A Magia dos Gestos – “Baby Signs”

 

Já há cerca de 3 anos que descobrimos em família a magia dos gestos, através do programa Baby Signs. Foi pela mão de quem o trouxe a Portugal, a querida Sabla d’Oliveira, que o conhecemos. Desde há uns tempos que seguia a sua página no Facebook e, quando soube que viria dar formação a Coimbra, foi a loucura. Tivemos a felicidade de receber uma inscrição gratuita para o workshop de pais e desde logo ficámos rendidos. Na altura a Eva tinha sete meses! O workshop foi uma delicia, recheado de doçura e magia! Os bebés podiam circular livremente, podiam brincar e descobrir todo o espaço que tinha sido devidamente preparado para eles! Enquanto isso, nós, pais, íamos descobrindo alguns dos gestos, partilhando-os logo com eles. Logo começamos a por tudo em prática, assim que chegámos a casa. Persistência e dedicação são as palavras de ordem quando falamos desta abordagem. Certo é que, logo aos 8 meses, a pequena disse a primeira palavra. O primeiro gesto surgiu pouco tempo depois.

Durante vários dias e semanas íamos “rotulando” de gestos muitas das coisas que fazíamos, muitos dos objetos que nos iam passando pelas mãos, … o “comer”, o “beber”, o “gato”, o “coelho” da história, o “cão” do brinquedo, o “gosto de ti” que a toda a hora lhe diziamos e que ainda hoje é usado carinhosamente quando me despeço dela na janela de casa, mesmo que não a consiga ouvir… a “música” que púnhamos todos os dias e que a pequena adorava e adora,… e foi precisamente esse o primeiro gesto que fez! A magia aconteceu mesmo ante o nosso olhar! A sua motivação era a de ouvir música num dia em que não a tínhamos logo colocado, por isso foi ela mesmo que pediu, por iniciativa própria. Nem queríamos acreditar ao vê-la fazer o gesto. Ficámos loucos de alegria. Gravámos e enviámos à Sabla, que sempre vibra connosco e com estas pequenas vitórias. O vídeo chegou mesmo a ser partilhado no grupo secreto a que ficamos a pertencer, logo após a conclusão do workshop. Ali partilhamos conquistas, dúvidas, novos gestos que queiramos aprender, … temos todo o apoio e incentivo!

Ora, constatada que estava a eficácia do programa na minha vida pessoal, comecei também a aplicar as mais valias na vertente profissional, nas sessões de Terapia da Fala. Desde essa altura, em que fiz também o workshop para profissionais, que a magia chegou também às salas, com os “meus” meninos mais pequeninos. Ora, não é o gesto uma das primeiras abordagens que eles usam? Aquela que por vezes mantêm durante tanto tempo, levando por vezes a atrasos na fala? E se pudermos ter esses mesmos gestos, como base para a evolução da linguagem, como motor maior? Pois é, é isso mesmo que o programa “Baby Signs” preconiza. Ao contrário do que muitos papás e educadores receiam, não, o Baby Signs não contribui para o atraso do desenvolvimento da linguagem, deixando a criança presa a gestos, por mais e mais tempo. Não! O Baby Signs pega precisamente naquilo que a criança vai dominando, dando-lhe segurança nas suas partilhas, dando ênfase à sua iniciativa comunicativa. A par de tudo isso, a nossa missão de adultos, quer enquanto pais, quer enquanto profissionais (educadores, professores ou terapeutas) é mesmo a de ir dando novos gestos, novos estímulos. A par disso mesmo, o gesto é sempre acompanhado pela palavra. Assim, a estimulação da linguagem é conseguida. Seja nas interações quotidianas, em todos os contextos da criança, seja na leitura de uma história, ao cantar uma canção, em todas as brincadeiras, … qualquer iniciativa é ótima para transmitir mais e mais vocabulário. E depois? Depois… é só deixar a magia acontecer! Redução de birras, maior ligação entre pais e bebés, mais segurança emocional, … tanto, tanto, tanto que se ganha na relação com os mais pequenos!  Comprovada que está a eficácia deste programa a nível internacional, que mais esperam para o vir conhecer em Coimbra, pela mão da querida Tânia Dias?

