Um Natal de fragmentos…

O Natal deste ano teve um sabor diferente, … um sabor mais amargo, mais frio, mais distante, … foi um Natal como nunca tive nenhum na minha vida e espero que nos próximos anos a diferença seja pela positiva, pois não foi esta a memória que sempre criei do natal, nem quero que sejam estas as lembranças que venha a ter nos próximos natais, …

O melhor deste Natal, o meu refúgio, foi sem dúvida a Eva e o Carlos, o nosso núcleo duro e que está sempre lá, para o bem e para o mal, … para aqueles momentos em que tudo parece desabar à nossa volta, .. eles sim, continuam a ser o meu porto de abrigo, mais seguro que nunca, e só por eles o Natal ainda manteve um pouco do seu brilho e da sua essência: a família e os sentimentos mágicos que se vivem no seio do nosso lar.

O Natal deste ano foi feito de fragmentos e de uma luz diminuta, … quem me conhece, sabe que não costumo tirar férias, muito menos nesta altura do ano, … mas este ano precisei de o fazer para juntar em mim todas as peças soltas, aquelas que tenho tentado a todo o custo ir colando, minhas, dos outros, … sobretudo dos outros, … mas as forças começaram a faltar. Faltaram as forças que tento passar aos outros, … faltaram as forças para mim, e as que ia recebendo aos poucos também têm sido cada vez mais escassas. Este ano precisei de tempo para me recompor, para me encontrar, para poder continuar a dar o melhor de mim aos outros, aos que querem receber a essência dos meus sentimentos mais nobres. Sinto que mesmo com esta idade continuo a crescer, e a amadurecer, .. para muitos posso parecer mais fria, mais distante, mas é tanto disso que vou recebendo em certos casos, que me vou moldando desta forma.

As minhas melhores forças e energias vão sobrando para um grupo cada vez mais restrito de pessoas, de amigos, de conhecidos, … para aqueles que ainda me vão fazendo sorrir e para os que têm sido o meu suporte e conforto. Sinto que cada vez terá que ser mais assim. É para a minha família que quero ter tempo e energia, para lhes continuar a dar o melhor de mim … e espero que assim seja por muitos e bons anos. Aos que mesmo sem serem família já o parecem há séculos, deixo um agradecimentos sentido e especial, … e se tenho tido anjos no meu caminho, oh, se tenho, …

O Natal deste ano foi feito de fragmentos, … fragmentos de memórias e de um sem fim de locais e pessoas para visitar, … ainda mais que nos anos que o antecederam, … Já lá vai o tempo em que Natal era sinal de lareira acesa e dias passados em casa, com a família, em redor da azáfama na cozinha… da sesta a meio da tarde e da magia da chegada dos presentes, que abríamos impreterivelmente depois da meia noite, … dos serões que eu preparava com músicas no órgão, na flauta, as danças e os teatros, com direito a programa impresso a rigor e tudo! Essa magia começou a desfazer-se quando perdi a minha avô, … já lá vão 7 anos e a magia do natal vai caindo a olhos vistos, … restou-me a chegada do Carlos e a vinda abençoada da Eva, que todos os dias agradeço. Sem ela, o Natal teria sido mesmo obscuro e mais triste.

Este ano, o Natal teve menos uma presença: a do meu avô paterno, … já no ano anterior não tinha estado connosco em presença, ora pois é verdade, não existem famílias perfeitas. Hoje sinto que foi para meu bem, para o corte não ser tão duro e cruel, quando ele realmente partiu … ainda assim, foi-o na mesma, … Deste e de outros fragmentos se fez o Natal deste ano, … Não, não estivemos todos reunidos na sala, na mesa, … faltava a avó Palmira, o avô Manuel que partiu em Maio, … não estavam os primos, apenas a “prima Catarina”, emprestada com tanto amor e a Madrinha Cristiana, que ajudaram a acender uma réstia de luz a esta quadra. Obrigada a vocês! 🙂

Não estava o avô Serafim, pois o hospital de Viseu tinha sido o local de eleição para este ano, … o pior dos cenários? Não, … não é apenas isto, … Numa corrida de casa dos meus pais para a casa dos avós do Carlos, mais uma presença que estava ausente, .. o avô António está também internado, … mais um fragmento, … mais uma peça solta, … Aquelas camas de hospital pareceram-me ainda mais frias e desconfortáveis do que a que experimentei dois meses antes, … não, assim não faz sentido nenhum… têm mesmo a certeza que foi Natal? Acho que este ano fiquei esquecida no meio de tudo isto, …

