Natais de ontem… Natais de hoje!

Por mais que os anos passem, a magia do Natal não se perde, … seja ela focada em que pormenor seja. De uma forma ou de outra, Natal é sempre sinónimo de estar em família, seja ela composta por dois, três elementos, ..vinte, cinquenta… o importante é estar, é sentir!

Não, não sinto que a magia se perca com a idade, … de uma forma ou de outra, ela vai-se transformando, é apenas isso que sinto. Há uns anos atrás, especial era a sesta que fazia a meio da tarde, … sem ela o Menino Jesus e o Pai Natal não vinham lá a casa! Enquanto isso, na cozinha, a azáfama da minha mãe e da minha avó era para porem o bacalhau, as batata e as couves na panela. Para fazerem a sopa de Natal, com o pão deixado no final, bem abafadinho! Que saudades desse petisco! Ainda hoje, seja onde for, por mais simples que seja o migar de pão na sopa, que não costumo fazer por norma, mas que de quando em vez faço para relembrar cheiros e momentos de outros tempos, .. é sempre a “sopa de Natal” que me vem à memória!

Com os anos perderam-se pessoas especiais, … umas que permanecem no pensamento e no coração, … outras que se foram de vez! Umas que foram por decisão da vida, … outras que tomaram a decisão da sua vida, … Cada uma delas ocupa o devido lugar no meu pensamento e coração! Umas foram pela força dos tempos, … outras escolheram ficar! Outras chegaram, felizmente! Com elas trouxeram nova luz, novas gentes, novas tradições, momentos, gargalhadas e sentires. Obrigada Carlos, por tudo o que acrescentas em mim! Outras nascem e chegam carregadas de energia positiva, de luz verdadeira e doce… minha Eva, quão doce e perfumada é a vida contigo!

Hoje, os natais são mais conscientes! Sei perfeitamente onde e com quem quero estar! Sei realmente quem quer estar perto. O Natal deste ano ganhou uma magia nova… não melhor que a de antes, mas ganhou um novo sentido… um novo vínculo de família. Pela primeira vez conseguimos reunir na mesma mesa as pessoas que em anos anteriores ficavam amigavelmente “cá” e “lá”! E nós, que antes andávamos “cá” e “lá”, porque queríamos estar com as famílias “dos dois lados”, este ano conseguimos juntar “a família”! E fez tanto sentido! Pois a realidade é que é assim que a vivemos!

Não, … o Natal de ontem não teve o programa de espetáculos que antes fazia, … a família cá em casa tinha direito a Sarau de Natal… eu cantava, dançava, tocava órgão, flauta, … e oferecia mesmo um programa escrito, como mandava a tradição! Tinha magia à sua maneira. Mas ontem, a estrela da festa foi a nossa pequena. Também ela canta, dança, sorri, … e assim vamos ganhando novas tradições! O soar da sineta do pai natal, … o descobrir em que lado as badaladas soaram e saber que porta deveriamos abrir para descobrir um novo presente… a vontade em estar connosco, em partilhar aquele livro especial, aquele jogo que lhe prendeu o olhar! Minha Eva… tão feliz que és, … tanto que temos a aprender contigo!

Sem dúvida, … a magia continua a acontecer, … ela perdura no tempo… molda-se aos novos tempos, aos desafios que nos chegam! Melhor? Pior? Não sei, … alegre e feliz foi, certamente! Que mais anos assim venham… nada mais posso pedir! Boas festas a todos… acima de tudo, que nunca se perca esta essência! Natal sem consumismo, … Natal da Família… o Natal do Estar, do Dar-se, … apenas e só isso, nada mais!

Vale a pena visitar (mesmo sem comprar): lojas da Disney (Disneyland Paris VII)

Não somos pessoas muito apegadas a tudo o que é material nem gostamos de passar longas horas de volta de lojas e de sacos na mão. Quando planeámos a nossa visita à Disneyland Paris nunca pensámos que nos iríamos perder tanto pelas várias lojinhas que estão em cada recanto do parque, … mas a verdade é que assim foi!

