Teleterapia… a história de um novo amor!

Se há precisamente um mês atrás, quando suspendi todos os atendimentos presenciais, esta palavra, teleterapia, era apenas uma hipótese longínqua, nem sequer idealizada, pois não sabíamos como iriam ser os próximos dias, atualmente, posso dizer-vos que vibro só de pensar nela!

Quem me conhece de perto sabe que sou dos afetos, dos abraços demorados, dos beijos sinceros e das gargalhadas entre cada frase, como se de vírgulas se tratassem! Sim, gosto de chegar aos infantários e creches e presentear todos com um doce e longo “Bom diaaaaaa!”! Sim… abrir a porta do nosso cantinho, mesmo carregada com malas e sacos dos domicílios, com os pequenos agarrados ao meu pescoço ou às minhas pernas, .. tudo isso! 🙂

Mas os tempos mudaram repentinamente! Não tivemos aviso, não houve período de adaptação! Não houve regras, nem informações, nem qualquer forma de antecipação. Ainda hoje continuamos em adaptação de um tempo que não sabemos quanto tempo ficará!

Ainda assim, resiliente como sou, com toda a responsabilidade que sei que carrego com as famílias que acompanho, deitei mãos obra, e logo no dia 16 de Março, iniciei as sessões com os primeiros meninos. E o que hoje quero partilhar com vocês é o sentimento que tenho partilhado com tantos e tantos colegas com quem tenho falado nos últimos dias, … no último mês. Colegas que nem conheço pessoalmente, … pessoas fantásticas que vão chegando às nossas redes sociais,… amigos que ligam em busca de ajuda e de partilhas, .. Mas hoje, quero trazer esta partilha para todos vocês!

A primeira semana foi sem dúvida de descobertas: como usar a plataforma de videochamada, como tirar o máximo partido das suas ferramentas, … como adaptar os materiais, … como motivar os pequenos e como tornar as sessões dinâmicas e divertidas, … tudo isto sem recorrer a materiais manipuláveis e sem haver contato físico.

Mas, sabem que mais? Com os dias, as experiências foram sendo positivas, … via os sorrisos a crescer em cada tela, … o meu ia sempre acompanhando, … ainda mais quando o retorno vinha dos pequenos acerca dos quais os pais tinham tanto medos e receios, … “não sei se irá funcionar com ele… é sempre tão irrequieto…”. Quatro semanas depois, em que alguns deles já fizeram quatro sessões, sabe tão bem ouvir o “ainda bem que arriscámos!” ou o “está a correr melhor do que imaginava”! Ficamos com o coração aos pulos, os olhos lacrimejantes!

É esse alento que tem sido recíproco, que tem criado esta doce bola de neve positiva. Os pais vêem mais confiantes para a sessão. Os pequenos chegam expectantes e perguntam logo quais são as novidades do dia. “O que vais mostrar hoje?” ou “o que vais por no meu computador?” ou mesmo “que magia vais fazer hoje aqui na televisão?”

Tão bom ver os olhitos cintilantes quando iniciamos as sessões. As despedidas preenchidas por 50 mil “adeus” e “até para a semana”, pois ninguém quer ser o primeiro a desligar das gargalhadas!

E sabem que mais? Para tantos que pensava que este trabalho era mais impessoal, mais difícil, .. que não iria surtir efeito a 100%, … claro que ainda é cedo para um balanço mais profundo, … mas, sabem o que vos digo? Noto os pais ainda mais envolvidos, com o sentimento de responsabilidade ainda mais apurado. Gosto sempre que eles estejam presentes nas sessões, já o fazia antes, mesmo antes de tudo isto. Mas, quem trabalha também em contexto escolar, sabe que nem sempre conseguimos ter os pais por perto. Mesmo em gabinete, muitos preferem esperar cá fora ou aproveitar o tempo da sessão em outros recados, isto porque nem sempre os pequenos colaboram da mesma forma. Claro que mantenho sempre o contato e a articulação com eles, antes, depois da sessão, … por telefone, mensagem, email, por vezes dando um feedback no fim da consulta que eles tanto gostam de receber mesmo estando no trabalho, .. sinto que é mais uma forma de pensarem nos seus pequenos durante o dia. E aí sei que todos alinhamos energias bonitas em redor daquela criança, e sinto sempre que o nosso trabalho é especial, ou se é! 🙂

É assim que gosto de estar, próxima, totalmente envolvida.. mas, estes dias e esta nova experiência têm-nos aproximado ainda mais, acreditem. Pais que nem sempre ficavam na sessão agora estão a tempo inteiro. Famílias de certos pequenos que apenas ouvia ao telefone após as sessões feitas em escolas agora permanecem connosco, com tudo o que de bom essa situação carrega. As estratégias são dadas na hora, totalmente em contexto terapêutico, com as pistas certas, no momento mais oportuno. Com a possibilidade de eles testarem neles e nos pequenos. Com toda a probabilidade de eles as replicarem ainda mais vezes nos dias que passam em casa com os miúdos!

Os próprios familiares referem essa questão. Toda esta situação trouxe mais proximidade, mais responsabilidade a cada pai… eu sinto o mesmo! Sinto que, com os meus pequenos, e com a minha filhota também, para além da responsabilidade que tínhamos na educação deles, já de si tão importante, agora temos ainda mais, pois a parte académica está, em grande parte, do nosso lado, seguindo, claro, todas as orientações de educadores e professores.

Mas, como gosto de reforçar, sou de gente em meu redor, sou de afagos e de miminhos bons nas bochechas dos meus meninos, … e, sabe que mais? Agora mimamos ainda mais todos: os filhos, os pais, … até os irmãos no final das sessões se juntam a nós, em tantos e tantos casos. Guardarei para sempre a frase do meu L. quando, no fim da sessão, se juntou a nós na salinha onde tinha decorrido a terapia o seu irmão mais novo, e mesmo na última tarefa, o pequenito quis participar. A certa altura, senhor de si, diz o pequeno L. : “Ei, esta é a minha terapia”! Momentos deliciosos, que vamos guardar eternamente. Foi risada geral.