Não, o Natal deste ano não se fez ao redor da mesa de natal, em família, … o Natal deste ano fez-se entre a casa de um, e de outro, e de outro, … entre um hospital e outro, … perdoem-me os avós que já partiram… estive de coração com vocês, mas a visita aos vossos locais de repouso definitivo já ultrapassava o limite das forças que me restam, … estiveram sempre no meu pensamento, … estão no meu coração, … na minha mente, estiveram sempre presentes, sempre lá, … farei em breve uma visita, pois também preciso desse conforto e de me sentir ainda mais perto de quem esteve sempre comigo ao colo, nos momentos mais difíceis, … Logo os dois, vocês os dois, … das peças mais importantes na minha vida, … tinham logo que partir os dois assim, tão cedo, … um depois do outro?

E por isso mesmo, a pausa deste ano está a servir para colar todos estes fragmentos, … para me encontrar neste novo eu, … que caminha por vezes numa estrada solitária, ainda que rodeado de tanta gente. Aos que nunca deixam de estar presentes, … aos que se cruzam no meu caminho de forma simpática, ainda que sendo recentes… só tenho a agradecer. Obrigada Eva, obrigada Carlos, … aos que não deixam de estar presentes e aos que vão deixando o seu carinho sob a forma de gestos e pequenos miminhos, … aos meus meninos, aos seus pais, … aos professores e educadores que, do lado profissional, não me poderiam fazer sentir mais realizada do que estou. Àqueles que mesmo sem grandes forças, à sua maneira, vão fazendo de tudo para estarem e continuarem presentes, … obrigada mãe, pai, Sara, … sabem que estou sempre aqui para vocês, enquanto as forças não me faltarem, …

Que 2018 reúna todos estes fragmentos e os converta em sentimentos positivos e nos mantenha próximos do que nos faz bem, … da minha parte, de tudo farei para continuar a ser a luz dos que me procuram e dos que cruzam os meus dias! O sorriso não há-de faltar, … e se esmorecer, tudo farei para o acender de novo! Boas festas, … com o coração frágil, mas repleto de amor!

Hoje é dia dos melhores dadores de mimos do mundo!

Hoje é dia 26 de Julho e, por excelência, o dia dedicado aos melhores dadores de miminhos de todo o mundo: os avós! São eles que permitem “fugir” às regras, ainda que com limites, claro, e assim tem que ser, caso contrário os papás ficavam com uma missão dificultada! Mas aquela permissibilidade que vai para além da que os pais dão, os miminhos sem tempo contado e as vontades feitas, o colo maior e mais disponível, … tudo o que faz a diferença! E nos dias que correm, com a vida agitada e profissional, os avós são o melhor suporte para os pais e para os pequenotes!

Digo-o, não porque beneficie desse suporte diário, mas porque sinto todos os dias a sua falta! Pois é, eu e o pai da Eva vivemos a cerca de 120 km dos avós, por isso mesmo dependemos sempre de nós mesmos para gerir tempo, compras, idas à oficina, trabalho e tudo o que possam imaginar! Tantas vezes que levo a Eva comigo e ouço: “Então, porque não a deixou com os avós? Eu faço sempre isso quando preciso!”. Pois, eu também precisava de o fazer de vez em quando, mas acabamos por desdobrar forças e reunir esforços onde nunca sabíamos que os guardávamos e lá vamos nós! Tudo tem que ser ajustado, planeado e muito bem alinhado para que consigamos ultrapassar as proezas do dia a dia numa cidade!

Para onde quer que vamos, vamos em bando, em clã: eu, a Eva e o pai! Somos um trio quase inseparável, forte e unido! Sim, penso mesmo que assim seja! Pelo facto de não termos outras alternativas, temos mesmo que fazer esta gestão e, apesar de muita organização de forças e do cansaço acumulado, tudo tem valido a pena até agora!

