A Magia dos Gestos – “Baby Signs”

 

Já há cerca de 3 anos que descobrimos em família a magia dos gestos, através do programa Baby Signs. Foi pela mão de quem o trouxe a Portugal, a querida Sabla d’Oliveira, que o conhecemos. Desde há uns tempos que seguia a sua página no Facebook e, quando soube que viria dar formação a Coimbra, foi a loucura. Tivemos a felicidade de receber uma inscrição gratuita para o workshop de pais e desde logo ficámos rendidos. Na altura a Eva tinha sete meses! O workshop foi uma delicia, recheado de doçura e magia! Os bebés podiam circular livremente, podiam brincar e descobrir todo o espaço que tinha sido devidamente preparado para eles! Enquanto isso, nós, pais, íamos descobrindo alguns dos gestos, partilhando-os logo com eles. Logo começamos a por tudo em prática, assim que chegámos a casa. Persistência e dedicação são as palavras de ordem quando falamos desta abordagem. Certo é que, logo aos 8 meses, a pequena disse a primeira palavra. O primeiro gesto surgiu pouco tempo depois.

Durante vários dias e semanas íamos “rotulando” de gestos muitas das coisas que fazíamos, muitos dos objetos que nos iam passando pelas mãos, … o “comer”, o “beber”, o “gato”, o “coelho” da história, o “cão” do brinquedo, o “gosto de ti” que a toda a hora lhe diziamos e que ainda hoje é usado carinhosamente quando me despeço dela na janela de casa, mesmo que não a consiga ouvir… a “música” que púnhamos todos os dias e que a pequena adorava e adora,… e foi precisamente esse o primeiro gesto que fez! A magia aconteceu mesmo ante o nosso olhar! A sua motivação era a de ouvir música num dia em que não a tínhamos logo colocado, por isso foi ela mesmo que pediu, por iniciativa própria. Nem queríamos acreditar ao vê-la fazer o gesto. Ficámos loucos de alegria. Gravámos e enviámos à Sabla, que sempre vibra connosco e com estas pequenas vitórias. O vídeo chegou mesmo a ser partilhado no grupo secreto a que ficamos a pertencer, logo após a conclusão do workshop. Ali partilhamos conquistas, dúvidas, novos gestos que queiramos aprender, … temos todo o apoio e incentivo!

Ora, constatada que estava a eficácia do programa na minha vida pessoal, comecei também a aplicar as mais valias na vertente profissional, nas sessões de Terapia da Fala. Desde essa altura, em que fiz também o workshop para profissionais, que a magia chegou também às salas, com os “meus” meninos mais pequeninos. Ora, não é o gesto uma das primeiras abordagens que eles usam? Aquela que por vezes mantêm durante tanto tempo, levando por vezes a atrasos na fala? E se pudermos ter esses mesmos gestos, como base para a evolução da linguagem, como motor maior? Pois é, é isso mesmo que o programa “Baby Signs” preconiza. Ao contrário do que muitos papás e educadores receiam, não, o Baby Signs não contribui para o atraso do desenvolvimento da linguagem, deixando a criança presa a gestos, por mais e mais tempo. Não! O Baby Signs pega precisamente naquilo que a criança vai dominando, dando-lhe segurança nas suas partilhas, dando ênfase à sua iniciativa comunicativa. A par de tudo isso, a nossa missão de adultos, quer enquanto pais, quer enquanto profissionais (educadores, professores ou terapeutas) é mesmo a de ir dando novos gestos, novos estímulos. A par disso mesmo, o gesto é sempre acompanhado pela palavra. Assim, a estimulação da linguagem é conseguida. Seja nas interações quotidianas, em todos os contextos da criança, seja na leitura de uma história, ao cantar uma canção, em todas as brincadeiras, … qualquer iniciativa é ótima para transmitir mais e mais vocabulário. E depois? Depois… é só deixar a magia acontecer! Redução de birras, maior ligação entre pais e bebés, mais segurança emocional, … tanto, tanto, tanto que se ganha na relação com os mais pequenos!  Comprovada que está a eficácia deste programa a nível internacional, que mais esperam para o vir conhecer em Coimbra, pela mão da querida Tânia Dias?

Baby Signs

Pois, é verdade! A vida traz-nos estes presentes incríveis! A Tânia é uma amiga de outras andanças, também das que me apaixonam e me prendem mais um pouco do coração. Somos colegas do curso de CAM (Conselheiras em Aleitamento Materno)… partilhamos a paixão pela maternidade, pelo aleitamento, pelos bebés, pelas crianças e pelas conquistas bonitas! Mais uma vez, e ao fim de vários meses de preparação cuidada, juntamos esforços e trazemos a Coimbra a alegria e a dinâmica Baby Signs. Depois do sucesso do “Workshop Baby Signs de Natal”, no nosso “cantinho do coração”, teremos workshop de pais, já no dia 12 de Janeiro. A inscrição inclui a participação do casal e do bebé, apenas por 25€. Dias 16 e 23 de Janeiro, teremos em horário pós-laboral os níveis I e II para formação de profissionais. É educador e quer ser agente ativo na evolução da linguagem dos mais pequeninos? É terapeuta da fala e quer dar nova cor as sessões com os utentes mais novos? Temos preços especiais para inscrição conjunta nos níveis I e II! Falem connosco ou espreitem as paginas de Facebook. Esperamos por vocês… para que a magia continue a espalhar-se!

https://www.facebook.com/BabysignsTaniaDiasCoimbra/

https://www.babysigns.pt/team/tania-dias/

“Quinta” (Linha Baby Europrice) – Vamos brincar?