Mesmo com os mais crescidos, que ficam quase sempre mais autonomamente em sessão… crianças e jovens que já conhecemos há mais tempo e com quem o trabalho desenvolvido já segue um curso muito mais de incrementar a autonomia e a generalização de estratégias, sabe tão bem quando no final chamamos os pais, dando as indicações e, mesmo após os meninos e meninas saírem, ainda ficamos com a família, mais dez, quinze, vinte minutos, … a confiança, o companheirismo e o espírito de entre-ajuda continuam lá, reforçados, ainda mais!

É bom sentir que continuamos a ser uma espécie de braços direitos, abrigo de alguns dias, recanto de algumas confidências, colo imaginado de alguns suspiros e recobro de algumas lágrimas, … essa é a parte mais difícil de gerir, pois todos andamos com as emoções à flor da pele.

Ainda assim, se houvesse uma balança das emoções e se ela tivesse o lado positivo do lado esquerdo (o fiel lado do coração), certamente que quase todo o peso ai residiria. As pequenas (por vezes grandes) pedras que poderiam fazer essa balança pender para o lado menos bom, vamos juntando e transformando em sorrisos, semeando ventos de dias mais serenos nas manhãs seguintes. Não, não é fácil… não, não é o que todos queríamos, … mas sim, o sabor é feliz! O aroma é de satisfação, de missão que vai sendo cumprida dia após dia, … sessão após sessão, … criança a criança.. família a família!

A todos os que se têm cruzado com as famílias neste trabalho, no trabalho de envio de emails com materiais, em telefonemas mil, com equipas inteiras, … a todos vocês, um sincero obrigada! Mesmo os que não estão em teleterapia, mas que se desdobram em esforços gigantescos! Podemos fazer a diferença na vida de tantas pessoas, … em tantos dias… em tantas vidas, … esta é só mais uma pequena prova. Fazendo jus à máxima da nossa APTF “O terapeuta da fala pode (mesmo) fazer a diferença! Continuemos a lutar, e seremos todos vencedores! Certamente, mais um serviço a oferecer futuramente no nosso espaço… ao alcance de todos!

A Magia dos Gestos – “Baby Signs”

 

Já há cerca de 3 anos que descobrimos em família a magia dos gestos, através do programa Baby Signs. Foi pela mão de quem o trouxe a Portugal, a querida Sabla d’Oliveira, que o conhecemos. Desde há uns tempos que seguia a sua página no Facebook e, quando soube que viria dar formação a Coimbra, foi a loucura. Tivemos a felicidade de receber uma inscrição gratuita para o workshop de pais e desde logo ficámos rendidos. Na altura a Eva tinha sete meses! O workshop foi uma delicia, recheado de doçura e magia! Os bebés podiam circular livremente, podiam brincar e descobrir todo o espaço que tinha sido devidamente preparado para eles! Enquanto isso, nós, pais, íamos descobrindo alguns dos gestos, partilhando-os logo com eles. Logo começamos a por tudo em prática, assim que chegámos a casa. Persistência e dedicação são as palavras de ordem quando falamos desta abordagem. Certo é que, logo aos 8 meses, a pequena disse a primeira palavra. O primeiro gesto surgiu pouco tempo depois.

Durante vários dias e semanas íamos “rotulando” de gestos muitas das coisas que fazíamos, muitos dos objetos que nos iam passando pelas mãos, … o “comer”, o “beber”, o “gato”, o “coelho” da história, o “cão” do brinquedo, o “gosto de ti” que a toda a hora lhe diziamos e que ainda hoje é usado carinhosamente quando me despeço dela na janela de casa, mesmo que não a consiga ouvir… a “música” que púnhamos todos os dias e que a pequena adorava e adora,… e foi precisamente esse o primeiro gesto que fez! A magia aconteceu mesmo ante o nosso olhar! A sua motivação era a de ouvir música num dia em que não a tínhamos logo colocado, por isso foi ela mesmo que pediu, por iniciativa própria. Nem queríamos acreditar ao vê-la fazer o gesto. Ficámos loucos de alegria. Gravámos e enviámos à Sabla, que sempre vibra connosco e com estas pequenas vitórias. O vídeo chegou mesmo a ser partilhado no grupo secreto a que ficamos a pertencer, logo após a conclusão do workshop. Ali partilhamos conquistas, dúvidas, novos gestos que queiramos aprender, … temos todo o apoio e incentivo!

Ora, constatada que estava a eficácia do programa na minha vida pessoal, comecei também a aplicar as mais valias na vertente profissional, nas sessões de Terapia da Fala. Desde essa altura, em que fiz também o workshop para profissionais, que a magia chegou também às salas, com os “meus” meninos mais pequeninos. Ora, não é o gesto uma das primeiras abordagens que eles usam? Aquela que por vezes mantêm durante tanto tempo, levando por vezes a atrasos na fala? E se pudermos ter esses mesmos gestos, como base para a evolução da linguagem, como motor maior? Pois é, é isso mesmo que o programa “Baby Signs” preconiza. Ao contrário do que muitos papás e educadores receiam, não, o Baby Signs não contribui para o atraso do desenvolvimento da linguagem, deixando a criança presa a gestos, por mais e mais tempo. Não! O Baby Signs pega precisamente naquilo que a criança vai dominando, dando-lhe segurança nas suas partilhas, dando ênfase à sua iniciativa comunicativa. A par de tudo isso, a nossa missão de adultos, quer enquanto pais, quer enquanto profissionais (educadores, professores ou terapeutas) é mesmo a de ir dando novos gestos, novos estímulos. A par disso mesmo, o gesto é sempre acompanhado pela palavra. Assim, a estimulação da linguagem é conseguida. Seja nas interações quotidianas, em todos os contextos da criança, seja na leitura de uma história, ao cantar uma canção, em todas as brincadeiras, … qualquer iniciativa é ótima para transmitir mais e mais vocabulário. E depois? Depois… é só deixar a magia acontecer! Redução de birras, maior ligação entre pais e bebés, mais segurança emocional, … tanto, tanto, tanto que se ganha na relação com os mais pequenos!  Comprovada que está a eficácia deste programa a nível internacional, que mais esperam para o vir conhecer em Coimbra, pela mão da querida Tânia Dias?