Baby Signs

Pois, é verdade! A vida traz-nos estes presentes incríveis! A Tânia é uma amiga de outras andanças, também das que me apaixonam e me prendem mais um pouco do coração. Somos colegas do curso de CAM (Conselheiras em Aleitamento Materno)… partilhamos a paixão pela maternidade, pelo aleitamento, pelos bebés, pelas crianças e pelas conquistas bonitas! Mais uma vez, e ao fim de vários meses de preparação cuidada, juntamos esforços e trazemos a Coimbra a alegria e a dinâmica Baby Signs. Depois do sucesso do “Workshop Baby Signs de Natal”, no nosso “cantinho do coração”, teremos workshop de pais, já no dia 12 de Janeiro. A inscrição inclui a participação do casal e do bebé, apenas por 25€. Dias 16 e 23 de Janeiro, teremos em horário pós-laboral os níveis I e II para formação de profissionais. É educador e quer ser agente ativo na evolução da linguagem dos mais pequeninos? É terapeuta da fala e quer dar nova cor as sessões com os utentes mais novos? Temos preços especiais para inscrição conjunta nos níveis I e II! Falem connosco ou espreitem as paginas de Facebook. Esperamos por vocês… para que a magia continue a espalhar-se!

https://www.facebook.com/BabysignsTaniaDiasCoimbra/

https://www.babysigns.pt/team/tania-dias/

Nem sempre os dias são fáceis…

Nem sempre os dias são fáceis, … nem são aquilo que sonhamos!

Nem sempre as manhãs são de sol ou são tranquilas como as queríamos.

Nem sempre os dias começam com todos os abraços que imaginamos e planeamos, pois as birras tomam conta de muitos deles.

Nem sempre o vestir é um momento pacífico, pois teimas em acordar rabugenta e queres é ficar de pijama.

Nem sempre concordas com a cor das meias, com os bonecos das cuecas ou com o ires de calças ou de vestido.

Nem sempre queres o leite ou o pão que te preparamos, … ou queres cereais quando tudo o resto já estava preparado.

Há dias em que te custa ficar na creche, outros em que as lágrimas são para vir embora, pois o sol que se faz sentir ainda te permitiria muitas brincadeiras com os colegas, na rua.

Há dias em que até com temperaturas amenas queres a manta das princesas pelas costas na hora do jantar, … mas depois enquanto comes a sopa ela vai escorregando… e a birra volta a nós… temos de a “ir deitar fora”, como tanto te alivia fazer.

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Hoje foi um desses dias, … mas hoje, entre tantos outros, e com mais intensidade ainda, com um sabor ainda mais forte, quando me despedia de ti e te dava um beijinho de boa noite ouvi um “mamã, eu gosto de ti”! Chamaste-me de “meu doce”, “meu anjo”, “meu amor”, como tantas vezes te chamo. Na inocência dos teus dois anos e pouco, no auge da formação da tua personalidade, parecias pedir desculpa. Senti-me feliz, senti um calor imenso no coração. Esqueci tudo o que de resto tinha sido o dia. Resolvi guardar isto, … resolvi guardar o melhor e o dia termina com balanço positivo. Nada paga o teu amor… nenhuma birra o anula ou diminui, nenhuma chatice maior o consome. E sabes que mais? Também te amo filha do meu coração! Que mais dias se encham assim de luz e de amor, .. e que a vida assim se faça, sempre, com a luz dos teus olhos e com a tua mão bem junto do meu rosto, quando me acaricias a face com a tua ternura de menina.

Nem sempre os dias são fáceis, … mas são certamente melhores, por te ter na minha vida.

 

Lembranças do Dia do Pai

Ontem foi Dia do Pai, .. festejado por todos os que têm o pai por perto, … pelos que o têm a alguns quilómetros de distância, como é o meu caso,… e por aqueles que apenas mantém as memórias dos pais que já partiram!