Mais uma novidade aqui no blog, … mais um passo, sempre a pensar em vocês, pais, familiares, educadores, professores, … e sobretudo nos nossos pequenotes! 🙂 Como os podemos ajudar? Como os podemos fazer progredir nas suas competências linguísticas, na fala, na comunicação? Este é e será sempre um dos principais objetivos dos nossos textos e temáticas!

Penso que nunca aqui vos falei do nosso canal de Youtube (link do canal) , mas também aí encontram muitas dicas, tanto dos nossos materiais Europrice que revendemos (catálogo de produtos), como de outros que podemos, facilmente, construir em casa, de forma simples, económica e sem ter que despender imenso dinheiro em supermercados e lojas de brinquedos! Pois bem, a partir de hoje temos também essas dicas aqui pelo blog, escritas, para que possam tirar o máximo de potencial dos materiais que vos apresentamos. Sim, porque um jogo é mais que algumas peças dentro de uma caixa, a sua abrangência é muito mais extensa.

A primeira sugestão que vos trago é o mais recente jogo Europrice, da sua chamada “Linha Baby”. Em breve vos falarei dos outros da mesma gama (pequenos puzzles, jogo das formas…), e de um que é particularmente especial para mim! 🙂

O jogo de que falamos hoje é o “Animais”, apto para crianças com mais de 24 meses, mas que julgo poder ser usado logo desde o ano e meio, dado o seu encaixe apenas exigir a junção de duas peças de dimensões consideráveis e feitas em cartão duro e espesso. E até aos 4 ou 5 anos ele faz sucesso.

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Jogo de 8 conjuntos de 2 peças, com animais da quinta e suas famílias

 

E tanto que com ele pode ser trabalhado. Para além das questões de atenção e concentração e da motricidade fina que conseguimos, seja com que tipo de puzzle for, juntamos a isto tantas possibilidades para ensinar à criança novo vocabulário.

O jogo apresenta elementos de que grupo semântico? Dos animais! E dos animais da quinta ou da selva? Da quinta, pois claro! Tantos animais novos que eles podem aprender, … tantos sons novos que lhes podemos ensinar! O “muuuu” da vaca, o “méeee” da ovelha, o “miau” do gato, … e se os conseguirmos fazer repetir tanto melhor, sempre incentivando-os a olhar para a nossa boca, para verem como os sons são articulados e feitos com os lábios, a língua, as bochechas, …

E afinal, como se chama o filhote da vaca? O vitelo! E da “ovelha”? O borrego! E quem é o par da vaca? O boi! E da ovelha, o carneiro! Tantas vezes que eles nos respondem que se temos o “gato” temos a “gata” e que se temos a vaca temos o “vaco”, o “ovelho”, … assim, conseguem aprender de forma divertida todas estas exceções! E o cavalo e a égua, pais do potro? Os pintainhos da galinha e do galo? Tanto, tanto, tanto para lhes ensinar. A brincar, a brincar, na prática estamos a dar-lhes novo vocabulário. É desta forma que crescerão, sempre, a todo o momento! E cresce a sua capacidade linguística. E depois, o género, o masculino e o feminino. Os filhotes, os plurais, … o pintainho e os pintainhos, … o gato e os gatos, … ou os gatinhos e os cãezinhos, como eles gostam tanto de chamar. E aqui temos os diminutivos, … e todo um novo mundo que se abre!

Um jogo para fazer em família, todos juntos. Muito mais que um pequeno jogo com puzzles de duas peças… muito mais que os menos de cinco minutos que podem precisar os pequenos pata o fazer! Há tanto para explorar que o jogo pode durar horas. E, porque não, imitar também o gatinhar do gato, o arfar do cão. Ser crianças com eles, … passar tempo com eles, … crescer com eles, … faz bem a todos! 🙂

O jogo está disponível na nossa página (facebook.com/joanaaterapeutaeamae). Basta que nos enviem mensagem e combinamos a entrega em mão no nosso gabinete, com sede em Coimbra, celas. Ou pode mesmo ser entregue em mão em Aveiro, Estarreja ou Gouveia! Boas brincadeiras! 🙂

“Um passo à frente” – abordagem ao desenvolvimento da comunicação e da linguagem na infância

“Um passo à frente”, “a escada seguinte”, … sem querer, estes termos que vou usando no dia a dia, com educadores, com professores, com os próprios pais e utentes, … nos workshops, … vão ficando nas suas memórias e pensamento e começam a ser usados mesmo por eles próprios. Tão bom saber que absorvem a essência da ideia que lhes tento transmitir. Tão positivo quando sinto que os usam de forma correta e os aplicam na sua prática diária!

Esta é a minha forma de abordar a evolução e desenvolvimento da comunicação e da linguagem. Sim, pois comunicar é tanto mais que linguagem, e infelizmente nem sempre se dá valor a estes pequenos avanços que vão surgindo.