Baby Signs

Pois, é verdade! A vida traz-nos estes presentes incríveis! A Tânia é uma amiga de outras andanças, também das que me apaixonam e me prendem mais um pouco do coração. Somos colegas do curso de CAM (Conselheiras em Aleitamento Materno)… partilhamos a paixão pela maternidade, pelo aleitamento, pelos bebés, pelas crianças e pelas conquistas bonitas! Mais uma vez, e ao fim de vários meses de preparação cuidada, juntamos esforços e trazemos a Coimbra a alegria e a dinâmica Baby Signs. Depois do sucesso do “Workshop Baby Signs de Natal”, no nosso “cantinho do coração”, teremos workshop de pais, já no dia 12 de Janeiro. A inscrição inclui a participação do casal e do bebé, apenas por 25€. Dias 16 e 23 de Janeiro, teremos em horário pós-laboral os níveis I e II para formação de profissionais. É educador e quer ser agente ativo na evolução da linguagem dos mais pequeninos? É terapeuta da fala e quer dar nova cor as sessões com os utentes mais novos? Temos preços especiais para inscrição conjunta nos níveis I e II! Falem connosco ou espreitem as paginas de Facebook. Esperamos por vocês… para que a magia continue a espalhar-se!

https://www.facebook.com/BabysignsTaniaDiasCoimbra/

https://www.babysigns.pt/team/tania-dias/

“Um passo à frente” – abordagem ao desenvolvimento da comunicação e da linguagem na infância

“Um passo à frente”, “a escada seguinte”, … sem querer, estes termos que vou usando no dia a dia, com educadores, com professores, com os próprios pais e utentes, … nos workshops, … vão ficando nas suas memórias e pensamento e começam a ser usados mesmo por eles próprios. Tão bom saber que absorvem a essência da ideia que lhes tento transmitir. Tão positivo quando sinto que os usam de forma correta e os aplicam na sua prática diária!

Esta é a minha forma de abordar a evolução e desenvolvimento da comunicação e da linguagem. Sim, pois comunicar é tanto mais que linguagem, e infelizmente nem sempre se dá valor a estes pequenos avanços que vão surgindo.

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Uma bebé que chora, comunica! É a sua forma primordial de se afirmar perante o mundo, de manifestar as suas necessidades. É a mais primitiva e é universal. Depois movimenta-se, … curva o seu corpo perante a dor da cólica, … sorri ante rostos familiares como o dos pais, … emite pequenos gritos,… Em seguida chega a fase da lalação, do balbucio, … as primeiras palavras, … os gestos, o apontar, … tudo e tudo!!! Tudo isto é comunicar! Um fervilhar sem fim, ávido de estímulos e de quem lhes dê continuidade, … o combustível perfeito para que a linguagem emerja na sua forma mais complexa e funcional.

Estranho deve ser para os pais e educadores quando estes pequenos grandes sinais não se manifestam desde os primeiros dias, … cada qual dos comportamentos acima enunciados, sendo demonstrados quase sempre por esta ordem, durante o primeiro ano de vida. Mas nem sempre estes marcos do chorar, sorrir, palrar, … se sucedem assim, dentro do esperado pelos estudiosos do desenvolvimento da linguagem. Nem em todas as crianças a sua sequência é natural, necessitando estes pequenos aprendizes de maior apoio, estimulação e de maior envolvimento DO meio e COM o meio que os rodeia.

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Costumo por isso mesmo, aos pais e educadores que me procuram, dar esta noção do “passo à frente”, tanto em casos de patologia ou atraso do desenvolvimento global, da comunicação, da linguagem ou outro, como mesmo em crianças com desenvolvimento dito típico. Sim, pois a estimulação é feita sempre com este princípio, seja em que idade ou em que caso for.

Se a criança sorri, devemos verbalizar “estás feliz?”, “gosto de ti!”, “gosto de estar contigo!”, “tu gostas de estar aqui comigo?”, .. devemos ser a voz das suas palavras enquanto ela própria não as consegue produzir. Assim, vamos dando rótulos aos sentimentos, às emoções, … aos objetos, aos acontecimentos, .. tudo, … desde o mais abstrato ao mais concreto do nosso mundo.

Depois começa a fase da lalação, do balbucio, … os pequenos sons, repetidos sem fim, … “mamamama”, … “papapapa”, … as suas variações “mamapa”, … “titipo”, .. E porque não imitar a criança, acrescentando sons? Porque não concretizar o “mamamama” como “mamã” ou o “papapapapa” como “papá”, quando estes lhe surgem ao alcance.

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E com o apontar, porque não aproveitar para, também com ele, dar “voz” ao pensamento interior da criança, ainda incapaz de se manifestar em palavras? Não é por acaso que os programas de gestos infantis, tal como o Baby Signs que uso e amo de paixão, são eficazes! Claro, sempre acompanhados com o nosso “passo à frente”, ou seja, a linguagem! A criança gesticula e nós verbalizamos o que ela tenta transmitir pelo gesto, como que o “rotulando” e realizando em vocábulos.

E assim, esta sequência lógica, comum, … vai ganhando forma, até dar lugar à fala. Surge a primeira palavra, … mas aí, pensamos novamente já no próximo “passo à frente”: a combinação de palavras. “Mamã” pode ser um “anda mamã”, “gosto da mamã”. Um “pão” pode querer significar “quero pão”, “dá pão”, .. e assim, modelando aquilo em que a criança pode crescer em termos linguísticos estaremos sempre um “passo à frente”! Isto é motivar, é modelar, é estimular comunicação e linguagem, procurando o seu potencial máximo!

Depois devem chegar as frases cada vez mais complexas, e o nosso lema de “passo à frente” deve continuar sempre. O “quero pão” de outrora, pode ser agora um “quero pão com manteiga” ou um “quero comer pão e beber água”. O que hoje são conceitos concretos e palpáveis podem buscar o “passo à frente” com os conceitos abstratos, mais com o chegar dos três, quatro anos, …  “o pão é bom”, “o bolo é delicioso”!

