” daqui por uns tempos, quando a linguagem começar a querer dar mais sinais!

Vamos fazendo isto tudo com muita calma, … dizendo cada expressão lentamente para os pequenotes as irem absorvendo, para se irem familiarizando com elas! Podem perceber pouco, mas a verdade é que, repetidamente ouvido, aquele vocabulário começa a criar memórias nos seus pequenos cérebros, cada vez mais ávidos de linguagem, de palavras, de pessoas, de novidades! A Eva adora! Fazemos isto tantas vezes!

“Filha, agora vamos calçar as meias! Primeiro o pé direito, … depois o pé esquerdo…!” O mesmo fazemos com as mangas dos fatinhos, das camisolas e dos casacos e assim lhes falamos também dos braços! Vamos também consciencializando acerca das partes do corpo, algo também importante no seu desenvolvimento! E quando falamos das cores, a animação continua! “Hoje vamos vestir o casaco cor-de rosa! Que linda que ficas!”.

E é assim! Animação a cada dia! Alegria em cada muda de roupa! Aprendemos sem parar, repetimos para mais tarde recordar! Assim vamos crescendo, a Eva como pessoa, eu como mãe e como educadora. É divertido, experimentem! Acham que poucos resultados são visíveis? Façam-no… os frutos serão colhidos mais tarde! Por eles, tudo vale a pena! E ensinem também ao pai, aos avós, aos tios, … na escolinha dos vossos filhotes! Afinal, se todos os momentos são bons para aprender, todos os contextos e pessoas o são também para ensinar! Lembram-se do “super-poder” de ensinar linguagem que falámos no texto anterior? É este mesmo, está ao alcance de todos nós!

Estimulação da linguagem em bebés… o “super poder” de pais e educadores!

Já há muito tempo que pediatras, cientístas nas mais variadas áreas médicas e profissionais da educação se debruçam sobre a estimulação e o desenvolvimento da linguagem humana. Ora, ainda que muita gente pense que um bebé de poucos meses pouco apreende daquilo que lhe dizemos, a verdade é que todo este conteúdo dará frutos mais tarde, ficando como que “em fermentação”, bem armazenado, para a fase em que o desenvolvimento linguístico finalmente será mais visível (e audível!), com o surgir das primeiras palavras e, mais tarde, com a “explosão” de vocabulário.

É defendido por enúmeros estudiosos que, desde muito pequeninos, os bebés devem ser confrontados com pequenos diálogos e mesmo alguns” monólogos interativos” com o cuidador. Eu, como Terapeuta da Fala e como mãe, não podia estar mais de acordo. Sei bem a importância do que é colocar os nossos meninos em contacto com a linguagem desde muito cedo, fazendo-os “beber” da nossa língua! Tenho aconselhado ao longo dos últimos anos de trabalho e de intervenção terapêutica com crianças muitos pais a fazerem isto mesmo! Falem com os vossos filhos, perguntem-lhes como foi o dia deles, que actividades fizeram no infantário, na creche, na escola, … com quem brincaram, o que aprenderam de novo, o que mais gostaram daquele dia! Incentivem sempre os mais pequeninos a participar de pequenos diálogos, peçam-lhes conselhos, deixem-nos voar com a imaginação inventando pequenas histórias juntamente com vocês, à vez!

Pois, mas se um bebé de meses, e mesmo de dias, não me responde, o que posso eu fazer? Boa pergunta! Podemos ir, aos poucos, apresentando-lhes a linguagem, o vocabulário base mais comum e também o menos frequente da nossa língua. Podemos descrever as rotinas, o que fazemos no momento em que interagimos com eles, enunciando o nome dos objectos que vamos utilizando (roupas, produtos de higiene, …).  Vão ver, há sempre tantas possibilidades, todos os dias, de lhes apresentarem palavras novas!