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Uma bebé que chora, comunica! É a sua forma primordial de se afirmar perante o mundo, de manifestar as suas necessidades. É a mais primitiva e é universal. Depois movimenta-se, … curva o seu corpo perante a dor da cólica, … sorri ante rostos familiares como o dos pais, … emite pequenos gritos,… Em seguida chega a fase da lalação, do balbucio, … as primeiras palavras, … os gestos, o apontar, … tudo e tudo!!! Tudo isto é comunicar! Um fervilhar sem fim, ávido de estímulos e de quem lhes dê continuidade, … o combustível perfeito para que a linguagem emerja na sua forma mais complexa e funcional.

Estranho deve ser para os pais e educadores quando estes pequenos grandes sinais não se manifestam desde os primeiros dias, … cada qual dos comportamentos acima enunciados, sendo demonstrados quase sempre por esta ordem, durante o primeiro ano de vida. Mas nem sempre estes marcos do chorar, sorrir, palrar, … se sucedem assim, dentro do esperado pelos estudiosos do desenvolvimento da linguagem. Nem em todas as crianças a sua sequência é natural, necessitando estes pequenos aprendizes de maior apoio, estimulação e de maior envolvimento DO meio e COM o meio que os rodeia.

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Costumo por isso mesmo, aos pais e educadores que me procuram, dar esta noção do “passo à frente”, tanto em casos de patologia ou atraso do desenvolvimento global, da comunicação, da linguagem ou outro, como mesmo em crianças com desenvolvimento dito típico. Sim, pois a estimulação é feita sempre com este princípio, seja em que idade ou em que caso for.

Se a criança sorri, devemos verbalizar “estás feliz?”, “gosto de ti!”, “gosto de estar contigo!”, “tu gostas de estar aqui comigo?”, .. devemos ser a voz das suas palavras enquanto ela própria não as consegue produzir. Assim, vamos dando rótulos aos sentimentos, às emoções, … aos objetos, aos acontecimentos, .. tudo, … desde o mais abstrato ao mais concreto do nosso mundo.

Depois começa a fase da lalação, do balbucio, … os pequenos sons, repetidos sem fim, … “mamamama”, … “papapapa”, … as suas variações “mamapa”, … “titipo”, .. E porque não imitar a criança, acrescentando sons? Porque não concretizar o “mamamama” como “mamã” ou o “papapapapa” como “papá”, quando estes lhe surgem ao alcance.

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E com o apontar, porque não aproveitar para, também com ele, dar “voz” ao pensamento interior da criança, ainda incapaz de se manifestar em palavras? Não é por acaso que os programas de gestos infantis, tal como o Baby Signs que uso e amo de paixão, são eficazes! Claro, sempre acompanhados com o nosso “passo à frente”, ou seja, a linguagem! A criança gesticula e nós verbalizamos o que ela tenta transmitir pelo gesto, como que o “rotulando” e realizando em vocábulos.

E assim, esta sequência lógica, comum, … vai ganhando forma, até dar lugar à fala. Surge a primeira palavra, … mas aí, pensamos novamente já no próximo “passo à frente”: a combinação de palavras. “Mamã” pode ser um “anda mamã”, “gosto da mamã”. Um “pão” pode querer significar “quero pão”, “dá pão”, .. e assim, modelando aquilo em que a criança pode crescer em termos linguísticos estaremos sempre um “passo à frente”! Isto é motivar, é modelar, é estimular comunicação e linguagem, procurando o seu potencial máximo!

Depois devem chegar as frases cada vez mais complexas, e o nosso lema de “passo à frente” deve continuar sempre. O “quero pão” de outrora, pode ser agora um “quero pão com manteiga” ou um “quero comer pão e beber água”. O que hoje são conceitos concretos e palpáveis podem buscar o “passo à frente” com os conceitos abstratos, mais com o chegar dos três, quatro anos, …  “o pão é bom”, “o bolo é delicioso”!

Assim se busca o desenvolvimento máximo da comunicação e da linguagem, a base do pensamento, das vivências diárias, .. da interação social e de tudo o que ela acarreta. Assim se deveriam estimular as nossas crianças. Assim se poderia implementar e fazer no dia-a-dia, em todas as oportunidades de comunicação: nos momentos da alimentação, do vestir, do deitar, nos passeios ao parque (cada vez mais substituídos por horas nos tablets, para terror dos meus pensamentos e de tantos pais)… em tarefas de pintar, em brincadeiras com os triciclos e no meio da terra. Sim, elas também fazem (MUITA!!!!!) falta.

Growing up

Pais, educadores, professores, tios, avós, … todos temos este poder nas mãos. Vamos usá-lo em favor dos nosso pequenotes, … os que serão, pensando aqui também “um passo à frente”, os comunicadores, homens e mulheres do amanhã. Os que terão o destino na mão, … os que hoje, para já, nos deliciam e fazem sorrir, só por termos o privilégio de existirem nas nossas vidas.

Mitos – Amamentação e atraso na fala/ linguagem?

No rescaldo da Semana Mundial do Aleitamento Materno, comemorada de 1 a 7 de Agosto, não podia deixar de vos falar deste tema que, em particular, tanto burburinho levantou desde a passada sexta feira.

