E é hoje, no rescaldo da Páscoa para alguns, mas no auge das celebrações para outras famílias e em muitas localidades, que tentamos encontrar uma explicação para a estranha história dos ovos da Páscoa! Mas, afinal de contas, porque será o coelho, que nem ovos põe, que os tráz? Que papel terá a galinha no meio de todas estas celebrações? A explicação parece ser esta, …

Reza a história que, em plena época que antecedia a Páscoa, o coelho e a galinha competiam entre si para ver quem iria ser a estrela Pascal naquele ano! A galinha, do alto das suas penas brilhantes, dizia ser ela a que gerava vida, a que levaria os ovinhos a todas as crianças! O coelho, esse, mais convencido que nunca, dizia que por ser primavera ele era o símbolo máximo da vida, e que seria ele a levar as surpresas aos mais pequeninos. Cada qual, dentro do seu orgulho, resolveu tramar o outro, para assim retirar da “competição” o seu opositor. Assim, a galinha decidiu enviar alguns ovos menos frescos ao coelho, para que ele os comesse e ficasse adoentado, não podendo cumprir a sua missão. Por sua vez, o coelho pensou que se lhe mandasse alguns chocolates, ela não resistiria, e ficaria com uma dor de barriga tão grande, tão grande, que no Domingo de Páscoa não ia sequer conseguir levantar-se do ninho!

E assim foi,… só que o malandro do coelho foi bem esperto e astuto. Sabendo que a galinha poderia estar a responder-lhe na mesma moeda, desconfiado, resolveu resguardar-se e pintou de chocolate todos os ovos que ela lhe enviou. Assim, ela nunca desconfiaria que ele não os tinha comido. Já a gulosa da galinha, não conseguiu controlar a gula, e lá se empanturrou de deliciosos chocolates. Era Sexta-feira Santa… e no fim de comer tantos, mas tantos chocolates, e de estar com uma dor de barriga tão grande, é que se lembrou que não deveria ter pecado, muito menos naquele dia! Quem esfregava as mãos de contente era o coelho, preparando já o Domingo de Páscoa e todas as entregas de chocolates que iria fazer! Ia ser o herói daquela época festiva!

“Galinha gulosa!!” – disse-lhe ele vitorioso! ” Eu bem te disse que este ano eu é que ia deixar os sorrisos na cara dos pequenitos!”. A galinha baixou os olhos envergonhada, … “Fui uma fraca, … não resisti aos teus chocolates, … tinham tão bom aspeto, …souberam-me tão bem e agora estou tão mal!” – disse ela envergonhada, triste e de lágrima no canto do olho. “Mas, como é que tu estás aí de perfeita saúde? Eu também te mandei uns ovos estragados, …” – ripostou, ainda um pouco cabisbaixa, mas pensativa.

“Tu fizeste o quê?” – perguntou o coelho muito chateado. “Bem que eu desconfiei de tanta gentileza!”. “Oh, desculpa,” – continuou a galinha, “Quis ser tão forte, e fui tão fraca, … cedi à tentação! O que dirá o pai galo, que este ano está doente e não pode fazer as entregas e me confiou esta responsabilidade? Vai ser o fim da galinha da Páscoa, .. para sempre!”. “Eu, com os teus ovos, fiz uns lindos ovos de chocolate!” – respondeu o coelho, muito orgulhoso. “A sério? Mas que ótima ideia!” – exaltou a galinha em grande êxtase e muito sorridente “É isso mesmo coelhinho! Que ideia genial!!! Juntar o melhor dos nossos dois mundos! Preciso da tua ajuda!”

E foi assim que, pela primeira vez, naquele ano, e até aos dias de hoje, o coelho e a galinha deixaram de travar batalhas na altura da Páscoa! Uniram energias e o melhor que cada um sabe fazer, e continuam a reunir esforços: a galinha põe os ovos, o coelho pinta-os de chocolate e cobre-os com belos papéis coloridos. O pai da galinha ficou orgulhoso da filha e, com a ajuda de todos, a Páscoa nesse ano não foi estragada! Ainda que adoentada, a galinha lá foi pondo uns ovos todas catitas, que depois o coelho adornou e distribuiu! Até aos nossos dias, assim tem sido, e assim continuará, … se o coelho e a galinha não se voltarem a chatear e a fazer partidas um ao outro. Até lá, venham os ovinhos de chocolate, que nós não lhes dizemos que não! 🙂


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