Ao fim do primeiro ou segundo mês de vida os pequenitos começam também a interagir connosco, podendo mesmo realizar pequenos diálogos. Deixem o pequenote “falar” à sua maneira e respondam da mesma forma. Vão alternando estas “frases” com eles, como se de uma verdadeira conversa se tratasse!! Para eles é mesmo! Eles adoram! Oh, tantas conversinhas destas que temos com a nossa Eva cá por casa! Úm autêntico diálogo ternurento, que preenche grande parte dos nossos dias!

É isto! Devemos falar com os nossos pequenos, desabafar, descrever, perguntar, ouvir, … Mesmo que eles pouco percebam e nem sempre nos “respondam” da forma que estávamos à espera, a verdade é que todo este vocabulário vai entrando aos pouquinhos no seu cérebro, tornando-se cada vez mais familiar! É meio caminho andando para o despertar da linguagem! É mesmo o seu início!

Com a Eva faço isso todos os dias, é a minha mais recente confidente! Tenho por hábito contar-lhe segredos, coisas que vou fazendo no dia-a-dia, descrevo-lhe algumas tarefas que realizo com ela, … e a verdade é que ela presta muita atenção, como se me percebesse realmente! Todos os momentos são propícios a fazê-lo e ontem mesmo tivemos uma ótima hora de almoço! Enquanto a Eva estava no seu ginásio musical eu fui almoçando junto dela, sentada na carpete da sala, ao seu lado. Com os devidos cuidados por a comida estar ainda quente, tentei que ela sentisse o cheiro e fui-lhe descrevendo o que comia. Ela ia-me olhando, atenta, esboçando pequenos sorrisos! Depois falei-lhe das frutas! Ela olhava com tanta atenção a maçã que eu comia! Mas a melhor parte foi quando lhe agitei uma pequena garrafa com um pouco de água no fundo! O que ela prestou atenção ao som que fazia!

Todos os sentidos a trabalhar, é o que se quer! E todos os dias o fazemos!  Mais tarde, vai estar lá tudo em memórias, pois o nosso cérebro é mesmo uma poderosa máquina que armazena e utiliza o que contém nos momentos mais oportunos! Cabe-nos a nós, pais e educadores, estimularmos o potencial dos nossos meninos e meninas, despertando conhecimento que tão útil lhes será no futuro!

O que o Domingo à tarde nos faz!

Domingo à tarde: um misto de sentimentos estranhos entre o “ainda é fim de semana” e o “é quase segunda-feira”! Para mim, o fim de semana tem uma enorme panóplia de emoções! O serão de sexta-feira marca o início maravilhoso do fim de semana, com a família reunida e com a despreocupação em relação a horários tão rígidos! O Sábado à noite é a noite “rainha”, a minha eleita em termos de deleite familiar e de boa disposição. Ai se lhe pudesse por um travão e fazê-lo durar… durar… e durar! O Domingo, mesmo assim, é sempre muito bem aproveitado por cá, dividindo-se entre as tarefas de casa e a alegria que é estarmos todos reunidos: a Eva, eu e o pai!

Ao fim de almoço, depois de fralda mudada e barriguita cheia, a Eva ficou mais aos cuidados do pai enquanto eu fazia uma sopa para a semana e um petisco para adoçar a tarde! Os programas entre pai e filha já costumam ser animados e de uma loucura infindável, mas hoje tivemos o quê? Programa perfeito: pai e filha a assistir a corridas de carros! Já não bastava outrora andar a mãe metida nestas andanças e hoje dou com a minha filha ao colo do pai e depois na espreguiçadeira com um nivel de atenção e concentração magnífico ao que por ali se via. Parecia que seguia os carros e as voltas que eles davam com a própria cabeça! Incrível o que faz um ecrã, movimento … e um pai que sujeita a filha a coisas destas! Numa das espreitadelas que lhe ia dando para dar miminhos (tão bom que é!) o pai saiu da sala e eu lá mudei a televisão, achando que aquilo não era opção de programa para a Eva ao Domingo à tarde! E sabem que mais? Ela reclamou! Parecia mesmo que estava a gostar, e lá lhe deixei continuar com o programa preferido!