Sou CAM (Conselheira em Aleitamento Materno) e, por isso, várias vezes sou chamada a esclarecer algumas mamãs e famílias, muitas das vezes em grupos de redes sociais. Qual não foi o meu espanto quando, na semana passada,uma outra colega CAM me chamou à conversa pois uma mãe lançou a sua dúvida e os seus medos, receios e culpas. A mãe tinha ouvido da boca de uma equipa médica que o atraso na fala e na linguagem do seu filho se devia ao fato de este ter sido amamentado. Fiquei a ferver só de ouvir isto, … de saber o sentimento terrível de culpa desta mãe!!! Tive logo que rebater isto, pois nem mito quase lhe posso chamar. Vindo de uma equipa médica, com conhecimentos científicos, esta é de todo uma informação errada, sem qualquer fundamento científico… totalmente o oposto do que a ciência apoia e justifica. A mãe sentia-se em baixo, culpada pelo seu ato de amor imenso que foi o de amamentar o se filho. Haverá ligação mais sincera, desinteressada e pura que esta? Como pode uma equipa médica o pôr sequer em causa? Como podem levar alguém a sentir-se desta forma? Onde moram a ética profissional e os bons princípios pessoais?

E foi aí que, depois de várias pessoas terem opinado e descansado aquela mãe, resolvi escrever e partilhar este texto com vocês. Não tão rápido quanto queria, pois o fim de semana foi de tempo muito preenchido com outros afazeres, mas faço-o agora!

Sem qualquer tipo de julgamento para as mamãs que não podem amamentar, ou que não o fazem por opção própria, este ato carrega em si a mais pura bondade e altruísmo que se conhece! É dar o próprio corpo a um ser imenso, indefeso, … sedento de amor, carinho, segurança, calor, nutrição… o melhor início de vida, como tantas vezes já aqui defendi.

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A OMS preconiza que os bebés devem ser exclusivamente amamentados até aos 6 meses, devendo este ato prolongar-se, pelo menos, até aos 2 anos de idade, acompanhando a introdução da alimentação complementar (OMS,2001). Por aqui se percebe a sua relevância e o seu valor imenso! Tantos são os estudos que suportam a sua riqueza nutricional, emocional, … que fico incrédula com os mitos que ainda hoje circulam! Então quando são proferidos por profissionais de saúde, … fico louca!!!

Porquê julgar e ridicularizar mães que amamentam bebés que quase já não são de colo? Porquê assumir que quando um bebé já come como um adulto não precisa de tudo o que a amamentação lhe trás de bom? Já senti essas críticas na pele, e também o partilhei com vocês na altura da minha cirurgia de urgência à apendicite…sentimo-nos sem chão, … à beira de um ataque de nervos!

Porque haveria a amamentação de atrasar a fala e o desenvolvimento da linguagem? É das atividades mais completas e enriquecedoras para o desenvolvimento global de um bebé!!! Promove o desenvolvimento muscular e ósseo da face, … tudo o que a envolve! O movimento dos lábios, da língua, das bochechas,  da maxila, da mandíbula, do palato, …(NEIVA et. al, 2003) … tudo a funcionar em harmonia, … todos os músculos a serem estimulados, trabalhados, fortalecidos! E a coordenação que é necessária entre o extrair o leite, comportá-lo na boca e engoli-lo, … sempre com a respiração controlada? Tudo a funcionar em harmonia, num frenesim perfeito e mágico!

Enquanto a língua gera as diferenças de pressão que fazem com que o leite seja expulsado pela mama da mãe está a ser fortalecida, trabalhada, … os seus movimentos são aprimorados e cada vez mais minunciosos, perfeitos! A criança experimenta padrões que mais tarde são muito úteis na articulação de vários sons da fala (os mais evidentes são o /l/, /s/, /z/, /t/ /d/ e /n/). Sons em que a posição da língua, variando em pequena amplitude, conduz a realizações na fala tão diferenciadas e que existem mais tarde na nossa língua, quando surgem as primeiras palavras e enquanto a linguagem progride! É o nosso corpo em adequação e aprendizagem constante! Como negar isso mesmo? Não compreendo! Em que livros de anatomia fizeram estes ditos “profissionais” os seus aprendizados?

Até o próprio crescimento dos dentes é influenciado pela amamentação! Quanto mais estimuladas as estruturas orais, melhor será o posicionamento da mandíbula em relação à maxila para que o surgimento das peças dentárias seja equilibrado e harmonioso (KYOTA, 2000). Para o futuro desenvolvimento da mastigação e da deglutição, a amamentação é mesmo o melhor início!

E a proximidade que uma mãe tem de um bebé amamentado? O contacto visual que se estabelece? O quanto fala com ele? Será que isso não promove a linguagem? A amamentação promove o desenvolvimento cranio-facial da criança e a sua afirmação motora-oral (CARVALHO, 2004), porquê contrapor estes dados? Quais as vantagens para quem defende esta posição? Porquê deixar os pais com o sentimento de culpa?

