A minha licença de maternidade já terminou há alguns dias, mas habituar-me à ideia de “voltar ao mundo real” é tão difícil quando tenho que deixar a minha pequena Eva para trás. Sim, foram 120 dias, nem quatro meses ao certo, que passaram a correr. Ao início, quando os nossos pequenos rebentos nascem pensamos para nós “é muito tempo!”. Mas não, não é! São dias e meses que passam numa corrida intensa, primeiro entre o centro de saúde, casa e maternidade, por entre tantas aprendizagens novas, adaptação de rotinas… mas, depois, rapidamente tudo se instala e parece que fomos talhados para a função de pais desde sempre!

E assim é aqui por casa! Temos as rotinas plenamente definidas, as nossas e as da Eva, bem entrosadas e em harmonia. Há tempo para tudo: mimo, colo, amamentar, fazer algumas coisas com ela num braço, usando sabiamente a outra mão para as lides de casa, numa aprendizagem diária e constante,… outras vezes é o pai quem fica com ela, por isso, tudo se faz, mesmo as limpezas e a parte culinária! Mas é mesmo verdade, os 4 meses já passaram e o trabalho recomeçou! É bom saber que voltei a estar com “os meus meninos” e outros com quem agora inicio o trabalho, mas neste momento tenho também “a minha menina”! E isto pesa tanto!

No primeiro dia em que tive que sair de casa e deixá-la para trás, felizmente ela estava a dormitar no berço. Custou, sim! Vê-la ali, serena, tranquila no seu doce soninho, … mas eu não podia ficar! As lágrimas rolaram um pouco em silêncio e lá saí eu de casa! Nem música no rádio do carro, nem telefonemas, … nada! Completamente ao contrário do que costumava ser! Apenas o sorriso dela invadia o meu pensamento! Que vontade de estar com ela outra vez! Que saudades, … e ainda nem há 5 minutos tinha saído de casa!

Outras vezes, já me aconteceu sair precisamente no momento em que ela acorda. Parece que pressente as rotinas e a minha saída… Talvez a minha ansiedade e toda a ligação forte que temos ajudem a esse “despertar” repentino e tão acertado com a minha ida! Aí, ainda custa mais sair de casa! Saber que apenas lhe dou um beijo e me vou embora, deixando os biberões de leite materno tirados momentos antes, com tanto amor e dedicação. De certa forma, sinto que não estou totalmente a cumprir o meu papel de mãe, … dói tanto, é uma agonia imensa! Mas sei que tem que ser e deixo com ela todo o meu amor!

Depois imagino se não tivesse tomado a decisão de trabalhar em apenas alguns locais, deixando cerca de 6 clínicas no final da gravidez, como já partilhei há uns tempos com vocês! Aí sim, imagino como seria deixar a minha menina mais de 8 ou 10 horas numa creche ou berçário, com pessoas ainda desconhecidas, que não conhecem a sua rotina e têm tantas outras crianças para cuidar. Sinto, assim, que pelo menos passei os dias de licença com ela, sabendo que o afastamento após esse tempo seria apenas de algumas horas diárias, e mesmo assim o coração vai tão apertadinho!

O que me descansa ainda mais é que nestas horas é o pai da Eva quem cuida dela, e tanto tenho a agradecer-lhe! É um esforço dos dois, à custa de muitas corridas entre trabalho -casa e casa-trabalho, de não ter gozado férias nem ter usado inicialmente todos os dias de licença paternal… mas foi e será sempre pelo bem da nossa menina. Foi sem dúvida a melhor decisão que poderíamos ter tomado! Obrigada Carlos por estares nesta aventura comigo, de corpo e alma, do início ao fim! Só com vocês, e desta forma, saio de coração apertadinho, mas preenchido de amor… o vosso amor!

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2 comentários

carlosamaralphotography · 25 de Novembro, 2016 às 10:04

De nada. É a minha obrigação! 🙂

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