Mais tarde, e como se ver corridas de carros não fosse já algo muito alternativo para uma pequena de 3 meses, o que se seguiu? Pois bem: filmes de ação ao mais alto nível! Ela continuava a vibrar! Impressionante, tudo o que envolve movimento, barulho e animação é mesmo o programa de eleição da pequena! A atenção partilhada entre ela e o pai em relação ao ecrã era notória (sempre a somar em termos sociais e de desenvolvimento)! Desenhos animados? Sim, também gosta, mas como ao fim de semana os quatro canais poucos ou nenhuns passam durante a tarde, ela deliciou-se com o que havia! Ainda assim, alguns soninhos pelo meio no colo do pai e muitas canções trauteadas também fizeram parte da nossa tarde! A televisão acabou por ser secundária!

O melhor de tudo isto? Estarmos em família, partilhar colinhos, mantas, abraços, beijos, uma tarte de pastel de nata gigante e muita alegria! Porque depois de todas as emoções da velocidade e dos filmes do Arnold Schwarzenegger, o que conta realmente é estarmos juntos, seja lá com que programa de televisão for! Acho que começo a gostar um bocadinho mais dos Domingos à tarde! Segunda-feira? Não faz mal… rapidamente passam mais 5 dias e é fim de semana outra vez (vivam os pensamentos (extremamente) positivos!).

Uma pequena flor amarela!

Cá por casa, o pai da Eva tem um costume muito bonito e que eu aprecio particularmente desde que namoramos: oferecer-me flores! Não, não me oferece grandes ramos em dias de “festa” ou em dias ditos  “mais especiais”. Oferece-me flores nos nossos “dias especiais”, mesmo que estes sejam apenas dias normais, mas que nós fazemos questão de tornar “especiais”! Dias destes, para nós, são todos! Todos os dias que partilhamos, todos os dias em que nos mantemos unidos e em que somos, cada vez mais, um só!

Ora, há cerca de duas semanas, lá chegou ele com uma bela gerbera amarela (sabe tão bem como as adoro!). O tempo não tem estado muito quente, por isso ela tem-se mantido linda, tal como no primeiro dia, numa jarra que temos à entrada de casa, num pequeno móvel. Como passo muito tempo com a Eva na nossa já tão famosa “volta a casa em colinho”, tenho reparado que a flor lhe desperta atenção. Será pela cor, ou entenderá ela o verdadeiro significado daquele pedaço de natureza, com tanto peso sentimental?! Quero acreditar que sim!

Ontem, numa dessas voltas pela casa, a Eva fixava a flor, mais do que em qualquer outro dia! Fiz-lhe a vontade e ali parei um pouco. Permiti-lhe chegar mais perto, no meu colo, e deixei-a mesmo tocar a pequena flor! Não tirava os olhos dela, e pareceu feliz por lhe poder tocar. Afinal, era algo novo, algo para prestar atenção e para lhe acariciar os sentidos! Ao toque respondeu com um sorriso e pareceu “dedilhar” as pétalas da doce gerbera! Ela parece perceber tão bem as pequenas coisas que me unem ao pai, e o nosso orgulho e admiração por estes pequenos gestos cresce a cada dia que passa.

“É amarela, Eva! É bonita, não é? E as pétalas? São tão pequeninas e suaves, não são?” E ali ficámos nós, em contemplação plena: a Eva em relação à flor, eu em relação a todo aquele cenário de tão grande doçura. Todos os momentos são ótimos para aprender e a Eva teve mais uma oportunidade para descobrir uma cor, uma cor que lhe despertou a atenção, pois nesta fase os seus ainda frágeis olhitos poucos pigmentos distinguem. A textura da flor, sim, mais uma novidade para ela! Como gosto de dizer (e de lhe proporcionar a cada dia): “estamos sempre a aprender!”. Uma palavra nova, um cheiro, … tudo é bom! A linguagem e os sentidos agradecem!

