Teleterapia… a história de um novo amor!

Se há precisamente um mês atrás, quando suspendi todos os atendimentos presenciais, esta palavra, teleterapia, era apenas uma hipótese longínqua, nem sequer idealizada, pois não sabíamos como iriam ser os próximos dias, atualmente, posso dizer-vos que vibro só de pensar nela!

Quem me conhece de perto sabe que sou dos afetos, dos abraços demorados, dos beijos sinceros e das gargalhadas entre cada frase, como se de vírgulas se tratassem! Sim, gosto de chegar aos infantários e creches e presentear todos com um doce e longo “Bom diaaaaaa!”! Sim… abrir a porta do nosso cantinho, mesmo carregada com malas e sacos dos domicílios, com os pequenos agarrados ao meu pescoço ou às minhas pernas, .. tudo isso! 🙂

Mas os tempos mudaram repentinamente! Não tivemos aviso, não houve período de adaptação! Não houve regras, nem informações, nem qualquer forma de antecipação. Ainda hoje continuamos em adaptação de um tempo que não sabemos quanto tempo ficará!

Ainda assim, resiliente como sou, com toda a responsabilidade que sei que carrego com as famílias que acompanho, deitei mãos obra, e logo no dia 16 de Março, iniciei as sessões com os primeiros meninos. E o que hoje quero partilhar com vocês é o sentimento que tenho partilhado com tantos e tantos colegas com quem tenho falado nos últimos dias, … no último mês. Colegas que nem conheço pessoalmente, … pessoas fantásticas que vão chegando às nossas redes sociais,… amigos que ligam em busca de ajuda e de partilhas, .. Mas hoje, quero trazer esta partilha para todos vocês!

A primeira semana foi sem dúvida de descobertas: como usar a plataforma de videochamada, como tirar o máximo partido das suas ferramentas, … como adaptar os materiais, … como motivar os pequenos e como tornar as sessões dinâmicas e divertidas, … tudo isto sem recorrer a materiais manipuláveis e sem haver contato físico.

Mas, sabem que mais? Com os dias, as experiências foram sendo positivas, … via os sorrisos a crescer em cada tela, … o meu ia sempre acompanhando, … ainda mais quando o retorno vinha dos pequenos acerca dos quais os pais tinham tanto medos e receios, … “não sei se irá funcionar com ele… é sempre tão irrequieto…”. Quatro semanas depois, em que alguns deles já fizeram quatro sessões, sabe tão bem ouvir o “ainda bem que arriscámos!” ou o “está a correr melhor do que imaginava”! Ficamos com o coração aos pulos, os olhos lacrimejantes!

É esse alento que tem sido recíproco, que tem criado esta doce bola de neve positiva. Os pais vêem mais confiantes para a sessão. Os pequenos chegam expectantes e perguntam logo quais são as novidades do dia. “O que vais mostrar hoje?” ou “o que vais por no meu computador?” ou mesmo “que magia vais fazer hoje aqui na televisão?”

Tão bom ver os olhitos cintilantes quando iniciamos as sessões. As despedidas preenchidas por 50 mil “adeus” e “até para a semana”, pois ninguém quer ser o primeiro a desligar das gargalhadas!

E sabem que mais? Para tantos que pensava que este trabalho era mais impessoal, mais difícil, .. que não iria surtir efeito a 100%, … claro que ainda é cedo para um balanço mais profundo, … mas, sabem o que vos digo? Noto os pais ainda mais envolvidos, com o sentimento de responsabilidade ainda mais apurado. Gosto sempre que eles estejam presentes nas sessões, já o fazia antes, mesmo antes de tudo isto. Mas, quem trabalha também em contexto escolar, sabe que nem sempre conseguimos ter os pais por perto. Mesmo em gabinete, muitos preferem esperar cá fora ou aproveitar o tempo da sessão em outros recados, isto porque nem sempre os pequenos colaboram da mesma forma. Claro que mantenho sempre o contato e a articulação com eles, antes, depois da sessão, … por telefone, mensagem, email, por vezes dando um feedback no fim da consulta que eles tanto gostam de receber mesmo estando no trabalho, .. sinto que é mais uma forma de pensarem nos seus pequenos durante o dia. E aí sei que todos alinhamos energias bonitas em redor daquela criança, e sinto sempre que o nosso trabalho é especial, ou se é! 🙂

É assim que gosto de estar, próxima, totalmente envolvida.. mas, estes dias e esta nova experiência têm-nos aproximado ainda mais, acreditem. Pais que nem sempre ficavam na sessão agora estão a tempo inteiro. Famílias de certos pequenos que apenas ouvia ao telefone após as sessões feitas em escolas agora permanecem connosco, com tudo o que de bom essa situação carrega. As estratégias são dadas na hora, totalmente em contexto terapêutico, com as pistas certas, no momento mais oportuno. Com a possibilidade de eles testarem neles e nos pequenos. Com toda a probabilidade de eles as replicarem ainda mais vezes nos dias que passam em casa com os miúdos!

Os próprios familiares referem essa questão. Toda esta situação trouxe mais proximidade, mais responsabilidade a cada pai… eu sinto o mesmo! Sinto que, com os meus pequenos, e com a minha filhota também, para além da responsabilidade que tínhamos na educação deles, já de si tão importante, agora temos ainda mais, pois a parte académica está, em grande parte, do nosso lado, seguindo, claro, todas as orientações de educadores e professores.

Mas, como gosto de reforçar, sou de gente em meu redor, sou de afagos e de miminhos bons nas bochechas dos meus meninos, … e, sabe que mais? Agora mimamos ainda mais todos: os filhos, os pais, … até os irmãos no final das sessões se juntam a nós, em tantos e tantos casos. Guardarei para sempre a frase do meu L. quando, no fim da sessão, se juntou a nós na salinha onde tinha decorrido a terapia o seu irmão mais novo, e mesmo na última tarefa, o pequenito quis participar. A certa altura, senhor de si, diz o pequeno L. : “Ei, esta é a minha terapia”! Momentos deliciosos, que vamos guardar eternamente. Foi risada geral.