Os avós, esses, ficam também de coração apertado por não poder estender a mão mais vezes, mas a verdade é que vão acumulando miminhos e guardando muito bem cada carinho nos bolsos pequeninos e apertadinhos do coração. E sabem que mais? Quando os reencontramos a Eva ganha amor a dobrar, a triplicar, … eu sei lá! Não a largam! Puxam por ela, estimulam, … por isso, no dia a seguir a vir da “serra”, a Eva dorme, dorme, dorme, … tal é a o cansaço que acumula! Que sensação boa! E melhor ainda é ficar a observar, a olhar o brilho nos olhos de parte a parte, a leveza de espírito e a criança que os avós voltam a ser com ela! É uma ternura autêntica! Às vezes, esquecem-se que já foram pais e que agora são avós, e voltam a ser crianças, os parceiros perfeitos de brincadeiras que a Eva aguarda nos dias em que não os vê!

Obrigada pais nossos, avós da Eva, por todas estas partilhas que, ainda que menos frequentes do que gostaríamos, se tornam tão intensas quando acontecem! A vós dizemos o nosso muito obrigada pois, se hoje somos uns pais à medida do que a pequena precisa, em vós nos inspiramos!

Aos nossos avós, deixamos uma palavra também de gratidão e um abraço ternurento, por também sermos assim mimados e por recordar-mos com tanta alegria todos os momentos passados!

Aos avós que já não estão, avó Palmira e avó Manuel, … partiram cedo de mais, mas recordo-vos com o coração cheio e orgulhoso por ter partilhado a vida e os meus trilhos com os vossos. Obrigada por cada mão estendida, por cada afago e por cada segundo de paciência levada ao extremo! O modelo que quero seguir enquanto mãe e, um dia mais tarde, como avó, em vós o quero ancorar! Fizeram tudo certo! Avô Manuel, ainda tiveste o prazer de olhar para a tua bisneta Eva, … e recordo isso com muita felicidade, … gostava que os colos dados e as flores oferecidas pudessem ser uma constante no futuro, mas o teu frágil ser não aguentou mais, … mas olha que eu te sinto muitas vezes por perto, … obrigada pelos afagos nos momentos de maior fraqueza!

Avó Palmira, … tu sim, partiste também cedo de mais, … nem sequer pudeste contemplar a pequena, … Mas sabes uma coisa? A ti também te sinto muitas vezes por perto, … sei que continuas a guiar os meus passos, estrelinha! Sei que foste a primeira a saber da boa nova que anunciava a Eva, … malandra! Ainda que longe, estás perto, sempre pertinho de nós! Sinto-o todos os dias!

Para todos vocês, pais, avós, bisavós, meus, da Eva, … um muito obrigada pelos exemplos de amor e partilha constantes, … são eles a base do nosso papel enquanto pais! Feliz Dia dos Avós!

Comunicação, linguagem e fala – como evoluem nos bebés?

Comunicação, fala, linguagem, … eis um conjunto de termos que tantas e tantas vezes, na minha profissão como terapeuta da fala, tenho dificuldade em explicar a pais e educadores! Pois bem, hoje que sou mãe, penso que há uma forma bem mais simples de explicar todos estes conceitos, … basta acompanhar o exemplo do desenvolvimento dos nossos pequenos! E sabem que mais? Temos um papel ativo em tudo isto e na progressão de cada um destes elementos, tão necessários às vivências e interações com o meio e com tudo e todos os que nos rodeiam!

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Pois bem, COMUNICAÇÃO! Comunicar é tudo o que um bebé faz nos primeiros meses de vida, desde o primeiro segundo em que vem ao mundo! Qual é a primeira manifestação de um bebé, como que querendo anunciar-se? Qual é? O choro, ora pois é verdade! O choro é descrito como a primeira forma de comunicação, intuitiva, natural, básica, … por isso mesmo, é a forma como os pais, no início, percebem que os seus filhos precisam de se alimentar, ou que estão desconfortáveis, ou que têm sono, … assim, o choro, ainda que incómodo e aflitivo, não deve nunca ser algo que se deseje que pare de acontecer nas vivências diárias de um bebé, … caso contrário, ser-lhes-ia impossível comunicar! A nossa missão enquanto pais ficaria bem mais complicada, ainda que se possa pensar o contrário. Os bebés não falam, … pouco ainda sabem da linguagem, … mas comunicam, ai lá isso comunicam!