Enquanto escrevia este texto, resolvi ainda procurar o significado da gerbera quando é oferecida a alguém, e mais maravilhada ainda fiquei. Só podia! E passo a citar-vos: “Gérberas são flores que podem significar sensibilidade,sensualidade, amor, nobreza,alegria e simplicidade (…). Simbolizam a pureza e inocência das crianças, e também a beleza da vida e energia positiva da natureza. (…) … elas também estão relacionadas com o sucesso…”

No fundo, é mesmo isto, … o amor, a alegria, a pureza e a inocência… é tudo isto que quero para a minha pequenina, hoje e sempre! Energia positiva e sucesso também ambiciono para ela em doses redobradas!

P.S.: “Pai”, podes continuar a trazer mais flores! Nós adoramos, e ainda tenho tantas cores para ensinar à Eva! Que nunca nos falte esta cumplicidade que ela tão bem partilha! Gostamos de ti!

Chuva lá fora… magia dentro de casa!

Hoje, a meio da tarde, eu e a Eva (e toda a Coimbra!), fomos brindadas com uma bela chuvada! Chuvada e trovoada (os miúdos adoram rimas, podem-lhes ser proporcionadas em doses garrafais, carríssimos pais e educadores!). Como a Eva já estava despachada de mais uma sessão de “leitinho para encher a barriga”, peguei nela e fomos até à janela do quarto dela! Já é costume, após a sua digna refeição, circularmos pela casa, sim, porque a Eva não gosta lá muito de fazer a digestão “estacionada”! E assim foi, lá começamos nós mais uma sessão de “volta a casa em colinho”!

Quando então chegámos à janela do quarto parece que se tinha feito magia diante dos olhos da minha pequena! Ficou encantada, não sei se com o que via, se com o que ouvia, se com a combinação dos dois poderosos estímulos que a chuva trazia. Já tinha chovido mais uma ou outra vez desde que ela nasceu, mas com tanta força e de dia, penso que não, por isso hoje resolvemos mesmo aproveitar a oportunidade que a natureza nos trouxe!

Foi uma bela “aula” de estimulação auditiva e visual que consegui dar à Eva, pois para aprender, todas as oportunidades são boas! O que primeiro lhe prendeu a atenção foram as pingas mais grossas que caiam junto à nossa janela, mesmo próximas dos nossos olhos, penso que vindas dos beirais do prédio. Depois, o contraste com a chuva que ia caindo tão direitinha e de forma intensa para a nossa rua! Não sei se ela conseguia ver ainda a “levada” de água que corria junto ao passeio, em frente ao prédio, mas parecia que sim! Estava ela maravilhada e eu também, por toda aquela experiência visual que lhe pude proporcionar!

E o som? Não é que a cativou também?! Normalmente, ouvimos música clássica na aparelhagem ou no computador, pomos vídeos infantis no youtube ou na televisão, com dvd’s, mas hoje, poder ouvir sons reais foi algo maravilhoso! Ela parecia estar tão atenta! Ping, ping, ping… e inspirada pela doce melodia da chuva, lá comecei eu a trautear uma canção ao acaso, inventada, para a cachopa! Ela adorou! Ping, ping, ping! Permiti que ela me olhasse no rosto quando cantei para ela e não é que a atenção redobrou? Pois, ora nem mais! Os responsáveis eram os sons bilabiais, ou seja,  os sons que produzimos com os dois lábios quando estes se juntam, tão fáceis de notar quando o nosso bebé nos olha. O /p/ do “ping, ping “, de “papá” e de “pai”, tal como o /m/ de “mamá” e de “mãe”, são dos sons mais facilmente observáveis pelos nossos pequenos rebentos! O /b/ de “bebé” e de “baba” também é poderoso para os seus olhitos cheios de vontade de tudo ver e igualar! Se têm a sorte de ter um pequeno ser maravilhoso, sedento de gestos para imitar, estes sons são do melhor para os estimular, palavra de Terapeuta da Fala! E a Eva não foi exceção, porque adorou!

