“Monstros Musicais” – histórias com os meus meninos do coração

Há tanto tempo que não vos trazia uma aventura da saga “histórias com os meus meninos do coração”… pois bem, mais uma vez com a inspiração do nosso Patrício, um menino que acompanho em sessões de terapia da fala, e o seu jeito doce e fantástico de representar tudo o que lhe vai na imaginação… aqui ficam os “Monstros Musicais”.

Os dias corriam serenos numa terra distante onde um grupo de amigos vivia bem escondido nos subúrbios da cidade. Eram seres diferentes, coloridos, animados, divertidos, irreverentes e cheios de alegria de viver. A cor preenchia-os por dentro e por fora… os sonhos eram respirados como o ar dos dias, … a sua vivacidade era grande e os desejos de viver no “mundo de todos” era mais que muito… mas eles eram apenas monstros, .. pequenas e doces criaturas em modo arco-iris… mas “apenas” monstros! Quando poderiam eles ver a luz do dia sem julgamento, sem medos.. sem terem de andar sempre camuflados por algum lugar, com adereços e acessórios “humanóides”? Só queriam poder habitar aquele mundo de pessoas, passear pelos jardins e pelos parques, sentir o vento fresco e ver o pôr-do-sol.. serem livres e usufruir da vida, na sua plenitude máxima, … mas eram apenas “monstros”…

Para além de tudo isso, eram apaixonados pela música, … tinham-na ouvido pela primeira vez numa saida ao “mundo de todos”. Foi algo que entrou, … que ficou, … que lhes estava na memória e no coração. Era algo fluido e doce, lento e sereno, … que lhes fazia o coração bater ainda mais forte e lhes fazia ter ainda mais vontade de viver, … e de viver ali! Cada um aprendeu a tocar o seu próprio instrumento musical!

Sonhos, sonhos e mais sonhos, … e a vida corria! Corria… e estavam no mês de Fevereiro do ano 3333… um ano fantástico para escrever uma história de “monstros” no “mundo de todos”, não acham? Pois bem! Pausa!!! É aqui mesmo que a nossa história de passa! Muito, e muito, e muito, e muito tempo depois do nosso “era uma vez…” em 2020.

Era fevereiro, e era Carnaval. Ora, que melhor altura para os nossos seres pequenitos sairem dos seus esconderijos e viverem novas aventuras no “mundo de todos”? Pois claro, … como é que em tantos anos ainda nenhum deles se tinha lembrado que, naquela altura do ano as suas aparências malucas e bizarras seriam consideradas normais? Quem sabe receberem mesmo o prémio do melhor fato… do melhor disfarce… da melhor máscara? E assim foi! Decidiram sair em bando, todos juntos, como se de um corso de carnaval se tratasse. Todos os olhavam com espanto comentando: “Que fatos do outro mundo!”, “Que disfarces maravilhosos!”… “Uau, olha o equilíbrio daquele ali!”… “E as antenas daquele tipo, onde as terá comprado?”… “Aquele disfarce de caranguejo é mesmo realista!”…

Não havia quem não ficasse espantado com as indumentárias frenéticas! Os monstros estavam orgulhosos de si mesmos! Nunca tinha sido tão fácil andar no meio dos humanos do “mundo de todos”. E sem trabalho nenhum em se disfarçar! Aos poucos iam ouvindo música, … ai, a música! Nada melhor que juntar tudo naquela alegria real! Eles eram imensos, mas todos adoravam música… cada qual tocava um instrumento diferente! Cordas, sopro, teclas, … uma verdadeira orquestra de cor.

“Não… a banda não vem!”. “O quê?” – perguntou aflitíssima uma outra voz que iam ouvindo ao longe, ficando cada vez mais perto enquanto se aproximavam do recinto do Baile de Carnaval”! “E o que vamos fazer agora?”- insistia a mesma voz – “As pessoas devem estar a chegar para o baile! Ficámos sem banda, … que vai ser de nós?!”.

Foi o que o bando de monstros quis ouvir! A melhor oportunidade de toda! A junção de todos os sonhos… a soma de todas as alegrias… a proporção certa de aventura e concretização!

“Ei… nõs podemos ajudar!” disseram todos juntos. “Mas, vêm para a festa? Tão cedo?” – perguntou a voz, cada vez mais atrapalhada – “Ficámos sem banda para o baile!” – disse-lhes tristemente. “Não se preocupe” – disse um dos monstros – “Nós somos os “Monstros Musicais” e vamos ajudar a animar esta noite!

E assim foi! Cada qual tomou o seu instrumento, assumiu o seu lugar e começou a festa. Tocaram a noite inteira, divertiram-se, foram eles, mais que nunca, sem medos, sem reservas, sem receios! Um deles acabou mesmo por ganhar o prémio da “Melhor Máscara”! Foi o melhor Carnaval de sempre, o melhor dia de toda a vida de cada um deles… e sabem que mais? Já só pediam para que chegasse novamente o Carnaval, para poderem viver novamente aquelas aventuras, sem disfarces, sendo apenas eles próprios. Carnaval de 3334… venha ele! 🙂

Parada Disney: um espetáculo que recordamos para a vida! (Disneyland Paris XII)

No meio das nossas aventuras pela Disney que temos partilhado com vocês, e por entre todas as dicas que vos temos deixado, há mais uma coisa fantástica que não podem perder e que recomendamos a todos os que planeiam esta viagem de sonho. Todos os que aguardam a visita a este mundo mágico sonham em ver o espetáculo final, com o fogo de artifício, mas a Parada Disney também carrega tanto encanto!!!!