Mesmo com os mais crescidos, que ficam quase sempre mais autonomamente em sessão… crianças e jovens que já conhecemos há mais tempo e com quem o trabalho desenvolvido já segue um curso muito mais de incrementar a autonomia e a generalização de estratégias, sabe tão bem quando no final chamamos os pais, dando as indicações e, mesmo após os meninos e meninas saírem, ainda ficamos com a família, mais dez, quinze, vinte minutos, … a confiança, o companheirismo e o espírito de entre-ajuda continuam lá, reforçados, ainda mais!

É bom sentir que continuamos a ser uma espécie de braços direitos, abrigo de alguns dias, recanto de algumas confidências, colo imaginado de alguns suspiros e recobro de algumas lágrimas, … essa é a parte mais difícil de gerir, pois todos andamos com as emoções à flor da pele.

Ainda assim, se houvesse uma balança das emoções e se ela tivesse o lado positivo do lado esquerdo (o fiel lado do coração), certamente que quase todo o peso ai residiria. As pequenas (por vezes grandes) pedras que poderiam fazer essa balança pender para o lado menos bom, vamos juntando e transformando em sorrisos, semeando ventos de dias mais serenos nas manhãs seguintes. Não, não é fácil… não, não é o que todos queríamos, … mas sim, o sabor é feliz! O aroma é de satisfação, de missão que vai sendo cumprida dia após dia, … sessão após sessão, … criança a criança.. família a família!

A todos os que se têm cruzado com as famílias neste trabalho, no trabalho de envio de emails com materiais, em telefonemas mil, com equipas inteiras, … a todos vocês, um sincero obrigada! Mesmo os que não estão em teleterapia, mas que se desdobram em esforços gigantescos! Podemos fazer a diferença na vida de tantas pessoas, … em tantos dias… em tantas vidas, … esta é só mais uma pequena prova. Fazendo jus à máxima da nossa APTF “O terapeuta da fala pode (mesmo) fazer a diferença! Continuemos a lutar, e seremos todos vencedores! Certamente, mais um serviço a oferecer futuramente no nosso espaço… ao alcance de todos!

A Magia dos Gestos – “Baby Signs”

 

Já há cerca de 3 anos que descobrimos em família a magia dos gestos, através do programa Baby Signs. Foi pela mão de quem o trouxe a Portugal, a querida Sabla d’Oliveira, que o conhecemos. Desde há uns tempos que seguia a sua página no Facebook e, quando soube que viria dar formação a Coimbra, foi a loucura. Tivemos a felicidade de receber uma inscrição gratuita para o workshop de pais e desde logo ficámos rendidos. Na altura a Eva tinha sete meses! O workshop foi uma delicia, recheado de doçura e magia! Os bebés podiam circular livremente, podiam brincar e descobrir todo o espaço que tinha sido devidamente preparado para eles! Enquanto isso, nós, pais, íamos descobrindo alguns dos gestos, partilhando-os logo com eles. Logo começamos a por tudo em prática, assim que chegámos a casa. Persistência e dedicação são as palavras de ordem quando falamos desta abordagem. Certo é que, logo aos 8 meses, a pequena disse a primeira palavra. O primeiro gesto surgiu pouco tempo depois.

Durante vários dias e semanas íamos “rotulando” de gestos muitas das coisas que fazíamos, muitos dos objetos que nos iam passando pelas mãos, … o “comer”, o “beber”, o “gato”, o “coelho” da história, o “cão” do brinquedo, o “gosto de ti” que a toda a hora lhe diziamos e que ainda hoje é usado carinhosamente quando me despeço dela na janela de casa, mesmo que não a consiga ouvir… a “música” que púnhamos todos os dias e que a pequena adorava e adora,… e foi precisamente esse o primeiro gesto que fez! A magia aconteceu mesmo ante o nosso olhar! A sua motivação era a de ouvir música num dia em que não a tínhamos logo colocado, por isso foi ela mesmo que pediu, por iniciativa própria. Nem queríamos acreditar ao vê-la fazer o gesto. Ficámos loucos de alegria. Gravámos e enviámos à Sabla, que sempre vibra connosco e com estas pequenas vitórias. O vídeo chegou mesmo a ser partilhado no grupo secreto a que ficamos a pertencer, logo após a conclusão do workshop. Ali partilhamos conquistas, dúvidas, novos gestos que queiramos aprender, … temos todo o apoio e incentivo!

Ora, constatada que estava a eficácia do programa na minha vida pessoal, comecei também a aplicar as mais valias na vertente profissional, nas sessões de Terapia da Fala. Desde essa altura, em que fiz também o workshop para profissionais, que a magia chegou também às salas, com os “meus” meninos mais pequeninos. Ora, não é o gesto uma das primeiras abordagens que eles usam? Aquela que por vezes mantêm durante tanto tempo, levando por vezes a atrasos na fala? E se pudermos ter esses mesmos gestos, como base para a evolução da linguagem, como motor maior? Pois é, é isso mesmo que o programa “Baby Signs” preconiza. Ao contrário do que muitos papás e educadores receiam, não, o Baby Signs não contribui para o atraso do desenvolvimento da linguagem, deixando a criança presa a gestos, por mais e mais tempo. Não! O Baby Signs pega precisamente naquilo que a criança vai dominando, dando-lhe segurança nas suas partilhas, dando ênfase à sua iniciativa comunicativa. A par de tudo isso, a nossa missão de adultos, quer enquanto pais, quer enquanto profissionais (educadores, professores ou terapeutas) é mesmo a de ir dando novos gestos, novos estímulos. A par disso mesmo, o gesto é sempre acompanhado pela palavra. Assim, a estimulação da linguagem é conseguida. Seja nas interações quotidianas, em todos os contextos da criança, seja na leitura de uma história, ao cantar uma canção, em todas as brincadeiras, … qualquer iniciativa é ótima para transmitir mais e mais vocabulário. E depois? Depois… é só deixar a magia acontecer! Redução de birras, maior ligação entre pais e bebés, mais segurança emocional, … tanto, tanto, tanto que se ganha na relação com os mais pequenos!  Comprovada que está a eficácia deste programa a nível internacional, que mais esperam para o vir conhecer em Coimbra, pela mão da querida Tânia Dias?

