A Magia dos Gestos – “Baby Signs”

 

Já há cerca de 3 anos que descobrimos em família a magia dos gestos, através do programa Baby Signs. Foi pela mão de quem o trouxe a Portugal, a querida Sabla d’Oliveira, que o conhecemos. Desde há uns tempos que seguia a sua página no Facebook e, quando soube que viria dar formação a Coimbra, foi a loucura. Tivemos a felicidade de receber uma inscrição gratuita para o workshop de pais e desde logo ficámos rendidos. Na altura a Eva tinha sete meses! O workshop foi uma delicia, recheado de doçura e magia! Os bebés podiam circular livremente, podiam brincar e descobrir todo o espaço que tinha sido devidamente preparado para eles! Enquanto isso, nós, pais, íamos descobrindo alguns dos gestos, partilhando-os logo com eles. Logo começamos a por tudo em prática, assim que chegámos a casa. Persistência e dedicação são as palavras de ordem quando falamos desta abordagem. Certo é que, logo aos 8 meses, a pequena disse a primeira palavra. O primeiro gesto surgiu pouco tempo depois.

Durante vários dias e semanas íamos “rotulando” de gestos muitas das coisas que fazíamos, muitos dos objetos que nos iam passando pelas mãos, … o “comer”, o “beber”, o “gato”, o “coelho” da história, o “cão” do brinquedo, o “gosto de ti” que a toda a hora lhe diziamos e que ainda hoje é usado carinhosamente quando me despeço dela na janela de casa, mesmo que não a consiga ouvir… a “música” que púnhamos todos os dias e que a pequena adorava e adora,… e foi precisamente esse o primeiro gesto que fez! A magia aconteceu mesmo ante o nosso olhar! A sua motivação era a de ouvir música num dia em que não a tínhamos logo colocado, por isso foi ela mesmo que pediu, por iniciativa própria. Nem queríamos acreditar ao vê-la fazer o gesto. Ficámos loucos de alegria. Gravámos e enviámos à Sabla, que sempre vibra connosco e com estas pequenas vitórias. O vídeo chegou mesmo a ser partilhado no grupo secreto a que ficamos a pertencer, logo após a conclusão do workshop. Ali partilhamos conquistas, dúvidas, novos gestos que queiramos aprender, … temos todo o apoio e incentivo!

Ora, constatada que estava a eficácia do programa na minha vida pessoal, comecei também a aplicar as mais valias na vertente profissional, nas sessões de Terapia da Fala. Desde essa altura, em que fiz também o workshop para profissionais, que a magia chegou também às salas, com os “meus” meninos mais pequeninos. Ora, não é o gesto uma das primeiras abordagens que eles usam? Aquela que por vezes mantêm durante tanto tempo, levando por vezes a atrasos na fala? E se pudermos ter esses mesmos gestos, como base para a evolução da linguagem, como motor maior? Pois é, é isso mesmo que o programa “Baby Signs” preconiza. Ao contrário do que muitos papás e educadores receiam, não, o Baby Signs não contribui para o atraso do desenvolvimento da linguagem, deixando a criança presa a gestos, por mais e mais tempo. Não! O Baby Signs pega precisamente naquilo que a criança vai dominando, dando-lhe segurança nas suas partilhas, dando ênfase à sua iniciativa comunicativa. A par de tudo isso, a nossa missão de adultos, quer enquanto pais, quer enquanto profissionais (educadores, professores ou terapeutas) é mesmo a de ir dando novos gestos, novos estímulos. A par disso mesmo, o gesto é sempre acompanhado pela palavra. Assim, a estimulação da linguagem é conseguida. Seja nas interações quotidianas, em todos os contextos da criança, seja na leitura de uma história, ao cantar uma canção, em todas as brincadeiras, … qualquer iniciativa é ótima para transmitir mais e mais vocabulário. E depois? Depois… é só deixar a magia acontecer! Redução de birras, maior ligação entre pais e bebés, mais segurança emocional, … tanto, tanto, tanto que se ganha na relação com os mais pequenos!  Comprovada que está a eficácia deste programa a nível internacional, que mais esperam para o vir conhecer em Coimbra, pela mão da querida Tânia Dias?

Baby Signs

Pois, é verdade! A vida traz-nos estes presentes incríveis! A Tânia é uma amiga de outras andanças, também das que me apaixonam e me prendem mais um pouco do coração. Somos colegas do curso de CAM (Conselheiras em Aleitamento Materno)… partilhamos a paixão pela maternidade, pelo aleitamento, pelos bebés, pelas crianças e pelas conquistas bonitas! Mais uma vez, e ao fim de vários meses de preparação cuidada, juntamos esforços e trazemos a Coimbra a alegria e a dinâmica Baby Signs. Depois do sucesso do “Workshop Baby Signs de Natal”, no nosso “cantinho do coração”, teremos workshop de pais, já no dia 12 de Janeiro. A inscrição inclui a participação do casal e do bebé, apenas por 25€. Dias 16 e 23 de Janeiro, teremos em horário pós-laboral os níveis I e II para formação de profissionais. É educador e quer ser agente ativo na evolução da linguagem dos mais pequeninos? É terapeuta da fala e quer dar nova cor as sessões com os utentes mais novos? Temos preços especiais para inscrição conjunta nos níveis I e II! Falem connosco ou espreitem as paginas de Facebook. Esperamos por vocês… para que a magia continue a espalhar-se!

https://www.facebook.com/BabysignsTaniaDiasCoimbra/

https://www.babysigns.pt/team/tania-dias/

“Formas” (Linha Baby Europrice) – Cenários, cores, formas, … tanto para descobrir!