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Não estava nos nossos planos assistir a ela no primeiro dia de visita, mas a verdade é que, por voltas das 17:00, começámos a ver ser fechado um perímetro de segurança. Logo percebemos que iria em breve começar um espetáculo. “O” espetáculo! 🙂 17:30, como nos informaram em seguida. E assim, logo na fila da frente, e perante a possibilidade de o ver ali com toda a visibilidade, resolvemos esperar aquela meia hora.

Como já partilhámos com vocês noutros textos, trouxemos sempre comida e bebida connosco: água para todos, para estarmos hidratados, fruta, frutos secos, sandes… e ali mesmo, enquanto esperávamos, e sem perder o nosso lugar, fomo-nos abastecendo com novas energias.

A magia chegou depois, já com muita gente ao redor da praça magnífica. E começaram a surgir as personagens, os carros, … havia brilho e música por todo o lado. Músicas que tão bem conhecemos. Dos mais crescidos aos mas pequenos, todos as cantavam, todos chamavam pelos seus ídolos e personagens do coração.

Vinha o carro do Livro da Selva, da Bela Adormecida, as personagens do Frozen, do Toy Story, do Nemo, a Rapunzel, a carruagem da Cinderela e do seu príncipe, a abertura com a Marry Poppins… príncipes e princesas, … o Pato Donald, o Rei Leão, … de tantos e tantos contos que conhecemos desde a infância. Aquele tempo passa a correr.  E ainda são uns 15 minutos de desfile! E, sem querer, somos invadidos pelas memórias mais doces da nossa infância. Somos percorridos pelos sonhos mais incríveis.

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Já sabem, planeando a visita ao mundo dos sonhos, em paris, não deixem de reservar o momento para ver a Parada Disney, sem dúvida que o que guardamos na memória tem um aroma magnífico. E não é que só de vos escrever, já sinto uma certa nostalgia, … e tantas saudades!!!!!

 

A música e as emoções… aos olhos da pequena Eva!

A quinta feira foi um dia de coração cheio, de muitas emoções, … de todo o tipo. Mas o serão não podia ter sido mais enriquecedor e ternurento. Fomos, pela primeira vez nestes dois anos e meio, a um concerto todos juntos. Tanto que o queríamos fazer há muito, mas infelizmente nem todos os locais o permitem! Desta vez, foi diferente.

Enviámos email ao TAGV (Teatro Académico de Gil Vicente) e logo nos permitiram a entrada da pequena, ainda que ficando ao colo. Nada contra, mais uns momentos de mimo, de colo e de ternura, que valeram por tudo. O concerto era pela paz, pelos direitos humanos… Coro Sinfónico Inês de Castro! Majestosos espetáculo, com todo o mérito aos intervenientes. Há muito que não me deixava assim levar pela emoção da música, pelo som, pelas intensidades, pela harmonia das vozes e o seu entrelaçar feliz com todos os instrumentos, … durante tanto tempo foi ali que cresci! No meio do coro, das orquestras, dos festivais da canção infantis da escola de música que frequentei durante quase vinte anos, … o burburinho do palco, o nervoso miudinho, o peso da responsabilidade e o prazer dos momentos de apresentação ao grande público. Que saudades de todo aquele frenesim!!!

Várias vezes me arrepiei, quer pelo tema, quer pelas lembranças felizes de uma infância e juventudes passadas no meio da música e de todos os seus afazeres felizes. Sou grata a esta educação que tive, … a este caminho que tracei.. a todos com quem me cruzei. Saber que hoje posso partilhar isso com a Eva deixa-me ainda de coração mais aquecido!

E ela vibrou! Delirou com tudo! Os sons, as pessoas, os instrumentos, as imagens que passavam num ecrã, no grande palco. Os olhos enchiam-se depressa de mais, ela queria absorver tudo: cada som, cada passo, cada vez que os solistas se abeiravam da frente do palco, os movimentos do maestro… Sinalizava com expressões faciais e corporais fortes cada mudança de andamento e cada intensidade mais forte, sobretudo da percussão e dos metais. Estava rendida … uma estimulação variada, mas tão harmoniosa, que lhe tomou conta dos sentidos durante cerca de uma hora e meia, uma hora e meia grandiosa, de tanto para contar!

Estava petrificada, com olhar atento e quase nem pestanejava. Colheu cada emoção, verbalizou isso tantas vezes! “Tenho medo mamã e papá!”. E via-a olhar com compaixão para as crianças que o vídeo ia mostrando… aquelas que, como lhe dissemos, eram “os meninos que não tinham comida”, como tantas vezes a alertamos.

E foi assim, do início ao fim, sem desligar daquela nova realidade, sempre reagindo aos medos, aos momentos mais serenos, que o concerto chegou ao fim. Teve magia,… a magia do nosso primeiro concerto “à seria”! A magia de um momento magnífico em família, … que prazer ver a satisfação no seu olhar, nos olhos do pai que a teve quase sempre ao colo vivendo tudo isto ainda mais intensamente.