O Dia do Pai é para nós um dia de festa! Cá em casa festejamos este dia especial desde que a Eva estava na barriga! E o papá Carlos fica sempre babado com as prendinhas que a pequena oferece. Ontem o dia começou com uma oferta que a avô fez com a neta para dar ao pai: uma caneca com um autocolante de lousa, onde os dois logo foram escrever com giz. O saco foi personalizado também com ajuda da avô Teresa! 🙂 A mãe e a filha ofereceram um jogo de memória, pensado e combinado em segredo. Ela ficou toda orgulhosa pelo agradecimento do pai. A memória dele é um pouco fugaz (:)), e por isso mesmo nos surgiu esta ideia, com imagens personalizadas! Ele adorou, e no final do dia fizemos o jogo em família, no meio de imensas gargalhadas. Foi o primeiro passo para a pequena começar a aprender o conceito de igual!

 

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A prendinha da escola é que ainda ficou por entregar. Apesar de ter sido um Dia do Pai feliz e em família, que começou com muitas risas, gargalhadas e com o ir levar o pai ao trabalho, na hora de almoço recebemos um telefonema da creche, pois a pequena estava adoentada. Logo a fomos buscar e, sem querer, o almoço foi em família. Ao final da tarde houve tempo para muitos miminhos e brincadeiras, apesar da pequena estar molenga e ir passando de colo em colo em busca de carinho do papá e da mamã! Ao fim de uns tempos adormeceu e dormiu um belo soninho no colo quente e aconchegante do pai. Como não ficou na escolinha até ao final do dia, a prendinha de lá ficou mesmo por entregar! Mantém-se o suspense até amanhã, e assim, sem contar, dois dias depois do dito dia, o papá ainda vai ter mais uma surpresa!

A Eva foi muito engraçada no que tocou à prenda da escola, … guarda a surpresa de uma forma tão divertida. O pai pergunta-lhe: “tens uma prenda?”. Toda orgulhosa ela responde: “Si!!!!”. “E o que é…?” E no meio do seu ar maroto ele apenas responde “a penda!!!” Não se descai, por nada!!!

E assim, decidi partilhar mais um dia especial cá por casa, com aventuras e brincadeiras, com alguns vómitos, diarreias e preocupações, mas sempre de sorriso no rosto, com muito miminho à mistura, pois acredito que seja meia cura! 🙂 E aí por casa, como viveram este dia? Que prendinhas os vossos rebentos ofereceram aos papás?

Um ano e meio, já?

Ai, … como estes meses se passaram tão rápido! 18 meses, contados um a um com tanto amor, … semanas infinitas de descobertas e de um carinho inexplicável, … um ano e meio, já? Eva, o que é que fizemos ao tempo? Desde que nasceste parece que em vez de andar rápido, ele corre, … corre veloz, cada vez mais! Mas tem sido tão bem aproveitado!

No início, quando confirmámos a tua chegada, o medo misturou-se com a alegria… os receios habituais de quem acha que não está capaz de tal missão: ser mãe, … ser pai! Depois, o medo foi-se dissipando e ficou apenas o amor, que cresceu de dia para dia com o andar dos meses de gravidez. Perto do final, veio novamente o medo. O parto, o desconhecido, a chegada… será que serei mesmo capaz? E aí percebemos que o tempo tem passado mesmo num passo apressado. Ainda ontem estavas na minha barriga, … ainda ontem chegavas com o primeiro raio de sol, naquele sábado tão feliz, … e hoje já fazes um ano e meio!

Subornar o tempo já tentei, … sem sucesso! Os dias correm e tu cresces, … aprendes coisas novas, dizes palavras diferentes, inventas novas brincadeiras, … os primeiros passos já se transformaram em pequenas corridas, em saltitares desajeitados, em marchas engraçadas! O que posso eu fazer se não aproveitar ao máximo cada segundo veloz dos dias que são tão curtos para te ver crescer? Assim, cada manhã é amor, contigo! Cada risada ao pequeno almoço é entrega total! Cada palavra tua um bálsamo para as ansiedades do dia que chega! E quando cai a noite e chegas com o pai da creche… aquele teu abraço, o colo que me pedes, os beijinhos que te entrego com tanta ternura! Sabes que mereces cada um deles muito, muito,muito! Se pudesse, arranjava uma multiplicadora de beijos, para que sentisses todo o amor que por ti carrego!