Que maravilhoso momento passámos! Cantámos, dançámos, partilhámos expriências e uma dose extra extra extra grande de miminhos! Voltei a lembrar-me de como é bom ouvir e ver a chuva lá fora, no conforto do nosso lar, quentinhos e sem uma gota de chuva em cima para nos resfriar! Hoje, para além de redescobrir este prazer (pois normalmente apanhava era as chuvadas nas corridas entre o trabalho!), descobri ainda como é tão bom poder partilhar estes momentos com a minha filha! Pois, quando a chuva cai lá fora, … a magia pode acontecer em nossa casa! E hoje, assim foi!

A Mafalda… e a construção de alguns valores de vida!

Descobrimos há pouco tempo que a mais recente paixão da Eva é a Mafalda! Sim, essa mesmo, a afamada pequena rapariguita, “filha” de Quino! Então não é que a Eva venera a sua imagem? Pois é! Temos no nosso quarto, qual obra de arte caseira, um quadro desta personagem, olhando tristemente o nosso mundo! É especial para mim e para o pai da Eva, e saiu das minhas mãos como prenda de Natal para ele há uns anos atrás. Lembro-me perfeitamente de estar numa azáfama para a terminar na noite de 23 para 24 de Dezembro, uma noite que praticamente passei em claro. Mesmo sem grande jeito da minha parte, valeu todo o carinho que ali coloquei. A reação da Eva ao contemplá-lo é mais uma prova! Penso que ela percebeu isso mesmo e o significado que aquela imagem tem para nós.

Como temos o quadro pendurado por cima da nossa cama, este é uma companhia assídua cada vez que a nossa pequenota vai mudar a fralda. Começa com um pequeno sorriso, olha-o sem parar e, mesmo perante o olhar triste e desanimado da Mafalda, ela sorri, numa inigmática antítese de sentimentos! Claro que não precisamos de dizer que sentimos um grande e secreto orgulho por ela admirar tanto esta imagem, que tanta carga emocional acarreta para nós.

Tantas vezes esta situação se repetiu nos últimos tempos que ontem resolvi pegar na nossa pequena e, subindo com ela para cima da cama, em pé, a aproximei do quadro. Ela conseguiu esboçar um sorriso ainda maior! Como é possível, perante toda a tristeza da “menina de vermelho”?. Resolvi então, nem sei bem porquê, explicar-lhe o significado daquela imagem. “Sabes porque é que a Mafalda está triste, Eva? Esta triste por olhar para o nosso mundo, um mundo tambem ele triste, sujo, impuro, sem valores, … um mundo doente, como ela própria o diz!”. E foi assim, com base nesta pequena explicação que me habituei a ver, ao ler os livros de banda desenhada da dita personagem, que iniciei com a Eva uma breve reflexão. Mesmo que ela ainda perceba pouco do que lhe digo, sinto que devo começar desde cedo a passar-lhe os nobres valores da vida, aqueles que podem ainda mudar o semblante da Mafalda. “Devemos tentar deixar o mundo um pouco melhor, Eva, … para ajudar a Mafalda a sorrir!”.

Na verdade, o que pedi à minha menina é que seja uma inspiração, um sopro de mudança no mundo “ferido” que veio encontrar. Não, ela não pediu para nascer! É ingrato até hoje em dia trazermos os nossos filhos a este mundo cruel, quando tudo o que queremos é que sejam felizes! Será que o serão, com todas as correrias do dia-a-dia, com todos os ódios, invejas e injustiças com que nos deparamos?