Obrigada filha, … contigo, tudo se torna ainda mais especial!

Alternativas ao uso do tablet e telemóveis com os mais pequeninos!

Fico abismada quando vejo bebés e crianças já de tablet e telemóvel nas mãos. Às vezes são tão pequeninos que nem os conseguem ainda pegar, mas há sempre qualquer coisa que os apoia na mesa onde almoçam ou no espaço onde deveriam brincar. O pai, a mãe, um tio, um amigo, um irmão, … todos se voluntariam para os expor à tecnologia desde bem cedinho. Parece até que é já obrigatório que os miúdos tenham de ver o Panda, a Masha ou a Patrulha Pata enquanto comem, ou serão inferiores aos filhos dos amigos se não o fizerem.

Que orgulho desmedido sinto na voz de alguns pais quando dizem “Ai, ele adora o Panda! Come a sopa toda enquanto vê os vídeos!”. Boa mamãs e papás! Que bom! Mas, durante quanto tempo? O bebé está disponível para descobrir o que come? Está receptivo para os novos sabores, paras as novas texturas? Estará alerta para um possível engasgo e sua resolução? Fica a reflexão.

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E o atraso de linguagem que já se prova existir em crianças que usam estes dispositivos desde os primeiros meses e mesmo dias de vida? A sobreestimulação a que estão sujeitos? Tudo isto deveriam ser dados a ter em conta! Sim, é mais fácil e cómodo, … as refeições demoram menos tempo, os pequenos ficam mais sossegados, … isto a curto prazo! Mas, como será a longo prazo? Sim, porque depois eles ganham vontade e nós já pouco mandamos em relação ao que eles vêm! O que parece muito engraçado ao início, e nos alivia, depois torna-se desconfortável. É verdade, porque para mim não é normal que enquanto os pais e familiares almoçam ou jantam uma criança esteja completamente alheada do mundo e de todas as pessoas, apenas focada num ecrã! Falta de educação mesmo, é o que acho pessoalmente! Longe vão os dias em que reunir-nos em redor da mesa era um momento sagrado de partilha, de diálogo, … Hoje em dia, se for preciso, há um telemóvel ou mais por pessoa, para miúdos e graúdos, … cada um fechado no seu “imenso mundo virtual”! Que pena, ..que tristeza, …

Nós, tentamos sempre rebater esta realidade. A pequena nem pede, pois não conhece… sabe que o telemóvel é da mamã ou é do papá, .. que não deve mexer, … poucas vezes a ele tem acesso, e quando tem, parece que fica elétrica, completamente alterada. É estímulo a mais, não podemos permitir!

Assim, enquanto nos sentamos num restaurante e a maior parte das mesas tem adultos e crianças absorvidas na tecnologia, nos vamos à mochila da Eva e fazemos magia. Sai livro pequenino, … do corpo, das frutas, das formas, … com janelas, sem janelinhas, … (Muitas dicas aqui, com a marca que representamos, com livros desde 0,75€ – podem encomendar na página – https://www.facebook.com/media/set/?set=a.2048612938485926&type=1&l=d304356baa)! E então nós rimos, perguntamos, … brincamos, sorrimos, … estamos ali, a dois, a três, unidos em redor de algo que nos enriquece e nos faz passar tempo juntos!

Depois saem os pequenos lápis de cor, … o livro de pintar em miniatura, … ou colorimos as bases de papel que estão na mesa, … desenhamos o sol, as árvores, o céu, os pássaros, .. aprendemos novas palavras, conhecemos o mundo, … Do outro lado, de algumas mesas, outros pais olham para nós como se nós é que fossemos os estranhos, … e somos, … nos dias que correm, parece que somos! Mas não me importo!

Um livro, uma pequena caixa de lápis, preenchem muito mais os momentos em família,… e os guardanapos viram fantasmas, com pequenos olhitos e boca, … e imitamos com eles vozes fracas, fortes, … de menino ou de menina, … misteriosas, curiosas, assustadas…. Que melhor para alimentar a imaginação, para dar asas à criatividade e não alimentar a dependência dos mais pequenos das tecnologias?

É tempo que aproveitamos com eles, … tempo em que largamos também nós os nossos telemóveis. Em que somos só nós e eles, as nossas brincadeiras, a nossa cumplicidade. Arrisquem. A refeição é mais chata, menos confortável? Mentira! Será ainda mais animada e eles ficarão felizes por todas estas partilhas. A vantagem? Livros e lápis não ficam sem bateria e não consomem dados! 🙂

 

Uma “esponja” chamada cérebro infantil!

Verão à porta, e blog mais ativo. Pelo menos assim o espero, é esse o meu desejo, de hoje e de todo o ano, mas os afazeres de mãe e enquanto profissional nem sempre deixam o tempo suficiente que gostaria de dedicar a este nosso cantinho especial. Vou sempre respondendo às vossas mensagens e comentários, partilhando descobertas, mas prometo que os textos e partilhas vão ser ainda mais frequentes.