Não gastámos rios de dinheiro, … isso não. Apenas uma caixa de chocolates para toda a família, um balde de pipocas para a pequena e um miminho para uma pessoa especial. Mas perdemo-nos de outra forma… a visitar cada uma delas. As lojas daquele espaço, só por si, já de sonho, conferem à visita um tom ainda mais peculiar e mágico. Cada uma delas está caraterizada com base em personagens dos filmes, … com base em algum livro, recria casinhas e locais de cada conto, …

Recomendo mesmo que as visitem. A primeira, logo ainda antes da entrada do parque é, só por si, mágica. Sob um céu estrelado desce o Mickey em Balão. Depois, nas constelações vemos o Dumbo e tantas outras personagens! Em volta, muitas outras imagens de contos e histórias Disney, com todas as suas personagens mágicas!

Entrando no parque, há mais e mais, … umas maiores, umas mais pequenas, … cada uma dedicada às personagens da nossa infância! Há uma do Pinóquio, a da Sininho, … uma delas recria a casinha dos Sete Anões e da Branca de Neve, … umas recriam ambientes mais citadinos, … outros lembram mais as histórias dos aventureiros como o Toy Story, a Vaiana, …  e as lojas do Natal! Sim, … existem duas lojas dedicadas inteiramente ao tema do Natal. Ali, onde a magia acontece 365 dias por ano, … pode ser também natal todos os dias!

E as lojas de jóias? As lojas de vidro trabalhado com a temática Disney? Cada uma mais bonita que a outra. Entrámos em quase todas. A Eva tinha uma missão: abraçar em todas elas os peluches das personagens que ia encontrando. Foi vê-la distribuir abraços e a deitar sorrisos mil! Que alegria, que felicidade!!! E todos os brinquedos estão ali, disponíveis, … ela nada pediu, pois só de os ver e abraçar ficava tão feliz!

 

Mesmo que não sejam adeptos da parte comercial e se visitarem a Disney, não deixem de explorar as lojas e os espaços comerciais! Cada café, cada restaurante, cada cantinho! Para adultos, para crianças, … encontram de tudo, para vocês, para a casa, … brinquedos, livros, cds, material de escritório, para telemóveis, … um sem fim de opções, para todos os gostos e carteiras! Mas, acima de tudo, encontram imaginação e bom gosto sem fim. Cada recanto daquele lugar mágico merece ser apreciado até ao mais ínfimo pormenor!

A ti… “pai”!

Sei que muitos esperavam que me dirigisse a ti, no dito Dia do Pai! Mas tu és apenas e só pai, … sim, dito desta forma, … nem mais nem menos, sem tirar nem por, com todo o desprezo que te posso ter, reflexo apenas do que tu tens tido para connosco. Mas hoje sim, é para ti que escrevo!

Quando nasci tive um pai que me esperava ansioso, sofrido de mágoas passadas…. ensombrado pela perda de outra filha,… sei que fui tão desejada!

Com um ano eras doce, companheiro, terno, brincalhão, presente!

Aos dois já me esperavas nas brincadeiras, em qualquer lugar, com o mesmo sorriso gigante!

Aos três fazias-me voar, quase chegando ao teto em saltos imensos, perante o olhar assustado da avó Palmira.

Aos quatro andávamos de triciclo, felizes. Sim, aquele triciclo que apanhaste ao pé do caixote do lixo e me pintaste de cor-de-rosa!

Aos cinco puxavas-me pelo carrapito do cabelo, para me ensinar a nadar.

Aos seis começou o bichinho dos karts.

Aos sete a paixão foi ficando mais intensa. Ia contigo para as provas, falava com os teus amigos, … sentia-me crescida e importante ao teu lado!

Aos oito ofereceste-me o meu primeiro instrumento musical: o teclado que ainda hoje conservo, religiosamente.

Aos nove já me olhavas com um brilho nos olhos quando cantava o salmo na igreja.

Aos dez, sem dúvida, menina do papá! Oh, se era! 🙂

Aos onze aprendi a dividir a tua atenção com a Sara, de forma tão saudável e maravilhosa.

Aos doze éramos cúmplices inseparáveis.

Aos treze apreciava a tua garra e a tua fé.

Aos catorze admirava-te a entrega a tudo o que fazias.

Aos quinze tinha em ti o exemplo máximo a seguir.

Aos dezasseis eras confidente.

Aos dezassete zanguei-me contigo por não me deixares ir sozinha ao concerto dos DZRT.

Aos dezoito preparaste fogo de artifício para os meus anos. Afinal, dezoito anos são dezoito anos!