Mais um jogo de que vos falo hoje, mais um dos que recentemente a marca Europrice lançou na linha Baby. É fantástico, não só desde os 24 meses, como até mesmo desde alguns mesinhos antes, sobretudo pelo tipo de encaixes mais simples e mais intuitivos que permite aos mais pequeninos.

Uma roda de um trator, uma estrela, um quadrado que faz a casa, um triângulo para o telhado…. tantas são as possibilidades! O jogo é composto por 4 cenários diferentes, e logo aí conseguimos explorar com os mais pequenos quatro locais diferentes: a praia, a quinta, a cidade e o parque. Locais que eles podem identificar por habitualmente os frequentarem, uns mais que outros, mas todos eles com tanto vocabulário para aprender.

E não, não são só as formas que podemos ali explorar. Na quinta existem imensos animais: o cão, o gato, … o pintainho, … e podemos mesmo aproveitar para lhes perguntar se fosse na selva quais ali andariam? O leão, o macaco, …a zebra, a girafa. E um que voe? O papagaio! E um que ande na água? O crocodilo!! E se for da quinta? O pato! Esse voa e nada!!! 🙂

E o vocabulário da praia? Os caranguejos, todos os animais marinhos, os barcos (onde podemos abordar a temática dos transportes), o balde e a pá, … a areia, … tantas novidades, … até de algum vocabulário que menos frequentemente exploramos nas vivências do dia a dia.

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As brincadeiras que podem ser feitas no parque, os vários brinquedos e baloiços, … os perigos dos carros na estrada e tantos outros temas para que possamos sensibilizar os pequenos com o cenário da cidade…

E as cores das peças? Mais uma oportunidade fantástica para continuar a explorar as cores, pela primeira vez ou para relembrar com os mais velhinhos que já as vão reconhecendo!

Mais que quatro tabuleiros com três peças cada um, temos uma fonte imensa de vocabulário e temas para aprofundar. Horas de diversão… novas formas e até algumas menos comuns como o oval, a estrela, … todas aqui contempladas!

Quem já conhece o jogo? Qual o feedback que têm dele? Para quem o quiser adquirir podem encontrá-lo no nosso gabinete, no Centro Comercial Primavera, na zona da Cruz de Celas, em Coimbra! Basta combinar o dia e hora da entrega! Será um gosto imenso poder proporcionar-vos toda esta caixinha de conhecimento e diversão! Atenção, concentração, encaixe, motricidade fina, linguagem e comunicação, tudo isto e muito mais! 🙂

“Quinta” (Linha Baby Europrice) – Vamos brincar?

Mais uma novidade aqui no blog, … mais um passo, sempre a pensar em vocês, pais, familiares, educadores, professores, … e sobretudo nos nossos pequenotes! 🙂 Como os podemos ajudar? Como os podemos fazer progredir nas suas competências linguísticas, na fala, na comunicação? Este é e será sempre um dos principais objetivos dos nossos textos e temáticas!

Penso que nunca aqui vos falei do nosso canal de Youtube (link do canal) , mas também aí encontram muitas dicas, tanto dos nossos materiais Europrice que revendemos (catálogo de produtos), como de outros que podemos, facilmente, construir em casa, de forma simples, económica e sem ter que despender imenso dinheiro em supermercados e lojas de brinquedos! Pois bem, a partir de hoje temos também essas dicas aqui pelo blog, escritas, para que possam tirar o máximo de potencial dos materiais que vos apresentamos. Sim, porque um jogo é mais que algumas peças dentro de uma caixa, a sua abrangência é muito mais extensa.

A primeira sugestão que vos trago é o mais recente jogo Europrice, da sua chamada “Linha Baby”. Em breve vos falarei dos outros da mesma gama (pequenos puzzles, jogo das formas…), e de um que é particularmente especial para mim! 🙂

O jogo de que falamos hoje é o “Animais”, apto para crianças com mais de 24 meses, mas que julgo poder ser usado logo desde o ano e meio, dado o seu encaixe apenas exigir a junção de duas peças de dimensões consideráveis e feitas em cartão duro e espesso. E até aos 4 ou 5 anos ele faz sucesso.

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Jogo de 8 conjuntos de 2 peças, com animais da quinta e suas famílias

 

E tanto que com ele pode ser trabalhado. Para além das questões de atenção e concentração e da motricidade fina que conseguimos, seja com que tipo de puzzle for, juntamos a isto tantas possibilidades para ensinar à criança novo vocabulário.