Assim se busca o desenvolvimento máximo da comunicação e da linguagem, a base do pensamento, das vivências diárias, .. da interação social e de tudo o que ela acarreta. Assim se deveriam estimular as nossas crianças. Assim se poderia implementar e fazer no dia-a-dia, em todas as oportunidades de comunicação: nos momentos da alimentação, do vestir, do deitar, nos passeios ao parque (cada vez mais substituídos por horas nos tablets, para terror dos meus pensamentos e de tantos pais)… em tarefas de pintar, em brincadeiras com os triciclos e no meio da terra. Sim, elas também fazem (MUITA!!!!!) falta.

Growing up

Pais, educadores, professores, tios, avós, … todos temos este poder nas mãos. Vamos usá-lo em favor dos nosso pequenotes, … os que serão, pensando aqui também “um passo à frente”, os comunicadores, homens e mulheres do amanhã. Os que terão o destino na mão, … os que hoje, para já, nos deliciam e fazem sorrir, só por termos o privilégio de existirem nas nossas vidas.

E quando os pequenos ficam doentes?

Pois é, … a altura das gripes e constipações chegou em força. Mas tirando estas “más da fita” do Inverno, durante o ano há mais vilãs e para todos os gostos: viroses, gastroenterites e tudo o que mais se possa imaginar. Vacinamos, isso sim! Conseguimos evitar muita coisa! E felizmente a pequena cá de casa até tem sido “rija” e tirando os “boca-mãos e pés” desta vida, pouco tem precisado de ficar em casa.

Mas hoje aconteceu, … aconteceu e eu trabalho a recibos verdes. O pai para faltar ainda mais complicado se torna. E para piorar, as avós vivem a 120 km de distância e trabalham. Hoje fiquei em casa com a pequena, sim! Adoro o meu trabalho, os meus meninos e utentes mais velhos, mas hoje a Eva passou mesmo para primeiro plano. Começou com uma tosse terrível já na segunda feira e ontem piorou muito. Ficou letárgica e sem forças, só queria miminho e estar deitada no sofá. Quase vomitava com tanta tosse. Dizia que tinha “tosse na barriga”, tantas eram as dores de tossir e o desconforto que isso lhe causava! Demos xarope para a febre, pois esta já se fazia sentir e a noite foi de espera e muita paciência e amor. De manhã a febre ainda não tinha dado tréguas e por isso a opção foi mesmo ficar com ela. Para evitar que ficasse pior, … e para evitar contagiar os colegas que ainda não estavam assim tão mal. Mas tantos pequenos que têm andado assim, …

Quantos pais haverão como nós, que dependem apenas um do outro, com profissões que os absorvem por vezes quase a tempo inteiro…? Não houve escolha possível nem diferente, … a escolha foi mesmo a Eva. Para lhe dar o meu carinho, o meu amor, os meus cuidados, o meu colo, o meu mimo, … tudo o que ela mais precisa. Abdiquei do meu ganha pão, … passei meia hora em mensagens para todos os pais, de todos os meninos que teria hoje em sessão, e para os educadores e professores das escolas onde estaria com alguns deles, …  e nem sequer recebo nada de apoio da segurança social, … nem sei se a isso tenho direito, … mas pagar, ui se pago! E agora ainda pior, pois as novas regras não sei quem vêm beneficiar.

Fica o desabafo, … fica a reflexão… ser trabalhador a recibos verdes não é fácil, … ver os nossos filhos doentes ainda mais difícil é. Vale-nos o sorriso grato por cada momento passado juntos e a esperança de o amanhã ser melhor e de já irem felizes e cheios de alegria para mais um dia de escolinha!

 

Uma “esponja” chamada cérebro infantil!

Verão à porta, e blog mais ativo. Pelo menos assim o espero, é esse o meu desejo, de hoje e de todo o ano, mas os afazeres de mãe e enquanto profissional nem sempre deixam o tempo suficiente que gostaria de dedicar a este nosso cantinho especial. Vou sempre respondendo às vossas mensagens e comentários, partilhando descobertas, mas prometo que os textos e partilhas vão ser ainda mais frequentes.

E hoje venho falar-vos de uma teoria de que há muito vou recolhendo provas: que os cérebros dos nossos bebés e crianças são verdadeiras “esponjas”. Uso essa expressão várias vezes, desde há muito na minha prática enquanto terapeuta da fala, e mais recentemente, como mãe, tenho comprovado isso mesmo com a Eva, desde os primeiros dias e desde as primeiras interações, mesmo com dias. Sim, apenas com dias de vida! Julgo até que já há um grupo de pais e de educadores com que me cruzo que usam a expressão como se fosse uma expressão científica, mas é apenas o resultado do que vamos vendo no dia a dia, o que tem sido o motor do sucesso de muitos dos casos que partilhamos e acompanhamos em conjunto.

A ideia é mesmo essa, a da esponja, de banho, de cozinha, qualquer uma, … sedenta de àgua! Os cérebros dos nossos pequenos também eles nascem assim, com sede de saber, de conhecer, … de beber cada experiência e cada acontecimento. Vários são os textos que já partilhei com vocês aqui no blog sobre o desenvolvimento da linguagem infantil e de como podemos estimular para isso mesmo, e esta é sempre a base. Desde cedo que falava com a Eva de igual para igual, desde os primeiros dias… explicava as rotinas, perguntava, explicava… descrevia o mundo e as coisas ao nosso redor, … mesmo perante os olhares de estranheza de muitas pessoas à nossa volta. Mas a verdade é que os frutos que colhemos foram observados desde muito cedo  e em boa quantidade. A pequena fala pelos cotovelos e todas as experiências têm contribuído para isso mesmo.