Aos dezanove foste comigo ao concerto dos DZRT.

Aos vinte amparaste as lágrimas do meu primeiro desgosto de amor.

Aos vinte e um éramos parceiros nas viagens para Aveiro, tantas vezes ao som dos Santa Maria, Seal, Phill Collins, Katie Melua, Nuno Norte, Men at Work…

Aos vinte e dois caminhavas comigo no Desfile do Enterro, festejando o fim do meu curso.

Aos vinte e três torceste o nariz quando arranjei o namorado que hoje é o pai da tua neta.

Aos vinte e quatro chocámos algumas vezes pois, como costumavas dizer “minha cabra, somos iguaizinhos”.

Aos vinte e cinco depositaste novamente a confiança em mim.

Aos vinte e seis era eu a tua confidente.

Aos vinte sete sorriste com a notícia de que ias ser avô.

Aos vinte e oito fui o teu amparo mais profundo.

Aos vinte e nove chorei contigo, pensei os problemas contigo, vivi-os na minha casa, que sempre teve as portas abertas para ti.

Aos trinta, a desilusão, a maior de todas, em toda a minha vida.

Obrigada por tudo o que um dia FOSTE para mim. Obrigada pelo que me ajudaste a construir, … pela pessoa que ajudaste a formar em mim, … pelo que hoje sou, … pelo que ontem fui e pela força que me ajudaste a tecer, … acredita, tenho precisado muito dela nos últimos tempos, … tenho mesmo.

Foste em tempos o meu apoio maior, … hoje, és apenas a mágoa mais sofrida que a vida me podia ter mostrado. Estejas onde estiveres, … fica, … Nesse caminho que decidiste traçar, continua, … hoje, fecha-se o ciclo. Hoje, as portas ficam um pouco mais trancadas. O coração ergue-se de novo, … os olhos tentam ganhar o brilho de antes, ainda que as marcas fiquem.

Passaram os anos da tua neta, … o Dia dos Avós, … o aniversário da pequena onde vieste de passagem com a sombra negra que eu já adivinhava há meses, … passaram ainda os anos da mamã, … o Natal, … o aniversário da Sara, … a minha chegada aos trinta! Porra,  nem uma mísera palavra te mereci… nada, nada, nada, … nada de nada. Silêncio apenas!

Passou agora mesmo o Dia do Pai… mas de pai já pouco tens, … Precisava tanto de um pai presente, … mas o pai que hoje recordo é apenas um pai do passado, … no futuro? No futuro já não conto encontrar-te! A vida é vivida agora, … cada segundo que avanço sem ti só me mostra que quem quer estar longe, longe deve ficar.

Tento chorar todas as lágrimas, .. voltar a reunir forças. Onde quer que estejas, .. fica, reflete, … pensa, … sente, … sente tudo o que nos tens feito sentir a nós, … Imaginas como nos sentimos? Costumas pensar em nós quando estás em casa? Enquanto jantas? Quando te deitas? Pensas em como ficámos depois de tudo isto? Pois hoje só te peço: fica com a tua decisão, as tuas convicções, com a tua nova vida… aí… fica, apenas fica!

 

Natal simples, … fica o essencial!

Este ano o nosso Natal pautou-se por algumas ausências, … mas também por alegria infinita, pois a nossa Eva já sabe aproveitar tão bem a magia desta época. E quando digo que usufrui ao máximo é mesmo na verdadeira essência da quadra, no real significado que ela deveria assumir sempre.

Valoriza o estar, o ser, … o olhar, o observar! Derrete-se pelas luzes de Natal, pelos enfeites, … pára em cada recanto da rua, das lojas, observa as casas, .. na noite, até uma simples luz das antenas de telemóvel ou um semáforo ao longe merecem um sentido “oh, tão lindo!”. Tal é a felicidade em que anda envolta que todas as luzes lhe parecem mágicas e sem igual. E eu fico deliciada a olhar para ela, a observar aqueles risos felizes, ternurentos, sinceros, puros, … quem me dera ainda manter perante a vida esta contemplação da simplicidade que tanto a carateriza, às vezes tenho saudades. Pouco espera, tudo recebe! O brilho que transborda dos seus olhitos brilhantes enche-me o coração!

