A Magia dos Gestos – “Baby Signs”

 

Já há cerca de 3 anos que descobrimos em família a magia dos gestos, através do programa Baby Signs. Foi pela mão de quem o trouxe a Portugal, a querida Sabla d’Oliveira, que o conhecemos. Desde há uns tempos que seguia a sua página no Facebook e, quando soube que viria dar formação a Coimbra, foi a loucura. Tivemos a felicidade de receber uma inscrição gratuita para o workshop de pais e desde logo ficámos rendidos. Na altura a Eva tinha sete meses! O workshop foi uma delicia, recheado de doçura e magia! Os bebés podiam circular livremente, podiam brincar e descobrir todo o espaço que tinha sido devidamente preparado para eles! Enquanto isso, nós, pais, íamos descobrindo alguns dos gestos, partilhando-os logo com eles. Logo começamos a por tudo em prática, assim que chegámos a casa. Persistência e dedicação são as palavras de ordem quando falamos desta abordagem. Certo é que, logo aos 8 meses, a pequena disse a primeira palavra. O primeiro gesto surgiu pouco tempo depois.

Durante vários dias e semanas íamos “rotulando” de gestos muitas das coisas que fazíamos, muitos dos objetos que nos iam passando pelas mãos, … o “comer”, o “beber”, o “gato”, o “coelho” da história, o “cão” do brinquedo, o “gosto de ti” que a toda a hora lhe diziamos e que ainda hoje é usado carinhosamente quando me despeço dela na janela de casa, mesmo que não a consiga ouvir… a “música” que púnhamos todos os dias e que a pequena adorava e adora,… e foi precisamente esse o primeiro gesto que fez! A magia aconteceu mesmo ante o nosso olhar! A sua motivação era a de ouvir música num dia em que não a tínhamos logo colocado, por isso foi ela mesmo que pediu, por iniciativa própria. Nem queríamos acreditar ao vê-la fazer o gesto. Ficámos loucos de alegria. Gravámos e enviámos à Sabla, que sempre vibra connosco e com estas pequenas vitórias. O vídeo chegou mesmo a ser partilhado no grupo secreto a que ficamos a pertencer, logo após a conclusão do workshop. Ali partilhamos conquistas, dúvidas, novos gestos que queiramos aprender, … temos todo o apoio e incentivo!

Ora, constatada que estava a eficácia do programa na minha vida pessoal, comecei também a aplicar as mais valias na vertente profissional, nas sessões de Terapia da Fala. Desde essa altura, em que fiz também o workshop para profissionais, que a magia chegou também às salas, com os “meus” meninos mais pequeninos. Ora, não é o gesto uma das primeiras abordagens que eles usam? Aquela que por vezes mantêm durante tanto tempo, levando por vezes a atrasos na fala? E se pudermos ter esses mesmos gestos, como base para a evolução da linguagem, como motor maior? Pois é, é isso mesmo que o programa “Baby Signs” preconiza. Ao contrário do que muitos papás e educadores receiam, não, o Baby Signs não contribui para o atraso do desenvolvimento da linguagem, deixando a criança presa a gestos, por mais e mais tempo. Não! O Baby Signs pega precisamente naquilo que a criança vai dominando, dando-lhe segurança nas suas partilhas, dando ênfase à sua iniciativa comunicativa. A par de tudo isso, a nossa missão de adultos, quer enquanto pais, quer enquanto profissionais (educadores, professores ou terapeutas) é mesmo a de ir dando novos gestos, novos estímulos. A par disso mesmo, o gesto é sempre acompanhado pela palavra. Assim, a estimulação da linguagem é conseguida. Seja nas interações quotidianas, em todos os contextos da criança, seja na leitura de uma história, ao cantar uma canção, em todas as brincadeiras, … qualquer iniciativa é ótima para transmitir mais e mais vocabulário. E depois? Depois… é só deixar a magia acontecer! Redução de birras, maior ligação entre pais e bebés, mais segurança emocional, … tanto, tanto, tanto que se ganha na relação com os mais pequenos!  Comprovada que está a eficácia deste programa a nível internacional, que mais esperam para o vir conhecer em Coimbra, pela mão da querida Tânia Dias?