Baby Signs

Pois, é verdade! A vida traz-nos estes presentes incríveis! A Tânia é uma amiga de outras andanças, também das que me apaixonam e me prendem mais um pouco do coração. Somos colegas do curso de CAM (Conselheiras em Aleitamento Materno)… partilhamos a paixão pela maternidade, pelo aleitamento, pelos bebés, pelas crianças e pelas conquistas bonitas! Mais uma vez, e ao fim de vários meses de preparação cuidada, juntamos esforços e trazemos a Coimbra a alegria e a dinâmica Baby Signs. Depois do sucesso do “Workshop Baby Signs de Natal”, no nosso “cantinho do coração”, teremos workshop de pais, já no dia 12 de Janeiro. A inscrição inclui a participação do casal e do bebé, apenas por 25€. Dias 16 e 23 de Janeiro, teremos em horário pós-laboral os níveis I e II para formação de profissionais. É educador e quer ser agente ativo na evolução da linguagem dos mais pequeninos? É terapeuta da fala e quer dar nova cor as sessões com os utentes mais novos? Temos preços especiais para inscrição conjunta nos níveis I e II! Falem connosco ou espreitem as paginas de Facebook. Esperamos por vocês… para que a magia continue a espalhar-se!

https://www.facebook.com/BabysignsTaniaDiasCoimbra/

https://www.babysigns.pt/team/tania-dias/

Poupanças por um sonho… (Disneyland Paris II)

É verdade, estamos de partida, … falta tão pouqinho!!!! A pequena já dorme, mas a excitação era imensa… tanto tempo que levou a adormecer, … tanta expetativa, tantos sonhos, … O jantar foi passado a ver imagens dos parques que visitaremos, das atrações que queremos ver, … continuamos a planear tudo ao pormenor. Em breve conto-vos que aplicações estamos a usar, para assim vos ajudar caso nos queriam seguir os passos e entrar nesta aventura!

Como prometido, aqui venho eu contar-vos como fizemos as poupanças para esta viagem, … e como agora, no momento das reservas, nos custou muito menos na gestão do dinheiro mensal.

1 – Poupanças a longo prazo

Já há uns cerca de três anos que tínhamos uma pequena conta onde íamos somando alguns euros. Lembro-me que, numa outra casa onde estávamos, conseguimos negociar o valor da renda e a baixámos uns euros. Em vez de juntarmos o valor ao que temos disponível todo os meses, e sendo ele algo com que habitualmente não contávamos para outras despesas, foi logo sendo posto de parte. Só aí, penso que durante cerca de meio ano, um valor razoável foi junto.

Depois, íamos somando um ou outro valor das “notas pequenas”, mas que juntas se tornam grandes, dadas no Natal, aniversário e Páscoa pelos pais e avós. Mais um avanço!

Sempre que havia um ou outro dinheiro extra, com que já não contávamos, mas que por acaso conseguíamos poupar, com reparação do carro, por exemplo, ou outras despesas, ia também para esta conta. Sim, na altura poderia ter aliviado aquele mês, mas como já não contávamos com ele e estava para ali destinado, não sendo necessário foi mais um grão a juntar à tal conta.

Quando demos por ela, tínhamos cerca de 700€ de parte, ao fim deste tempo. Pelo menos, viagens de avião para os três e casa para os quatro dias conseguimos, e ainda sobrou algum para os bilhetes de entrada no parque. Em breve contamos também como conseguimos estes preços.

2 – Caixinha “dos miúdos”

Já há anos que esta caixinha existe cá em casa. A ideia veio comigo da casa onde cresci. Aí, o valor reunido revertia quase sempre para a causa animal. Cá em casa é apelidada de “caixa” para as viagens. Porque a chamamos também de caixa “dos miúdos”? Porque nela colocamos, e esse é o conceito, todas as moedas de 1, 2, 5 e 10 cêntimos que nos vêm parar à mão! Moedas que “só fazem peso na carteira”, como muitos dizem, … para nós fazem peso na caixinha mágica. E não é que ao fim de um ano, fazem toda a diferença?

Por vezes, abro excepção e lá coloco uma moeda de 20 cêntimos. Se encontramos moedas, por acaso, perdidas em algum bolso de casaco, nas calças antes da lavagem, … o destino é também a caixinha.

Outras vezes, vamos fazendo “pequenas cedências” no dia a dia. 50 cêntimos de um café não bebido na rua, mas saboreado em casa,… 1€ de um bolo não comido lá fora, … 5€ de algo supérfluo que, em vez de ficar em casa amontoado, se converteu em mais uma estrelinha para o nosso sonho… Ultimamente tenho feito outra coisa: a primeira nota de 5€ que me vem parar à mão no mês, vai para lá! 🙂 E o valor que poupo em parques de estacionamento, quando vou trabalhar e consigo lugar em estacionamento livre, no último mês tenho também conseguido para ali canalizar.

No fundo, o objetivo é mesmo esse, … dinheiro que poderia ir para outras coisas, necessárias ou opcionais, acaba por conseguir ser reunido. Também aqui, algo que seria necessário comprar e depois não foi, … algo que nos saiu mais barato do que inicialmente pusemos de parte segundo o planeado, … vai tudo para a caixinha. E assim, ao fim de cerca de um ano, a caixinha tinha mais de 120€ 🙂

Contas feitas, cerca de 850€ que quase pagaram voo, casa e bilhetes para o parque! Agora, das poupanças e do valor do mês iremos gerir o que poderemos gastar por lá em alimentação e transportes.

E assim se prova que, no poupar, está o ganho. 🙂 Não tarda muito, voltamos com mais truques!