Vamos deixar o tempo correr, … sabes, nós vamos conseguir fazê-lo valer! Fazemos isso todos os dias! Que os meses continuem repletos de alegria e que te continue a ver crescer assim… já passou um ano e meio, mas hoje o medo é todo gratidão! Agradeço cada dia passado ao teu lado, agradeço tudo o que aprendo contigo, … sou tua mãe e nada me faria trocar o que contigo construímos! Felizes 18 meses, meu amor pequenino!

Papinha caseira de farinha de arroz!

E como não podia faltar à minha palavra e às promessas dos últimos dias, cá estou hoje, de novo, para partilhar uma receita apta para bebés logo desde os 4 meses, pois não contém glúten! Hoje trago-vos a sugestão de papinhas caseiras feitas com farinha de arroz!

Por ser uma farinha simples e sem glúten entra na composição da maioria das papinhas de pacote que encontramos no supermercado com indicação “4+”, ou seja, desde os 4 meses! Não é por acaso que quando estamos adoentados e com um estômago que pouco ou nada tolera, nos mandam comer flocos de arroz, o tradicional “nestum de arroz” e outras papas do género. Assim, este é um alimento extremamente acessível para os mais pequeninos, podendo mesmo constituir a primeira papinha, quando completam os 4 meses!

Sou totalmente a favor do aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de idade, tal como sugere a Organização Mundial de Saúde, mas infelizmente vivemos num país onde a licença de maternidade devidamente paga não vai muito além dos 4 meses. Assim, muitos bebés têm mesmo que entrar para creches e amas logo nesta fase, o que impede a continuidade do aleitamento exclusivo. Para estes bebés e para estas mamãs, que se preocupam em dar os melhores alimentos logo desde a primeira etapa de vida, aqui fica uma solução ideal, simples e muito económica.

Esta farinha pode ser comprada, tal como outras, junto à área das farinhas convencionais. A marca “ceifeira”, que me habituei a ver desde cedo nas bancas da cozinha da minha mãe e avós, para fazer o arroz doce, tem uma versão numa económica embalagem de 500 gramas. Depois, há sempre outras possibilidades e marcas na zona bio dos supermercados, algumas delas mais caras por serem preparadas com arroz integral. Se pretenderem e tiverem um bom liquidificador, basta fazer a trituração direta dos grãos de arroz em velocidade máxima. Eu, pessoalmente, prefiro a primeira versão, já preparada! A embalagem dá para imenso tempo, dadas as quantidades utilizadas!

Vamos então à nossa receita! O princípio é o que já fui indicando noutros textos: por cada colher de sopa de farinha, utilizar 60 ml de água fria. Por norma faço a papinha para a Eva com 3 colheres de sopa de farinha de arroz e 180 ml de água. Basta deitar a farinha na água fria e mexer até dissolver, de forma a evitar grumos. Depois, é só levar ao lume e mexer sempre, até que ganhe consistência. Não demora mais que dois ou três minutos!

A papinha pode ser dada assim aos pequenotes ou com a fruta que já tenham introduzido. Sugiro as frutas que primeiramente são recomendadas: maçã, pêra e/ou banana! As possibilidades são imensas:

  • Podemos adicionar maçã cozida, pêra cozida ou as duas misturadas.
  • A banana cozida é também uma possibilidade, mas adicioná-la crua, bem madura e esmagada é uma versão bem mais simples e rápida.
  • Se não tiverem fruta cozida no momento e quiserem juntar algo mais à papinha, podem sempre ralar maçã ou pêra no momento. Com a papinha quente, os pequenos pedacinhos de fruta ficam como que cozinhados. Basta adicioná-los à farinha e aguardar um ou dois minutos para que fiquem incorporados e dêem sabor à papinha. Se preferirem podem mesmo adicionar a fruta até durante a cozedura da farinha, cozinhando-a ainda mais!