Baby Signs

Pois, é verdade! A vida traz-nos estes presentes incríveis! A Tânia é uma amiga de outras andanças, também das que me apaixonam e me prendem mais um pouco do coração. Somos colegas do curso de CAM (Conselheiras em Aleitamento Materno)… partilhamos a paixão pela maternidade, pelo aleitamento, pelos bebés, pelas crianças e pelas conquistas bonitas! Mais uma vez, e ao fim de vários meses de preparação cuidada, juntamos esforços e trazemos a Coimbra a alegria e a dinâmica Baby Signs. Depois do sucesso do “Workshop Baby Signs de Natal”, no nosso “cantinho do coração”, teremos workshop de pais, já no dia 12 de Janeiro. A inscrição inclui a participação do casal e do bebé, apenas por 25€. Dias 16 e 23 de Janeiro, teremos em horário pós-laboral os níveis I e II para formação de profissionais. É educador e quer ser agente ativo na evolução da linguagem dos mais pequeninos? É terapeuta da fala e quer dar nova cor as sessões com os utentes mais novos? Temos preços especiais para inscrição conjunta nos níveis I e II! Falem connosco ou espreitem as paginas de Facebook. Esperamos por vocês… para que a magia continue a espalhar-se!

https://www.facebook.com/BabysignsTaniaDiasCoimbra/

https://www.babysigns.pt/team/tania-dias/

O “nosso” colo… o abrigo dos dias!

Ser mãe, ser pai,  não é tarefa fácil, … educar é talvez dos trabalhos mais duros do mundo. O que acarreta mais responsabilidade, mais dedicação, … o que não escolhe nem horas, nem dias, … uma atividade que não carece de contrato, nem de regras pré-definidas. É para a vida, para todos os momentos, sem viagem de volta!

Ao mesmo tempo, é também a “profissão” mais bem paga de sempre, … a mais ternurenta e ambicionada por muitos! Não trocava a condição de mãe por nada deste mundo, mas hoje, escrevo-vos em jeito de desabafo.

Quem nunca sentiu que por vezes não sabe ser bom pai, boa mãe? Quem nunca teve dias mais difíceis onde parece que cada acontecimento e reação dos pequenos nos desafia arduamente, … onde sentimos que os outros olham para nós como as piores pessoas de sempre? Por vezes tenho a sensação que devo ser a única mãe que fala num tom um pouco mais alto, … que chama a atenção da pequena duas, três, quatro vezes…

Tenho momentos em que sinto que se repreendo sou má, … mas se deixo passar em falso alguma coisa, também não sou boa mãe! Tenho dias em que acho que a minha filha deve ser a única que chora ou que faz uma birra, … só pode, pelo ar de estranheza e pelas várias cabeças viradas que surgem na nossa direção. Enfim, … realmente este é mesmo o trabalho mais complexo de sempre!

Depois, como ontem aconteceu, paro e penso: “Eu sou eu, … com todo o amor que tenho para oferecer à minha filha! Sim, repreendo! Sim, aconselho! Sim, amo-a! Mais que tudo na vida! Sim, … ficou triste, … desgastada, … mas amo-a, mais que tudo na vida, mesmo, sem qualquer margem para dúvida!”

O “nosso” colo ontem foi mais uma vez o meu abrigo, … é-o tantas vezes! Há realmente dias mais complicados, em que parece que não reconhecemos os nossos filhos e as suas atitudes, … mas depois penso e coloco-me no lugar da pequena: o dia tinha começado às 7:00… no dia anterior tínhamos festejado juntos o aniversário do papá! Ora, se até nós, adultos, totalmente conscientes e responsáveis temos dias menos bons, porque não hão-de eles de os ter? Por acaso acordou muito bem disposta, … tinhamos um batizado e estava toda feliz por ir ter um vestido como o da Bela, da Bela e o Monstro. Esqueçam os folhos e o amarelo caraterístico daquela princesa. Era apenas um simples vestido às riscas, mas era comprido e tinha um laçarote a trás! Sim, porque as crianças valorizam a simplicidade. Era apenas um vestido de 9,99€, mas para ela tinha magia. Ainda por cima, iamos de igual! 🙂 Para se ser feliz é realmente preciso tão pouco. Quem dera a metade dos adultos do mundo manter esta essência tão pura.

Mas depois, o dia fez-se longo, entre muita gente nova, muitas outras crianças, muitas brincadeiras, muitas descobertas, … uma piscina apetitosa que chamou por ela todo o dia! Foram muitas novidades, muitos desafios, … as nossas regras de adultos, os perigos à espreita, …

Foi mesmo um dia cansativo! Feliz, por estar com ela, mas repleto de chamamentos de criança, no auge dos seus dois anos, quase a completar os três. No meio de todas as coisas bonitas da natureza, nas brincadeiras diferentes que lhe surgem na ideia, nos perigos que ainda não reconhecem…

Eram cerca de 19:00 quando a Eva me caiu no colo. “Mamã, só quero dormir no teu colinho!” Conseguem imaginar o render que foram aquelas palavras? Senti ali de novo a minha menina. Agradeci todos os miminhos, que retribuí sem demora, com tanto, tanto amor! A minha menina doce estava ali de volta, depois de todas as corridas desafiantes, de todos os “nãos” que não acatou, …