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Palavras, expressões que usamos, … tudo surge em algum momento. E a capacidade de memorização deles é incrível. Havia uma música que várias vezes cantava à Eva, … inventada por mim, nas nossas partilhas de amor e carinho mais profundas… nela repetia várias vezes e com diferentes entoações o nome que tão carinhosamente uso com ela: “Sininho”. Isto desde os primeiros dias de vida, quando estávamos em casa, em licença! A verdade é que a pequena cresceu, o nome manteve-se mas, sem saber bem porquê, durante algum tempo não lhe cantei a canção. Outras surgiram e aquela foi ficando guardada na nossa memória. E na dela, oh se ficou!!! Bastou ver um dia o Peter Pan e dizermos-lhe que uma das personagens era a Sininho para a pequena entoar logo ali a canção! Ficámos abismados! Como era possível ter ido associar a ideia e recordado a canção? É verdade, é isso mesmo, o poder da super esponja cerebral.

E outras provas existem, e partilho-as enquanto mãe e profissional. Ainda no outro dia falámos de um assunto à saída da creche. E por ali ficou. Continuamos o caminho, fomos fazer recados, continuamos com as nossas conversas de mãe e filha e, quando chego quase à porta de casa a Eva volta a falar do assunto pois viu mais um carro “verde”, os que tinhamos começado a procurar quando saímos da creche. O poder de recuperação de memórias deles é mesmo incrível!

E aqueles meninos que acompanho que poucas ou nenhumas palavras diziam? Oh, outra maravilha a partilhar! É tão engraçado quando os pais nos dizem que eles vão usando algumas expressões e, ou eles ou eu própria, as reconheço como expressões que costumo usar com eles em sessão? Que alegria que me dão! Ainda esta semana uma mãe me enviou uma pequena lista das palavras que já ia ouvindo com o seu pequeno, em casa. Um menino que quase nada dizia. Qual não é o meu espanto quando, grande parte dessas palavras resultaram de atividades em sessão, e do excelente trabalho que os pais vão fazendo também em casa como forma de continuidade dos objetivos da sessão. Mais uma prova deste facto.

O cérebro guarda, armazena, classifica, retém tudo nas suas “gavetas” magníficas. Nós, pais, educadores, terapeutas, professores, somos os seus guias iniciais, orientamos e ajudamos em todo esse processo. Quanto melhores guias formos, quantas mais experiências enriquecedoras proporcionarmos aos nossos meninos, maiores serão os ganhos. Lembrem-se sempre: alimentem a esponja que há nos vossos pequenotes, pois com a idade, ela mostrará que é bem pesada, e não apenas uma simples esponja esburacada. Ainda assim, estará sempre sedenta de mais e mais conhecimento, pois é na partilha que juntos, vamos construindo a sabedoria. E assim, ganha a linguagem, ganha o desenvolvimento cognitivo dos nossos pequenos heróis!

A idade do “O que é isto”!

Muitos de vocês devem estar familiarizados com a chamada “Idade dos Porquês”! À luz do desenvolvimento da linguagem e de todas as teorias existentes, a denominada “Idade dos Porquês” não é mais que o pico explosivo da linguagem que, por norma, ocorre por volta dos 3 anos de idade! Sim, é esse mesmo o motivo para, por vezes, alguns pequenos apresentarem um discurso tão rápido, tão rápido, tão rápido que, em alguns casos, os pais e educadores pensam que se instalou uma súbita gaguez. Um dia destes voltaremos a este tema mas, para sossegar os corações de pais mais aflitos e para todos aqueles a quem o tema despertou interesse, saibam que essa é uma fase normal e típica no desenvolvimento comum da linguagem.

Basicamente, os pequenos ficam tão curiosos com o mundo à sua volta e o vocabulário cresce de uma forma tão repentina que, na maioria dos casos, “o cérebro pensa a mil e a boca fala a cem!”.

Mas, o que descobri com a Eva, e isto não vem em nenhum livro, é que muito antes desse idade dos “Porquês” parece existir a idade do “O que é isto?”. A Eva está perto de completar dois anos e esta é a pergunta que mais temos ouvido nos últimos tempos. Sim, é fruto da estimulação que fomos fazendo desde os primeiros dias de vida. Recordam-se dos nossos primeiros textos, quando vestiamos a pequena e iamos dando vocabulário ligado ao corpo, às peças de roupa, … quando chovia e iamos para a janela admirar a natureza e as muitas gotinhas que teimavam em cair? Quando o pai trouxe a pequena flor amarela e a Eva adorou? Quando cozinhava e ia dizendo tudo o que ia usando e a pequena soltou a bela da primeira gargalhada ao som da música do “Feijão verde-verde-verde”? Quem nos acompanha desde o início deve recordar a maioria destas aventuras. Os seguidores mais recentes podem consultar todos esses textos que fomos escrevendo com o coração!

Pois, mas é isso mesmo! Tanto que nós descrevemos e iamos “perguntando” por ela “O que é isto?”, respondendo em seguida, que agora é a pequena que pergunta sem parar! Pega num livro e lá vem a pergunta. Vê um brinquedo e pergunta “o que é isto?”. Na rua, na escola, … pergunta, e nós respondemos. Respondemos e vamos dando mais alguma informação, pois o desenvolvimento e a estimulação da linguagem fazem-se assim: um pouco de curiosidade deles, ao que se junta mais um ou outro termo que nós lhes damos para expandir o seu discurso e as palavras que eles já vão dizendo! E assim, palavra a palavra, enchem os pequenos a sua pequena boquita!

Já sabem: mamãs, papás, avós, tios, primos, educadores…! Aproveitem a curiosidade dos vossos pequenos. Mesmo que eles não perguntem: descrevam! Mesmo que eles apenas só olhem: digam o nome das coisas que eles vão vendo! E assim, a magia irá acontecendo aos poucos diante dos vossos olhos. Ficar à espera dos três anos pela “Idade dos Porquê”? Qual quê! Hoje partilhei com vocês este segredo. A idade do “O que é isto” chega bem mais cedo e é a sementinha perfeita para que a linguagem dos vossos bebés cresça a olhos vistos. Assim, estes conhecimentos vão-se acomodando aos pouquinho e, quem sabe, lá por volta dos 3 anos, eles não nos preguem daqueles sustos em que pensas que temos um pequenote que gagueja. Fica prometido o tema para um próximo texto. Não fica esquecido, palavra de mãe,… e de terapeuta! Bom fim de semana para todos vocês!