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Não, aqui por casa não somos apologistas de muitos brinquedos nem da cultura do “ter” material. Não valorizamos a azáfama do comprar, do trocar as prendas, … primamos pela simplicidade, e felizmente estamos a conseguir, de forma natural, passar à nossa menina todo este verdadeiro sentimento da quadra natalícia. As prendinhas que foram chegando, foram sendo partilhadas com ela ao longo dos dias, … cada uma sendo valorizada particularmente, por si mesma, em cada serão. Na noite de Natal veio a tão esperada, a que ela tinha pedido ao Pai Natal: o Livro do Wall-E. Pequenos 6€ que valeram enormes sorrisos! “O Pai Natal fez mesmo a magia!” dizia ela. E fez, oh se fez! Nada mais importou, … ela queria era mostrar o livro a todos, partilhá-lo com quem a rodeava. Teve mais algumas prendinhas, que foi vendo curiosa, … mas sem o frenesim louco do consumismo e do querer mais e mais à medida que vinha cada embrulho. Sorria-lhes enternecida, e calmamente apreciava-as!

Ouviu-se a sineta do Pai Natal, tradição na casa da Bisa. A sineta tocou por debaixo do seu xaile enlutado, mas o seu rosto sorria. A pequena sorria com ela, feliz, sem saber do “segredo”! “É mesmo o pai Natal!”. Por isto, pela magia do ser simples, … quem me dera que fosse sempre Natal. Basta uma pequena gambiarra de luzes a piscar, … um livro, … um miminho, … e momentos em família! Natal é isto, … não precisa ser nada mais!

A música e as emoções… aos olhos da pequena Eva!

A quinta feira foi um dia de coração cheio, de muitas emoções, … de todo o tipo. Mas o serão não podia ter sido mais enriquecedor e ternurento. Fomos, pela primeira vez nestes dois anos e meio, a um concerto todos juntos. Tanto que o queríamos fazer há muito, mas infelizmente nem todos os locais o permitem! Desta vez, foi diferente.

Enviámos email ao TAGV (Teatro Académico de Gil Vicente) e logo nos permitiram a entrada da pequena, ainda que ficando ao colo. Nada contra, mais uns momentos de mimo, de colo e de ternura, que valeram por tudo. O concerto era pela paz, pelos direitos humanos… Coro Sinfónico Inês de Castro! Majestosos espetáculo, com todo o mérito aos intervenientes. Há muito que não me deixava assim levar pela emoção da música, pelo som, pelas intensidades, pela harmonia das vozes e o seu entrelaçar feliz com todos os instrumentos, … durante tanto tempo foi ali que cresci! No meio do coro, das orquestras, dos festivais da canção infantis da escola de música que frequentei durante quase vinte anos, … o burburinho do palco, o nervoso miudinho, o peso da responsabilidade e o prazer dos momentos de apresentação ao grande público. Que saudades de todo aquele frenesim!!!

Várias vezes me arrepiei, quer pelo tema, quer pelas lembranças felizes de uma infância e juventudes passadas no meio da música e de todos os seus afazeres felizes. Sou grata a esta educação que tive, … a este caminho que tracei.. a todos com quem me cruzei. Saber que hoje posso partilhar isso com a Eva deixa-me ainda de coração mais aquecido!

E ela vibrou! Delirou com tudo! Os sons, as pessoas, os instrumentos, as imagens que passavam num ecrã, no grande palco. Os olhos enchiam-se depressa de mais, ela queria absorver tudo: cada som, cada passo, cada vez que os solistas se abeiravam da frente do palco, os movimentos do maestro… Sinalizava com expressões faciais e corporais fortes cada mudança de andamento e cada intensidade mais forte, sobretudo da percussão e dos metais. Estava rendida … uma estimulação variada, mas tão harmoniosa, que lhe tomou conta dos sentidos durante cerca de uma hora e meia, uma hora e meia grandiosa, de tanto para contar!

Estava petrificada, com olhar atento e quase nem pestanejava. Colheu cada emoção, verbalizou isso tantas vezes! “Tenho medo mamã e papá!”. E via-a olhar com compaixão para as crianças que o vídeo ia mostrando… aquelas que, como lhe dissemos, eram “os meninos que não tinham comida”, como tantas vezes a alertamos.

