Natais de ontem… Natais de hoje!

Por mais que os anos passem, a magia do Natal não se perde, … seja ela focada em que pormenor seja. De uma forma ou de outra, Natal é sempre sinónimo de estar em família, seja ela composta por dois, três elementos, ..vinte, cinquenta… o importante é estar, é sentir!

Não, não sinto que a magia se perca com a idade, … de uma forma ou de outra, ela vai-se transformando, é apenas isso que sinto. Há uns anos atrás, especial era a sesta que fazia a meio da tarde, … sem ela o Menino Jesus e o Pai Natal não vinham lá a casa! Enquanto isso, na cozinha, a azáfama da minha mãe e da minha avó era para porem o bacalhau, as batata e as couves na panela. Para fazerem a sopa de Natal, com o pão deixado no final, bem abafadinho! Que saudades desse petisco! Ainda hoje, seja onde for, por mais simples que seja o migar de pão na sopa, que não costumo fazer por norma, mas que de quando em vez faço para relembrar cheiros e momentos de outros tempos, .. é sempre a “sopa de Natal” que me vem à memória!

Com os anos perderam-se pessoas especiais, … umas que permanecem no pensamento e no coração, … outras que se foram de vez! Umas que foram por decisão da vida, … outras que tomaram a decisão da sua vida, … Cada uma delas ocupa o devido lugar no meu pensamento e coração! Umas foram pela força dos tempos, … outras escolheram ficar! Outras chegaram, felizmente! Com elas trouxeram nova luz, novas gentes, novas tradições, momentos, gargalhadas e sentires. Obrigada Carlos, por tudo o que acrescentas em mim! Outras nascem e chegam carregadas de energia positiva, de luz verdadeira e doce… minha Eva, quão doce e perfumada é a vida contigo!

Hoje, os natais são mais conscientes! Sei perfeitamente onde e com quem quero estar! Sei realmente quem quer estar perto. O Natal deste ano ganhou uma magia nova… não melhor que a de antes, mas ganhou um novo sentido… um novo vínculo de família. Pela primeira vez conseguimos reunir na mesma mesa as pessoas que em anos anteriores ficavam amigavelmente “cá” e “lá”! E nós, que antes andávamos “cá” e “lá”, porque queríamos estar com as famílias “dos dois lados”, este ano conseguimos juntar “a família”! E fez tanto sentido! Pois a realidade é que é assim que a vivemos!

Não, … o Natal de ontem não teve o programa de espetáculos que antes fazia, … a família cá em casa tinha direito a Sarau de Natal… eu cantava, dançava, tocava órgão, flauta, … e oferecia mesmo um programa escrito, como mandava a tradição! Tinha magia à sua maneira. Mas ontem, a estrela da festa foi a nossa pequena. Também ela canta, dança, sorri, … e assim vamos ganhando novas tradições! O soar da sineta do pai natal, … o descobrir em que lado as badaladas soaram e saber que porta deveriamos abrir para descobrir um novo presente… a vontade em estar connosco, em partilhar aquele livro especial, aquele jogo que lhe prendeu o olhar! Minha Eva… tão feliz que és, … tanto que temos a aprender contigo!

Sem dúvida, … a magia continua a acontecer, … ela perdura no tempo… molda-se aos novos tempos, aos desafios que nos chegam! Melhor? Pior? Não sei, … alegre e feliz foi, certamente! Que mais anos assim venham… nada mais posso pedir! Boas festas a todos… acima de tudo, que nunca se perca esta essência! Natal sem consumismo, … Natal da Família… o Natal do Estar, do Dar-se, … apenas e só isso, nada mais!

Brinquedos de menino e de menina?!

Sou apologista do brincar, do passar tempo com os filhos e com as crianças no geral, ou não fosse isto que preenche os meus dias enquanto mãe e terapeuta da fala. Aprender faz-se brincando. A construção da personalidade faz-se também por entre jogos de casinhas, em brincadeiras de “pai” e de “mãe”, de “professor” e “aluno”. Todos podemos ser o que quisermos quando brincamos. E digo-o e defendo-o mesmo em adultos. Todos os dias tento dedicar tempo a brincar com a Eva, com os meus meninos… rara é a sessão em que não temos um jogo ou uma atividade mais lúdica, e eles adoram. Já há uns tempos, como aqui partilhei no blog, uma pequena me dizia que quando fosse grande, queria apenas brincar! Quem de dera que os nossos dias fossem isso mesmo: com momentos para brincar, perante todos os desafios que vamos superando, quer no trabalho, quer a nível familiar e outros.

Enquanto somos crianças, brincamos às casinhas, aos pais e às mães, mas os supermercados são sempre locais maravilhosos onde o pagamento é feito com moedas imaginárias que passam de mão em mão, ou cartões de multibanco que fazem apenas um “click-click” … e fica tudo pago. As casinhas não têm contas para pagar e somos todos mais felizes! Que nunca se perca este espírito, é sempre o que defendo.