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LINGUAGEM, e dela, o que podemos dizer? A linguagem, pode apresentar-se em duas vertentes: compreensiva e expressiva! Sem dúvida que a primeira é aquela que se assume como primordial nos mais pequenos! Muito antes de um bebé poder falar/expressar-se, ele já percebe quem o rodeia! Lembram-se daquelas brincadeiras do género: “onde está o papá”?, “e a mamã?”, …”onde está o gato?”, “e o passarinho?”. A verdade é que eles sem nos dizerem a localização precisa, já nos indicam com um gesto muito simples, mas com grande significado comunicativo: o apontar! E assim, aos poucos, se começa a criar a partilha da atenção, a atenção centrada num mesmo elemento, dividida entre dois ou mais agentes, que podem ser o bebé e a mãe ou qualquer outro interveniente na dinâmica criada. Mesmo sem se conseguirem expressar vão já percebendo estas brincadeiras e toda a interação que se gera em torno deles.

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E a FALA? Pois, esta surge numa outra etapa, assumindo-se como a manifestação externa de toda a linguagem que guardamos em nós! É a nossa linguagem expressiva, a forma como mostramos ao mundo tudo aquilo que fomos ouvindo, recolhendo e guardando desde os primórdios da nossa criação e geração. Muito do que ouvimos ainda dentro do ventre das nossas mães (palavras, sons, …), tudo fica retido na nossa memória! Mesmo quando os bebés ainda não se expressam, e como tantas vezes já aqui frisei, tudo o que ouvem fica guardado, como que em espera para começar a ser exteriorizado quando surgem as primeiras palavras. As primeiras manifestações de fala são visíveis quando os bebés iniciam a lalação, o balbucio, … todas elas etapas importantes de crescimento comunicacional!

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Penso que nesta sequência de aquisições se percebe que comunicar envolve tudo, … não só a fala, como tantos outros sons sem significado aparente, mas a que atribuímos algum ante as situações presenciadas. Os gestos, os olhares, as expressões faciais, … tudo, tudo, tudo é comunicação. Um olhar carrancudo e uma face sorridente? O que nos atrai mais? Sabemos ou não sabemos algo sobre o estado de espírito do nosso possível interlocutor? O que falamos, podemos escolher, mas tanta e tanta informação que passa por meio destes sinais subtis, nem sempre é fácil de disfarçar!

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Gosto de imaginar 3 círculos! Um enorme, a COMUNICAÇÃO, que dentro dele tem um outro – a LINGUAGEM – que, por sua vez, tem o círculo da FALA. Tudo, tudo tão bem conjugado! Assim, reforço mais uma vez! Estimulem os vossos bebés, deixem-nos chorar, tentem perceber as suas necessidades e transformem esse choro em algo que vos ajude nos cuidados diários. Procurem padrões e formas de resolução para cada um! Tenham conversas com os pequenotes, mesmo parecendo que eles não vos percebem, mesmo que se sintam com “um parafuso a menos”! Ui,… tantas e tantas vezes em que eu ou o pai vamos pela rua fora a “falar” com a Eva! E tem valido a pena, … contamos 11 meses e já somamos 4 palavrinhas: “papá”, mamã”, “bebé” e “pé”!

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Mais esclarecidos? Vamos tentar! Como sempre, ganham os mais pequeninos, … ganha a sua evolução, a nossa felicidade conjunta e o seu enorme e invencível PODER DE COMUNICAÇÃO!

“Caiu”, “toma”, “dá”… estimular a linguagem compreensiva!

Ainda que a linguagem expressiva sob a forma mais comum que a percebemos vá levar alguns meses a chegar até cá a casa, na fase em que a Eva está, alguns sons, lalação e balbucio são já audíveis! São tão engraçadas as variações de intensidade e de frequência que ela já vai conseguindo! Por vezes pergunto-me como é que um trato vocal/garganta tão pequenina já é capaz de sons tão agudos e de toda aquela miscelânea harmoniosa! É música para os nossos ouvidos, e por vezes, soa mesmo a uma pequena cantiga, tão terna, tão doce! Um dia, hei-de gravar para mais tarde recordar!

Sim, todos queremos que os nossos pequenos falem cedo, que digam “papá” ou “mamã”, pela ordem que indico se forem, respetivamente, o pai orgulhoso ou a mãe galinha, sim, todos teremos um certo orgulho futuro em o relembrar se fomos os primeiros eleitos! Mas, o que não devemos esquecer, e várias vezes já o fui aqui referindo nos textos do blog: não só a linguagem expressiva é essencial, pois a sua base está na linguagem compreensiva, ou seja, a expressão é o reflexo de tudo aquilo que a criança vai ouvindo e “gravando” na sua memória ao longo do tempo, desde os momentos intra-uterinos!