O jogo apresenta elementos de que grupo semântico? Dos animais! E dos animais da quinta ou da selva? Da quinta, pois claro! Tantos animais novos que eles podem aprender, … tantos sons novos que lhes podemos ensinar! O “muuuu” da vaca, o “méeee” da ovelha, o “miau” do gato, … e se os conseguirmos fazer repetir tanto melhor, sempre incentivando-os a olhar para a nossa boca, para verem como os sons são articulados e feitos com os lábios, a língua, as bochechas, …

E afinal, como se chama o filhote da vaca? O vitelo! E da “ovelha”? O borrego! E quem é o par da vaca? O boi! E da ovelha, o carneiro! Tantas vezes que eles nos respondem que se temos o “gato” temos a “gata” e que se temos a vaca temos o “vaco”, o “ovelho”, … assim, conseguem aprender de forma divertida todas estas exceções! E o cavalo e a égua, pais do potro? Os pintainhos da galinha e do galo? Tanto, tanto, tanto para lhes ensinar. A brincar, a brincar, na prática estamos a dar-lhes novo vocabulário. É desta forma que crescerão, sempre, a todo o momento! E cresce a sua capacidade linguística. E depois, o género, o masculino e o feminino. Os filhotes, os plurais, … o pintainho e os pintainhos, … o gato e os gatos, … ou os gatinhos e os cãezinhos, como eles gostam tanto de chamar. E aqui temos os diminutivos, … e todo um novo mundo que se abre!

Um jogo para fazer em família, todos juntos. Muito mais que um pequeno jogo com puzzles de duas peças… muito mais que os menos de cinco minutos que podem precisar os pequenos pata o fazer! Há tanto para explorar que o jogo pode durar horas. E, porque não, imitar também o gatinhar do gato, o arfar do cão. Ser crianças com eles, … passar tempo com eles, … crescer com eles, … faz bem a todos! 🙂

O jogo está disponível na nossa página (facebook.com/joanaaterapeutaeamae). Basta que nos enviem mensagem e combinamos a entrega em mão no nosso gabinete, com sede em Coimbra, celas. Ou pode mesmo ser entregue em mão em Aveiro, Estarreja ou Gouveia! Boas brincadeiras! 🙂

“Um passo à frente” – abordagem ao desenvolvimento da comunicação e da linguagem na infância

“Um passo à frente”, “a escada seguinte”, … sem querer, estes termos que vou usando no dia a dia, com educadores, com professores, com os próprios pais e utentes, … nos workshops, … vão ficando nas suas memórias e pensamento e começam a ser usados mesmo por eles próprios. Tão bom saber que absorvem a essência da ideia que lhes tento transmitir. Tão positivo quando sinto que os usam de forma correta e os aplicam na sua prática diária!

Esta é a minha forma de abordar a evolução e desenvolvimento da comunicação e da linguagem. Sim, pois comunicar é tanto mais que linguagem, e infelizmente nem sempre se dá valor a estes pequenos avanços que vão surgindo.

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Uma bebé que chora, comunica! É a sua forma primordial de se afirmar perante o mundo, de manifestar as suas necessidades. É a mais primitiva e é universal. Depois movimenta-se, … curva o seu corpo perante a dor da cólica, … sorri ante rostos familiares como o dos pais, … emite pequenos gritos,… Em seguida chega a fase da lalação, do balbucio, … as primeiras palavras, … os gestos, o apontar, … tudo e tudo!!! Tudo isto é comunicar! Um fervilhar sem fim, ávido de estímulos e de quem lhes dê continuidade, … o combustível perfeito para que a linguagem emerja na sua forma mais complexa e funcional.

Estranho deve ser para os pais e educadores quando estes pequenos grandes sinais não se manifestam desde os primeiros dias, … cada qual dos comportamentos acima enunciados, sendo demonstrados quase sempre por esta ordem, durante o primeiro ano de vida. Mas nem sempre estes marcos do chorar, sorrir, palrar, … se sucedem assim, dentro do esperado pelos estudiosos do desenvolvimento da linguagem. Nem em todas as crianças a sua sequência é natural, necessitando estes pequenos aprendizes de maior apoio, estimulação e de maior envolvimento DO meio e COM o meio que os rodeia.

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Costumo por isso mesmo, aos pais e educadores que me procuram, dar esta noção do “passo à frente”, tanto em casos de patologia ou atraso do desenvolvimento global, da comunicação, da linguagem ou outro, como mesmo em crianças com desenvolvimento dito típico. Sim, pois a estimulação é feita sempre com este princípio, seja em que idade ou em que caso for.

Se a criança sorri, devemos verbalizar “estás feliz?”, “gosto de ti!”, “gosto de estar contigo!”, “tu gostas de estar aqui comigo?”, .. devemos ser a voz das suas palavras enquanto ela própria não as consegue produzir. Assim, vamos dando rótulos aos sentimentos, às emoções, … aos objetos, aos acontecimentos, .. tudo, … desde o mais abstrato ao mais concreto do nosso mundo.

Depois começa a fase da lalação, do balbucio, … os pequenos sons, repetidos sem fim, … “mamamama”, … “papapapa”, … as suas variações “mamapa”, … “titipo”, .. E porque não imitar a criança, acrescentando sons? Porque não concretizar o “mamamama” como “mamã” ou o “papapapapa” como “papá”, quando estes lhe surgem ao alcance.

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E com o apontar, porque não aproveitar para, também com ele, dar “voz” ao pensamento interior da criança, ainda incapaz de se manifestar em palavras? Não é por acaso que os programas de gestos infantis, tal como o Baby Signs que uso e amo de paixão, são eficazes! Claro, sempre acompanhados com o nosso “passo à frente”, ou seja, a linguagem! A criança gesticula e nós verbalizamos o que ela tenta transmitir pelo gesto, como que o “rotulando” e realizando em vocábulos.