E o “nosso” colo, voltou a ser o refúgio feliz dos dias que correm. Não tardou cinco minutos e já lhe sentia a respiração profunda no meu peito. Ali ficámos umas duas horas, … o meu peito já estava molhado da transpiração toda dela, mas ainda assim, soube tão bem. Já noutro texto o disse, e continuo a sentir isso mesmo: não é só ela que pede colo! Quando lhe dou o meu colinho, temos ali o “nosso” colo! Ela recebe o aconchego e o miminho, mas eu encontro ali também o melhor local do mundo, o mais seguro, o mais terno, … o mais desejado. Perdi a conta das vezes que lhe acariciei o cabelo, madeixa por madeixa… das vezes que lhe fiz festinhas na face, … que lhe toquei nas orelhas ao de leve e na testa, massajando as zonas de relaxamento, por excelÊncia. Aconchegava-a mais e mais, … os beijinhos foram aos milhares, … as carícias, …

Todo o mundo ali, só nós as duas, … o descanso da guerreira. Que dia intenso, quantas descobertas e desafios. Mas a verdade é que ela estava feliz, e eu por ela, também! Depois, comecei a sentir os olhos rasos de água, … e o que eu fiz para controlar todas as lágrimas que teimavam em cair, … a minha menina está a ficar crescida, … o mundo dela cresce todos os dias, os seus horizontes alargam-se a cada nova experiência, … desafiar faz parte de todos os caminhos! Nós, pais, estamos tão pouco preparados para isso! Sei que tem de acontecer, .. que esse caminho já começou há muito.

O dia em que eles nascem, em que saem de dentro de nós, marca o início de tudo isso. A verdade é que estamos tão preocupados com os sonos, as fraldas, as mamadas, … que nem nos damos conta!

Ontem, mais uma vez, tive essa noção. Arrepiei-me… gelei-me… Senti que tinha de aproveitar aquele e tantos outros momentos ao máximo. Revi passagens,  revi recordações, … gravei vezes e vezes seguidas aquela imagem na minha cabeça. Como é possível sentir tantas saudades de um momento que ainda estava a acontecer? Estranho, não é?

É em situações assim que sentimos o amor desmedido que lhes temos, ainda mais… e juramos que vamos ter mais tempo para eles, para continuar a vê-los crescer felizes e em graça. Ali, mais uma vez, pensei para mim: “vamos aproveitar cada momento ao máximo, por mais pequenino e simples que seja!”. Guardo cada frase, cada sorriso, cada expressão deliciosa, …

Ser mãe, não é fácil, … mas a recompensa é sem dúvida a melhor do mundo. E tanto que aprendo contigo! Fica prometido minha Eva, … hoje, vou ser ainda melhor mãe que ontem. Prometo respeitar as tuas reguilices, as tuas descobertas, a tua ânsia de crescer e de ser, … mais que uma espetadora, quero ser companheira, hoje e sempre!

Desculpem o testamento, … desculpem o desabafo, … há dias assim, mas a escrita traz-me sempre esta paz que necessito!

Filha,.. OBRIGADA pelo colo que me dás, … o “nosso” colo é sem dúvida o “nosso” melhor abrigo!

Disney para todos: acessibilidade para pessoas com limitação física e bebés (Disneyland Paris VI)

A Disney é mesmo um mundo à parte, mas muito bem pensado e estruturado. Todos, sem excepção, são aqui bem-vindos. Nos dois dias que passámos pelos parques vimos pessoas de todas as idades, desde bebés de colo a pessoas de mais idade.  Vimos muitas e muitas cadeiras de rodas, com crianças e com adultos! Ninguém fica indiferente a toda a magia.

1 – Facilitadores a pessoas com deficiência motora

Cruzámo-nos muitas vezes com pessoas com limitações físicas e elas eram sempre bem recebidas. Na zona da bilheteira e mesmo no acesso às portas principais havia entradas maiores e prioritárias, … tudo preparado para receber qualquer visitante do parque com necessidades especiais. Cada divertimento tinha também esses acessos privilegiados e muito bem preparados, … elevadores em algumas das diversões onde era necessário aceder por escadas a outros andares, .. enfim, tudo pensado ao pormenor e de forma a não deixar ninguém de fora!

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2- Vantagens e complementos para bebés e crianças de colo

Também as condições para os mais pequenos não foram esquecidas. Desde a possibilidade de aluguer de carrinhos na entrada do parque, por 15€ por dia, com parques “de estacionamento” para eles à entrada de cada diversão, para que os mesmos pudessem ficar em espera, sem ter que atrapalhar o momento de aproveitar as personagens e os locais mágicos no interior.