Para enriquecer as papinhas, e em mamãs que ainda estejam a amamentar, pode reduzir-se um pouco a quantidade de água usada na preparação. Assim, as papinhas ficarão mais “grossas” que o habitual. No final da sua cozedura pode juntar-se um pouco de leite materno, até se obter a consistência desejada.

Para as mamãs e papás, estas papinhas também funcionam como um ótimo lanche ou pequena refeição. Para nós, que estamos acostumados  e, de certa forma, viciados nos sabores que conhecemos da indústria e de todos os produtos que ingerimos, esta papinha pode parecer-nos sem sabor mas, de fato, ela é do mais natural que pode existir. Para os nossos pequenotes, que não têm outras referências, nem têm o paladar condicionado por outros alimentos, será uma novidade apetitosa, uma nova consistência para além da que conhecem do leite, seja ele materno ou de suplemento. Nesta fase em que tão curiosos ficam por novos sabores e texturas, é o momento ideal para os introduzir neste mundo da alimentação saudável e cuidada. Quando forem adultos, o seu paladar estará mais que familiarizado com esta tipologia de alimentos, não necessitando de outros alimentos nocivos, com sabores artificiais, repletos de corantes, conservantes e aditivos! Os bons hábitos vêm do berço e cabe-nos a nós, desde logo, orientar os nossos pequenos no melhor caminho possível.

Então, para o gosto mais “requintado” dos papás, sugiro que juntem a esta papinha pequenos pedaços de fruta à vossa escolha, seja ela maçã, pêra, banana, ou mesmo várias em conjunto! Podemos mesmo fazer uma versão com pedaços da que oferecemos aos nossos filhotes, aproveitando o que sobra da peça de fruta ralada, caso não a comam por inteiro. Adicionar canela e umas gotas de limão é também uma possibilidade que aprecio. Para quem já se converteu ao mundo das sementes, juntar sementes de girassol, linhaça, sésamo e outras pode também ajudar a converter este lanche num apetitoso e saudável pitéu!

Volto a relembrar: estas papinhas podem ser feitas na hora, podem ser congeladas para levar num passeio ou para a creche durante a semana ou podem mesmo ser feitas de véspera ou na própria manhã! Depois basta aquecer em banho-maria!

E porque não há nada melhor do que partilhar, partilhem estas receitas com quem mais gostam, introduzam aos vossos bebés, mesmo aos mais crescidinhos! Partilhem também comigo e com todas as mamãs as reações de pequenos e graúdos a estas papinhas saudáveis! Aguardo ansiosa, com a promessa de que em breve vos trarei novidades!

 

 

Dúvidas e questões – papinhas caseiras com aveia!

papinhas caseiras

Dúvidas e questões – papinhas caseiras com aveia!

Olá mamãs! Os últimos textos do blog acerca das papinhas caseiras foram dos mais comentados e muitas dúvidas foram colocadas. Respondi a todas elas em particular, mas resolvi responder a mais umas questões sobre as papinhas caseiras com aveia com todas vocês, pois muitas das questões que esclareci podem perfeitamente ser também as vossas!

Antes de mais, manifesto o meu agrado pela consciência que fomos despertando nas mamãs para a questão do açúcar e de todos os produtos industrializados. Recebi vários comentários e opiniões de algumas de vocês que ficaram muito interessadas no tema e aguardam as próximas receitas. Tive também testemunhos de outras mães que se aperceberam dos ingredientes adicionados nas papas de “pacote”, tal como referimos, e algumas delas não cederam à nova compra destas, convertendo-se às nossas papinhas caseiras, muito mais saudáveis e tão simples! Fico realmente feliz por poder ajudar-vos nesta introdução ao mundo das papinhas caseiras ou ao seu complemento, com novas ideias e receitas!

E vamos então falar um pouco daquelas que foram as dúvidas e questões mais colocadas acerca das nossas papinhas com aveia:

Cozinhar ou não cozinhar a aveia?