E assim, esta sequência lógica, comum, … vai ganhando forma, até dar lugar à fala. Surge a primeira palavra, … mas aí, pensamos novamente já no próximo “passo à frente”: a combinação de palavras. “Mamã” pode ser um “anda mamã”, “gosto da mamã”. Um “pão” pode querer significar “quero pão”, “dá pão”, .. e assim, modelando aquilo em que a criança pode crescer em termos linguísticos estaremos sempre um “passo à frente”! Isto é motivar, é modelar, é estimular comunicação e linguagem, procurando o seu potencial máximo!

Depois devem chegar as frases cada vez mais complexas, e o nosso lema de “passo à frente” deve continuar sempre. O “quero pão” de outrora, pode ser agora um “quero pão com manteiga” ou um “quero comer pão e beber água”. O que hoje são conceitos concretos e palpáveis podem buscar o “passo à frente” com os conceitos abstratos, mais com o chegar dos três, quatro anos, …  “o pão é bom”, “o bolo é delicioso”!

Assim se busca o desenvolvimento máximo da comunicação e da linguagem, a base do pensamento, das vivências diárias, .. da interação social e de tudo o que ela acarreta. Assim se deveriam estimular as nossas crianças. Assim se poderia implementar e fazer no dia-a-dia, em todas as oportunidades de comunicação: nos momentos da alimentação, do vestir, do deitar, nos passeios ao parque (cada vez mais substituídos por horas nos tablets, para terror dos meus pensamentos e de tantos pais)… em tarefas de pintar, em brincadeiras com os triciclos e no meio da terra. Sim, elas também fazem (MUITA!!!!!) falta.

Growing up

Pais, educadores, professores, tios, avós, … todos temos este poder nas mãos. Vamos usá-lo em favor dos nosso pequenotes, … os que serão, pensando aqui também “um passo à frente”, os comunicadores, homens e mulheres do amanhã. Os que terão o destino na mão, … os que hoje, para já, nos deliciam e fazem sorrir, só por termos o privilégio de existirem nas nossas vidas.

A idade do “O que é isto”!

Muitos de vocês devem estar familiarizados com a chamada “Idade dos Porquês”! À luz do desenvolvimento da linguagem e de todas as teorias existentes, a denominada “Idade dos Porquês” não é mais que o pico explosivo da linguagem que, por norma, ocorre por volta dos 3 anos de idade! Sim, é esse mesmo o motivo para, por vezes, alguns pequenos apresentarem um discurso tão rápido, tão rápido, tão rápido que, em alguns casos, os pais e educadores pensam que se instalou uma súbita gaguez. Um dia destes voltaremos a este tema mas, para sossegar os corações de pais mais aflitos e para todos aqueles a quem o tema despertou interesse, saibam que essa é uma fase normal e típica no desenvolvimento comum da linguagem.

Basicamente, os pequenos ficam tão curiosos com o mundo à sua volta e o vocabulário cresce de uma forma tão repentina que, na maioria dos casos, “o cérebro pensa a mil e a boca fala a cem!”.

Mas, o que descobri com a Eva, e isto não vem em nenhum livro, é que muito antes desse idade dos “Porquês” parece existir a idade do “O que é isto?”. A Eva está perto de completar dois anos e esta é a pergunta que mais temos ouvido nos últimos tempos. Sim, é fruto da estimulação que fomos fazendo desde os primeiros dias de vida. Recordam-se dos nossos primeiros textos, quando vestiamos a pequena e iamos dando vocabulário ligado ao corpo, às peças de roupa, … quando chovia e iamos para a janela admirar a natureza e as muitas gotinhas que teimavam em cair? Quando o pai trouxe a pequena flor amarela e a Eva adorou? Quando cozinhava e ia dizendo tudo o que ia usando e a pequena soltou a bela da primeira gargalhada ao som da música do “Feijão verde-verde-verde”? Quem nos acompanha desde o início deve recordar a maioria destas aventuras. Os seguidores mais recentes podem consultar todos esses textos que fomos escrevendo com o coração!

Pois, mas é isso mesmo! Tanto que nós descrevemos e iamos “perguntando” por ela “O que é isto?”, respondendo em seguida, que agora é a pequena que pergunta sem parar! Pega num livro e lá vem a pergunta. Vê um brinquedo e pergunta “o que é isto?”. Na rua, na escola, … pergunta, e nós respondemos. Respondemos e vamos dando mais alguma informação, pois o desenvolvimento e a estimulação da linguagem fazem-se assim: um pouco de curiosidade deles, ao que se junta mais um ou outro termo que nós lhes damos para expandir o seu discurso e as palavras que eles já vão dizendo! E assim, palavra a palavra, enchem os pequenos a sua pequena boquita!

Já sabem: mamãs, papás, avós, tios, primos, educadores…! Aproveitem a curiosidade dos vossos pequenos. Mesmo que eles não perguntem: descrevam! Mesmo que eles apenas só olhem: digam o nome das coisas que eles vão vendo! E assim, a magia irá acontecendo aos poucos diante dos vossos olhos. Ficar à espera dos três anos pela “Idade dos Porquê”? Qual quê! Hoje partilhei com vocês este segredo. A idade do “O que é isto” chega bem mais cedo e é a sementinha perfeita para que a linguagem dos vossos bebés cresça a olhos vistos. Assim, estes conhecimentos vão-se acomodando aos pouquinho e, quem sabe, lá por volta dos 3 anos, eles não nos preguem daqueles sustos em que pensas que temos um pequenote que gagueja. Fica prometido o tema para um próximo texto. Não fica esquecido, palavra de mãe,… e de terapeuta! Bom fim de semana para todos vocês!