E foi assim, do início ao fim, sem desligar daquela nova realidade, sempre reagindo aos medos, aos momentos mais serenos, que o concerto chegou ao fim. Teve magia,… a magia do nosso primeiro concerto “à seria”! A magia de um momento magnífico em família, … que prazer ver a satisfação no seu olhar, nos olhos do pai que a teve quase sempre ao colo vivendo tudo isto ainda mais intensamente.

Obrigada filha, … contigo, tudo se torna ainda mais especial!

Um Natal de fragmentos…

O Natal deste ano teve um sabor diferente, … um sabor mais amargo, mais frio, mais distante, … foi um Natal como nunca tive nenhum na minha vida e espero que nos próximos anos a diferença seja pela positiva, pois não foi esta a memória que sempre criei do natal, nem quero que sejam estas as lembranças que venha a ter nos próximos natais, …

O melhor deste Natal, o meu refúgio, foi sem dúvida a Eva e o Carlos, o nosso núcleo duro e que está sempre lá, para o bem e para o mal, … para aqueles momentos em que tudo parece desabar à nossa volta, .. eles sim, continuam a ser o meu porto de abrigo, mais seguro que nunca, e só por eles o Natal ainda manteve um pouco do seu brilho e da sua essência: a família e os sentimentos mágicos que se vivem no seio do nosso lar.

O Natal deste ano foi feito de fragmentos e de uma luz diminuta, … quem me conhece, sabe que não costumo tirar férias, muito menos nesta altura do ano, … mas este ano precisei de o fazer para juntar em mim todas as peças soltas, aquelas que tenho tentado a todo o custo ir colando, minhas, dos outros, … sobretudo dos outros, … mas as forças começaram a faltar. Faltaram as forças que tento passar aos outros, … faltaram as forças para mim, e as que ia recebendo aos poucos também têm sido cada vez mais escassas. Este ano precisei de tempo para me recompor, para me encontrar, para poder continuar a dar o melhor de mim aos outros, aos que querem receber a essência dos meus sentimentos mais nobres. Sinto que mesmo com esta idade continuo a crescer, e a amadurecer, .. para muitos posso parecer mais fria, mais distante, mas é tanto disso que vou recebendo em certos casos, que me vou moldando desta forma.

As minhas melhores forças e energias vão sobrando para um grupo cada vez mais restrito de pessoas, de amigos, de conhecidos, … para aqueles que ainda me vão fazendo sorrir e para os que têm sido o meu suporte e conforto. Sinto que cada vez terá que ser mais assim. É para a minha família que quero ter tempo e energia, para lhes continuar a dar o melhor de mim … e espero que assim seja por muitos e bons anos. Aos que mesmo sem serem família já o parecem há séculos, deixo um agradecimentos sentido e especial, … e se tenho tido anjos no meu caminho, oh, se tenho, …

O Natal deste ano foi feito de fragmentos, … fragmentos de memórias e de um sem fim de locais e pessoas para visitar, … ainda mais que nos anos que o antecederam, … Já lá vai o tempo em que Natal era sinal de lareira acesa e dias passados em casa, com a família, em redor da azáfama na cozinha… da sesta a meio da tarde e da magia da chegada dos presentes, que abríamos impreterivelmente depois da meia noite, … dos serões que eu preparava com músicas no órgão, na flauta, as danças e os teatros, com direito a programa impresso a rigor e tudo! Essa magia começou a desfazer-se quando perdi a minha avô, … já lá vão 7 anos e a magia do natal vai caindo a olhos vistos, … restou-me a chegada do Carlos e a vinda abençoada da Eva, que todos os dias agradeço. Sem ela, o Natal teria sido mesmo obscuro e mais triste.

Este ano, o Natal teve menos uma presença: a do meu avô paterno, … já no ano anterior não tinha estado connosco em presença, ora pois é verdade, não existem famílias perfeitas. Hoje sinto que foi para meu bem, para o corte não ser tão duro e cruel, quando ele realmente partiu … ainda assim, foi-o na mesma, … Deste e de outros fragmentos se fez o Natal deste ano, … Não, não estivemos todos reunidos na sala, na mesa, … faltava a avó Palmira, o avô Manuel que partiu em Maio, … não estavam os primos, apenas a “prima Catarina”, emprestada com tanto amor e a Madrinha Cristiana, que ajudaram a acender uma réstia de luz a esta quadra. Obrigada a vocês! 🙂