Mas hoje, para além desta reflexão, falo-vos também do brincadeira no sentido desprendido de género, … para que se acabe de vez com as chamadas “brincadeiras de menina” e “brincadeiras de menino”. Longe vão os tempos em que eram os homens que trabalhavam e as mulheres cozinhavam. Cá em casa, o exemplo é outro. Tanto eu como o Carlos trabalhamos e fazemos a vida de casa. A louça e a roupa são tarefa de ambos, o passar, o limpar, … tudo isso é visto pela Eva! Ora, o exemplo tem mesmo que vir de tenra idade. E ela adora ajudar! Adora pegar na esponja da louça e, em cima de uma cadeira, ficar na banca ao lado da nossa enquanto lavamos os pratos. Adora pegar no aspirador e imitar o som! Quando nos vê a varrer, vai logo buscar a vassoura em miniatura! E se pensam que só a dirigimos para este tipo de tarefas mais caseiras, ainda há uns tempos lhe comprámos propositadamente um carrinho de brincar! Para nós, brincar às casinhas, com as louças, com carrinhos, com pistas, com comboios e aviões é para meninos e meninas, e é isso que tentamos incutir na pequena.

É isso mesmo que incentivo com os meus meninos! Haverá melhor para o jogo simbólico do que ter este tipo de brincadeiras? O som do chá a ir para a chávena (“chhhh”) que tantas vezes fazemos, …o “nham, nham” de quando imaginamos comer o bolo mais delicioso … o brincar ao faz de contas, … quanto é que os pequenos aprendizes não ganham em termos de novos sons, novas dinâmicas? E nós sabemos o quando eles adoram sentir-se mais adultos e crescidos. A imitação é, por natureza, um dos melhores processos de aprendizagem. E é por isso que em imensas sessões levo comigo o há muito chamado “saco das comidas”. A Eva brinca com ele em casa, os pequenos nas sessões de terapia da fala também. Tem alimentos em miniatura, tem copos, talheres, pratos, .. o vocabulário que é possível trabalhar é tanto. E os carrinhos e as motas que vão quer para meninos, quer para meninas? O “vvvvv” do avião, o “brrrr” do carro!”, o “drum drum” da mota, … sons e sons sem para! Estimulação para a fala, para a linguagem… um sem fim de ideias!

E se tiverem que oferecer um balde e uma esfregona a um menino, porque não? Certamente eles irão adorar, ainda que os pais possam ficar chocados numa primeira abordagem. Mas é isso mesmo que queremos também: despertar e mudar consciências. Porque é que uma menina não pode receber um carro, nem que seja o carro da barbie, ou mesmo um do Faísca McQueen que eles tanto adoram! Muitas vezes, é mais um pretexto para brincadeiras aos pares, pois sabemos que os interesses partilhados despertam em muito o lado social! Deixo a reflexão, … quem sabe, numa próxima compra de presentes de aniversário, não tentamos um pouco passar o tabu e os mitos da sociedade atual. Mais um desafio que vos deixo! 🙂

O poder dos afetos

Há momentos que fazem o nosso dia, que ficam na memória e que nos tornam melhores. Há pessoas que se cruzam no nosso caminho e não é em vão, … mas o melhor mesmo, é quando nós mesmos fazemos diferença no caminho menos feliz de alguém.

Queria ter partilhado esta passagem com vocês ainda na sexta-feira, o dia iluminado em que tudo se passou, mas o trabalho, a dedicação aos meus meninos (os do trabalho e os de casa!), estiveram em primeiro plano, … mas hoje, cá estou eu para abrir o coração e partilhar as pequenas coisas mágicas da vida.

A sexta-feira é só por si um dia agitado, repleto de trabalho, e agradeço todos os dias isso mesmo. Sou abençoada por estar rodeada de gente sorridente, no rosto e na alma, e fico muito feliz quando consigo puxar ainda mais esses sentimentos positivos. Mas o dia já tinha ares de ir ser bom, … ia estar mais calma e com mais tempo para o Carlos e para a Eva ao jantar e ao serão, … e ainda a consegui ir buscar à creche! 🙂 O meu coração rejubila quando isso acontece, … dou tudo por aqueles 2 ou 3 segundos em que chego à porta da sala e os nossos olhares se cruzam. Logo um grande sorriso se abre no seu pequeno rosto e os seus braços abrem-se para mim! Todo o mundo num ser tão pequenino, é possível sim!

E o meu dia já seria tão, mas tão feliz assim! Não posso pedir mais nada… Mas ainda conseguiu ser mais especial. Quem diz que nas pequenas coisas se encontra muito tem razão. Este dia foi ainda feito do abraço apertado na barriga vindo de um pequeno que nem conhecia, mas a quem apenas perguntei se estava com dor de barriga, quando o vi sentado num banco de uma escola onde trabalho, … estava com um semblante carregado e com uma caneca de chá na mão, … respondeu-me envergonhado, … mas quando regressei com outro dos meninos e nos voltámos a cruzar recebi aquele abraço, repentino, quente e sentido! Soube depois que era um menino sírio, recém-chegado, … o meu peito apertou-se, imaginando tudo o que aqueles tristes olhitos já tinham visto. Que luz me invadiu naquele momento! Eu fiz o dia dele, mas ele fez também o meu.

O dia não ficou completo sem as lágrimas do “meu” senhor Henrique, lágrimas de alegria após uma conquista nos seus exercícios faciais! Vamos voltar a falar, ai isso é que vamos! E ao serão, o tão esperado colo, os mil e um abraços, com pai e filha, … obrigada aos dois, por terem sido “a cereja no topo do bolo”, a “estrela no cimo da árvore”, … o aconchego feliz dos meus dias! Obrigada a todos, … obrigada vida!