“Um passo à frente” – abordagem ao desenvolvimento da comunicação e da linguagem na infância

“Um passo à frente”, “a escada seguinte”, … sem querer, estes termos que vou usando no dia a dia, com educadores, com professores, com os próprios pais e utentes, … nos workshops, … vão ficando nas suas memórias e pensamento e começam a ser usados mesmo por eles próprios. Tão bom saber que absorvem a essência da ideia que lhes tento transmitir. Tão positivo quando sinto que os usam de forma correta e os aplicam na sua prática diária!

Esta é a minha forma de abordar a evolução e desenvolvimento da comunicação e da linguagem. Sim, pois comunicar é tanto mais que linguagem, e infelizmente nem sempre se dá valor a estes pequenos avanços que vão surgindo.

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Uma bebé que chora, comunica! É a sua forma primordial de se afirmar perante o mundo, de manifestar as suas necessidades. É a mais primitiva e é universal. Depois movimenta-se, … curva o seu corpo perante a dor da cólica, … sorri ante rostos familiares como o dos pais, … emite pequenos gritos,… Em seguida chega a fase da lalação, do balbucio, … as primeiras palavras, … os gestos, o apontar, … tudo e tudo!!! Tudo isto é comunicar! Um fervilhar sem fim, ávido de estímulos e de quem lhes dê continuidade, … o combustível perfeito para que a linguagem emerja na sua forma mais complexa e funcional.

Estranho deve ser para os pais e educadores quando estes pequenos grandes sinais não se manifestam desde os primeiros dias, … cada qual dos comportamentos acima enunciados, sendo demonstrados quase sempre por esta ordem, durante o primeiro ano de vida. Mas nem sempre estes marcos do chorar, sorrir, palrar, … se sucedem assim, dentro do esperado pelos estudiosos do desenvolvimento da linguagem. Nem em todas as crianças a sua sequência é natural, necessitando estes pequenos aprendizes de maior apoio, estimulação e de maior envolvimento DO meio e COM o meio que os rodeia.

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Costumo por isso mesmo, aos pais e educadores que me procuram, dar esta noção do “passo à frente”, tanto em casos de patologia ou atraso do desenvolvimento global, da comunicação, da linguagem ou outro, como mesmo em crianças com desenvolvimento dito típico. Sim, pois a estimulação é feita sempre com este princípio, seja em que idade ou em que caso for.

Se a criança sorri, devemos verbalizar “estás feliz?”, “gosto de ti!”, “gosto de estar contigo!”, “tu gostas de estar aqui comigo?”, .. devemos ser a voz das suas palavras enquanto ela própria não as consegue produzir. Assim, vamos dando rótulos aos sentimentos, às emoções, … aos objetos, aos acontecimentos, .. tudo, … desde o mais abstrato ao mais concreto do nosso mundo.

Depois começa a fase da lalação, do balbucio, … os pequenos sons, repetidos sem fim, … “mamamama”, … “papapapa”, … as suas variações “mamapa”, … “titipo”, .. E porque não imitar a criança, acrescentando sons? Porque não concretizar o “mamamama” como “mamã” ou o “papapapapa” como “papá”, quando estes lhe surgem ao alcance.

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E com o apontar, porque não aproveitar para, também com ele, dar “voz” ao pensamento interior da criança, ainda incapaz de se manifestar em palavras? Não é por acaso que os programas de gestos infantis, tal como o Baby Signs que uso e amo de paixão, são eficazes! Claro, sempre acompanhados com o nosso “passo à frente”, ou seja, a linguagem! A criança gesticula e nós verbalizamos o que ela tenta transmitir pelo gesto, como que o “rotulando” e realizando em vocábulos.

E assim, esta sequência lógica, comum, … vai ganhando forma, até dar lugar à fala. Surge a primeira palavra, … mas aí, pensamos novamente já no próximo “passo à frente”: a combinação de palavras. “Mamã” pode ser um “anda mamã”, “gosto da mamã”. Um “pão” pode querer significar “quero pão”, “dá pão”, .. e assim, modelando aquilo em que a criança pode crescer em termos linguísticos estaremos sempre um “passo à frente”! Isto é motivar, é modelar, é estimular comunicação e linguagem, procurando o seu potencial máximo!

Depois devem chegar as frases cada vez mais complexas, e o nosso lema de “passo à frente” deve continuar sempre. O “quero pão” de outrora, pode ser agora um “quero pão com manteiga” ou um “quero comer pão e beber água”. O que hoje são conceitos concretos e palpáveis podem buscar o “passo à frente” com os conceitos abstratos, mais com o chegar dos três, quatro anos, …  “o pão é bom”, “o bolo é delicioso”!

Assim se busca o desenvolvimento máximo da comunicação e da linguagem, a base do pensamento, das vivências diárias, .. da interação social e de tudo o que ela acarreta. Assim se deveriam estimular as nossas crianças. Assim se poderia implementar e fazer no dia-a-dia, em todas as oportunidades de comunicação: nos momentos da alimentação, do vestir, do deitar, nos passeios ao parque (cada vez mais substituídos por horas nos tablets, para terror dos meus pensamentos e de tantos pais)… em tarefas de pintar, em brincadeiras com os triciclos e no meio da terra. Sim, elas também fazem (MUITA!!!!!) falta.

Growing up

Pais, educadores, professores, tios, avós, … todos temos este poder nas mãos. Vamos usá-lo em favor dos nosso pequenotes, … os que serão, pensando aqui também “um passo à frente”, os comunicadores, homens e mulheres do amanhã. Os que terão o destino na mão, … os que hoje, para já, nos deliciam e fazem sorrir, só por termos o privilégio de existirem nas nossas vidas.

E quando os pequenos ficam doentes?

Pois é, … a altura das gripes e constipações chegou em força. Mas tirando estas “más da fita” do Inverno, durante o ano há mais vilãs e para todos os gostos: viroses, gastroenterites e tudo o que mais se possa imaginar. Vacinamos, isso sim! Conseguimos evitar muita coisa! E felizmente a pequena cá de casa até tem sido “rija” e tirando os “boca-mãos e pés” desta vida, pouco tem precisado de ficar em casa.