Não estava o avô Serafim, pois o hospital de Viseu tinha sido o local de eleição para este ano, … o pior dos cenários? Não, … não é apenas isto, … Numa corrida de casa dos meus pais para a casa dos avós do Carlos, mais uma presença que estava ausente, .. o avô António está também internado, … mais um fragmento, … mais uma peça solta, … Aquelas camas de hospital pareceram-me ainda mais frias e desconfortáveis do que a que experimentei dois meses antes, … não, assim não faz sentido nenhum… têm mesmo a certeza que foi Natal? Acho que este ano fiquei esquecida no meio de tudo isto, …

Não, o Natal deste ano não se fez ao redor da mesa de natal, em família, … o Natal deste ano fez-se entre a casa de um, e de outro, e de outro, … entre um hospital e outro, … perdoem-me os avós que já partiram… estive de coração com vocês, mas a visita aos vossos locais de repouso definitivo já ultrapassava o limite das forças que me restam, … estiveram sempre no meu pensamento, … estão no meu coração, … na minha mente, estiveram sempre presentes, sempre lá, … farei em breve uma visita, pois também preciso desse conforto e de me sentir ainda mais perto de quem esteve sempre comigo ao colo, nos momentos mais difíceis, … Logo os dois, vocês os dois, … das peças mais importantes na minha vida, … tinham logo que partir os dois assim, tão cedo, … um depois do outro?

E por isso mesmo, a pausa deste ano está a servir para colar todos estes fragmentos, … para me encontrar neste novo eu, … que caminha por vezes numa estrada solitária, ainda que rodeado de tanta gente. Aos que nunca deixam de estar presentes, … aos que se cruzam no meu caminho de forma simpática, ainda que sendo recentes… só tenho a agradecer. Obrigada Eva, obrigada Carlos, … aos que não deixam de estar presentes e aos que vão deixando o seu carinho sob a forma de gestos e pequenos miminhos, … aos meus meninos, aos seus pais, … aos professores e educadores que, do lado profissional, não me poderiam fazer sentir mais realizada do que estou. Àqueles que mesmo sem grandes forças, à sua maneira, vão fazendo de tudo para estarem e continuarem presentes, … obrigada mãe, pai, Sara, … sabem que estou sempre aqui para vocês, enquanto as forças não me faltarem, …

Que 2018 reúna todos estes fragmentos e os converta em sentimentos positivos e nos mantenha próximos do que nos faz bem, … da minha parte, de tudo farei para continuar a ser a luz dos que me procuram e dos que cruzam os meus dias! O sorriso não há-de faltar, … e se esmorecer, tudo farei para o acender de novo! Boas festas, … com o coração frágil, mas repleto de amor!

Balanço da época natalícia

E eis que a época natalícia, Natal e passagem de ano, estão mesmo a findar! Já desejámos a todos os nossos amigos “um bom ano!”, “as melhores entradas” e registámos mentalmente os desejos e promessas para o novo ano!

Não poderia deixar avançar esta época sem fazer um balanço de toda a magia que vivi em família, juntamente com a Eva, pela primeira vez! Foi sem dúvida um Natal mágico e um novo ano que chegou (ainda) em melhor companhia que o habitual! Ter a Eva connosco este ano trouxe ainda mais amor e aconchego aos convívios em família, mesmo com o frio e os -4 graus que a “nossa” Serra registou em plena chegada de 2017. O que importou foi mesmo o calor humano e das nossas humildes casas (a Eva entrou o ano apenas de fralda e com um enorme sorriso rasgado no rosto!).

É certo que a pequena pouco parou no meu colo, e no do pai, mas ela adorou! Rever caras familiares, dos avós, dos tios, dos primos, … ver novas pessoas, … estar atenta a tudo o que se passa em seu redor! Tem magia, oh se tem! Mesmo não a tendo no meu colo, vou vendo ainda melhor o seu sorriso, o seu olhar doce que me contempla, … é tão bom começar o ano assim!

Um bebé trás mesmo luz a uma família, a Eva é a prova viva disso! Que mais dias de sonho venham por este e outros anos fora! Que os natais e as passagens de ano, e todos os outros dias brilhem sempre com este esplendor! Que o conceito de família se redobre a cada ano e que nunca faltem os sonhos, … os comestíveis e os realizáveis!