Nos vários espaços para alimentação e restaurantes iam também surgindo algumas cadeiras infantis, claro, com a forma do Mickey.

Mas o que mais nos despertou a atenção foi uma pequena casinha, no DisneyLand Park. Um espaço onde havia casas de banho familiares, um espaço de refeições com imensas cadeirinhas para os bebés, … cadeiras onde as mamãs poderiam amamentar e ainda uma pequena copa, equipada com micro-ondas, copos, água e todas as condições para que ali se pudessem aquecer as refeições dos mais pequeninos. Espaços de muda de fraldas iam sendo avistados também por todo o parque.

Nesse mesmo espaço dedicado aos bebés e às famílias  havia ainda um ponto de espera para o caso de alguma criança se perder e os pais a poderem ir buscar novamente. Um espaço animado, com vários peluches e brinquedos, para que os pequenotes ali pudessem passar momentos divertidos, enquanto aguardavam pelos pais e responsáveis.

Era ainda possível adquirir produtos alimentares e de higiene para necessidades ou faltas de última hora. Comida, fraldas, bens de primeira necessidade, … tudo! Sim, uma fralda custava 1€. Sabemos que é um valor alto, mas pensando que pode salvar o resto da visita, toda a ajuda é bem-vinda!

Por isso, já sabem, a Disney é mesmo para todos. Crianças, bebés, … adultos, idosos, … todos se podem e devem deixar levar nesta magia imensa, … pelo menos uma vez na vida. Todas as condições estão disponíveis e cada pessoa se torna única e especial a partir do momento em que entra por aqueles imensos portões sem tempo nem preocupações.

 

3, 2, 1… por aqui, prepara-se uma viagem mágica! (Disneyland Paris I)

Bom dia alegria! E hoje é mesmo um dia assim, ainda mais positivo, com alegria redobrada. Estamos em pulgas, de coração aos saltos, com borboletas na barriga, nervoso miudinho e tudo a que tem direito um acontecimento assim!

Pois é, … hoje preparamos o embarque numa aventura de fim de semana e mais dois dias que nos vai levar a um mundo mágico… de pequenos e graúdos. Alguém tem palpites? Sabem do que falamos? Para quem viveu todo o imaginário das princesas e príncipes na infância, … para os que têm no Rei Leão, no Pinóquio, no Livro da Selva, no Bambi, … tantas e tantas referencias, … que lugar melhor para visitar que a Disneyland, em Paris?

É mesmo verdade, um sonho de criança, de tantos e tantos anos, concretiza-se aos trinta, na companhia da Eva e do Carlos. Pensado que estava há algum tempo, desta vez é que foi! Em breve conto-vos tudo, sobre como arranjámos casa em conta, voos e os bilhetes para o parque… e a Eva vai entrar gratuitamente!!!! Queremos partilhar com vocês os preparativos e a forma como conseguimos os melhores preços para ir nesta aventura fantástica e sem igual. Deixaremos em breve dicas de poupança no momento das reservas, truques e conselhos, … e também da forma como juntámos algum dinheiro, de forma algo simples, ao longo dos últimos (longos) meses.

Para já, o estado de alma do momento é este mesmo: ansiedade, expetativa, … emoção ao rubro e uma vontade imensa de ir. As malas estão quase prontas, … o coração em ritmo frenético, … os bilhetes prontinhos a embarcar connosco, … A Eva não para de dizer que é hoje! Tem sido hoje a semana inteira! 😀 Anda tão feliz! Cada vez que passa pelo saquinho das moedas no móvel da entrada fica orgulhosa e diz: “trabalhámos muito… já podemos ir ao “Dungo”! É assim que ela lhe chama, … porque desde o início que diz que quer ir ver o Dumbo! 🙂 Ficou-lhe uma imagem na cabeça do terno elefante no parque, e desde então tem sido assim que lhe temos chamado. Não tarda nada vão perceber o porquê do saquinho de moedas, … e qual o motivo e o simbolismo para ele se ter ali mantido durante alguns tempos!

Há semanas que a pequena enumera todos os seus heróis e personagens preferidas, … pergunta animadamente: “Quem está lá?” e começa a dizer, um por um, … “A Branca de Neve, está? E a Bela? E a Rapunzel, … o Peter Pan, … a Sininho, …?”. E depois termina dizendo, … “aquela é a Casa do Mickey e da Minnie”!

E é assim que hoje temos o coração, … a mil, … a milhões de batimentos de luz e magia por segundo. Venham connosco, … quem quer embarcar nesta aventura de sonhos e cor? Vamos contar-vos tudo… Até já! 🙂

 

E quando os pequenos ficam doentes?