Pedi-lhe ainda que seja pura de sentimentos, que cresca em sabedoria e com a pureza que agora carrega enquanto criança e que se torne uma mulher responsável e de valores elevados. Gostava que ela ajudasse a pequena Mafalda a mudar a sua opinião acerca do mundo, mesmo sendo ainda tão pequenina. Afinal, se todos colaborarmos um pouco, talvez um dia aquela Mafalda ainda venha a sorrir, tal como o faz agora a minha pequena princesa, na sua inocência de criança. Que este sorriso perdure pela vida fora é o que mais desejo! Que o mundo seja um local seguro para a educar também! Utopia? Devaneio? Chamem-me tonta, mas pela minha filha, quero acreditar que ainda é possível!

A escolha de ser Mãe, … e as opções que tomamos!

Escolhi ser Mãe este ano, … e foi a melhor decisão que poderia ter tomado. Sou Terapeuta da Fala há 5 anos e vivo no “maravilhoso” mundo dos recibos verdes desde então! (Contrato? Que palavra tão estranha, até para mim que diariamente lido com linguagem!)  Nunca conheci outra realidade que não esta. A realidade do “estar sempre disponível”, das 8:00 às 21:30 (isto sem contar com o trabalho em casa, por vezes até às 3:00 ou mais), do viajar de um lado para o outro sem dar descanso ao carro, das horas estranhas de almoço e todas essas trapalhadas a que um dito “trabalhador independente” se sujeita. É isto, … ou melhor, era!

Pois bem, ao fim de todo este tempo sem que, por mais que tentasse, alguma porta se abrisse, decidi que estava mesmo na hora de ser mãe. Deixei de lado a ideia da estabilidade financeira e profissional, pois a minha própria estabilidade emocional começava a dar de si. Tudo o que consegui foi por mérito próprio, sem dúvida, … mas nunca tive o chamado “golpe de sorte” que algum dia todos esperamos, e isso deixa-me com uma tristeza imensa. Muitas lágrimas derramei e derramo por isto mesmo… a revolta é muito grande! E chegou o momento em que queria mais, queria algo em que pudesse ver o meu valor reconhecido, já que na minha área profissional nunca mo deram verdadeiramente. E assim, no dia 12 de Dezembro descobria (ou melhor, confirmava!) que ia ser MÃE!

Esta mudança foi sem dúvida das melhores da minha vida. Finalmente teria algo para me poder dedicar de corpo e alma, ainda mais, integralmente, com tudo o que tenho de melhor em mim, com todas as minhas forças e sentimentos. É assim que gosto de estar na vida, em tudo em que me envolvo. E nem imaginava que poderia ser ainda melhor do que eu já pensava e esperava à partida!

Com tanta correria de um lado para o outro e com os horários malucos que fazia, antes e durante a gravidez,  pensei para mim mesma que faria deste tempo uma espécie de “teste” para ver como seria a minha vida profissional e pessoal no futuro! E mesmo quase no final da gestação, e com alguns pequenos sustos pelo meio, decidi que daria ainda mais enfoque ao meu papel de mãe. Assim, de entre os 7 ou 8 sítios em que trabalhava (ou melhor, em que corria de um lado para o outro como barata tonta), decidi que deixaria 4 ou 5 deles. Não, não estou a abandonar de forma nenhuma a minha profissão, (nem “carreira” lhe posso chamar!), estou sim a dar à minha filha o espaço e a importância que ela merece.

Assim, manterei dois locais de trabalho e continuarei a fazer o que realmente gosto: ser Terapeuta da Fala, mas mesmo assim, ter tempo de qualidade para a minha pequenota. Devo-lhe isso, com tanto de bom que ela me proporciona! Hoje tenho ainda mais a certeza de ter tomado a melhor decisão! É claro que me custa imenso quando me ligam a oferecer trabalho/casos para intervenção… sinto-me bem e mal ao mesmo tempo. “Bem”, porque vejo o meu nome e o meu esforço dos últimos anos reconhecido, todo o mérito do meu trabalho, do meu empenho e dedicação. “Mal”, porque parece que só agora surgem algumas oportunidades, mas que mesmo assim seriam “mais do mesmo”. Sinto-me como se não estivesse totalmente a recolher os frutos do trabalho que desenvolvi… mas a decisão está mesmo tomada, e tenho a certeza de que é a melhor. A minha pequenota merece tudo, merece-me por inteiro na vida dela!