A aveia em farelo/farinha é, por si só, de pequeníssimas dimensões e em muitas embalagens refere mesmo a não necessidade da sua cozedura. É também sabido que em cru, este cereal tem ainda mais propriedades nutricionais. Assim, na sugestão que fiz, a aveia NÃO precisa de ser cozinhada pois é apenas adicionada como complemento à fruta cozida, não sendo, em si, a receita das tradicionais papas de aveia. Dessas falaremos mais tarde, numa outra sugestão de receita. Assim, podem perfeitamente adicionar uma ou duas colheres de chá de aveia, ou mesmo mais, ao preparado da fruta cozinhada ou ralada em cru, conforme o gosto e preferência dos vossos bebés! Eles são os nossos melhores guias nestas experiências!

Dúvidas e questões – papinhas caseiras com aveia!

Outra sugestão que vos deixo é que este enriquecer da fruta cozida com a aveia pode também ser feito, por exemplo, numa fruta cozida a que juntámos um pouco mais de água do que desejaríamos durante o processo de cozedura, ficando a fruta mais líquida e menos consistente, o que dificulta a sua dádiva ao bebé. Muitas vezes a fruta está tão madura, acontece-me sobretudo com as pêras, que por menos água que lhe ponha ao cozinhar, estas ficam sempre mais líquidas depois de passadas com a farinha mágica. Assim, acrescento a aveia e a sua consistência fica logo outra, mais próxima de puré do que da consistência líquida!

A questão do glúten

Sim, a aveia é recomendada depois dos 6 meses, por conter glúten! Assim, bebés que introduzam as papinhas aos 4 meses, não devem logo experimentar a aveia como ingrediente de suporte! Existem versões sem glúten, mas são mais dispendiosas e vale a pena esperar pelos 6 meses, pois há outras alternativas de farinhas sem glúten, aptas logo desde os 4 meses! Amanhã mesmo vos trarei uma receita para os mais pequeninos, para as primeiras papinhas, sobretudo úteis para as mamãs que terminam a licença de maternidade e têm logo que deixar os pequenotes entregues ao cuidado de outra pessoa.

Que proporção/quantidade de fruta e aveia deve ser usada?

Cá em casa costumo sempre ter fruta cozida: maçã, pêra, as duas em conjunto, … por isso não faço doses individuais de cada vez que faço estas papinhas. Penso que, para vos poder indicar quantidades aproximadas vos posso sugerir cozer cerca de 3 maçãs ou 3/4 pêras e adicionar uma ou duas colheres de chá de farinha de aveia (flocos finos para bebés com dentinhos). Ficamos assim com uma dose individual de papinha com cerca de 150 a 200 ml.

Em que momentos dar estas papinhas com aveia?

Como a receita que sugeri tem mais quantidade de fruta cozida do que de aveia, sendo apenas a fruta enriquecida com a aveia, opto por dá-la à Eva como sobremesa, variando das vezes em que apenas lhe dou pêra ou maçã cozida, ou outras frutas raladas/picadas em cru (banana, papaia, manga, abacate, …). Ainda assim, são também ótimas opções para lanches ou pequenas refeições, quando nos apercebemos que os nossos bebés não estão saciados! Como cheguei a indicar, são uma boa opção para levar para viagens e mesmo para a creche, podendo ser preparadas de véspera ou já na manhã do próprio dia!

Estas papinhas podem ser congeladas?

Há mamãs que congelam estas papinhas, sim! Eu pessoalmente prefiro ter a fruta cozida, o que faço de dois em dois dias em quantidade, e vou juntando a aveia no momento, antes de a aquecer a fruta em banho-maria, ou logo após o momento de as aquecer! Mesmo que não tenhamos fruta cozida, descascar 3 ou 4 peças de fruta, cozer e triturar não nos leva mais que 10 minutos, sobretudo quando a fruta está madura! Quando tempo esperamos que ferva a água para as papinhas de “pacote”? Penso que comparando o tempo de preparação, não há muitas diferenças, mas as vantagens destas papinhas caseiras são mais que muitas! Ainda assim, congelar não é problema, desde que nas devidas condições. Algumas fontes defendem como melhor método de congelação o do “choque térmico”, ou seja, congelar os alimentos ainda quentes, fazendo com que a diferença abrupta de temperatura preserve as qualidades e nutrientes do nosso produto final, inativando enzimas e destruindo possíveis micro-organismos, um processo muito próximo do que é a pasteurização.