Pois é, … a altura das gripes e constipações chegou em força. Mas tirando estas “más da fita” do Inverno, durante o ano há mais vilãs e para todos os gostos: viroses, gastroenterites e tudo o que mais se possa imaginar. Vacinamos, isso sim! Conseguimos evitar muita coisa! E felizmente a pequena cá de casa até tem sido “rija” e tirando os “boca-mãos e pés” desta vida, pouco tem precisado de ficar em casa.

Mas hoje aconteceu, … aconteceu e eu trabalho a recibos verdes. O pai para faltar ainda mais complicado se torna. E para piorar, as avós vivem a 120 km de distância e trabalham. Hoje fiquei em casa com a pequena, sim! Adoro o meu trabalho, os meus meninos e utentes mais velhos, mas hoje a Eva passou mesmo para primeiro plano. Começou com uma tosse terrível já na segunda feira e ontem piorou muito. Ficou letárgica e sem forças, só queria miminho e estar deitada no sofá. Quase vomitava com tanta tosse. Dizia que tinha “tosse na barriga”, tantas eram as dores de tossir e o desconforto que isso lhe causava! Demos xarope para a febre, pois esta já se fazia sentir e a noite foi de espera e muita paciência e amor. De manhã a febre ainda não tinha dado tréguas e por isso a opção foi mesmo ficar com ela. Para evitar que ficasse pior, … e para evitar contagiar os colegas que ainda não estavam assim tão mal. Mas tantos pequenos que têm andado assim, …

Quantos pais haverão como nós, que dependem apenas um do outro, com profissões que os absorvem por vezes quase a tempo inteiro…? Não houve escolha possível nem diferente, … a escolha foi mesmo a Eva. Para lhe dar o meu carinho, o meu amor, os meus cuidados, o meu colo, o meu mimo, … tudo o que ela mais precisa. Abdiquei do meu ganha pão, … passei meia hora em mensagens para todos os pais, de todos os meninos que teria hoje em sessão, e para os educadores e professores das escolas onde estaria com alguns deles, …  e nem sequer recebo nada de apoio da segurança social, … nem sei se a isso tenho direito, … mas pagar, ui se pago! E agora ainda pior, pois as novas regras não sei quem vêm beneficiar.

Fica o desabafo, … fica a reflexão… ser trabalhador a recibos verdes não é fácil, … ver os nossos filhos doentes ainda mais difícil é. Vale-nos o sorriso grato por cada momento passado juntos e a esperança de o amanhã ser melhor e de já irem felizes e cheios de alegria para mais um dia de escolinha!

 

Uma “esponja” chamada cérebro infantil!

Verão à porta, e blog mais ativo. Pelo menos assim o espero, é esse o meu desejo, de hoje e de todo o ano, mas os afazeres de mãe e enquanto profissional nem sempre deixam o tempo suficiente que gostaria de dedicar a este nosso cantinho especial. Vou sempre respondendo às vossas mensagens e comentários, partilhando descobertas, mas prometo que os textos e partilhas vão ser ainda mais frequentes.

E hoje venho falar-vos de uma teoria de que há muito vou recolhendo provas: que os cérebros dos nossos bebés e crianças são verdadeiras “esponjas”. Uso essa expressão várias vezes, desde há muito na minha prática enquanto terapeuta da fala, e mais recentemente, como mãe, tenho comprovado isso mesmo com a Eva, desde os primeiros dias e desde as primeiras interações, mesmo com dias. Sim, apenas com dias de vida! Julgo até que já há um grupo de pais e de educadores com que me cruzo que usam a expressão como se fosse uma expressão científica, mas é apenas o resultado do que vamos vendo no dia a dia, o que tem sido o motor do sucesso de muitos dos casos que partilhamos e acompanhamos em conjunto.

A ideia é mesmo essa, a da esponja, de banho, de cozinha, qualquer uma, … sedenta de àgua! Os cérebros dos nossos pequenos também eles nascem assim, com sede de saber, de conhecer, … de beber cada experiência e cada acontecimento. Vários são os textos que já partilhei com vocês aqui no blog sobre o desenvolvimento da linguagem infantil e de como podemos estimular para isso mesmo, e esta é sempre a base. Desde cedo que falava com a Eva de igual para igual, desde os primeiros dias… explicava as rotinas, perguntava, explicava… descrevia o mundo e as coisas ao nosso redor, … mesmo perante os olhares de estranheza de muitas pessoas à nossa volta. Mas a verdade é que os frutos que colhemos foram observados desde muito cedo  e em boa quantidade. A pequena fala pelos cotovelos e todas as experiências têm contribuído para isso mesmo.