Tantas e tantas vezes são os profissionais, ainda na maternidade, a introduzir biberão, chupetas, … esses sim, está provado que podem dificultar o desenvolvimento da fala. O esforço que uma criança faz ao mamar num biberão não é o mesmo que quando o faz na mama da mãe! A estimulação das estruturas e músculos faciais é assim bem mais reduzida, em comparação com a da amamentação. Também a chupeta, para estar na cavidade oral, altera em muito a posição normal que a língua deveria estabelecer! E a forma que as arcadas dentárias assumem tantas vezes! Aí sim, há razão para alerta!

Quanto à amamentação: mamãs, sosseguem esses corações! O mito é falso, .. totalmente errado! Quanto mais maminha, mais estimulação! Mais amor próprio e pelo outro se gera! Quanta gratidão, quanto sentimento de missão cumprida! Que a culpa não os ofusque, … nem “profissionais” deste género que, vá se lá saber porque (ou sabendo: €€€€€€) tendem a desincentivar o processo mais natural e primordial da história da humanidade. Coragem mamãs! Maminha é saudável e em nada limita o progresso da fala e da linguagem nos nossos bebés! Um brinde a nós, à nossa garra. Este continuará sempre a ser o meu lema: “somos mães, somos guerreiras”!

 

A idade do “O que é isto”!

Muitos de vocês devem estar familiarizados com a chamada “Idade dos Porquês”! À luz do desenvolvimento da linguagem e de todas as teorias existentes, a denominada “Idade dos Porquês” não é mais que o pico explosivo da linguagem que, por norma, ocorre por volta dos 3 anos de idade! Sim, é esse mesmo o motivo para, por vezes, alguns pequenos apresentarem um discurso tão rápido, tão rápido, tão rápido que, em alguns casos, os pais e educadores pensam que se instalou uma súbita gaguez. Um dia destes voltaremos a este tema mas, para sossegar os corações de pais mais aflitos e para todos aqueles a quem o tema despertou interesse, saibam que essa é uma fase normal e típica no desenvolvimento comum da linguagem.

Basicamente, os pequenos ficam tão curiosos com o mundo à sua volta e o vocabulário cresce de uma forma tão repentina que, na maioria dos casos, “o cérebro pensa a mil e a boca fala a cem!”.

Mas, o que descobri com a Eva, e isto não vem em nenhum livro, é que muito antes desse idade dos “Porquês” parece existir a idade do “O que é isto?”. A Eva está perto de completar dois anos e esta é a pergunta que mais temos ouvido nos últimos tempos. Sim, é fruto da estimulação que fomos fazendo desde os primeiros dias de vida. Recordam-se dos nossos primeiros textos, quando vestiamos a pequena e iamos dando vocabulário ligado ao corpo, às peças de roupa, … quando chovia e iamos para a janela admirar a natureza e as muitas gotinhas que teimavam em cair? Quando o pai trouxe a pequena flor amarela e a Eva adorou? Quando cozinhava e ia dizendo tudo o que ia usando e a pequena soltou a bela da primeira gargalhada ao som da música do “Feijão verde-verde-verde”? Quem nos acompanha desde o início deve recordar a maioria destas aventuras. Os seguidores mais recentes podem consultar todos esses textos que fomos escrevendo com o coração!

Pois, mas é isso mesmo! Tanto que nós descrevemos e iamos “perguntando” por ela “O que é isto?”, respondendo em seguida, que agora é a pequena que pergunta sem parar! Pega num livro e lá vem a pergunta. Vê um brinquedo e pergunta “o que é isto?”. Na rua, na escola, … pergunta, e nós respondemos. Respondemos e vamos dando mais alguma informação, pois o desenvolvimento e a estimulação da linguagem fazem-se assim: um pouco de curiosidade deles, ao que se junta mais um ou outro termo que nós lhes damos para expandir o seu discurso e as palavras que eles já vão dizendo! E assim, palavra a palavra, enchem os pequenos a sua pequena boquita!

Já sabem: mamãs, papás, avós, tios, primos, educadores…! Aproveitem a curiosidade dos vossos pequenos. Mesmo que eles não perguntem: descrevam! Mesmo que eles apenas só olhem: digam o nome das coisas que eles vão vendo! E assim, a magia irá acontecendo aos poucos diante dos vossos olhos. Ficar à espera dos três anos pela “Idade dos Porquê”? Qual quê! Hoje partilhei com vocês este segredo. A idade do “O que é isto” chega bem mais cedo e é a sementinha perfeita para que a linguagem dos vossos bebés cresça a olhos vistos. Assim, estes conhecimentos vão-se acomodando aos pouquinho e, quem sabe, lá por volta dos 3 anos, eles não nos preguem daqueles sustos em que pensas que temos um pequenote que gagueja. Fica prometido o tema para um próximo texto. Não fica esquecido, palavra de mãe,… e de terapeuta! Bom fim de semana para todos vocês!

Atividades caseiras para os mais pequenos II – Cores e mais cores!