Quais as variedades e possibilidades de aveia que existem no mercado?

Estas são apenas algumas das embalagens que tenho em casa e que costumo utilizar, dando-lhes diferentes usos!

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Esta é a minha eleita: aveia em farelo/farinha de aveia integral, sem OMG (Organismos genéticamente modificados)  Custa cerca de 1,60€ e dá para imenso tempo. Comprei no supermercado, na zona dos produtos bio! Como refere a própria embalagem, não necessita de cozedura, podendo ser acrescentada a fruta, sopas, bolos, … É desta que adiciono sempre cerca de duas colheres de chá nas frutinhas da Eva! Daqui a uma ou duas semanas também vos trarei outras receitas com ela!

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Gosto de usar esta em bebidas, com um copo de sumo ou de leite. Basta adicionar uma colher de sopa, cerca de 10 gramas, e temos uma bebida enriquecida e nutritiva, ótima para saciar aquelas “pequenas fomes”. Pode também ser adicionada às nossas papinhas e, por serem flocos solúveis, a textura da aveia passa mais despercebida, ficando a papinha sem aqueles “restinhos” visíveis da aveia triturada/em farinha! Inicialmente comprava no “Celeiro”, mas ultimamente também já a vi à venda no Continente, custa cerca de 2 euros.

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Dados da Aveia

Estas duas versões uso para picar no “1,2,3” quando quero fazer bolachinhas caseiras! Há uma versão para bebés que muito aprecio também para os meus lanches que pode ser dada aos pequenotes desde os 6 meses, e leva apenas dois ingredientes! Um dia destes também partilho esta maravilha com vocês! Os flocos finos podem mesmo ser assim usados, sem necessidade de picar muito mais. São excelentes hipóteses para quando os pequenos começam a ter os primeiros dentinhos e já vão mastigando, o que é bom os familiarizar com novas consistências e para aprenderem a lidar com os alimentos sólidos! Existem várias marcas: área viva continente, salutem, cem porcento, marca mini-preço, …todas rondam o valor de 1€ (as marcas “brancas” de supermercado por vezes nem aos 0,70€ chegam!)… compro indiscriminadamente, dependendo daquela que há promoção, pois gosto de todas!

Dúvidas e questões – papinhas caseiras com aveia!

Espero com estas questões conseguir esclarecer as mamãs que ainda tinham alguma reticência em iniciar estas papinhas! Responderei a todas as dúvidas que ainda possam surgir, sobretudo quando resolverem meter “a mão na massa”! Estarei para ajudar em tudo o que conseguir! Quero conhecer as vossas opiniões, partilhar experiências e saber se os pequenos aprovam as papinhas… e já agora, os papás e mamãs também! Amanhã trago-vos então uma receita que pode ser dada logo desde os 4 meses, por conter farinhas sem glúten! Já falta pouco…não deixem de ler e experimentar!

Mais?

Pode encontrar mais dicas sobre papinhas caseiras aqui.

Também pode aprender a fazer as suas papinhas diretamente comigo!

“Caiu”, “toma”, “dá”… estimular a linguagem compreensiva!

Ainda que a linguagem expressiva sob a forma mais comum que a percebemos vá levar alguns meses a chegar até cá a casa, na fase em que a Eva está, alguns sons, lalação e balbucio são já audíveis! São tão engraçadas as variações de intensidade e de frequência que ela já vai conseguindo! Por vezes pergunto-me como é que um trato vocal/garganta tão pequenina já é capaz de sons tão agudos e de toda aquela miscelânea harmoniosa! É música para os nossos ouvidos, e por vezes, soa mesmo a uma pequena cantiga, tão terna, tão doce! Um dia, hei-de gravar para mais tarde recordar!