Comunicação, linguagem e fala – como evoluem nos bebés?

Comunicação, fala, linguagem, … eis um conjunto de termos que tantas e tantas vezes, na minha profissão como terapeuta da fala, tenho dificuldade em explicar a pais e educadores! Pois bem, hoje que sou mãe, penso que há uma forma bem mais simples de explicar todos estes conceitos, … basta acompanhar o exemplo do desenvolvimento dos nossos pequenos! E sabem que mais? Temos um papel ativo em tudo isto e na progressão de cada um destes elementos, tão necessários às vivências e interações com o meio e com tudo e todos os que nos rodeiam!

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Pois bem, COMUNICAÇÃO! Comunicar é tudo o que um bebé faz nos primeiros meses de vida, desde o primeiro segundo em que vem ao mundo! Qual é a primeira manifestação de um bebé, como que querendo anunciar-se? Qual é? O choro, ora pois é verdade! O choro é descrito como a primeira forma de comunicação, intuitiva, natural, básica, … por isso mesmo, é a forma como os pais, no início, percebem que os seus filhos precisam de se alimentar, ou que estão desconfortáveis, ou que têm sono, … assim, o choro, ainda que incómodo e aflitivo, não deve nunca ser algo que se deseje que pare de acontecer nas vivências diárias de um bebé, … caso contrário, ser-lhes-ia impossível comunicar! A nossa missão enquanto pais ficaria bem mais complicada, ainda que se possa pensar o contrário. Os bebés não falam, … pouco ainda sabem da linguagem, … mas comunicam, ai lá isso comunicam!

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LINGUAGEM, e dela, o que podemos dizer? A linguagem, pode apresentar-se em duas vertentes: compreensiva e expressiva! Sem dúvida que a primeira é aquela que se assume como primordial nos mais pequenos! Muito antes de um bebé poder falar/expressar-se, ele já percebe quem o rodeia! Lembram-se daquelas brincadeiras do género: “onde está o papá”?, “e a mamã?”, …”onde está o gato?”, “e o passarinho?”. A verdade é que eles sem nos dizerem a localização precisa, já nos indicam com um gesto muito simples, mas com grande significado comunicativo: o apontar! E assim, aos poucos, se começa a criar a partilha da atenção, a atenção centrada num mesmo elemento, dividida entre dois ou mais agentes, que podem ser o bebé e a mãe ou qualquer outro interveniente na dinâmica criada. Mesmo sem se conseguirem expressar vão já percebendo estas brincadeiras e toda a interação que se gera em torno deles.

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E a FALA? Pois, esta surge numa outra etapa, assumindo-se como a manifestação externa de toda a linguagem que guardamos em nós! É a nossa linguagem expressiva, a forma como mostramos ao mundo tudo aquilo que fomos ouvindo, recolhendo e guardando desde os primórdios da nossa criação e geração. Muito do que ouvimos ainda dentro do ventre das nossas mães (palavras, sons, …), tudo fica retido na nossa memória! Mesmo quando os bebés ainda não se expressam, e como tantas vezes já aqui frisei, tudo o que ouvem fica guardado, como que em espera para começar a ser exteriorizado quando surgem as primeiras palavras. As primeiras manifestações de fala são visíveis quando os bebés iniciam a lalação, o balbucio, … todas elas etapas importantes de crescimento comunicacional!

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Penso que nesta sequência de aquisições se percebe que comunicar envolve tudo, … não só a fala, como tantos outros sons sem significado aparente, mas a que atribuímos algum ante as situações presenciadas. Os gestos, os olhares, as expressões faciais, … tudo, tudo, tudo é comunicação. Um olhar carrancudo e uma face sorridente? O que nos atrai mais? Sabemos ou não sabemos algo sobre o estado de espírito do nosso possível interlocutor? O que falamos, podemos escolher, mas tanta e tanta informação que passa por meio destes sinais subtis, nem sempre é fácil de disfarçar!

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Gosto de imaginar 3 círculos! Um enorme, a COMUNICAÇÃO, que dentro dele tem um outro – a LINGUAGEM – que, por sua vez, tem o círculo da FALA. Tudo, tudo tão bem conjugado! Assim, reforço mais uma vez! Estimulem os vossos bebés, deixem-nos chorar, tentem perceber as suas necessidades e transformem esse choro em algo que vos ajude nos cuidados diários. Procurem padrões e formas de resolução para cada um! Tenham conversas com os pequenotes, mesmo parecendo que eles não vos percebem, mesmo que se sintam com “um parafuso a menos”! Ui,… tantas e tantas vezes em que eu ou o pai vamos pela rua fora a “falar” com a Eva! E tem valido a pena, … contamos 11 meses e já somamos 4 palavrinhas: “papá”, mamã”, “bebé” e “pé”!

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Mais esclarecidos? Vamos tentar! Como sempre, ganham os mais pequeninos, … ganha a sua evolução, a nossa felicidade conjunta e o seu enorme e invencível PODER DE COMUNICAÇÃO!

Estimulação da linguagem em bebés!

 

Já há uns meses, num outro post do blog, vos deixei algumas dicas e sugestões de como estimular a linguagem dos nossos bebés! Na altura, a Eva era ainda muito pequenina, e o que sugeri nesse momento servia mais para ir criando a memória para a linguagem, uma memória que, mais tarde, seria reavivada e renascida com o surgir das primeiras palavras e com o evoluir da sua competência linguística.

Pois bem, essa altura começa a chegar e, sem dar conta, a pequena quase com 11 meses já vai dando um ar da sua graça no que toca às palavras: “papá”, “mamã”, “bebé”, … é maravilhoso assistir a este crescente do seu “dicionário” pessoal! Assim, mais do que ir descrevendo o meio e de criar pequenos diálogos com os pequenotes, aos quais eles não respondiam tanto, nesta fase, eles começam já a dar as suas respostas!

Seja um som isolado, uma sequência repetitiva de sons ou mesmo um amontoado de sons sem significado aparente, uma expressão facial ou um pequeno grito, tudo é fonte de comunicação. É nesta fase que os nossos bebés começam a perceber que, por meio da sua interação, nos influenciam positivamente a seu favor, pelo que ganham o gosto em comunicar, procurando incessantemente a nossa atenção. Nós, como pais e educadores, não devemos defraudar as suas expetativas e devemos estar atentos, dando-lhes resposta às suas iniciativas comunicativas.