E hoje venho falar-vos de uma teoria de que há muito vou recolhendo provas: que os cérebros dos nossos bebés e crianças são verdadeiras “esponjas”. Uso essa expressão várias vezes, desde há muito na minha prática enquanto terapeuta da fala, e mais recentemente, como mãe, tenho comprovado isso mesmo com a Eva, desde os primeiros dias e desde as primeiras interações, mesmo com dias. Sim, apenas com dias de vida! Julgo até que já há um grupo de pais e de educadores com que me cruzo que usam a expressão como se fosse uma expressão científica, mas é apenas o resultado do que vamos vendo no dia a dia, o que tem sido o motor do sucesso de muitos dos casos que partilhamos e acompanhamos em conjunto.

A ideia é mesmo essa, a da esponja, de banho, de cozinha, qualquer uma, … sedenta de àgua! Os cérebros dos nossos pequenos também eles nascem assim, com sede de saber, de conhecer, … de beber cada experiência e cada acontecimento. Vários são os textos que já partilhei com vocês aqui no blog sobre o desenvolvimento da linguagem infantil e de como podemos estimular para isso mesmo, e esta é sempre a base. Desde cedo que falava com a Eva de igual para igual, desde os primeiros dias… explicava as rotinas, perguntava, explicava… descrevia o mundo e as coisas ao nosso redor, … mesmo perante os olhares de estranheza de muitas pessoas à nossa volta. Mas a verdade é que os frutos que colhemos foram observados desde muito cedo  e em boa quantidade. A pequena fala pelos cotovelos e todas as experiências têm contribuído para isso mesmo.

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Palavras, expressões que usamos, … tudo surge em algum momento. E a capacidade de memorização deles é incrível. Havia uma música que várias vezes cantava à Eva, … inventada por mim, nas nossas partilhas de amor e carinho mais profundas… nela repetia várias vezes e com diferentes entoações o nome que tão carinhosamente uso com ela: “Sininho”. Isto desde os primeiros dias de vida, quando estávamos em casa, em licença! A verdade é que a pequena cresceu, o nome manteve-se mas, sem saber bem porquê, durante algum tempo não lhe cantei a canção. Outras surgiram e aquela foi ficando guardada na nossa memória. E na dela, oh se ficou!!! Bastou ver um dia o Peter Pan e dizermos-lhe que uma das personagens era a Sininho para a pequena entoar logo ali a canção! Ficámos abismados! Como era possível ter ido associar a ideia e recordado a canção? É verdade, é isso mesmo, o poder da super esponja cerebral.

E outras provas existem, e partilho-as enquanto mãe e profissional. Ainda no outro dia falámos de um assunto à saída da creche. E por ali ficou. Continuamos o caminho, fomos fazer recados, continuamos com as nossas conversas de mãe e filha e, quando chego quase à porta de casa a Eva volta a falar do assunto pois viu mais um carro “verde”, os que tinhamos começado a procurar quando saímos da creche. O poder de recuperação de memórias deles é mesmo incrível!

E aqueles meninos que acompanho que poucas ou nenhumas palavras diziam? Oh, outra maravilha a partilhar! É tão engraçado quando os pais nos dizem que eles vão usando algumas expressões e, ou eles ou eu própria, as reconheço como expressões que costumo usar com eles em sessão? Que alegria que me dão! Ainda esta semana uma mãe me enviou uma pequena lista das palavras que já ia ouvindo com o seu pequeno, em casa. Um menino que quase nada dizia. Qual não é o meu espanto quando, grande parte dessas palavras resultaram de atividades em sessão, e do excelente trabalho que os pais vão fazendo também em casa como forma de continuidade dos objetivos da sessão. Mais uma prova deste facto.

O cérebro guarda, armazena, classifica, retém tudo nas suas “gavetas” magníficas. Nós, pais, educadores, terapeutas, professores, somos os seus guias iniciais, orientamos e ajudamos em todo esse processo. Quanto melhores guias formos, quantas mais experiências enriquecedoras proporcionarmos aos nossos meninos, maiores serão os ganhos. Lembrem-se sempre: alimentem a esponja que há nos vossos pequenotes, pois com a idade, ela mostrará que é bem pesada, e não apenas uma simples esponja esburacada. Ainda assim, estará sempre sedenta de mais e mais conhecimento, pois é na partilha que juntos, vamos construindo a sabedoria. E assim, ganha a linguagem, ganha o desenvolvimento cognitivo dos nossos pequenos heróis!

Estimulação da linguagem em bebés!

 

Já há uns meses, num outro post do blog, vos deixei algumas dicas e sugestões de como estimular a linguagem dos nossos bebés! Na altura, a Eva era ainda muito pequenina, e o que sugeri nesse momento servia mais para ir criando a memória para a linguagem, uma memória que, mais tarde, seria reavivada e renascida com o surgir das primeiras palavras e com o evoluir da sua competência linguística.

Pois bem, essa altura começa a chegar e, sem dar conta, a pequena quase com 11 meses já vai dando um ar da sua graça no que toca às palavras: “papá”, “mamã”, “bebé”, … é maravilhoso assistir a este crescente do seu “dicionário” pessoal! Assim, mais do que ir descrevendo o meio e de criar pequenos diálogos com os pequenotes, aos quais eles não respondiam tanto, nesta fase, eles começam já a dar as suas respostas!