Sim, todos queremos que os nossos pequenos falem cedo, que digam “papá” ou “mamã”, pela ordem que indico se forem, respetivamente, o pai orgulhoso ou a mãe galinha, sim, todos teremos um certo orgulho futuro em o relembrar se fomos os primeiros eleitos! Mas, o que não devemos esquecer, e várias vezes já o fui aqui referindo nos textos do blog: não só a linguagem expressiva é essencial, pois a sua base está na linguagem compreensiva, ou seja, a expressão é o reflexo de tudo aquilo que a criança vai ouvindo e “gravando” na sua memória ao longo do tempo, desde os momentos intra-uterinos!

O que ouvem será pronunciado daqui a uns tempos e hoje, para além de vos relembrar isso mesmo, dou ainda algumas sugestões de tarefas que podem fazer em casa com os vossos filhos, netos, sobrinhos, afilhados ou, se forem educadores, com os vossos pequenos aprendizes, em contexto de creche!

A Eva adora ter uma colher na mão, é um objeto simples e comum, do quotidiano, que lhe proporciona vários minutos de animação e atenção. Basta mostrar-lha em frente aos seus olhitos para os ver a arregalar e a cintilar e, logo em seguida, há uma mão ansiosa que se estende, trêmola de tanta ansiedade! Claro que sim, o destino é logo a boca, mas não faz mal! Brincadeira agora, intencional, podemos dizê-lo, mas feito por acaso ao início, é o fato de a colher, de vez em quando, ser largada pelas mãos da Eva. Por vezes cai ao chão, outras vezes fica no sítio onde ela está sentada. Quando isso acontece e ela não a consegue voltar a alcançar autonomamente, é aí que começa o jogo: “oh… caiu!”. Devemos dizer estas frases-chave de forma animada, com um enorme sorriso, com expressividade quase que exagerada. Isso desperta-lhe logo um sorriso maroto, como que percebendo a brincadeira. Quando lha volto a devolver, para prolongar a brincadeira, digo: “toma!”. Ela fica toda feliz e aquela dinâmica dura minutos e minutos em seguida.

Para além de estimular a comunicação, é ainda uma forma de a pequena se começar a aperceber dos turnos de comunicação, o chamado “Turn-Taking”, também conhecido vulgarmente como “tomada de vez”. Assim, a colher vai dela para mim, de mim para ela, e assim sucessivamente. Não é esta a base de um diálogo, em que ora fala um dos interlocutores, ora fala o outro, gerando-se uma conversa? Neste momento, a Eva ainda só fala à maneira dela, com sons, com a expressividade da sua face ao ceder-nos os sorrisos em jeito de agradecimento por lhe darmos os objetos, mas o essencial, a base imprescindível, está lá, desde já! A partilha de atenção para um mesmo objeto, conhecida como “atenção conjunta”, vai também sendo desenvolvida! E tudo isto é tão importante!

Ontem, a brincadeira foi outra! Com o pai, no quarto, mesmo antes do momento de dormir, colocámos a luz de presença na tomada. A Eva fica alerta quando vê a luz surgir. E o pai fazia assim: tirava a luz de presença da tomada e dava-a à pequena: “toma!”, dizia ele, e bem! (Parece que as dicas estão a passar positivamente, pelo menos cá por casa). Depois de a pequena estender a mãozita para a pegar, algum tempo depois o pai dizia-lhe “dá ao pai!”, ou simplesmente “dá”! Esta é mais uma forma de passar todos os ensinamentos de base da comunicação, e há tantas outras formas. Qualquer ocasião serve: a partilha de um pedaço de pão ou bolacha, a exploração conjunta de um brinquedo, de uma peça de roupa, … valem todos os momentos, tudo o que entra na rotina dos nossos tesouros, pois a comunicação é assim, natural, não precisa de horas marcadas para acontecer! Tentem em vossas casas, nas creches, nas escolinhas, …! É fácil, e atenção, fica o alerta: proporciona momentos de doçura imensa e de grande gratificação para pais, educadores e para as próprias crianças!