Comunicação, linguagem e fala – como evoluem nos bebés?

Comunicação, fala, linguagem, … eis um conjunto de termos que tantas e tantas vezes, na minha profissão como terapeuta da fala, tenho dificuldade em explicar a pais e educadores! Pois bem, hoje que sou mãe, penso que há uma forma bem mais simples de explicar todos estes conceitos, … basta acompanhar o exemplo do desenvolvimento dos nossos pequenos! E sabem que mais? Temos um papel ativo em tudo isto e na progressão de cada um destes elementos, tão necessários às vivências e interações com o meio e com tudo e todos os que nos rodeiam!

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Pois bem, COMUNICAÇÃO! Comunicar é tudo o que um bebé faz nos primeiros meses de vida, desde o primeiro segundo em que vem ao mundo! Qual é a primeira manifestação de um bebé, como que querendo anunciar-se? Qual é? O choro, ora pois é verdade! O choro é descrito como a primeira forma de comunicação, intuitiva, natural, básica, … por isso mesmo, é a forma como os pais, no início, percebem que os seus filhos precisam de se alimentar, ou que estão desconfortáveis, ou que têm sono, … assim, o choro, ainda que incómodo e aflitivo, não deve nunca ser algo que se deseje que pare de acontecer nas vivências diárias de um bebé, … caso contrário, ser-lhes-ia impossível comunicar! A nossa missão enquanto pais ficaria bem mais complicada, ainda que se possa pensar o contrário. Os bebés não falam, … pouco ainda sabem da linguagem, … mas comunicam, ai lá isso comunicam!

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LINGUAGEM, e dela, o que podemos dizer? A linguagem, pode apresentar-se em duas vertentes: compreensiva e expressiva! Sem dúvida que a primeira é aquela que se assume como primordial nos mais pequenos! Muito antes de um bebé poder falar/expressar-se, ele já percebe quem o rodeia! Lembram-se daquelas brincadeiras do género: “onde está o papá”?, “e a mamã?”, …”onde está o gato?”, “e o passarinho?”. A verdade é que eles sem nos dizerem a localização precisa, já nos indicam com um gesto muito simples, mas com grande significado comunicativo: o apontar! E assim, aos poucos, se começa a criar a partilha da atenção, a atenção centrada num mesmo elemento, dividida entre dois ou mais agentes, que podem ser o bebé e a mãe ou qualquer outro interveniente na dinâmica criada. Mesmo sem se conseguirem expressar vão já percebendo estas brincadeiras e toda a interação que se gera em torno deles.

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E a FALA? Pois, esta surge numa outra etapa, assumindo-se como a manifestação externa de toda a linguagem que guardamos em nós! É a nossa linguagem expressiva, a forma como mostramos ao mundo tudo aquilo que fomos ouvindo, recolhendo e guardando desde os primórdios da nossa criação e geração. Muito do que ouvimos ainda dentro do ventre das nossas mães (palavras, sons, …), tudo fica retido na nossa memória! Mesmo quando os bebés ainda não se expressam, e como tantas vezes já aqui frisei, tudo o que ouvem fica guardado, como que em espera para começar a ser exteriorizado quando surgem as primeiras palavras. As primeiras manifestações de fala são visíveis quando os bebés iniciam a lalação, o balbucio, … todas elas etapas importantes de crescimento comunicacional!

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Penso que nesta sequência de aquisições se percebe que comunicar envolve tudo, … não só a fala, como tantos outros sons sem significado aparente, mas a que atribuímos algum ante as situações presenciadas. Os gestos, os olhares, as expressões faciais, … tudo, tudo, tudo é comunicação. Um olhar carrancudo e uma face sorridente? O que nos atrai mais? Sabemos ou não sabemos algo sobre o estado de espírito do nosso possível interlocutor? O que falamos, podemos escolher, mas tanta e tanta informação que passa por meio destes sinais subtis, nem sempre é fácil de disfarçar!

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Gosto de imaginar 3 círculos! Um enorme, a COMUNICAÇÃO, que dentro dele tem um outro – a LINGUAGEM – que, por sua vez, tem o círculo da FALA. Tudo, tudo tão bem conjugado! Assim, reforço mais uma vez! Estimulem os vossos bebés, deixem-nos chorar, tentem perceber as suas necessidades e transformem esse choro em algo que vos ajude nos cuidados diários. Procurem padrões e formas de resolução para cada um! Tenham conversas com os pequenotes, mesmo parecendo que eles não vos percebem, mesmo que se sintam com “um parafuso a menos”! Ui,… tantas e tantas vezes em que eu ou o pai vamos pela rua fora a “falar” com a Eva! E tem valido a pena, … contamos 11 meses e já somamos 4 palavrinhas: “papá”, mamã”, “bebé” e “pé”!

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Mais esclarecidos? Vamos tentar! Como sempre, ganham os mais pequeninos, … ganha a sua evolução, a nossa felicidade conjunta e o seu enorme e invencível PODER DE COMUNICAÇÃO!