Seja um som isolado, uma sequência repetitiva de sons ou mesmo um amontoado de sons sem significado aparente, uma expressão facial ou um pequeno grito, tudo é fonte de comunicação. É nesta fase que os nossos bebés começam a perceber que, por meio da sua interação, nos influenciam positivamente a seu favor, pelo que ganham o gosto em comunicar, procurando incessantemente a nossa atenção. Nós, como pais e educadores, não devemos defraudar as suas expetativas e devemos estar atentos, dando-lhes resposta às suas iniciativas comunicativas.

O bebé aponta algum objeto ou elemento do meio? Provavelmente espera que lhe digamos o seu nome ou que o descrevamos. Que lhe expliquemos para que serve, como se usa, … que o deixemos tocar-lhe até, se assim for possível!

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Introduzimos um novo alimento ou um mesmo alimento já cedido, mas com uma nova consistência? Porque não dar a conhecer ao bebé o seu nome, dizer-lhe de onde veio, onde foi comprado, … não, não é absurdo, é informação que eles vão ouvir e guardar verdadeiramente! Cada vez mais, os reflexos destes diálogos serão visíveis!

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O bebé gosta de ouvir música? Dê-lhe a oportunidade de a ouvir várias vezes por dia, de vários tipos, … infantil, clássica, … ajude-o a bater os tempos, a imitar pequenas sequências, a bater palmas quando cada canção termina, … competências de consciência fonológica, por exemplo, podem sair a ganhar com tudo isto. Se a criança souber “bater” a cadência de uma música, mais tarde poderá lembrar-se disto quando lhe pedirmos para contar as sílabas de uma palavra, batendo palmas ou batendo com a mão na mesa, uma pancada por cada sílaba contabilizada.

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Ouvir a história antes de adormecer deixa-o mais atento que nunca? Ótimo! Toca a contar histórias sempre que possível, mostrando-lhe as imagens, deixando-o tocar as páginas, … os livros de cartão são perfeitos para esta fase. É tão engraçado ver os mais pequeninos a folheá-los com as suas pequenas mãos! Diga-lhe o que vê, o nome dos animais, dos frutos, dos objetos, … compare-os com os objetos reais e dê-lhos para a mão para aumentar a realidade mostrada e todas as possibilidades de exploração! Assim, de pequeninos, fazemos os grandes leitores do futuro!

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O seu bebé gosta de “conversar” consigo? Nunca deixe de lhe responder e de interagir com ele! Nem que seja apenas com uma pequena frase ou mesmo uma palavra! Sorria-lhe, … fale, … todas as formas de expressão contam! E se ele bater palmas, bata também! Cantem uma canção em conjunto… sejam felizes, da vossa forma tão própria e tão característica!

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Mais tarde, quando os pequenos forem já crianças, adolescentes, adultos, colherão todos os frutos semeados nesta fase das suas vidas, … será destes momentos que viverá a vossa memória e de que se alimentará a sua imaginação. Partilhem, crescem juntos, … e a linguagem crescerá também!

Atividades em família com o bebé!

O tema de que vos falo hoje é um pouco diferente das questões culinárias dos últimos dias. Mas ainda esta semana espero partilhar uma nova receita de papinhas caseiras, também para os bebés logo a partir dos 4 meses! E os vídeos com o passo a passo de algumas das receitas também vão começar a ser idealizados e gravados!

Mas hoje, e ainda com a inspiração do Dia do Pai que ontem festejamos pela primeira vez, já com a Eva nos braços, venho falar-vos de alguns programas que podemos fazer com os nossos pequenotes, em família! Fico particularmente triste quando até gostava de ir a algum sítio, evento ou espetáculo em família, com a Eva e com o pai, mas a idade mínima de entrada são os 6 anos. A Eva até se porta bem nestes sítios e contextos novos, motivada pela curiosidade e pela novidade dos locais e das pessoas, por isso tenho mesmo pena de, para já, ainda não podermos partilhar estes programas. Mas, felizmente, aqui na nossa cidade, em Coimbra, já começa a haver atividades pensadas e dinamizadas para toda a família. E tenho a certeza que, pesquisando bem e estando atentos à divulgação, sobretudo em páginas de facebook e outras, podem te acesso a várias outras iniciativas, mesmo na vossa localidade, sobretudo em centros urbanos!

Destacarei três locais aqui em Coimbra que nos presenteiam com estes programas!

Exploratório – Centro de Ciência Viva

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No Hemispherium, o planetário do Exploratório, durante todo o mês de Março, ao fim de semana, pelas 15:15, tem sido projetado o vídeo “Astronomia para Bebés”! Ontem fizemos uma surpresa ao pai e fomos os 3! É delicioso, para nós e para eles! Ficamos todos tão relaxados! O cenário é maravilhoso! A projeção das estrelas, dos planetas, das nuvens que parece que caem na nossa direção, … e nós deitados em puffs, no chão, totalmente relaxados, com a pequenita ao lado, a olhar para o teto arredondado! De vez em quando ouvem-se gargalhadas dos miúdos e gritinhos de alegria! Que felicidade a deles, … e nós, pais, ficamos tão orgulhosos! A projeção demora cerca de 23 minutos, mas por mim ficava lá, no mínimo, mais uma hora! 🙂 O preço para dois adultos é de 8 euros, tendo os bebés entrada gratuita! No próximo fim de semana ainda podem aproveitar…vale realmente a pena!