Anseio que este tempo me faça crescer ainda mais, como mãe e como profissional… que mature tantas ideias esquecidas e guardadas na gaveta há tantos meses (e anos, mesmo!). Que seja o início de algo muito bom, algo que já é tão bom apenas em poucos dias e meses. Acredito que assim seja! Espero poder descobrir a cada dia e partilhar com vocês a magia desta nova aventura, pois venero desde os primeiros dias a delícia que é ser mãe e amar um ser tão pequenino, tão puro e tão doce, que nos preenche totalmente apenas com um sorriso!

 

 

Já somos pais, e tudo muda… para (bem) melhor!

Tenho-me apercebido recentemente, e cada vez mais, que para a maioria dos nossos amigos e conhecidos “solteiros” ou sem filhos, ter um bebé se trata de um assunto “pânico”. É estranho para mim, totalmente imersa no mundo da maternidade e suas delícias, perceber como é que alguém, ao olhar para nós, fica com uma certa pena, pois agora somos pais e temos um bebé ao nosso cargo! Só mesmo quem não é pai e mãe para pensar algo assim!

Também nós aqui por casa, enquanto família e enquanto casal passámos e passamos todos os dias por um processo de adaptação, mas a verdade é que a cada dia que passa as coisas se tornam ainda mais especiais e o que sentimos um pelo outro e pela nossa filha cresce com uma velocidade cada vez maior. Tenho uma máxima a que recorro várias vezes: o amor não se divide, multiplica-se! E é precisamente isto que sentimos! Ter filhos é mágico e só quem passa por isso o sabe, mais uma vez o repito! Sei que um dia, o nosso circulo de amigos e conhecidos que assim pensa, no futuro também vai ter um papel de pai ou mãe e aí sim, perceberão todas as maravilhas que hoje apenas lhes contamos em palavras e que eles ouvem com o maior sorriso, mas ao mesmo tempo com um certo pesar e com um pensamento escrito na testa: “coitados deles”! Coitada de mim que agora sou mãe e sinto toda esta felicidade! Chega a ser engraçado presenciar situações destas!

E o mais estranho de tudo é que são as próprias pessoas que nos rodeiam que parecem estar mais “aflitas” com o facto de nos termos tornado pais. “Ah, agora têm a Eva, …!” e eu só penso “sim, temos a Eva (com os olhos a brilhar de orgulho), e é tão bom!”. Só depois de nos tornármos pais percebemos como pode ser boa uma simples ida às compras em família, pois vamos juntos! Um pequeno passeio ao fim da tarde, empurrando inchados de orgulho o carrinho do nosso rebento, qual Ferrari ou Jaguar! Aquele sim, é o nosso topo de gama, o nosso produto mais bonito, o fruto mais precioso do amor!

Amigos: estamos bem! Mesmo! Hehe! Mais felizes que nunca! Não se aflijam por nós,… experimentem e verão como é realmente incrível poder ver um sorriso tão sincero como o dos nossos bebés ao acordar, ao deitar ou num momento menos bom do nosso dia! Não digo que seja a receita perfeita para a felicidade (se bem que assim me sinto e penso nesta fase da minha vida), mas que nos molda a alma e todos os pensamentos lá isso é bem verdade! Não trocava este meu novo papel de mãe por nada deste mundo. Não o trocava por qualquer minuto a mais no meu (pouco) tempo livre, por nenhuma viagem ou ida ao cinema. Não, por nada!