Bom 2017 a todos, mais uma vez! Que seja um ano felizmente memorável!

A Carta da Eva!

Como prometido no texto anterior, aqui fica a partilha com a carta que a pequena Eva, com a minha ajuda, endereçou ao Pai Natal!

“Coimbra, 15 de Dezembro de 2016

Olá querido Pai Natal!

O meu nome é Eva Carvalho Amaral e tenho apenas 4 meses! Ainda estou a aprender a compreender o Natal mas, da pouca experiência que tenho, gosto muito de toda esta magia! Adoro as luzes cintilantes, os enfeites e as cores, … as músicas e a alegria! A minha mãe já te escrevia em pequenina e está a ajudar-me agora a mim! Diz-me que temos que ser gentis e atenciosos, não só agora, mas em todas as épocas do ano, por isso, eu cá vou aprendendo. Tenho sido uma ótima menina e por isso mereço cada beijinho e abraço apertado que recebo a toda a hora dos meus pais. Não te peço nada material, ainda não dou valor a isso, … adoro miminhos e isso já me faz muito feliz!

Despeço-me com amizade e desejo-te um Santo e Feliz Natal!

Eva”

E cá está ela! Tal como vos segredei no texto anterior, foi endereçada ao “Pai Natal dos CTT-Pólo Norte”, num envelope mesmo sem selo! Vamos ver o que nos reserva o início do mês de Janeiro!

E pronto, tudo preparado para uma das noites mais bonitas do ano! Que comece! Que não se percam os laços e o sentimento! Perca-se apenas a conta aos sorrisos e aos abraços! É este o espírito a que dou valor e que quero passar à Eva! Os cheiros, as luzes, as cores, os sabores… tudo isso a enriquece! Por isso mesmo temos passeado com o ovo de transporte “sem capota” pelas ruas e pelas lojas! A Eva absorve já toda esta alegria! Que hoje, ainda mais, o aconchego de todos os colos lhe mostre o que é o amor e o verdadeiro sentido do Natal! Só assim vale a pena!

Boas festas… e que venha a noite mágica!

Segredos de Natal

Já há algum tempo que ando para publicar este texto, mas o pouco tempo que tenho tido, fruto de tudo o que já é habitual no dia-a-dia (trabalho, cuidar da casa, da Eva, …), a juntar aos afazeres próprios desta época, não me tem deixado muito tempo livre! E assim é, são precisamente 5:38 da manhã de sexta-feira e estou eu, de volta do computador, a deixar-vos aqui uma pequena mensagem de natal com alguns segredos que penso que poderão dar ainda mais cor e brilho ao vosso natal, bem como ao dos mais pequeninos!

Este Natal, para mim, é especial. O do ano anterior foi memorável, pois confirmámos que a Eva vinha mesmo a caminho e demos a notícia aos familiares mais chegados, como já vos tinha contado. Mas este ano, o sabor é ainda mais docinho e ternurento, pois é o primeiro Natal que a Eva passa connosco, ao nosso colo, brindando-nos com o seu sorriso mágico, capaz de sarar qualquer mágoa dos dias que vão correndo!

Desde que perdi a minha estrelinha há uns anos atrás que o Natal tem tido um gosto mais amargo, marcado pela solidão e pela tristeza. Por isso, desta vez, quero mesmo recuperar a alegria que tinha em viver o Natal. E sabem que mais? Sinto-me como uma miúda, com os seus 5 ou 6 anos, expectante em relação à noite de Natal! Quase que me apetece, na tarde do dia 24, voltar a dormir a sesta só para que o Pai-Natal possa vir à vontade! Sempre foi assim em casa dos meus pais!

Quis que a Eva entrasse neste espírito natalício e, por isso, este ano, pela primeira vez cá em casa fizemos uma árvore de natal, com tudo a que há direito: luzes, bolas, enfeites variados… A Eva delira com toda esta magia e felizmente o Trilo, o nosso gato, o responsável por nunca termos feito a tentativa de ter uma árvore, tem-se portado à altura. Ora, se a árvore cá de casa, modesta em tamanho, faz as delícias da pequena, é vê-la em êxtase em locais públicos onde as luzes cintilantes são apanágio, rainhas de cada recanto! Os pequenos olhitos da Eva não lhe fazem a vontade em satisfazer tanta curiosidade. E assim, aos poucos, a beleza do Natal volta a erguer-se perante os nossos olhos. Hoje mesmo estaremos reunidos com a família e isso torna tudo ainda mais gracioso.