O que ouvem será pronunciado daqui a uns tempos e hoje, para além de vos relembrar isso mesmo, dou ainda algumas sugestões de tarefas que podem fazer em casa com os vossos filhos, netos, sobrinhos, afilhados ou, se forem educadores, com os vossos pequenos aprendizes, em contexto de creche!

A Eva adora ter uma colher na mão, é um objeto simples e comum, do quotidiano, que lhe proporciona vários minutos de animação e atenção. Basta mostrar-lha em frente aos seus olhitos para os ver a arregalar e a cintilar e, logo em seguida, há uma mão ansiosa que se estende, trêmola de tanta ansiedade! Claro que sim, o destino é logo a boca, mas não faz mal! Brincadeira agora, intencional, podemos dizê-lo, mas feito por acaso ao início, é o fato de a colher, de vez em quando, ser largada pelas mãos da Eva. Por vezes cai ao chão, outras vezes fica no sítio onde ela está sentada. Quando isso acontece e ela não a consegue voltar a alcançar autonomamente, é aí que começa o jogo: “oh… caiu!”. Devemos dizer estas frases-chave de forma animada, com um enorme sorriso, com expressividade quase que exagerada. Isso desperta-lhe logo um sorriso maroto, como que percebendo a brincadeira. Quando lha volto a devolver, para prolongar a brincadeira, digo: “toma!”. Ela fica toda feliz e aquela dinâmica dura minutos e minutos em seguida.

Para além de estimular a comunicação, é ainda uma forma de a pequena se começar a aperceber dos turnos de comunicação, o chamado “Turn-Taking”, também conhecido vulgarmente como “tomada de vez”. Assim, a colher vai dela para mim, de mim para ela, e assim sucessivamente. Não é esta a base de um diálogo, em que ora fala um dos interlocutores, ora fala o outro, gerando-se uma conversa? Neste momento, a Eva ainda só fala à maneira dela, com sons, com a expressividade da sua face ao ceder-nos os sorrisos em jeito de agradecimento por lhe darmos os objetos, mas o essencial, a base imprescindível, está lá, desde já! A partilha de atenção para um mesmo objeto, conhecida como “atenção conjunta”, vai também sendo desenvolvida! E tudo isto é tão importante!

Ontem, a brincadeira foi outra! Com o pai, no quarto, mesmo antes do momento de dormir, colocámos a luz de presença na tomada. A Eva fica alerta quando vê a luz surgir. E o pai fazia assim: tirava a luz de presença da tomada e dava-a à pequena: “toma!”, dizia ele, e bem! (Parece que as dicas estão a passar positivamente, pelo menos cá por casa). Depois de a pequena estender a mãozita para a pegar, algum tempo depois o pai dizia-lhe “dá ao pai!”, ou simplesmente “dá”! Esta é mais uma forma de passar todos os ensinamentos de base da comunicação, e há tantas outras formas. Qualquer ocasião serve: a partilha de um pedaço de pão ou bolacha, a exploração conjunta de um brinquedo, de uma peça de roupa, … valem todos os momentos, tudo o que entra na rotina dos nossos tesouros, pois a comunicação é assim, natural, não precisa de horas marcadas para acontecer! Tentem em vossas casas, nas creches, nas escolinhas, …! É fácil, e atenção, fica o alerta: proporciona momentos de doçura imensa e de grande gratificação para pais, educadores e para as próprias crianças!

Estimular e avaliar a audição,… motivar a linguagem!

A Eva tem 6 meses, feitos há poucos dias! Se falar em estimulação da linguagem quase toda a gente me diz: mas ela ainda não fala, nem vai falar antes de fazer um ano, sensivelmente! Sim, verdade, é pouco provável que aconteça, mas como Terapeuta da Fala, e como muitos pais e educadores já vão sabendo, vos digo que todos os dias e meses contam no que respeita à estimulação da linguagem.