Dicas para gerir as tarefas domésticas com um bebé, estimulando-o!

Quem é mãe como eu, sabe bem o quanto é difícil ter tudo organizado a tempo e a horas: casa limpa, roupa passada, comida na mesa, compras na despensa, … enfim, tudo o que uma casa precisa para funcionar devidamente! Tudo isto conciliado com o trabalho!

Com a Eva aprendi que o meu tempo dá ainda para mais coisas do que aquelas que inicialmente pensava. Desde que ela nasceu, em Julho passado, que cada dia é uma aprendizagem e organização contínua. Assim, aproveito não só os momentos em que ela vai dormindo para tratar de algumas tarefas, como os próprios momentos do dia em que ela está acordada! Tento dedicar-lhe o máximo do meu tempo, mas ela já vai estando crescidinha e ávida de estímulos e coisas novas, objetos que não conhece, sons, cheiros, … tudo serve para a entreter e estimular! Assim, muitas das vezes, a roupa que estendi no estendal de rodinhas, pela manhã, lavada à mão ou à máquina enquanto a pequena dormita, é apanhada pelas duas ao final da tarde, com ela ao colo ou posta no sling de argolas (paixão a que nos rendemos no último mês). Ela adora segurar nas molas ainda no estendal, parecendo que me quer ajudar a retirá-las das peças de roupa. É boa observadora e tenta já comportamentos de imitação, o que é ótimo para o seu desenvolvimento. Segue com o olhar cada peça de roupa que retiro e que coloco no cesto para depois a passar. São as cores, as texturas, … tudo a estimula e incentiva ao toque! As cores as molas já as temos trabalhado também!

Em relação ao cozinhar, já dediquei um texto acerca desta temática aqui no blog. Sim, gosto de cozinhar com a pequena por perto. Não só a sopa como falamos no texto a que me refiro, mas tudo! E assim, num misto de cheiros e cores, ela lá vai ouvindo o nome dos alimentos, tocando nas suas embalagens, cascas, pacotes, … e acima de tudo, o mais importante, está comigo, sente-se segura e acompanhada, e eu não deixo de fazer as minhas tarefas!

Quanto ao passar a ferro, muitas das vezes faço-o com a Eva por perto. Sentada na espreguiçadeira, coloco-a estrategicamente de forma a que possa ver a televisão e alguns desenhos animados e a mim, enquanto estou em frente à tábua de passar. E o que ela adora ver o vapor a sair do ferro! Lá lhe vou falando, vamos conversando as duas, … por vezes digo-lhe as peças de roupa que estou a passar, outras vezes vou comentando com ela o que se passa nos desenhos animados! E assim, as tarefas vão ficando feitas, passo a passo, e o tempo foi totalmente bem empregue, aproveitado ao máximo com a pequenota, dando-lhe miminhos e ensinando-lhe novos termos, conceitos e mostrando-lhe um pouco mais do mundo que nos rodeia, a cada dia!

E entre todos estes momentos, pois claro, não podia faltar um tempo de atenção exclusiva à princesa, um colo e muitos beijinhos! Ela adora ter-me por perto! Gosta de ser parte das tarefas que desenvolvemos, eu e o pai! Fica tão contente quando estamos todos na cozinha! Adora a agitação e o andar de um lado para o outro que fazemos. Então se estiver eu a cozinhar e o pai a lavar louca, ui!!! Todos aqueles sons a deixam com uma vontade imensa de palrar e dá pequenos gritinhos que vamos imitando!

A limpeza da casa é feita muitas vezes à velocidade da luz, entre a Eva no berço e entretida a brincar no ginásio e no tapete de espuma, sempre vigiada de perto! E assim se vai habituando aos cheiros dos detergentes que vão surgindo, ao barulho do aspirador, e às minhas idas e voltas! A segurança de saber que estou sempre por perto e que apareço quase de minuto a minuto deixa-a tranquila e recebo um gratificante sorriso de cada vez que me abeiro dela!

As compras para a casa acabamos por fazer a 3, aproveitando o momento para sair e tirar um pouco a Eva de casa! Outras vezes, aproveito enquanto a filha e o pai descansam um pouco mais ao Domingo de manhã e lá vou eu! Quanto ao trabalho, vou conciliando os horários com o pai da Eva que tem feito um esforço hercúleo em todo este processo! Dir-lhe-ei obrigada todos os dias da minha vida! É ele também quem fica um pouquinho à noite com ela, ao meu lado, no sofá, enquanto eu preparo trabalho e material para as minhas sessões de Terapia da Fala do dia seguinte!

Ter um bebé é tão bom! É fácil conciliar tudo, basta que façam uma boa gestão do tempo e que não deixem de dar atenção aos vossos pequenos tesouros! E aqui, infelizmente, não temos avós nem outros familiares por perto, … é tudo gestão nossa, a três! Com alguma genica e ginástica de tempo, muita dedicação e imaginação, tudo é possível! A rotina não leva muito a instalar-se e tudo corre sobre rodas! E ganhei assim a melhor companheira de tarefas: a minha pequena Eva!

 

“Caiu”, “toma”, “dá”… estimular a linguagem compreensiva!