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Palavras, expressões que usamos, … tudo surge em algum momento. E a capacidade de memorização deles é incrível. Havia uma música que várias vezes cantava à Eva, … inventada por mim, nas nossas partilhas de amor e carinho mais profundas… nela repetia várias vezes e com diferentes entoações o nome que tão carinhosamente uso com ela: “Sininho”. Isto desde os primeiros dias de vida, quando estávamos em casa, em licença! A verdade é que a pequena cresceu, o nome manteve-se mas, sem saber bem porquê, durante algum tempo não lhe cantei a canção. Outras surgiram e aquela foi ficando guardada na nossa memória. E na dela, oh se ficou!!! Bastou ver um dia o Peter Pan e dizermos-lhe que uma das personagens era a Sininho para a pequena entoar logo ali a canção! Ficámos abismados! Como era possível ter ido associar a ideia e recordado a canção? É verdade, é isso mesmo, o poder da super esponja cerebral.

E outras provas existem, e partilho-as enquanto mãe e profissional. Ainda no outro dia falámos de um assunto à saída da creche. E por ali ficou. Continuamos o caminho, fomos fazer recados, continuamos com as nossas conversas de mãe e filha e, quando chego quase à porta de casa a Eva volta a falar do assunto pois viu mais um carro “verde”, os que tinhamos começado a procurar quando saímos da creche. O poder de recuperação de memórias deles é mesmo incrível!

E aqueles meninos que acompanho que poucas ou nenhumas palavras diziam? Oh, outra maravilha a partilhar! É tão engraçado quando os pais nos dizem que eles vão usando algumas expressões e, ou eles ou eu própria, as reconheço como expressões que costumo usar com eles em sessão? Que alegria que me dão! Ainda esta semana uma mãe me enviou uma pequena lista das palavras que já ia ouvindo com o seu pequeno, em casa. Um menino que quase nada dizia. Qual não é o meu espanto quando, grande parte dessas palavras resultaram de atividades em sessão, e do excelente trabalho que os pais vão fazendo também em casa como forma de continuidade dos objetivos da sessão. Mais uma prova deste facto.

O cérebro guarda, armazena, classifica, retém tudo nas suas “gavetas” magníficas. Nós, pais, educadores, terapeutas, professores, somos os seus guias iniciais, orientamos e ajudamos em todo esse processo. Quanto melhores guias formos, quantas mais experiências enriquecedoras proporcionarmos aos nossos meninos, maiores serão os ganhos. Lembrem-se sempre: alimentem a esponja que há nos vossos pequenotes, pois com a idade, ela mostrará que é bem pesada, e não apenas uma simples esponja esburacada. Ainda assim, estará sempre sedenta de mais e mais conhecimento, pois é na partilha que juntos, vamos construindo a sabedoria. E assim, ganha a linguagem, ganha o desenvolvimento cognitivo dos nossos pequenos heróis!

A idade do “O que é isto”!

Muitos de vocês devem estar familiarizados com a chamada “Idade dos Porquês”! À luz do desenvolvimento da linguagem e de todas as teorias existentes, a denominada “Idade dos Porquês” não é mais que o pico explosivo da linguagem que, por norma, ocorre por volta dos 3 anos de idade! Sim, é esse mesmo o motivo para, por vezes, alguns pequenos apresentarem um discurso tão rápido, tão rápido, tão rápido que, em alguns casos, os pais e educadores pensam que se instalou uma súbita gaguez. Um dia destes voltaremos a este tema mas, para sossegar os corações de pais mais aflitos e para todos aqueles a quem o tema despertou interesse, saibam que essa é uma fase normal e típica no desenvolvimento comum da linguagem.

Basicamente, os pequenos ficam tão curiosos com o mundo à sua volta e o vocabulário cresce de uma forma tão repentina que, na maioria dos casos, “o cérebro pensa a mil e a boca fala a cem!”.

Mas, o que descobri com a Eva, e isto não vem em nenhum livro, é que muito antes desse idade dos “Porquês” parece existir a idade do “O que é isto?”. A Eva está perto de completar dois anos e esta é a pergunta que mais temos ouvido nos últimos tempos. Sim, é fruto da estimulação que fomos fazendo desde os primeiros dias de vida. Recordam-se dos nossos primeiros textos, quando vestiamos a pequena e iamos dando vocabulário ligado ao corpo, às peças de roupa, … quando chovia e iamos para a janela admirar a natureza e as muitas gotinhas que teimavam em cair? Quando o pai trouxe a pequena flor amarela e a Eva adorou? Quando cozinhava e ia dizendo tudo o que ia usando e a pequena soltou a bela da primeira gargalhada ao som da música do “Feijão verde-verde-verde”? Quem nos acompanha desde o início deve recordar a maioria destas aventuras. Os seguidores mais recentes podem consultar todos esses textos que fomos escrevendo com o coração!