Para quem acompanha o blog regularmente, sabe que este tema da estimulação da linguagem já foi abordado várias vezes (“Estimulação da linguagem culinária!”, “Os pés e todo um mundo de aprendizagens”, “Palreio, lalação, … vamos conversar?”, “Tu vestes-me… eu aprendo!”, “Estimulação da linguagem em bebés, … o “super poder” de pais e educadores!”, entre outros textos anteriores são alguns exemplos) e conhece por isso a viabilidade de estimular esta competência, ainda em terna idade. Aliás, se assim não for, os comprometimentos futuros serão grandes!

Ora vejamos: apenas fazemos e reproduzimos o que vemos, ouvimos e presenciamos! Se a criança não é exposta à linguagem desde cedo nem é sensibilizada para ela e para a sua importância, mais tarde poderão surgir os atrasos de desenvolvimento da mesma! Claro que sim, eles são o que são, mas sabendo nós que podemos fazer algo em prol disto, porque não o fazer?

A par da linguagem, e sem se dissociar dela, temos a questão da audição. E através dela que a linguagem se inicia, pois a criança vai ouvindo, vai captando modelos daquilo que será a sua linguagem futura. De certo que crianças que crescem a ouvir falar de aviões terão este vocabulário bem presente no futuro. Da mesma forma que crianças que são criadas no campo dominam muito melhor o vocabulário que se refere aos animais, às lides da agricultura, aos legumes e a todos os produtos que a terra dá! Pois é, a experiência, as vivências diárias, são bases imprescindíveis daquilo que será a futura linguagem dos nossos pequenos heróis.

Ainda na semana passada, num post sobre brincadeiras e brinquedos “low cost” falávamos de pequenas “engenhocas caseiras”: os tubos de drageias de chocolate com arroz lá dentro, pequenas caixas transparentes com massa, caixas plásticas com bolas e outros objectos que produzam sons diferenciados, as caixas de música, os brinquedos sonoros, … todos eles, mais caros ou mais improvisados são ótimos aliados! Podemos começar por produzir som com eles em frente às crianças, mostrar-lhes que há sons distintos, …. Depois podemos tentar que nos imitem, realizando movimentos que conduzam à produção de som com os mesmos objectos, por exemplo, agitando-os! E se surpreendermos a criança mexendo um destes brinquedos longe do seu alcance, tentando que ela localize a fonte sonora? Em cima, a trás, dos dois lados, … Esta é uma boa forma de fazer, de algum modo, um simples e continuo “rastreio auditivo caseiro”, na tentativa de perceber eventuais problemas que possam, mais tarde, comprometer a aquisição e desenvolvimento da linguagem.

Como Terapeuta da Fala, já por várias vezes estive diante de crianças que, à partida, são envergonhadas, falam pouco, trocam muitos sons e têm discursos pouco perceptíveis. Quando aprofundamos as questões até à questão da competência auditiva, muitas vezes descobrimos crianças que fazem inúmeras otites por ano, que não ouvem os pais quando estes os chamam de outra divisão da casa, que olham fixamente para os seus lábios na tentativa de os ler, compensando as falhas auditivas, … Nunca é demais estar alerta, pois a linguagem e, mais tarde, as competências de leitura e escrita, intimamente relacionadas, agradecerão.

Pais e educadores, é simples: estimulem a audição dos vossos pequenotes! Percebam se está tudo bem, se o som lhes desperta a atenção. Não tenham receio de ter conversas com os mais novos, eles não nos respondem (respondem à sua maneira, claro!), mas absorvem cada palavra, cada som, criando memória deles! Não é por acaso que, quando mais velhas, certas crianças nos surpreendem com certas palavras “caras” e pouco usuais! Só as dizem porque as ouviram! Porque desde tenra idade a memória auditiva está lá, prontinha para ser preenchida! Usem e abusem dos brinquedos auditivos, que ao mesmo tempo estimulam também a linguagem e a motricidade dos vossos bebés! As rocas, as maracas, os chocalhos! Tudo vale! O bebé já reage quando ouve a voz da mãe ou outras familiares?! Boa! Já vira a cara quando ouve o seu nome ser chamado? Melhor ainda! Cá em casa estamos a entrar nessa fase! Quando menos derem conta, … surge a primeira palavra do vosso bebé! Será mamã,… papá, …? Por aqui já se fazem apostas!

 

O mais belo presente pré-Natal!