Nos últimos dias tenho partilhado com vocês algumas imagens de uns pequenos baldes com cores. Não é a primeira vez que o faço e quem conhece o canal de youtube “Joana a Terapeuta”, com dicas para meninos e meninas mais crescidos, certamente se lembra destes baldes tão engraçados! 🙂

Os pequenos baldes têm uma história de 10 anos, … longe estava eu de imaginar que um dia os partilharia com a minha pequena! 🙂 Remontam a um estágio do 3ª ano do curso, altura em que estava no hospital de Viseu, com a querida Terapeuta Carla Gouveia, de quem guardo tanta saudade! Seis baldes para pipocas e algodão doce, de cores diferentes, em que cada tampa tem uma das cores mágicas: amarelo, vermelho, verde, azul, cor de rosa e cor de laranja. Depois, o que fiz?

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Enchi-os com objetos que tinha por casa, também com as mesmas cores! Tampas de garrafas, molas da roupa, pequenas bolas, frutas em miniatura, lápis de cor, carrinhos, miniaturas de mobílias infantis … e tantos outros objetos que podemos incluir. Alerto-vos para o facto de alguns poderem constituir risco para os pequenos, como são as molas e outros com peças mais pequenas. Por isso, o importante é estarem com eles, partilhando o momento da atividade! Afinal, é sempre esse o meu objetivo: proporcionar atividades caseiras, low cost, sem recurso a brinquedos caros e elaborados, gozando esse tempo com os vossos filhos, netos, sobrinhos, primos, … Tanto enquanto fazem os baldes, procurando os objetos, como depois, nas mais diversas atividades!

Mas, afinal, o que podemos fazer com eles? Por norma dou-os à Eva dois a dois, …. mais tarde poderão ser três, quatro, … ou mesmo todos em conjunto. Vamos estando atentos aos progressos deles! 🙂 Podemos ir retirando cada objeto do balde, nomeando-os ou pedindo à criança que o faça! Se ela ainda não falar ou não souber o nome, podemos apenas nós indicar o que ali está e/ou pedir que ela própria repita a palavra e a cor do objeto (“É a banana amarela!”, “É a bola verde.”, …).

Depois, podemos ainda pedir que sejam eles a arrumar os objetos pela cor correta, distinguindo-as! 🙂 E tantas outras atividades podem ser feitas! Deixem-nos descobrir, brincar, inventar, perguntar, … façam-nos “abrir” o mundo a cada passada, mostrando-lhe novos objetos, ensinando-lhes para que servem, como se usam, … onde os encontram no dia a dia, … e depois, contem-nos como correu! 🙂

Deixo as imagens do conteúdo dos nossos baldes e fico à espera das vossas dicas para aumentar ainda mais o que os nossos já contêm!

 

 

 

Mãe-terapeuta da fala ou terapeuta da fala-mãe?

Esta é a essência do blog: sou mãe, …sou terapeuta da fala! Antes de ser mãe, já era terapeuta, mas o papel de mãe é um dos mais importantes na minha vida! Sou mãe da Eva, quantas vezes “mãe” dos meus pequenos pelo amor e dedicação que lhes dirijo… é um misto de emoções! E por vezes é tão difícil dissociar estes papéis! Nas sessões, cada criança que acompanho vejo-a como sendo a minha filha! Sim, podia ser a Eva a estar daquele lado, a precisar de mim assim. Por isso não vacilo no carinho e atenção que lhes dou! Não há conta nem medida, apenas o objetivo máximo de lhes dar tudo o que daria à minha pequena. Só assim me faz sentido!

E depois penso na Eva a cada momento, na alegria que será quando chegar a casa no final daquele dia. O tempo que temos juntas nem sempre é na quantidade que eu queria, mas quando estamos reunidas, tento aproveitá-lo ao máximo. Cada segundo é “brincado” de forma intensa e divertida. Por vezes, é nas brincadeira com a pequena que me lembro de algumas atividades para os meninos que acompanho, … é com ela que várias vezes vejo o potencial de alguns materiais… e sabe tão bem! 🙂

Mas, na maior parte dos casos, é a pequena que se assume como cobaia! Acho que, nos últimos meses, não há material que compre que não seja primeiro testado por ela! Puzzles, encaixes, jogos, livros, … tudo! E não há feedback mais sincero que o de uma criança! Se a pequena ficar cativada, certamente as coisas vão correr bem quando usar aquele material nas sessões de Terapia da Fala.

Mas o inverso também acontece. E o que ela adora ir para o “quarto dos materiais”. Sim, terapeuta da fala que se preze tem o seu arem de jogos, a sua biblioteca pessoal, uma reunião infinita de cartões plastificados, … a Eva fica maravilhada! Sabe que lhe empresto os “materiais dos meninos da mamã”! E assim, aos poucos, lá vai percebendo que devemos partilhar, … que as coisas são para ser estimadas! Não brinca com um sem antes ter arrumado o outro! Por vezes, dou por mim a fazer com ela algumas das tarefas que faço com os pequenos, e sabe tão bem sentir que ela também aprende comigo! 🙂

É mesmo uma ligação, um fio que não se perde quando nos entregamos com o coração! Por isso digo, sou mãe-terapeuta, mas também terapeuta-mãe! É um orgulho imenso ver a evolução da Eva ao nível da linguagem e saber que as estratégias que usamos e as atividades que fazemos para a estimular mostram resultados todos os dias! É bom partilhar com ela o meu dia-a-dia e poder sentir nos materiais que vou usando nas sessões um pouco da alegria dela, com as memórias que me chegam do dia em que ela me pediu “aquele” jogo emprestado! Obrigada filha, obrigada meninos do meu coração! Sou mãe, sou terapeuta da fala, … sou feliz! 🙂

 

Como estimular a linguagem dos bebés?