Deixo-vos ainda mais um pequeno segredo, que penso que vão a tempo de pôr em prática, hoje ou amanhã: a escrita da carta ao pai Natal! Sim, a Eva também já enviou a dela! Amanhã partilhamos com vocês o que ela quis dizer ao simpático velhote das barbas brancas. Mas, afinal, qual é o segredo, se todas as crianças gostam de escrever umas letras pedindo o que lhes vai no imaginário? É que, se depois colocarmos a carta num envelope e a dirigir-mos, mesmo sem selo, ao “Pai Natal dos CTT – Pólo Norte”, lá pelos meados de Janeiro, os mais novos recebem uma pequena lembrança dos correios: uma carta juntamente com um miminho (em anos anteriores já foram postais, jogos para recortar, …). Se este ano não mudar nada, não custa tentar, para fazer os nossos pequenos sorrir ainda com mais luz!

Fica a promessa, amanhã mostrou a cartinha da Eva! 🙂

 

O mais belo presente pré-Natal!

Faz hoje, dia 12 de Dezembro, precisamente um ano que se confirmou que vinha um pequeno rebento a caminho! É verdade, a minha, a nossa vida, mudou há um ano atrás, quando nos decidimos a fazer o teste de gravidez que ditaria o nosso futuro enquanto pais. Era  Sábado e lembro-me que seguíamos para o jantar solidário de apoio à Gatos Urbanos, uma associação de grande mérito em prol dos animais, aqui na cidade de Coimbra. Foi tão difícil não desatar a partilhar a notícia com toda a gente, tal era a felicidade que tínhamos em nós!

Quando digo que faz um ano que confirmámos que a Eva vinha a caminho foi porque já há um mês que o sabíamos dentro de nós, sim, só podia ser! Enjoos nunca senti, mas algumas dores nos peitos foram os primeiros sinais e assim andei durante umas 4 semanas. Ao fim desse tempo lá nos resolvemos a fazer o dito teste para oficializar as nossas suspeitas. Até a senhora da farmácia ficou espantada quando lhe dissemos há quanto tempo tínhamos tido as primeiras desconfianças. No fundo, no fundo, só queríamos mesmo confirmar a melhor notícia das nossas vidas!

O resultado chegou assim, ao final da tarde, envolto em grande expetativa e euforia, que ficarão eternamente registadas em vídeo. E foi com ele que demos a notícia aos nossos familiares e amigos mais próximos, pela altura do Natal, qual prenda abençoada, ainda mais, dada a altura do ano. Hoje acordei com um sorriso no rosto ao recordar aqueles momentos: a alegria, a surpresa, a vontade e o pânico inevitável de quem sente que a sua vida mudará para sempre, … tantos sentimentos reunidos num pequeno teste de gravidez, que mostrava claramente que a pequena Eva já era ser há 5 semanas! Como costumava dizer, no dia seguinte, o meu estado de espírito registava níveis de 70% alegria – 30% ansiedade.

Os dias seguintes foram passados entre análises, primeiras consultas de seguimento da gestação e um misto de pensamentos e emoções! Como estamos longe da família mais próxima, decidimos guardar a novidade para dar pessoalmente, o que só aconteceu pela altura dos festejos natalícios. E o que custaram a passar aquelas duas semanas! Foi uma confirmação praticamente só nossa durante quinze dias. E assim, nos primeiros dias de férias de Natal, também os nossos familiares receberam a revelação cheios de alegria. Houve lugar a todo o tipo de reações, inclusivamente uma espécie de desaparecimento, fruto da surpresa da boa-nova. Sim, Francisco, é verdade, o teu irmão ganhou também o estatuto de pai, … tu o de tio-padrinho, o melhor que a Eva podia algum dia ter!

A nossa vida mudou, sem dúvida, para bem melhor! Há um ano a felicidade foi-nos anunciada, … bateu à porta 9 meses depois! Obrigada Eva por fazeres parte de nós, queremos-te para sempre, com o mesmo ou mais carinho que hoje!