Ser criança deveria ser algo inato em nós, mas a realidade é que as constantes preocupações, as corridas diárias, a rotina da vida adulta e tantas outras coisas por vezes difíceis de entender nos fazem perder essa faceta que nunca deveria deixar de nos caraterizar!

Conhecem a história do Peter Pan, certamente! Esse homem menino, que mantém este espírito tão vivo? Ele é feliz, não é? Porque não podemos nós ter um pouco desta luz interior? Da mesma forma que se decretam dias para tudo é mais alguma coisa, porque não o “Dia da Criança” ser mesmo o “Dia de SER Criança”? Por algum motivo, o nome que tão carinhosamente chamo à Eva é Sininho! Mais do que pela doçura do nome, mais que pela delicadeza que representa, quase que é um compromisso entre nós as duas de que essa faceta da vida não pode ser esquecida, nem deve ser adormecida em nenhum momento, e ontem mesmo provámos isso.

A cedência foi minha, mas os sorrisos descontrolados e verdadeiramente felizes foram dela! Depois de uma reunião que tivemos, saímos as duas, sem horas marcadas para nada (quando isto acontece sinto-me um bicho raro e nu, pois todos os meus dias são cronometrados ao nanosegundo!). Vamos comer um gelado, vamos lanchar ali, em qualquer lugar? Mas a resposta dela veio antes de qualquer outra ideia minha! Mamã, anda correr!!!! E correu pelo pátio, num lado, … descemos as escadas, … voltou a correr em baixo, ao pé da fonte… mais um salto numas escadas, mais um rodopiar assim, de um lado para o outro, … E a magia aconteceu numa espécie de palco ao ar livre!

Já antes lá tinha brincado, mas ontem foi especial pela mensagem que ela e outras crianças transmitiram a nós, ditos adultos! Já três crianças ali corriam, alegres, vivaças. Sei que a Eva adora estar com outros meninos e deixei-a lá, com eles! Mas ela queria é que eu também fosse, e pediu com aquele ar doce “anda mamã!”! E a mamã foi envergonhada! Depois quis só ficar a observar, … ela estava delirante, … vinha de uma grande corrida e eu oferecei-lhe um daqueles beijos enormes fura-esborracha bochechas! Tão feliz que ficou, ainda mais! A sequência seguinte foi a de dar uma volta e correr em direção a mim na busca do beijo “explosão de felicidade”, repetidamente.

A certa altura começo a ouvir outra criança mais crescida: “anda pai, anda para aqui correr”!, ao que o pai responde :”não posso filho, …estou cansado”! Mas o pequeno era de ideias vincadas, sabia bem o que queria e insistiu “anda, ficas só aqui a andar!”. Esta é a prova de que eles querem a nossa presença, nada mais que isso, nem que fosse apenas numa simples passada, … mas sentir que estamos ali, … e isso fez-me pensar! Já defendo esta filosofia há muito! Não precisamos de grandes passeios, de visitar este mundo e o outro com eles, … basta um colo, uma mão dada, um afago, … a nossa presença! E naquele preciso momento, levantei-me, e fui correr atrás da pequena, sem qualquer hesitação, sem olhar para trás! 🙂

Ser criança precisa-se… faz bem e recomenda-se!

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