Uma questão curiosa… e o nome do nosso workshop de hoje! Como mamã e terapeuta da fala, irei falar sobre este tema tão vasto e tão divertido na Bebés e Barriguitas, em Coimbra. Será já hoje, dia 11 de Março, das 10:00 às 11:30.

Estarão presentes mamãs, educadoras, …. e todos são bem vindos! Apareçam! 🙂 Todos estão convidados a embarcar nesta aventura! E o que vamos descobrir? Tantas, tantas coisas! Como podemos identificar sinais de comunicação nos nossos bebés, antes mesmo de surgir a fala? Como podemos estimular a sua evolução e crescimento? De que forma as rotinas do dia-a-dia podem servir para ajudar os mais pequeninos a evoluir na comunicação? Que tipo de brinquedos “caseiros” e com custos simbólicos podemos fazer nós mesmos, em nossas casas, quase sempre com materiais que temos e que usamos vulgarmente?

São estas algumas das dicas que darei, … levarei muitos materiais, muitos exemplos de atividades… mais do que um workshop teórico, preparem-se para as sugestões práticas! Tenho a certeza que no final, todos os presentes irão recheados de ideias, que logo quererão por em prática com os seus pequenos “comuniciadores”!

Algumas das dicas irei deixar-vos também aqui pelo blog nos próximos dias, em diversos textos e publicações! Fiquem atentos! 🙂 Se moram longe de Coimbra e gostariam de ter este workshop na vossa localidade, podem sempre entrar em contato comigo, pois podemos levar todas estas dicas até vocês!

Bom domingo, .. blá blá blá e miminhos!

Carnaval: diversão com amor e dedicação!

Sempre gostei do carnaval! Não por me mascarar, pois não o costumo muito fazer agora em adulta, mas pela cor e pela energia que emana entre os mais pequeninos com que trabalho. Nas últimas sessões de terapia da fala, temos feito várias máscaras, sempre com os temas da sessão: ou com a temática de alguma área da linguagem ou com os sons que estamos a aprender na fala! Tudo é um bom motivo para da uma nova cor e alegria às sessões.

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Mas, agora que sou mãe e tenho a Eva, o carnaval também se vive de forma ainda mais efusiva! 🙂 Quem sabe no próximo ano me mascaro com ela e vivemos juntas esta alegria e magia, nestes dias de folia e animação pura! O pai não é muito destas andanças, mas aqui as miúdas ainda hão-de aproveitar bem! 🙂

Acima de tudo, com a Eva, o carnaval ganhou mais um sinónimo para mim: o da dedicação e do empenho! A pequena tem ido mascarada para a escolinha, mas não com um fato comprado numa loja de disfarces. Não, o que ela tem levado tem amor em dose dupla, tripla, … eu sei lá! A verdade é que cada parte do fatinho é feita com a mais pura dedicação e cuidado, tudo para que a pequena sinta de perto todo o amor que guardo por ela no coração! Assim, este ano tivemos Minnie em dose dupla, e como, perguntam vocês? Pois bem, ontem tivemos  Minnie em versão vermelha, e hoje em versão cor de rosa.

O primeiro acessório são sempre as belas das orelhas e do laço, em duas bandoletes que comprei num bazar chinês por cerca de 1€! Depois, a Minnie cor de rosa, a de hoje, foi simples! Uns collants com corações e um vestido cor de rosa também com corações brancos! Um vestido que me custou 1€ na Primark, em saldos! 🙂 E assim , tudo pensado ao pormenor e com muito amor, lá foi a pipoca!

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O de ontem deu um pouco mais de trabalho, mas foi tão bom ver o resultado final. Um tutu vermelho, comprado no chinês por 2,5€ e uma camisola vermelha que já tinhamos em casa! Depois, uma folha de papel autocolante para impressão repleta de bolinhas brancas, muita paciência para o corte e para a colagem na roupa e, cerca de uma hora e meia depois, eis o resultado!

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A Eva andou super divertida e ficou tão feliz quando se viu ao espelho. Afinal, heróis e personagens que admiramos, todos temos, e ela não é excepção. A mãe fica orgulhosa e babada e não pensa sequer no tempo e na paciência, sobretudo dispendida com as bolinhas cortadas. O resultado final e o sorrisos estampados na cara da pequena fazem-me ganhar o dia e esquecer a noite mal dormida para a preparação de tudo isto! 🙂 Pequena Eva, é bom ver-te sorrir! 🙂

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O despertar da fala e da linguagem em bebés!

As primeiras palavras podem surgir em diversas fases do desenvolvimento dos bebés. No blog, em vários textos, já vos falei desta temática e a verdade é que a variabilidade entre as crianças é imensa. Uns dizem primeiro “mamã”, outros “papá”, … outros fogem à regra e chamam o nome da avó, do irmão ou irmã, do gato, … cada criança é um caso singular e nenhum tipo de comparação deve ser feito, nem mesmo entre irmãos, outros familiares ou amigos. As experiências e as vivências diárias são diferentes em cada bebé, por isso mesmo, os estímulos a que estão expostos vão determinar muito do que é o surgir e o evoluir da linguagem. Há bebés que começam a balbuciar com poucos meses, outros fazem-no mais tarde!