Ainda que a linguagem expressiva sob a forma mais comum que a percebemos vá levar alguns meses a chegar até cá a casa, na fase em que a Eva está, alguns sons, lalação e balbucio são já audíveis! São tão engraçadas as variações de intensidade e de frequência que ela já vai conseguindo! Por vezes pergunto-me como é que um trato vocal/garganta tão pequenina já é capaz de sons tão agudos e de toda aquela miscelânea harmoniosa! É música para os nossos ouvidos, e por vezes, soa mesmo a uma pequena cantiga, tão terna, tão doce! Um dia, hei-de gravar para mais tarde recordar!

Sim, todos queremos que os nossos pequenos falem cedo, que digam “papá” ou “mamã”, pela ordem que indico se forem, respetivamente, o pai orgulhoso ou a mãe galinha, sim, todos teremos um certo orgulho futuro em o relembrar se fomos os primeiros eleitos! Mas, o que não devemos esquecer, e várias vezes já o fui aqui referindo nos textos do blog: não só a linguagem expressiva é essencial, pois a sua base está na linguagem compreensiva, ou seja, a expressão é o reflexo de tudo aquilo que a criança vai ouvindo e “gravando” na sua memória ao longo do tempo, desde os momentos intra-uterinos!

O que ouvem será pronunciado daqui a uns tempos e hoje, para além de vos relembrar isso mesmo, dou ainda algumas sugestões de tarefas que podem fazer em casa com os vossos filhos, netos, sobrinhos, afilhados ou, se forem educadores, com os vossos pequenos aprendizes, em contexto de creche!

A Eva adora ter uma colher na mão, é um objeto simples e comum, do quotidiano, que lhe proporciona vários minutos de animação e atenção. Basta mostrar-lha em frente aos seus olhitos para os ver a arregalar e a cintilar e, logo em seguida, há uma mão ansiosa que se estende, trêmola de tanta ansiedade! Claro que sim, o destino é logo a boca, mas não faz mal! Brincadeira agora, intencional, podemos dizê-lo, mas feito por acaso ao início, é o fato de a colher, de vez em quando, ser largada pelas mãos da Eva. Por vezes cai ao chão, outras vezes fica no sítio onde ela está sentada. Quando isso acontece e ela não a consegue voltar a alcançar autonomamente, é aí que começa o jogo: “oh… caiu!”. Devemos dizer estas frases-chave de forma animada, com um enorme sorriso, com expressividade quase que exagerada. Isso desperta-lhe logo um sorriso maroto, como que percebendo a brincadeira. Quando lha volto a devolver, para prolongar a brincadeira, digo: “toma!”. Ela fica toda feliz e aquela dinâmica dura minutos e minutos em seguida.

Para além de estimular a comunicação, é ainda uma forma de a pequena se começar a aperceber dos turnos de comunicação, o chamado “Turn-Taking”, também conhecido vulgarmente como “tomada de vez”. Assim, a colher vai dela para mim, de mim para ela, e assim sucessivamente. Não é esta a base de um diálogo, em que ora fala um dos interlocutores, ora fala o outro, gerando-se uma conversa? Neste momento, a Eva ainda só fala à maneira dela, com sons, com a expressividade da sua face ao ceder-nos os sorrisos em jeito de agradecimento por lhe darmos os objetos, mas o essencial, a base imprescindível, está lá, desde já! A partilha de atenção para um mesmo objeto, conhecida como “atenção conjunta”, vai também sendo desenvolvida! E tudo isto é tão importante!

Ontem, a brincadeira foi outra! Com o pai, no quarto, mesmo antes do momento de dormir, colocámos a luz de presença na tomada. A Eva fica alerta quando vê a luz surgir. E o pai fazia assim: tirava a luz de presença da tomada e dava-a à pequena: “toma!”, dizia ele, e bem! (Parece que as dicas estão a passar positivamente, pelo menos cá por casa). Depois de a pequena estender a mãozita para a pegar, algum tempo depois o pai dizia-lhe “dá ao pai!”, ou simplesmente “dá”! Esta é mais uma forma de passar todos os ensinamentos de base da comunicação, e há tantas outras formas. Qualquer ocasião serve: a partilha de um pedaço de pão ou bolacha, a exploração conjunta de um brinquedo, de uma peça de roupa, … valem todos os momentos, tudo o que entra na rotina dos nossos tesouros, pois a comunicação é assim, natural, não precisa de horas marcadas para acontecer! Tentem em vossas casas, nas creches, nas escolinhas, …! É fácil, e atenção, fica o alerta: proporciona momentos de doçura imensa e de grande gratificação para pais, educadores e para as próprias crianças!

Estimulação da linguagem “culinária”!

Gosto de cozinhar e de criar, embora o tempo seja cada vez menos para tudo isto! Ainda assim, costumo aproveitar sobretudo o fim de semana em que estamos todos por casa e, como deixo a Eva um pouco entregue ao pai, lá vou eu para a cozinha fazer a sopa para a semana e algumas refeições para os dias seguintes, e outras que acabo por congelar, para nos facilitar na hora dos almoços e jantares, ainda mais atribulados durante a semana!

Pouco depois da Eva nascer, tentava fazer tudo muito rápido para ir novamente ter com ela ou, muitas vezes, interrompia os cozinhados para estar um pouco junto dela e para a ir amamentando! Ultimamente, apercebemo-nos que ela adora estar na cozinha, comigo, a seguir cada um dos passos na correria frenética entre o frigorífico, a despensa, o lava-louças e o fogão. Garantimos sempre a segurança dela, e colocamo-la longe de toda esta agitação, sem estar no caminho que percorro, mas de modo a que me esteja sempre a ver! Ela adora! E para mim também é melhor porque é mais um tempinho que passo com ela, sem a ouvir choramingar de vez em quando lá na sala, chamando por mim!