Pois, mas é isso mesmo! Tanto que nós descrevemos e iamos “perguntando” por ela “O que é isto?”, respondendo em seguida, que agora é a pequena que pergunta sem parar! Pega num livro e lá vem a pergunta. Vê um brinquedo e pergunta “o que é isto?”. Na rua, na escola, … pergunta, e nós respondemos. Respondemos e vamos dando mais alguma informação, pois o desenvolvimento e a estimulação da linguagem fazem-se assim: um pouco de curiosidade deles, ao que se junta mais um ou outro termo que nós lhes damos para expandir o seu discurso e as palavras que eles já vão dizendo! E assim, palavra a palavra, enchem os pequenos a sua pequena boquita!

Já sabem: mamãs, papás, avós, tios, primos, educadores…! Aproveitem a curiosidade dos vossos pequenos. Mesmo que eles não perguntem: descrevam! Mesmo que eles apenas só olhem: digam o nome das coisas que eles vão vendo! E assim, a magia irá acontecendo aos poucos diante dos vossos olhos. Ficar à espera dos três anos pela “Idade dos Porquê”? Qual quê! Hoje partilhei com vocês este segredo. A idade do “O que é isto” chega bem mais cedo e é a sementinha perfeita para que a linguagem dos vossos bebés cresça a olhos vistos. Assim, estes conhecimentos vão-se acomodando aos pouquinho e, quem sabe, lá por volta dos 3 anos, eles não nos preguem daqueles sustos em que pensas que temos um pequenote que gagueja. Fica prometido o tema para um próximo texto. Não fica esquecido, palavra de mãe,… e de terapeuta! Bom fim de semana para todos vocês!

Atividades caseiras para os mais pequenos IV – A caixa dos animais

Tenho partilhado  mais alguns vídeos e fotografias com vocês de uma caixinha repleta de animais nos últimos dias! Como devem ter percebido, a Eva fica delirante com tanta bicharada! É mais do que um Jardim Zoológico cá em casa, pois sempre que encontro algum animal diferente e engraçado, ele acaba por embarcar na nossa Arca de Noé!

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Viram como ela fica curiosa e vai perguntando: “O que é isto?”, “E este?”! E sabe tão bem aprender assim! Bem, mas para quem não se tem apercebido do que falo, a atividade que hoje proponho é mais uma da nossa saga de “atividades caseiras”, ou seja, uma forma simples de ir passando tempo com os nossos pequenos, de forma lúdica e didática, sem despender rios de dinheiro em brinquedos carríssimos! A caixinha dos animas tem-me acompanhado já desde os últimos anos do curso, … ou seja, tem quase 10 anos! Mais um dos materiais que nem sequer sonhava que viesse um dia a usar com a minha pequena. Mas sabe tão bem! 🙂

Tem passado por vários utentes, dos mais pequeninos aos mais crescidos. Seja para fazer expansão de vocabulário nos casos de atraso do desenvolvimento de linguagem, para tarefas de categorização semântica, para a categorização por animais da quinta e animais da selva, .. para descobrir quais voam, quais rastejam, … quais têm pelo, penas, … Com utentes em casos de pós-avc também são varias vezes uma opção, e até consegui arranjar para alguns dois exemplares de cada, para que possa fazer tarefas de associação de elementos iguais!

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E é tudo isto que tenho também feito com a pequena! Ela vai tirando os animais, dizemos o nome, … pergunta aqueles que não conhece ou que não se lembra, … vamos vendo os que são iguais, associando-os, … vemos em livros os respetivos desenhos ou imagens reais, .. e assim, de dia para dia, o vocabulário dela vai crescendo e diversificando-se! E é isto mesmo que queremos: estimular a linguagem, a fala, os sons, as onomatopeias, … tudo para passar mais tempo com eles, vendo-os crescer felizes!

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O que fiz então para ir juntando os animais? Arranjei uma caixa de arrumação, que conseguem em vários hipermercados ou bazares chineses! Depois, comecei a adquirir os animais! Vários nas lojas chinesas, em promoções nos hipermercados (jumbo, continente), em lojas infantis (zippy, imaginarium), em campanhas infantis do lidl, … Basta procurar e assim irem fazendo crescer o vosso jardim zoológico particular! 🙂 Há para todos os gostos, feitios e preços! Agora resta escolher os que gostam mais!

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Gostaram da dica? Partilhem as vossas experiências e imagens connosco aqui no blog ou nas páginas, tanto no facebook como no instagram! Quem já nos segue?