A Eva começou por dizer “papá” com cerca de 8 meses, … com o passar do tempo surgiu o “mamã” e actualmente já usa ambas as palavras de forma intencional. Por vezes, até chama “mapá”, quando nos quer aos dois por perto, no imediato! É tão engraçada!

Agora, quase com 18 meses, a explosão da linguagem está eminente! Lembram-se quando vos dizia, noutros textos, que os bebés são autênticas esponjas para o vocabulário a que estão expostos? Que tudo o que ouvem, mesmo sem falar, é vocabulário em potência, guardado e prontinho a ser usado quando as estruturas da fala se desenvolvem? Pois bem, as evidências começam a surgir aqui por casa. A Eva começou a diversificar a alimentação bem cedo, … atualmente já vai comendo de tudo um pouco e por isso mesmo, a exigência feita aos lábios, à língua, aos dentes e a todas estas estruturas que, diretamente, intervêm na fala é cada vez maior. Tudo é feito de uma preparação meticulosa e genial por parte da nossa natureza!

Constantemente a expomos a novas vivências, a diversos livros, vamos comentando o que vemos ao nosso redor e ela própria já aponta, um outro sinal da evolução da comunicação, quase como forma de nos pedir para que digamos o nome de tudo o que observa. É esta curiosidade e disponibilidade imensa dos nossos bebés que nos deve mover a descrever tudo o que temos à nossa volta. Há uns tempos atrás dizia a uns pais, numa sessão de terapia fala, com um menino ainda não-verbal, que temos quase de ser como os locutores daqueles programas da BBC Vida Selvagem, nomeando tudo o que temos nas nossas casas, o que usamos nas rotinas com os nossos pequenotes, … o que fazemos na cozinha, como cozinhamos o jantar, .. como lhes damos banho, o que lhes vestimos… é esse mesmo vocabulário que eles ficam a digerir e a guardar para mais tarde!

A Eva repete já muito do que nos ouve dizer, … aponta para os livros que tem e já vai dizendo os nomes das coisas que observa, tal como nós o faziamos meses antes, … Se lhe oferecemos um livro novo aponta para tudo e mais alguma coisa. Quer saber os nomes, … olha-nos nos olhos e olha para a nossa boca, tentando retirar o modelo. Esta é uma ótima dica que vos posso dar: digam aos vossos bebés o nome do que vêm em livros, na televisão, nas vossas casas, na rua,… digam-no de forma exagerada e lenta, permitindo que eles vejam como a vossa boca se mexe e como se movimentam a língua, os lábios, … a imitação é das melhores formas de aprendizagem!

E assim, aos poucos, somos surpreendidos com a Eva a dizer “um, dois, tês…”… “tato, cinco,…”. É uma delícia ver tudo ali, presente no seu dia a dia, .. coisas simples que fomos fazendo quando tinha ainda poucos meses, e que continuamos a fazer diariamente…

Ainda assim, a explosão da linguagem ocorre agora, … e mesmo os bebés que ainda dizem poucas coisas podem estar para despertar nesta fase, .. até aos dois anos, o surgir da primeira palavra ainda é aceitável. Depois, deve tentar perceber-se o motivo para que este início não tenha ainda sido possível. A opinião de um terapeuta da fala pode sempre ajudar! Para os bebés que já vão dizendo algumas palavras, e por aqui o crescimento no vocabulário é diário, é divertido ir observando o que fui aprendendo quando me formei em terapia da fala. Tudo o que está escrito nos livros é verdade, .. o que vou vendo diariamente no contexto clínico também acontece, em diferente escala, com os bebés!

A tendência das crianças, na evolução da fala e da linguagem, é sempre de simplificar, … há certos padrões que, em idades tão tenras são ainda difíceis de alcançar. Não espero que nesta fase, apenas com 17 meses, a Eva já diga palavras com o som /r/ ou com o /l/. O limite para que estes sons surjam são os 4 anos e meio, cinco anos, … mas há coisas que facilmente se percebem. Há palavras em que são omitidos sons iniciais, algumas sílabas, … sobretudo quando as palavras são maiores. A nossa gata, a Liz, por vezes é só apenas a “Iz”, mas há ali intenção comunicativa clara! O Trilo é “ilo”, ou “Tilo”, .. mas já é tão bom de ouvir estas tentativas tão fofinhas e com uma voz tão meiga. A “banana” por vezes ainda é “nana”, mas a palavra já tem três sílabas e neste caso ainda é comum que uma delas seja suprimida!

Com o tempo, com a nossa ajuda e com a exposição a muitas e muitas novas experiências, a linguagem e a fala continuarão a florescer, … os nossos bebés continuarão a crescer e nós, papás e educadores, a deliciar-nos com as suas conquistas e proezas, dia-a-dia, hora-a-hora, minuto-a-minuto! E aí por casa, que palavras já vão dizendo os mais pequeninos? Partilhem connosco esses tesourinhos que, mais tarde, tanto gostaremos de recordar!