Tendo o bilhete comprado, ainda tivemos a possibilidade de ver uma exposição temporária de fotografia macro e a própria exposição do Exploratório. A Eva adorou os pintainhos que lá se encontram, num espaço onde todos podem acompanhar e ficar a conhecer melhor o processo de choco dos ovos e, depois, ver os pintainhos ali nascidos! Era vê-la com a perna a dar a dar, a tentar chegar a eles e a agarrá-los, depois de os ver a correr de um lado para o outro! Que loucura que foi!

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Bosque Encantado – Centro de Atividades para Bebés e Crianças

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Vou acompanhando os eventos desde centro através da página de facebook (https://www.facebook.com/pg/centrobosqueencantado/) e todos os meses há atividades giríssimas: Música para Bebés, Concerto para Bebés, recentemente a festinha de carnaval, … para o dia do pai, e para bebés com mais de 9 meses, ontem mesmo, realizaram uma atividade de leitura e partilha! De vez em quando dinamizam workshops de massagens para bebés e outros! E as massagens também podem ser feitas ao bebé no próprio local, pois há uma técnica especializada que as faz todas as semanas, por norma à quarta-feira! Vão acompanhando o calendário de eventos, pois certamente que os momentos em família valerão a pena!

Pós de Prilimpimpim

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Este é mais um centro de atividades para bebés e crianças situado em Coimbra. Para além das atividades que dinamizam nas férias escolares, o que vai acontecer em breve com a chegada das férias da Páscoa, levam a cabo diversos encontros para pais e filhos, logo desde os primeiros meses de vida! Ainda no Sábado ali decorreu uma formação acerca do afamado Método Montesori! O Yoga para bebés e famílias é outra das atividades de referência. Estejam também a par de todos os eventos pela página de facebook (https://www.facebook.com/pg/posdeprilimpimpim).

Sempre que tiver novas sugestões darei novidades e partilho tudo com vocês! Para já, mamãs de Coimbra, não percam a oportunidade de partilhar com os vossos filhotes estas atividades maravilhosas e todos os sorrisos que com elas vêm! Levem os papás também! Mamãs de outras cidades, procurem locais similares, pois o conceito é frequentemente visto e podem sempre encontrar um sítio com atividades semelhantes! Divirtam-se em família, pois estes momentos valem por tudo! As recordações que ficam são do melhor que há!

 

“Caiu”, “toma”, “dá”… estimular a linguagem compreensiva!

Ainda que a linguagem expressiva sob a forma mais comum que a percebemos vá levar alguns meses a chegar até cá a casa, na fase em que a Eva está, alguns sons, lalação e balbucio são já audíveis! São tão engraçadas as variações de intensidade e de frequência que ela já vai conseguindo! Por vezes pergunto-me como é que um trato vocal/garganta tão pequenina já é capaz de sons tão agudos e de toda aquela miscelânea harmoniosa! É música para os nossos ouvidos, e por vezes, soa mesmo a uma pequena cantiga, tão terna, tão doce! Um dia, hei-de gravar para mais tarde recordar!

Sim, todos queremos que os nossos pequenos falem cedo, que digam “papá” ou “mamã”, pela ordem que indico se forem, respetivamente, o pai orgulhoso ou a mãe galinha, sim, todos teremos um certo orgulho futuro em o relembrar se fomos os primeiros eleitos! Mas, o que não devemos esquecer, e várias vezes já o fui aqui referindo nos textos do blog: não só a linguagem expressiva é essencial, pois a sua base está na linguagem compreensiva, ou seja, a expressão é o reflexo de tudo aquilo que a criança vai ouvindo e “gravando” na sua memória ao longo do tempo, desde os momentos intra-uterinos!

O que ouvem será pronunciado daqui a uns tempos e hoje, para além de vos relembrar isso mesmo, dou ainda algumas sugestões de tarefas que podem fazer em casa com os vossos filhos, netos, sobrinhos, afilhados ou, se forem educadores, com os vossos pequenos aprendizes, em contexto de creche!

A Eva adora ter uma colher na mão, é um objeto simples e comum, do quotidiano, que lhe proporciona vários minutos de animação e atenção. Basta mostrar-lha em frente aos seus olhitos para os ver a arregalar e a cintilar e, logo em seguida, há uma mão ansiosa que se estende, trêmola de tanta ansiedade! Claro que sim, o destino é logo a boca, mas não faz mal! Brincadeira agora, intencional, podemos dizê-lo, mas feito por acaso ao início, é o fato de a colher, de vez em quando, ser largada pelas mãos da Eva. Por vezes cai ao chão, outras vezes fica no sítio onde ela está sentada. Quando isso acontece e ela não a consegue voltar a alcançar autonomamente, é aí que começa o jogo: “oh… caiu!”. Devemos dizer estas frases-chave de forma animada, com um enorme sorriso, com expressividade quase que exagerada. Isso desperta-lhe logo um sorriso maroto, como que percebendo a brincadeira. Quando lha volto a devolver, para prolongar a brincadeira, digo: “toma!”. Ela fica toda feliz e aquela dinâmica dura minutos e minutos em seguida.