Mas hoje aconteceu, … aconteceu e eu trabalho a recibos verdes. O pai para faltar ainda mais complicado se torna. E para piorar, as avós vivem a 120 km de distância e trabalham. Hoje fiquei em casa com a pequena, sim! Adoro o meu trabalho, os meus meninos e utentes mais velhos, mas hoje a Eva passou mesmo para primeiro plano. Começou com uma tosse terrível já na segunda feira e ontem piorou muito. Ficou letárgica e sem forças, só queria miminho e estar deitada no sofá. Quase vomitava com tanta tosse. Dizia que tinha “tosse na barriga”, tantas eram as dores de tossir e o desconforto que isso lhe causava! Demos xarope para a febre, pois esta já se fazia sentir e a noite foi de espera e muita paciência e amor. De manhã a febre ainda não tinha dado tréguas e por isso a opção foi mesmo ficar com ela. Para evitar que ficasse pior, … e para evitar contagiar os colegas que ainda não estavam assim tão mal. Mas tantos pequenos que têm andado assim, …

Quantos pais haverão como nós, que dependem apenas um do outro, com profissões que os absorvem por vezes quase a tempo inteiro…? Não houve escolha possível nem diferente, … a escolha foi mesmo a Eva. Para lhe dar o meu carinho, o meu amor, os meus cuidados, o meu colo, o meu mimo, … tudo o que ela mais precisa. Abdiquei do meu ganha pão, … passei meia hora em mensagens para todos os pais, de todos os meninos que teria hoje em sessão, e para os educadores e professores das escolas onde estaria com alguns deles, …  e nem sequer recebo nada de apoio da segurança social, … nem sei se a isso tenho direito, … mas pagar, ui se pago! E agora ainda pior, pois as novas regras não sei quem vêm beneficiar.

Fica o desabafo, … fica a reflexão… ser trabalhador a recibos verdes não é fácil, … ver os nossos filhos doentes ainda mais difícil é. Vale-nos o sorriso grato por cada momento passado juntos e a esperança de o amanhã ser melhor e de já irem felizes e cheios de alegria para mais um dia de escolinha!

 

Quando “fugimos”, … para a cama dos filhos!

Por norma, para os mais pequeninos, a cama dos pais é o refúgio perfeito, … para iniciar a noite quando adormecem, … a meio da noite quando têm um pesadelo ou terror noturno, … ao raiar da manhã, … nas manhãs mais preguiçosas de fim de semana… Sim, sempre soube que era isso que se dizia! Por vezes, em pequena, usava a cama dos meus pais para isso mesmo!

Oh, como ficava num misto de alegria quando o meu pai saia em trabalho. Ia ficar uns dias sem o ver, … mas sabia que naquelas noites podia dormir com a minha mãe! Ficava tão feliz pelo aconchego!

Mais recentemente descobri o bom que é partilhar a cama com a Eva. Sempre teve o seu berço no quarto, recentemente desmontado por já estar, por decisão dela própria, a dormir no seu quarto, sozinha. De pequenina dormia no berço e vinha para a nossa cama para mamar. Algumas noites ali ficava algum tempo até que regressava… depois foi ficando e passámos a fazer co-sleeping. E fizemo-lo quase até aos dois anos, como já partilhei com vocês, sem qualquer receio de julgamento. Penso que foi essa mesma segurança que lhe transmitimos que a fez sentir-se forte, crescida e determinada para pedir por ela própria, há cerca de um mês, para ir dormir para o seu quarto, preparado desde a gravidez. E até hoje lá continua, sem qualquer hesitação!

Chegar à nossa cama com ela lá, depois de um serão de trabalho, de preparação de sessões e de tudo para o dia seguinte, sempre foi uma alegria! Agora, com ela a dormir na cama nova, as coisas ganharam uma nova dimensão. Devo confessar que sinto saudades de me deitar e me enroscar a ela, se sentir o seu cheirinho a bebé, de lhe ouvir o respirar sereno…

Agora, adormeço com ela como fazia antes, mas na cama dela. Por vezes basta virar-me para o outro lado que adormecemos coladinhas. Ela coloca o pequeno bracito por cima de mim e sinto ali um teto que me protege e me ampara. O dia a dia tem sido de muitas emoções, … de algumas fraquezas e de muitos cuidados e preocupações. Ali encontro o meu ninho, o meu altar, o meu refúgio… e várias vezes sou eu que volto a fugir, … mas desta vez para a cama da Eva!

Quantas vezes sei que ela adormece rápido, mas ali fico a absorver-lhe cada gota de amor, cada respiração curta e tranquila, … Passo-lhe as mãos pelo cabelo repetidas vezes, acaricio a sua bochecha, … dou-lhe um milhão de beijos e sussurro-lhe ao ouvido o quanto a amo.  Já a vi sorrir por várias vezes quando o faço, mesmo adormecida,… parece que me ouve e me percebe.

Outras vezes, depois de a adormecer, levanto-me e venho trabalhar, .. mas quando as forças escasseiam vou até lá e bastam por vezes cinco minutos para retemperar forças e energias, …. e regresso ao trabalho. Ou quando me levanto cedo, pela manhã, para ultimar as coisas para o dia que se aproxima… quantas vezes a primeira coisa que faço depois de sair da minha cama é ir até ela, … todos os dias é a primeira coisa para dizer a verdade! Vou até lá, … tapo-a com amor, … ajeito-a na almofada, e fico ali a olhá-la. Agradeço aquele dom tão pequenino mas com tanto significado para mim. Digo para mim mesma que as coisas têm todas um significado e ela é o maior de todos eles, … o motor dos meus dias. Aí, mesmo que as forças estejam em nível quase negativo, a pequena lança qualquer coisa de mágico, e tudo passa a fazer sentido.  O dia ganha cor e começa com o maior de todos os amores.