O bebé aponta algum objeto ou elemento do meio? Provavelmente espera que lhe digamos o seu nome ou que o descrevamos. Que lhe expliquemos para que serve, como se usa, … que o deixemos tocar-lhe até, se assim for possível!

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Introduzimos um novo alimento ou um mesmo alimento já cedido, mas com uma nova consistência? Porque não dar a conhecer ao bebé o seu nome, dizer-lhe de onde veio, onde foi comprado, … não, não é absurdo, é informação que eles vão ouvir e guardar verdadeiramente! Cada vez mais, os reflexos destes diálogos serão visíveis!

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O bebé gosta de ouvir música? Dê-lhe a oportunidade de a ouvir várias vezes por dia, de vários tipos, … infantil, clássica, … ajude-o a bater os tempos, a imitar pequenas sequências, a bater palmas quando cada canção termina, … competências de consciência fonológica, por exemplo, podem sair a ganhar com tudo isto. Se a criança souber “bater” a cadência de uma música, mais tarde poderá lembrar-se disto quando lhe pedirmos para contar as sílabas de uma palavra, batendo palmas ou batendo com a mão na mesa, uma pancada por cada sílaba contabilizada.

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Ouvir a história antes de adormecer deixa-o mais atento que nunca? Ótimo! Toca a contar histórias sempre que possível, mostrando-lhe as imagens, deixando-o tocar as páginas, … os livros de cartão são perfeitos para esta fase. É tão engraçado ver os mais pequeninos a folheá-los com as suas pequenas mãos! Diga-lhe o que vê, o nome dos animais, dos frutos, dos objetos, … compare-os com os objetos reais e dê-lhos para a mão para aumentar a realidade mostrada e todas as possibilidades de exploração! Assim, de pequeninos, fazemos os grandes leitores do futuro!

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O seu bebé gosta de “conversar” consigo? Nunca deixe de lhe responder e de interagir com ele! Nem que seja apenas com uma pequena frase ou mesmo uma palavra! Sorria-lhe, … fale, … todas as formas de expressão contam! E se ele bater palmas, bata também! Cantem uma canção em conjunto… sejam felizes, da vossa forma tão própria e tão característica!

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Mais tarde, quando os pequenos forem já crianças, adolescentes, adultos, colherão todos os frutos semeados nesta fase das suas vidas, … será destes momentos que viverá a vossa memória e de que se alimentará a sua imaginação. Partilhem, crescem juntos, … e a linguagem crescerá também!

“Caiu”, “toma”, “dá”… estimular a linguagem compreensiva!

Ainda que a linguagem expressiva sob a forma mais comum que a percebemos vá levar alguns meses a chegar até cá a casa, na fase em que a Eva está, alguns sons, lalação e balbucio são já audíveis! São tão engraçadas as variações de intensidade e de frequência que ela já vai conseguindo! Por vezes pergunto-me como é que um trato vocal/garganta tão pequenina já é capaz de sons tão agudos e de toda aquela miscelânea harmoniosa! É música para os nossos ouvidos, e por vezes, soa mesmo a uma pequena cantiga, tão terna, tão doce! Um dia, hei-de gravar para mais tarde recordar!

Sim, todos queremos que os nossos pequenos falem cedo, que digam “papá” ou “mamã”, pela ordem que indico se forem, respetivamente, o pai orgulhoso ou a mãe galinha, sim, todos teremos um certo orgulho futuro em o relembrar se fomos os primeiros eleitos! Mas, o que não devemos esquecer, e várias vezes já o fui aqui referindo nos textos do blog: não só a linguagem expressiva é essencial, pois a sua base está na linguagem compreensiva, ou seja, a expressão é o reflexo de tudo aquilo que a criança vai ouvindo e “gravando” na sua memória ao longo do tempo, desde os momentos intra-uterinos!

O que ouvem será pronunciado daqui a uns tempos e hoje, para além de vos relembrar isso mesmo, dou ainda algumas sugestões de tarefas que podem fazer em casa com os vossos filhos, netos, sobrinhos, afilhados ou, se forem educadores, com os vossos pequenos aprendizes, em contexto de creche!

A Eva adora ter uma colher na mão, é um objeto simples e comum, do quotidiano, que lhe proporciona vários minutos de animação e atenção. Basta mostrar-lha em frente aos seus olhitos para os ver a arregalar e a cintilar e, logo em seguida, há uma mão ansiosa que se estende, trêmola de tanta ansiedade! Claro que sim, o destino é logo a boca, mas não faz mal! Brincadeira agora, intencional, podemos dizê-lo, mas feito por acaso ao início, é o fato de a colher, de vez em quando, ser largada pelas mãos da Eva. Por vezes cai ao chão, outras vezes fica no sítio onde ela está sentada. Quando isso acontece e ela não a consegue voltar a alcançar autonomamente, é aí que começa o jogo: “oh… caiu!”. Devemos dizer estas frases-chave de forma animada, com um enorme sorriso, com expressividade quase que exagerada. Isso desperta-lhe logo um sorriso maroto, como que percebendo a brincadeira. Quando lha volto a devolver, para prolongar a brincadeira, digo: “toma!”. Ela fica toda feliz e aquela dinâmica dura minutos e minutos em seguida.

Para além de estimular a comunicação, é ainda uma forma de a pequena se começar a aperceber dos turnos de comunicação, o chamado “Turn-Taking”, também conhecido vulgarmente como “tomada de vez”. Assim, a colher vai dela para mim, de mim para ela, e assim sucessivamente. Não é esta a base de um diálogo, em que ora fala um dos interlocutores, ora fala o outro, gerando-se uma conversa? Neste momento, a Eva ainda só fala à maneira dela, com sons, com a expressividade da sua face ao ceder-nos os sorrisos em jeito de agradecimento por lhe darmos os objetos, mas o essencial, a base imprescindível, está lá, desde já! A partilha de atenção para um mesmo objeto, conhecida como “atenção conjunta”, vai também sendo desenvolvida! E tudo isto é tão importante!