Para além de estimular a comunicação, é ainda uma forma de a pequena se começar a aperceber dos turnos de comunicação, o chamado “Turn-Taking”, também conhecido vulgarmente como “tomada de vez”. Assim, a colher vai dela para mim, de mim para ela, e assim sucessivamente. Não é esta a base de um diálogo, em que ora fala um dos interlocutores, ora fala o outro, gerando-se uma conversa? Neste momento, a Eva ainda só fala à maneira dela, com sons, com a expressividade da sua face ao ceder-nos os sorrisos em jeito de agradecimento por lhe darmos os objetos, mas o essencial, a base imprescindível, está lá, desde já! A partilha de atenção para um mesmo objeto, conhecida como “atenção conjunta”, vai também sendo desenvolvida! E tudo isto é tão importante!

Ontem, a brincadeira foi outra! Com o pai, no quarto, mesmo antes do momento de dormir, colocámos a luz de presença na tomada. A Eva fica alerta quando vê a luz surgir. E o pai fazia assim: tirava a luz de presença da tomada e dava-a à pequena: “toma!”, dizia ele, e bem! (Parece que as dicas estão a passar positivamente, pelo menos cá por casa). Depois de a pequena estender a mãozita para a pegar, algum tempo depois o pai dizia-lhe “dá ao pai!”, ou simplesmente “dá”! Esta é mais uma forma de passar todos os ensinamentos de base da comunicação, e há tantas outras formas. Qualquer ocasião serve: a partilha de um pedaço de pão ou bolacha, a exploração conjunta de um brinquedo, de uma peça de roupa, … valem todos os momentos, tudo o que entra na rotina dos nossos tesouros, pois a comunicação é assim, natural, não precisa de horas marcadas para acontecer! Tentem em vossas casas, nas creches, nas escolinhas, …! É fácil, e atenção, fica o alerta: proporciona momentos de doçura imensa e de grande gratificação para pais, educadores e para as próprias crianças!

Estimular e avaliar a audição,… motivar a linguagem!

A Eva tem 6 meses, feitos há poucos dias! Se falar em estimulação da linguagem quase toda a gente me diz: mas ela ainda não fala, nem vai falar antes de fazer um ano, sensivelmente! Sim, verdade, é pouco provável que aconteça, mas como Terapeuta da Fala, e como muitos pais e educadores já vão sabendo, vos digo que todos os dias e meses contam no que respeita à estimulação da linguagem.

Para quem acompanha o blog regularmente, sabe que este tema da estimulação da linguagem já foi abordado várias vezes (“Estimulação da linguagem culinária!”, “Os pés e todo um mundo de aprendizagens”, “Palreio, lalação, … vamos conversar?”, “Tu vestes-me… eu aprendo!”, “Estimulação da linguagem em bebés, … o “super poder” de pais e educadores!”, entre outros textos anteriores são alguns exemplos) e conhece por isso a viabilidade de estimular esta competência, ainda em terna idade. Aliás, se assim não for, os comprometimentos futuros serão grandes!

Ora vejamos: apenas fazemos e reproduzimos o que vemos, ouvimos e presenciamos! Se a criança não é exposta à linguagem desde cedo nem é sensibilizada para ela e para a sua importância, mais tarde poderão surgir os atrasos de desenvolvimento da mesma! Claro que sim, eles são o que são, mas sabendo nós que podemos fazer algo em prol disto, porque não o fazer?

A par da linguagem, e sem se dissociar dela, temos a questão da audição. E através dela que a linguagem se inicia, pois a criança vai ouvindo, vai captando modelos daquilo que será a sua linguagem futura. De certo que crianças que crescem a ouvir falar de aviões terão este vocabulário bem presente no futuro. Da mesma forma que crianças que são criadas no campo dominam muito melhor o vocabulário que se refere aos animais, às lides da agricultura, aos legumes e a todos os produtos que a terra dá! Pois é, a experiência, as vivências diárias, são bases imprescindíveis daquilo que será a futura linguagem dos nossos pequenos heróis.

Ainda na semana passada, num post sobre brincadeiras e brinquedos “low cost” falávamos de pequenas “engenhocas caseiras”: os tubos de drageias de chocolate com arroz lá dentro, pequenas caixas transparentes com massa, caixas plásticas com bolas e outros objectos que produzam sons diferenciados, as caixas de música, os brinquedos sonoros, … todos eles, mais caros ou mais improvisados são ótimos aliados! Podemos começar por produzir som com eles em frente às crianças, mostrar-lhes que há sons distintos, …. Depois podemos tentar que nos imitem, realizando movimentos que conduzam à produção de som com os mesmos objectos, por exemplo, agitando-os! E se surpreendermos a criança mexendo um destes brinquedos longe do seu alcance, tentando que ela localize a fonte sonora? Em cima, a trás, dos dois lados, … Esta é uma boa forma de fazer, de algum modo, um simples e continuo “rastreio auditivo caseiro”, na tentativa de perceber eventuais problemas que possam, mais tarde, comprometer a aquisição e desenvolvimento da linguagem.