Por vezes fugimos para a cama dos filhos, … a sensação é fantástica, … é de amor duplicado, triplicado, … muito mais que quando eramos nós a fugir para a cama dos nossos pais. Ali, com a pequena, sinto-me menina outra vez, e ela é que me ampara. Sinto o seu calor e o ar que vem do seu respirar, … o vento perfeito que me diz: “vai em frente, continua… confio em ti, … preciso de ti e da tua força”! Obrigada filha, … obrigada pela doçura e pela calma do teu regaço… dás-me tanto, mesmo sem saber!

Uma “esponja” chamada cérebro infantil!

Verão à porta, e blog mais ativo. Pelo menos assim o espero, é esse o meu desejo, de hoje e de todo o ano, mas os afazeres de mãe e enquanto profissional nem sempre deixam o tempo suficiente que gostaria de dedicar a este nosso cantinho especial. Vou sempre respondendo às vossas mensagens e comentários, partilhando descobertas, mas prometo que os textos e partilhas vão ser ainda mais frequentes.

E hoje venho falar-vos de uma teoria de que há muito vou recolhendo provas: que os cérebros dos nossos bebés e crianças são verdadeiras “esponjas”. Uso essa expressão várias vezes, desde há muito na minha prática enquanto terapeuta da fala, e mais recentemente, como mãe, tenho comprovado isso mesmo com a Eva, desde os primeiros dias e desde as primeiras interações, mesmo com dias. Sim, apenas com dias de vida! Julgo até que já há um grupo de pais e de educadores com que me cruzo que usam a expressão como se fosse uma expressão científica, mas é apenas o resultado do que vamos vendo no dia a dia, o que tem sido o motor do sucesso de muitos dos casos que partilhamos e acompanhamos em conjunto.

A ideia é mesmo essa, a da esponja, de banho, de cozinha, qualquer uma, … sedenta de àgua! Os cérebros dos nossos pequenos também eles nascem assim, com sede de saber, de conhecer, … de beber cada experiência e cada acontecimento. Vários são os textos que já partilhei com vocês aqui no blog sobre o desenvolvimento da linguagem infantil e de como podemos estimular para isso mesmo, e esta é sempre a base. Desde cedo que falava com a Eva de igual para igual, desde os primeiros dias… explicava as rotinas, perguntava, explicava… descrevia o mundo e as coisas ao nosso redor, … mesmo perante os olhares de estranheza de muitas pessoas à nossa volta. Mas a verdade é que os frutos que colhemos foram observados desde muito cedo  e em boa quantidade. A pequena fala pelos cotovelos e todas as experiências têm contribuído para isso mesmo.

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Palavras, expressões que usamos, … tudo surge em algum momento. E a capacidade de memorização deles é incrível. Havia uma música que várias vezes cantava à Eva, … inventada por mim, nas nossas partilhas de amor e carinho mais profundas… nela repetia várias vezes e com diferentes entoações o nome que tão carinhosamente uso com ela: “Sininho”. Isto desde os primeiros dias de vida, quando estávamos em casa, em licença! A verdade é que a pequena cresceu, o nome manteve-se mas, sem saber bem porquê, durante algum tempo não lhe cantei a canção. Outras surgiram e aquela foi ficando guardada na nossa memória. E na dela, oh se ficou!!! Bastou ver um dia o Peter Pan e dizermos-lhe que uma das personagens era a Sininho para a pequena entoar logo ali a canção! Ficámos abismados! Como era possível ter ido associar a ideia e recordado a canção? É verdade, é isso mesmo, o poder da super esponja cerebral.

E outras provas existem, e partilho-as enquanto mãe e profissional. Ainda no outro dia falámos de um assunto à saída da creche. E por ali ficou. Continuamos o caminho, fomos fazer recados, continuamos com as nossas conversas de mãe e filha e, quando chego quase à porta de casa a Eva volta a falar do assunto pois viu mais um carro “verde”, os que tinhamos começado a procurar quando saímos da creche. O poder de recuperação de memórias deles é mesmo incrível!

E aqueles meninos que acompanho que poucas ou nenhumas palavras diziam? Oh, outra maravilha a partilhar! É tão engraçado quando os pais nos dizem que eles vão usando algumas expressões e, ou eles ou eu própria, as reconheço como expressões que costumo usar com eles em sessão? Que alegria que me dão! Ainda esta semana uma mãe me enviou uma pequena lista das palavras que já ia ouvindo com o seu pequeno, em casa. Um menino que quase nada dizia. Qual não é o meu espanto quando, grande parte dessas palavras resultaram de atividades em sessão, e do excelente trabalho que os pais vão fazendo também em casa como forma de continuidade dos objetivos da sessão. Mais uma prova deste facto.

O cérebro guarda, armazena, classifica, retém tudo nas suas “gavetas” magníficas. Nós, pais, educadores, terapeutas, professores, somos os seus guias iniciais, orientamos e ajudamos em todo esse processo. Quanto melhores guias formos, quantas mais experiências enriquecedoras proporcionarmos aos nossos meninos, maiores serão os ganhos. Lembrem-se sempre: alimentem a esponja que há nos vossos pequenotes, pois com a idade, ela mostrará que é bem pesada, e não apenas uma simples esponja esburacada. Ainda assim, estará sempre sedenta de mais e mais conhecimento, pois é na partilha que juntos, vamos construindo a sabedoria. E assim, ganha a linguagem, ganha o desenvolvimento cognitivo dos nossos pequenos heróis!

A idade do “O que é isto”!

Muitos de vocês devem estar familiarizados com a chamada “Idade dos Porquês”! À luz do desenvolvimento da linguagem e de todas as teorias existentes, a denominada “Idade dos Porquês” não é mais que o pico explosivo da linguagem que, por norma, ocorre por volta dos 3 anos de idade! Sim, é esse mesmo o motivo para, por vezes, alguns pequenos apresentarem um discurso tão rápido, tão rápido, tão rápido que, em alguns casos, os pais e educadores pensam que se instalou uma súbita gaguez. Um dia destes voltaremos a este tema mas, para sossegar os corações de pais mais aflitos e para todos aqueles a quem o tema despertou interesse, saibam que essa é uma fase normal e típica no desenvolvimento comum da linguagem.