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Atividades caseiras para os mais pequenos I

Já há uns dias que ando a partilhar com vocês pequenos vídeos e fotos com algumas atividades que vou fazendo com a Eva, cá por casa. A pequena tem 21 meses e não primamos por lhe comprar brinquedos caros! Isso não! Nem caros, nem baratos! Preferimos passar tempo com ela, dar-lhe um bom livro para a mão, … e inventar brinquedos e brincadeiras originais! Algumas delas já eu, mais pequena, as fazia no infantário ou com os meus pais, … outras vão surgindo com a imaginação e no dia-a-dia!

Porque não pegar em caixas de ovos e dar algumas nozes aos pequenos, para que as possam ir arrumando nas saliências onde habitualmente os ovos vêm? A Eva adora e passa tempos e tempos nesta atividade. Com ela vamos contando: “um, dois, três, …”. Quantas vezes dou com ela a pedir-me que lhe dê as nozes! Não pode ver uma caixa de ovos vazia que pede logo para brincar. Às vezes lá está ela… “dois, chinco, shete, …”! É uma delicia! 🙂

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Mas algo que me agrada particularmente são os fios de massa macarrão. Pois é! Com macarrão mais fino ou mais grosso, dependendo do tamanho das mãozinhas, e lá vamos nós! 🙂 Como a Eva ainda não tem dois anos e o domínio da motricidade fina começa agora em ascensão, resolvi começar com macarrão e um cordão mais grossos. Com um nó na ponta e cá vamos nós! Assim, o perigo de engolir é muito menor mas, claro, não se esqueçam, devemos sempre estar em alerta e de vigia! 🙂

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Este tipo de tarefas, para além de estimularem a motricidade, são ótimos para a manutenção da atenção e da concentração dos mais pequenos, para a coordenação olho-mão, para o treino da persistência e da paciência. A linguagem ganha também com toda esta interação! Quem não gosta de ver o resultado final: um belo colar de massas? Daqui a uns tempos, quando a pequena já conseguir a proeza sozinha, passaremos a usar massas mais pequenas, para ir aprimorando estas competências e para ir complexificando a tarefa. Um pacote de massas e um cordão, nada mais que isto. Um jogo simples e divertido por menos de 1€! E sei que já há mamãs inspiradas só pelas nossas fotos colocadas no blog ao longo da semana! Quem mais nos segue as pisadas? Partilhem as fotos connosco, … e fiquem atentos a mais atividades ao longo da semana, pois as sugestões não ficam por aqui!

 

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Como sobrecarregamos as crianças de hoje…

No meu dia a dia profissional e pessoal, lido com muitas crianças e jovens e há várias coisas que me vão confidenciando, muitas vezes em tom de brincadeira, noutras em jeito de desabafo, mas que ficam guardadas na minha memória e ecoam. Muitas delas recordo com um sorriso, outras ficam a repetir-se na minha cabeça, vezes e vezes sem conta! Que tipo de pais estamos a ser na atualidade? Que geração estamos a criar? Retiro tanto destas conversas para a educação da Eva, …

Sinto que sou uma privilegiada, pois consigo ter acesso a muito do que vai nas pequenas cabecitas destes meninos e meninas, … algo que um dia posso vir a encontrar na minha filha, … tantos pensamentos, tantas coisas, .. mas algumas delas, não quero repetir com ela! Na semana passada, uma das minhas pequenas dizia-me: “Hoje é dia livre!”, e apenas sorriu alegremente. Não percebi de imediato o que me queria dizer, mas suspeitei. Então, no meio de mais algumas gargalhadas, por ser “dia livre” e por entre duas ou três perguntas, confirmei o que suspeitava, … era “dia livre”, um dia alegre porque não havia atividades extra-curriculares ao final da tarde, depois da saída do jardim de infância.

Porque estamos a criar os nossos filhos assim? Rodeando-os de atividades, de mais e mais tarefas organizadas, de horários restritivos e impositores? Porque não os deixamos simplesmente ser crianças, criar, imaginar, experimentar, assim, livremente, sem estrutura constante, sem minutos contados, sem regras apertadas? Afinal, não é tudo isso que fazemos na idade adulta? E aí não temos escolha, … mas eles, … eles que ainda não crianças, não conseguem sê-lo em plenitude.

Fica a reflexão, … Talvez por isso, há uns meses atrás, quando perguntei a uma outra das minhas pequeninas “o que queres ser quando fores grande?” ela me respondeu “eu quero brincar!” E é assim que vivemos em sociedade, … adultos que sonham em voltar a ser crianças, muitas vezes porque os ritmos impostos fazem com que até a criança que há em neles se perca… e crianças que, sendo verdadeiramente crianças, desejam brincar em adultas, pois talvez não o consigam fazer em plenitude na devida idade. Não é este tipo de mãe que quero ser para a Eva! Quero que ela corra, que brinque, que pule, … que seja dona do tempo dela, enquanto a infância lhe é devida! Só isso, … apenas isso!