Segue-me a todo o momento com os seus olhitos sedentos de estímulos visuais, auditivos, tatéis e mesmo olfativos! E, ora não fosse já meu apanágio, lá ando eu a aproveitar cada segundinho e oportunidade para estimular a pequenota! “Agora a mãe está a fazer a sopa… vamos por muitos legumes, para chegar cheia de coisas boas ao teu leitinho! Já tem lentilhas, … couve-flor, … courgette, … abóbora, .. batata… cebola, … tantas coisas!” Vou indicando o nome de cada legume aos poucos, com tempo… muitas das vezes, mesmo antes de os colocar na panela para cozinhar, já partidos, levo-os junto da Eva. Mostrou-lhe as cores, os cheiros, … volto a repetir o seu nome… e ela responde com o seu grande e reluzente sorriso, em jeito de aprovação!

Nem sempre consigo manter o contato ocular com ela pois, enquanto lavo e parto os legumes ou enquanto coloco os alimentos nos tachos e panelas, acabo por estar virada de costas. E é nessas alturas que ela chama, à sua forma carinhosa “hu… eh… rrr…ahhh!!!!” É eminente o meu olhar e lá cruzamos nós mais uns quantos sorrisos! Ela sabe como me cativar! E, no final de contas, ali estamos nós num diálogo constante e enriquecedor! “Agora vamos tratar do jantar… arroz ou massa? O que te apetece no leitinho de logo à noite? Olha, … a sopa já está a ferver,… daqui a pouco já a podemos passar para juntar as couves e a cenoura! Achas que vai ficar boa? Vai saber tão bem, quentinha!!!”.

E pronto, uma simples tarefa rotineira, repetitiva e que fazia cada vez mais à pressa e com cada vez menos tempo para o prazer que sinto em cozinhar, voltou a transformar-se numa lide doméstica revestida de significado e de alegria! Já imagino a Eva, daqui a uns tempos, a cozinhar comigo! Os doces, … ai os doces! Bolachinhas, … bolos,… Já somos uma dupla promissora! Vamos ver o que o futuro nos reserva! Os ingredientes, já ela os conhece, … os segredos, esses também já lhos vou desvendando, … o companheirismo cresce a cada dia, em cada experiência… e o conhecimento de novas palavras, aromas e cheiros estão ali sempre, a estimular os sentidos ávidos de saber da minha pequenina! Está lançada a semente do saudável vício da culinária!

Os pés… e todo um mundo de aprendizagens!

Já há alguns dias que ando para escrever acerca deste tema, por causa de um episódio que se passou com a Eva na passada Quinta-feira. Ainda assim, a semana que já lá vai foi um pouco mais ocupada e por isso estive ausente! Mas esta semana estamos de regresso, … e com tanto para aprender e partilhar!

Ora, lá aproveitámos mais um dos momentos de “veste e despe” para estimular a pequenota, algo muito simples que também em vossas casas, creches e outros locais podem fazer para interagir com os mais pequeninos. Agora que o frio já se faz sentir, as meias são aliadas indispensáveis para ajudar a acumular o calor do corpo e manter os nossos rebentos mais quentinhos. São, sem dúvida, uma parte fundamental da indumentária diária! E o que vem também com as meias, sobretudo as que são novas? Pequenos pelos e restos de algodão que ficam alojados nos dedos pequeninos! E assim, um novo mundo de aprendizagens surge com os pequenos pés dos nossos bebés!

Quando preciso de mudar a Eva, seja apenas para lhe trocar a fralda ou mesmo antes de ir para o banho, pego nos pés e vou-os tocando. “Pé direito, … onde está? É este!!!! E o esquerdo?? Está aqui!!!!” Sempre com muita alegria à mistura e expressividade facial. Ela adora e responde com o seu enorme sorriso. Repito isto mesmo quando lhe tiro as meias! E depois, … “ai o chulé!!! Puhhhh…o pé esquerdo cheira tão mal!!! Hummm (inspirando profundamente!)… mas este cheira tãoooo bem!!!!”. Claro que vou sempre acompanhando estas frases com a voz a condizer, bem como com as expressões da face, para ela ir percebendo esta dicotomia de sentimentos e de sensações! E foi neste momento que da Eva retirei uma pequena gargalhada, tão boa, tão docinha, tão tudo!!!

Mas a brincadeira continuou! “Oh… tanto lixinho no meio dos teus dedos!! Quantos são? Um… dois… três… quatro… cinco!!!” E ia percorrendo cada um dos seus pequenos deditos, enquanto ela se mostrava toda divertida! “Agora vamos limpar o lixinho todo! De um dedo… do outro… ena, tantas caquinhas!”. E assim, ao mesmo tempo que a ia mimando e lhe ia proporcionando momentos divertidos, lá estava eu a estimular a linguagem, o vocabulário, a capacidade sensorial da minha menina… tantas coisas numa simples tarefa rotineira! Esquerda-direita, números, expressões e sentimentos… experimentem! Os sorrisos que vão receber valem tudo!