Basicamente, os pequenos ficam tão curiosos com o mundo à sua volta e o vocabulário cresce de uma forma tão repentina que, na maioria dos casos, “o cérebro pensa a mil e a boca fala a cem!”.

Mas, o que descobri com a Eva, e isto não vem em nenhum livro, é que muito antes desse idade dos “Porquês” parece existir a idade do “O que é isto?”. A Eva está perto de completar dois anos e esta é a pergunta que mais temos ouvido nos últimos tempos. Sim, é fruto da estimulação que fomos fazendo desde os primeiros dias de vida. Recordam-se dos nossos primeiros textos, quando vestiamos a pequena e iamos dando vocabulário ligado ao corpo, às peças de roupa, … quando chovia e iamos para a janela admirar a natureza e as muitas gotinhas que teimavam em cair? Quando o pai trouxe a pequena flor amarela e a Eva adorou? Quando cozinhava e ia dizendo tudo o que ia usando e a pequena soltou a bela da primeira gargalhada ao som da música do “Feijão verde-verde-verde”? Quem nos acompanha desde o início deve recordar a maioria destas aventuras. Os seguidores mais recentes podem consultar todos esses textos que fomos escrevendo com o coração!

Pois, mas é isso mesmo! Tanto que nós descrevemos e iamos “perguntando” por ela “O que é isto?”, respondendo em seguida, que agora é a pequena que pergunta sem parar! Pega num livro e lá vem a pergunta. Vê um brinquedo e pergunta “o que é isto?”. Na rua, na escola, … pergunta, e nós respondemos. Respondemos e vamos dando mais alguma informação, pois o desenvolvimento e a estimulação da linguagem fazem-se assim: um pouco de curiosidade deles, ao que se junta mais um ou outro termo que nós lhes damos para expandir o seu discurso e as palavras que eles já vão dizendo! E assim, palavra a palavra, enchem os pequenos a sua pequena boquita!

Já sabem: mamãs, papás, avós, tios, primos, educadores…! Aproveitem a curiosidade dos vossos pequenos. Mesmo que eles não perguntem: descrevam! Mesmo que eles apenas só olhem: digam o nome das coisas que eles vão vendo! E assim, a magia irá acontecendo aos poucos diante dos vossos olhos. Ficar à espera dos três anos pela “Idade dos Porquê”? Qual quê! Hoje partilhei com vocês este segredo. A idade do “O que é isto” chega bem mais cedo e é a sementinha perfeita para que a linguagem dos vossos bebés cresça a olhos vistos. Assim, estes conhecimentos vão-se acomodando aos pouquinho e, quem sabe, lá por volta dos 3 anos, eles não nos preguem daqueles sustos em que pensas que temos um pequenote que gagueja. Fica prometido o tema para um próximo texto. Não fica esquecido, palavra de mãe,… e de terapeuta! Bom fim de semana para todos vocês!

Brinquedos de menino e de menina?!

Sou apologista do brincar, do passar tempo com os filhos e com as crianças no geral, ou não fosse isto que preenche os meus dias enquanto mãe e terapeuta da fala. Aprender faz-se brincando. A construção da personalidade faz-se também por entre jogos de casinhas, em brincadeiras de “pai” e de “mãe”, de “professor” e “aluno”. Todos podemos ser o que quisermos quando brincamos. E digo-o e defendo-o mesmo em adultos. Todos os dias tento dedicar tempo a brincar com a Eva, com os meus meninos… rara é a sessão em que não temos um jogo ou uma atividade mais lúdica, e eles adoram. Já há uns tempos, como aqui partilhei no blog, uma pequena me dizia que quando fosse grande, queria apenas brincar! Quem de dera que os nossos dias fossem isso mesmo: com momentos para brincar, perante todos os desafios que vamos superando, quer no trabalho, quer a nível familiar e outros.

Enquanto somos crianças, brincamos às casinhas, aos pais e às mães, mas os supermercados são sempre locais maravilhosos onde o pagamento é feito com moedas imaginárias que passam de mão em mão, ou cartões de multibanco que fazem apenas um “click-click” … e fica tudo pago. As casinhas não têm contas para pagar e somos todos mais felizes! Que nunca se perca este espírito, é sempre o que defendo.

Mas hoje, para além desta reflexão, falo-vos também do brincadeira no sentido desprendido de género, … para que se acabe de vez com as chamadas “brincadeiras de menina” e “brincadeiras de menino”. Longe vão os tempos em que eram os homens que trabalhavam e as mulheres cozinhavam. Cá em casa, o exemplo é outro. Tanto eu como o Carlos trabalhamos e fazemos a vida de casa. A louça e a roupa são tarefa de ambos, o passar, o limpar, … tudo isso é visto pela Eva! Ora, o exemplo tem mesmo que vir de tenra idade. E ela adora ajudar! Adora pegar na esponja da louça e, em cima de uma cadeira, ficar na banca ao lado da nossa enquanto lavamos os pratos. Adora pegar no aspirador e imitar o som! Quando nos vê a varrer, vai logo buscar a vassoura em miniatura! E se pensam que só a dirigimos para este tipo de tarefas mais caseiras, ainda há uns tempos lhe comprámos propositadamente um carrinho de brincar! Para nós, brincar às casinhas, com as louças, com carrinhos, com pistas, com comboios e aviões é para meninos e meninas, e é isso que tentamos incutir na pequena.