Como Terapeuta da Fala, já por várias vezes estive diante de crianças que, à partida, são envergonhadas, falam pouco, trocam muitos sons e têm discursos pouco perceptíveis. Quando aprofundamos as questões até à questão da competência auditiva, muitas vezes descobrimos crianças que fazem inúmeras otites por ano, que não ouvem os pais quando estes os chamam de outra divisão da casa, que olham fixamente para os seus lábios na tentativa de os ler, compensando as falhas auditivas, … Nunca é demais estar alerta, pois a linguagem e, mais tarde, as competências de leitura e escrita, intimamente relacionadas, agradecerão.

Pais e educadores, é simples: estimulem a audição dos vossos pequenotes! Percebam se está tudo bem, se o som lhes desperta a atenção. Não tenham receio de ter conversas com os mais novos, eles não nos respondem (respondem à sua maneira, claro!), mas absorvem cada palavra, cada som, criando memória deles! Não é por acaso que, quando mais velhas, certas crianças nos surpreendem com certas palavras “caras” e pouco usuais! Só as dizem porque as ouviram! Porque desde tenra idade a memória auditiva está lá, prontinha para ser preenchida! Usem e abusem dos brinquedos auditivos, que ao mesmo tempo estimulam também a linguagem e a motricidade dos vossos bebés! As rocas, as maracas, os chocalhos! Tudo vale! O bebé já reage quando ouve a voz da mãe ou outras familiares?! Boa! Já vira a cara quando ouve o seu nome ser chamado? Melhor ainda! Cá em casa estamos a entrar nessa fase! Quando menos derem conta, … surge a primeira palavra do vosso bebé! Será mamã,… papá, …? Por aqui já se fazem apostas!

 

Chuva lá fora… magia dentro de casa!

Hoje, a meio da tarde, eu e a Eva (e toda a Coimbra!), fomos brindadas com uma bela chuvada! Chuvada e trovoada (os miúdos adoram rimas, podem-lhes ser proporcionadas em doses garrafais, carríssimos pais e educadores!). Como a Eva já estava despachada de mais uma sessão de “leitinho para encher a barriga”, peguei nela e fomos até à janela do quarto dela! Já é costume, após a sua digna refeição, circularmos pela casa, sim, porque a Eva não gosta lá muito de fazer a digestão “estacionada”! E assim foi, lá começamos nós mais uma sessão de “volta a casa em colinho”!

Quando então chegámos à janela do quarto parece que se tinha feito magia diante dos olhos da minha pequena! Ficou encantada, não sei se com o que via, se com o que ouvia, se com a combinação dos dois poderosos estímulos que a chuva trazia. Já tinha chovido mais uma ou outra vez desde que ela nasceu, mas com tanta força e de dia, penso que não, por isso hoje resolvemos mesmo aproveitar a oportunidade que a natureza nos trouxe!

Foi uma bela “aula” de estimulação auditiva e visual que consegui dar à Eva, pois para aprender, todas as oportunidades são boas! O que primeiro lhe prendeu a atenção foram as pingas mais grossas que caiam junto à nossa janela, mesmo próximas dos nossos olhos, penso que vindas dos beirais do prédio. Depois, o contraste com a chuva que ia caindo tão direitinha e de forma intensa para a nossa rua! Não sei se ela conseguia ver ainda a “levada” de água que corria junto ao passeio, em frente ao prédio, mas parecia que sim! Estava ela maravilhada e eu também, por toda aquela experiência visual que lhe pude proporcionar!

E o som? Não é que a cativou também?! Normalmente, ouvimos música clássica na aparelhagem ou no computador, pomos vídeos infantis no youtube ou na televisão, com dvd’s, mas hoje, poder ouvir sons reais foi algo maravilhoso! Ela parecia estar tão atenta! Ping, ping, ping… e inspirada pela doce melodia da chuva, lá comecei eu a trautear uma canção ao acaso, inventada, para a cachopa! Ela adorou! Ping, ping, ping! Permiti que ela me olhasse no rosto quando cantei para ela e não é que a atenção redobrou? Pois, ora nem mais! Os responsáveis eram os sons bilabiais, ou seja,  os sons que produzimos com os dois lábios quando estes se juntam, tão fáceis de notar quando o nosso bebé nos olha. O /p/ do “ping, ping “, de “papá” e de “pai”, tal como o /m/ de “mamá” e de “mãe”, são dos sons mais facilmente observáveis pelos nossos pequenos rebentos! O /b/ de “bebé” e de “baba” também é poderoso para os seus olhitos cheios de vontade de tudo ver e igualar! Se têm a sorte de ter um pequeno ser maravilhoso, sedento de gestos para imitar, estes sons são do melhor para os estimular, palavra de Terapeuta da Fala! E a Eva não foi exceção, porque adorou!

Que maravilhoso momento passámos! Cantámos, dançámos, partilhámos expriências e uma dose extra extra extra grande de miminhos! Voltei a lembrar-me de como é bom ouvir e ver a chuva lá fora, no conforto do nosso lar, quentinhos e sem uma gota de chuva em cima para nos resfriar! Hoje, para além de redescobrir este prazer (pois normalmente apanhava era as chuvadas nas corridas entre o trabalho!), descobri ainda como é tão bom poder partilhar estes momentos com a minha filha! Pois, quando a chuva cai lá fora, … a magia pode acontecer em nossa casa! E hoje, assim foi!