Ontem, a brincadeira foi outra! Com o pai, no quarto, mesmo antes do momento de dormir, colocámos a luz de presença na tomada. A Eva fica alerta quando vê a luz surgir. E o pai fazia assim: tirava a luz de presença da tomada e dava-a à pequena: “toma!”, dizia ele, e bem! (Parece que as dicas estão a passar positivamente, pelo menos cá por casa). Depois de a pequena estender a mãozita para a pegar, algum tempo depois o pai dizia-lhe “dá ao pai!”, ou simplesmente “dá”! Esta é mais uma forma de passar todos os ensinamentos de base da comunicação, e há tantas outras formas. Qualquer ocasião serve: a partilha de um pedaço de pão ou bolacha, a exploração conjunta de um brinquedo, de uma peça de roupa, … valem todos os momentos, tudo o que entra na rotina dos nossos tesouros, pois a comunicação é assim, natural, não precisa de horas marcadas para acontecer! Tentem em vossas casas, nas creches, nas escolinhas, …! É fácil, e atenção, fica o alerta: proporciona momentos de doçura imensa e de grande gratificação para pais, educadores e para as próprias crianças!

Estimular e avaliar a audição,… motivar a linguagem!

A Eva tem 6 meses, feitos há poucos dias! Se falar em estimulação da linguagem quase toda a gente me diz: mas ela ainda não fala, nem vai falar antes de fazer um ano, sensivelmente! Sim, verdade, é pouco provável que aconteça, mas como Terapeuta da Fala, e como muitos pais e educadores já vão sabendo, vos digo que todos os dias e meses contam no que respeita à estimulação da linguagem.

Para quem acompanha o blog regularmente, sabe que este tema da estimulação da linguagem já foi abordado várias vezes (“Estimulação da linguagem culinária!”, “Os pés e todo um mundo de aprendizagens”, “Palreio, lalação, … vamos conversar?”, “Tu vestes-me… eu aprendo!”, “Estimulação da linguagem em bebés, … o “super poder” de pais e educadores!”, entre outros textos anteriores são alguns exemplos) e conhece por isso a viabilidade de estimular esta competência, ainda em terna idade. Aliás, se assim não for, os comprometimentos futuros serão grandes!

Ora vejamos: apenas fazemos e reproduzimos o que vemos, ouvimos e presenciamos! Se a criança não é exposta à linguagem desde cedo nem é sensibilizada para ela e para a sua importância, mais tarde poderão surgir os atrasos de desenvolvimento da mesma! Claro que sim, eles são o que são, mas sabendo nós que podemos fazer algo em prol disto, porque não o fazer?

A par da linguagem, e sem se dissociar dela, temos a questão da audição. E através dela que a linguagem se inicia, pois a criança vai ouvindo, vai captando modelos daquilo que será a sua linguagem futura. De certo que crianças que crescem a ouvir falar de aviões terão este vocabulário bem presente no futuro. Da mesma forma que crianças que são criadas no campo dominam muito melhor o vocabulário que se refere aos animais, às lides da agricultura, aos legumes e a todos os produtos que a terra dá! Pois é, a experiência, as vivências diárias, são bases imprescindíveis daquilo que será a futura linguagem dos nossos pequenos heróis.

Ainda na semana passada, num post sobre brincadeiras e brinquedos “low cost” falávamos de pequenas “engenhocas caseiras”: os tubos de drageias de chocolate com arroz lá dentro, pequenas caixas transparentes com massa, caixas plásticas com bolas e outros objectos que produzam sons diferenciados, as caixas de música, os brinquedos sonoros, … todos eles, mais caros ou mais improvisados são ótimos aliados! Podemos começar por produzir som com eles em frente às crianças, mostrar-lhes que há sons distintos, …. Depois podemos tentar que nos imitem, realizando movimentos que conduzam à produção de som com os mesmos objectos, por exemplo, agitando-os! E se surpreendermos a criança mexendo um destes brinquedos longe do seu alcance, tentando que ela localize a fonte sonora? Em cima, a trás, dos dois lados, … Esta é uma boa forma de fazer, de algum modo, um simples e continuo “rastreio auditivo caseiro”, na tentativa de perceber eventuais problemas que possam, mais tarde, comprometer a aquisição e desenvolvimento da linguagem.

Como Terapeuta da Fala, já por várias vezes estive diante de crianças que, à partida, são envergonhadas, falam pouco, trocam muitos sons e têm discursos pouco perceptíveis. Quando aprofundamos as questões até à questão da competência auditiva, muitas vezes descobrimos crianças que fazem inúmeras otites por ano, que não ouvem os pais quando estes os chamam de outra divisão da casa, que olham fixamente para os seus lábios na tentativa de os ler, compensando as falhas auditivas, … Nunca é demais estar alerta, pois a linguagem e, mais tarde, as competências de leitura e escrita, intimamente relacionadas, agradecerão.

Pais e educadores, é simples: estimulem a audição dos vossos pequenotes! Percebam se está tudo bem, se o som lhes desperta a atenção. Não tenham receio de ter conversas com os mais novos, eles não nos respondem (respondem à sua maneira, claro!), mas absorvem cada palavra, cada som, criando memória deles! Não é por acaso que, quando mais velhas, certas crianças nos surpreendem com certas palavras “caras” e pouco usuais! Só as dizem porque as ouviram! Porque desde tenra idade a memória auditiva está lá, prontinha para ser preenchida! Usem e abusem dos brinquedos auditivos, que ao mesmo tempo estimulam também a linguagem e a motricidade dos vossos bebés! As rocas, as maracas, os chocalhos! Tudo vale! O bebé já reage quando ouve a voz da mãe ou outras familiares?! Boa! Já vira a cara quando ouve o seu nome ser chamado? Melhor ainda! Cá em casa estamos a entrar nessa fase! Quando menos derem conta, … surge a primeira palavra do vosso bebé! Será mamã,… papá, …? Por aqui já se fazem apostas!