É isso mesmo que incentivo com os meus meninos! Haverá melhor para o jogo simbólico do que ter este tipo de brincadeiras? O som do chá a ir para a chávena (“chhhh”) que tantas vezes fazemos, …o “nham, nham” de quando imaginamos comer o bolo mais delicioso … o brincar ao faz de contas, … quanto é que os pequenos aprendizes não ganham em termos de novos sons, novas dinâmicas? E nós sabemos o quando eles adoram sentir-se mais adultos e crescidos. A imitação é, por natureza, um dos melhores processos de aprendizagem. E é por isso que em imensas sessões levo comigo o há muito chamado “saco das comidas”. A Eva brinca com ele em casa, os pequenos nas sessões de terapia da fala também. Tem alimentos em miniatura, tem copos, talheres, pratos, .. o vocabulário que é possível trabalhar é tanto. E os carrinhos e as motas que vão quer para meninos, quer para meninas? O “vvvvv” do avião, o “brrrr” do carro!”, o “drum drum” da mota, … sons e sons sem para! Estimulação para a fala, para a linguagem… um sem fim de ideias!

E se tiverem que oferecer um balde e uma esfregona a um menino, porque não? Certamente eles irão adorar, ainda que os pais possam ficar chocados numa primeira abordagem. Mas é isso mesmo que queremos também: despertar e mudar consciências. Porque é que uma menina não pode receber um carro, nem que seja o carro da barbie, ou mesmo um do Faísca McQueen que eles tanto adoram! Muitas vezes, é mais um pretexto para brincadeiras aos pares, pois sabemos que os interesses partilhados despertam em muito o lado social! Deixo a reflexão, … quem sabe, numa próxima compra de presentes de aniversário, não tentamos um pouco passar o tabu e os mitos da sociedade atual. Mais um desafio que vos deixo! 🙂

Idas ao supermercado e preocupações ambientais de uma mãe!

Na semana passada, quando fui às compras de fim de semana, fiquei em pânico (ainda mais) com tudo aquilo que estamos a viver atualmente. Sim, todos temos ouvido cada vez mais falar do flagelo do plástico, do tempo que ele demora a ser destruído quando deitado fora, da existência de mais plástico nos mares que na própria terra e de todos os animais que têm perdido a vida devido a tudo isto. E o que mais estará para vir?

Até os microplasticos que as fibras sintéticas das nossas roupas contêm atualmente são perigosos, pois tudo vai para a água e, consequentemente, volta a nós, seja sob a forma de água para beber, em cervejas e outros produtos. Nem quis acreditar quando o Carlos me enviou um vídeo sobre isto durante a semana. É mesmo uma calamidade, e todos temos que ficar alerta!

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Sou mãe e educadora, como muitos de vós. Pais, avós, professores, … todos temos que nos preocupar com isto. Primeiro que tudo, tentando sensibilizar os nossos pequenos para este problema, fazendo-os agir desde cedo, de forma consciente e responsável. O tempo que resta ao nosso planeta para reverter tudo isto é escasso, e temos mesmo que ser nós, já, nesta geração, a dar o corte com tudo o que de errado tem sido feito.

Fiquei realmente em pânico no passado Domingo quando fui às compras com mais tempo e disponibilidade que durante a semana, fazendo as compras mais a longo prazo, para o resto do mês. Já pensaram na quantidade de embalagens de plástico que trazemos para casa, que servem apenas uma vez na vida e vão para o lixo? Mesmo sendo recicladas, é muita quantidade de produtos desperdiçados. Uma simples embalagem de papel higiénico, frutas que já vêm embaladas, o pacote do arroz, da massa, .. os invólucros dos sumos, … Por essas e por outras razões, há produtos que já nem entram cá em casa. E quanto aos sacos para as frutas, esses são de papel, usados vezes e vezes sem conta. Todas as vezes que vou às compras levo-os na carteira. E estão muito à beira de ser substituídos pelos bons e velhos sacos de pano.

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Seria tão bom começar a ver ainda mais produtos a granel à venda nos supermercados e pequena superfícies. Sim, bem sei que há locais onde já acontece, mas há vezes que, ora a balança está estragada, ora o stock não é reposto ou é reduzido, … Os esforços são imensos, mas têm que continuar e temos que ser nós a incentivar. Eu própria já enviei emails com sugestões sobre alguns destes temas. Não é justo que, mesmo querendo adquirir produtos biológicos, tenhamos que trazer cada um deles numa embalagem de plástico. Por vezes, dois cachos de bananas bio representam dois sacos de plástico, mais o do tomate, o dos kiwis, … um pânico. Espero ser ouvida e, a longo prazo, conseguirmos diminuir todos em conjunto a imensa pegada que temos sobre o nosso planeta. É tão cruel quando sabemos que o plástico é dos materiais que mais demora a degradar-se, … e na maior parte dos casos é apenas usado uma vez. Um uso que pode ser de um ou dois dias, … e que leva anos a fio para ser destruído no ambiente. Uma embalagem que usamos hoje vai estar cá daqui a muitos anos, mesmo quando nós já não estivermos. É assustador!

E as promoções, com embalagens e mais embalagens? Quis comprar um pack de quatro patês para cão e para gato. Claro que o da promoção é mais apetecível relativamente ao preço, mas vinha em embalagens de cartão. Porque não fazem apenas a promoção em caixa, ou seja, quatro unidades dariam logo direito ao desconto? Ou apenas reunirem as embalagens com uma pequena tira de cartão, em vez de uma nova embalagem?

E depois, vendo com atenção os rótulos dos produtos? Essa é outra discussão, … outro tema de que um dia destes vos falarei. Os rótulos com descrições quilométricas assustam-me, … linhas e linhas de ingredientes que doem só de querer pronunciar o nome, … E’s e números desconhecidos, que escondem componentes perigosos e, alguns deles mesmo proibidos, … Gosto de produtos apenas com dois ou três componentes, … sem aditivos nem corantes, … sem que o açúcar seja ingrediente de primeira fila, … Cada vez mais, são esses que tento trazer para casa. O lema que há uns tempos li, tenho-o mesmo tentado seguir, e desafio-vos a fazer o mesmo: “desembale menos, descase mais!”. Pensem bem nele na vossa próxima ida às compras, no vosso dia-a-dia!

Agimos em conjunto? Pelo nosso bem, pelo bem dos nossos filhos, … pelo bem de um planeta maravilhosos que temos e não sabemos cuidar, … ainda vamos a tempo, temos é que agir já! Todos os dias!