Faz hoje, dia 12 de Dezembro, precisamente um ano que se confirmou que vinha um pequeno rebento a caminho! É verdade, a minha, a nossa vida, mudou há um ano atrás, quando nos decidimos a fazer o teste de gravidez que ditaria o nosso futuro enquanto pais. Era  Sábado e lembro-me que seguíamos para o jantar solidário de apoio à Gatos Urbanos, uma associação de grande mérito em prol dos animais, aqui na cidade de Coimbra. Foi tão difícil não desatar a partilhar a notícia com toda a gente, tal era a felicidade que tínhamos em nós!

Quando digo que faz um ano que confirmámos que a Eva vinha a caminho foi porque já há um mês que o sabíamos dentro de nós, sim, só podia ser! Enjoos nunca senti, mas algumas dores nos peitos foram os primeiros sinais e assim andei durante umas 4 semanas. Ao fim desse tempo lá nos resolvemos a fazer o dito teste para oficializar as nossas suspeitas. Até a senhora da farmácia ficou espantada quando lhe dissemos há quanto tempo tínhamos tido as primeiras desconfianças. No fundo, no fundo, só queríamos mesmo confirmar a melhor notícia das nossas vidas!

O resultado chegou assim, ao final da tarde, envolto em grande expetativa e euforia, que ficarão eternamente registadas em vídeo. E foi com ele que demos a notícia aos nossos familiares e amigos mais próximos, pela altura do Natal, qual prenda abençoada, ainda mais, dada a altura do ano. Hoje acordei com um sorriso no rosto ao recordar aqueles momentos: a alegria, a surpresa, a vontade e o pânico inevitável de quem sente que a sua vida mudará para sempre, … tantos sentimentos reunidos num pequeno teste de gravidez, que mostrava claramente que a pequena Eva já era ser há 5 semanas! Como costumava dizer, no dia seguinte, o meu estado de espírito registava níveis de 70% alegria – 30% ansiedade.

Os dias seguintes foram passados entre análises, primeiras consultas de seguimento da gestação e um misto de pensamentos e emoções! Como estamos longe da família mais próxima, decidimos guardar a novidade para dar pessoalmente, o que só aconteceu pela altura dos festejos natalícios. E o que custaram a passar aquelas duas semanas! Foi uma confirmação praticamente só nossa durante quinze dias. E assim, nos primeiros dias de férias de Natal, também os nossos familiares receberam a revelação cheios de alegria. Houve lugar a todo o tipo de reações, inclusivamente uma espécie de desaparecimento, fruto da surpresa da boa-nova. Sim, Francisco, é verdade, o teu irmão ganhou também o estatuto de pai, … tu o de tio-padrinho, o melhor que a Eva podia algum dia ter!

A nossa vida mudou, sem dúvida, para bem melhor! Há um ano a felicidade foi-nos anunciada, … bateu à porta 9 meses depois! Obrigada Eva por fazeres parte de nós, queremos-te para sempre, com o mesmo ou mais carinho que hoje!

 

Estimulação da linguagem em bebés… o “super poder” de pais e educadores!

Já há muito tempo que pediatras, cientístas nas mais variadas áreas médicas e profissionais da educação se debruçam sobre a estimulação e o desenvolvimento da linguagem humana. Ora, ainda que muita gente pense que um bebé de poucos meses pouco apreende daquilo que lhe dizemos, a verdade é que todo este conteúdo dará frutos mais tarde, ficando como que “em fermentação”, bem armazenado, para a fase em que o desenvolvimento linguístico finalmente será mais visível (e audível!), com o surgir das primeiras palavras e, mais tarde, com a “explosão” de vocabulário.

É defendido por enúmeros estudiosos que, desde muito pequeninos, os bebés devem ser confrontados com pequenos diálogos e mesmo alguns” monólogos interativos” com o cuidador. Eu, como Terapeuta da Fala e como mãe, não podia estar mais de acordo. Sei bem a importância do que é colocar os nossos meninos em contacto com a linguagem desde muito cedo, fazendo-os “beber” da nossa língua! Tenho aconselhado ao longo dos últimos anos de trabalho e de intervenção terapêutica com crianças muitos pais a fazerem isto mesmo! Falem com os vossos filhos, perguntem-lhes como foi o dia deles, que actividades fizeram no infantário, na creche, na escola, … com quem brincaram, o que aprenderam de novo, o que mais gostaram daquele dia! Incentivem sempre os mais pequeninos a participar de pequenos diálogos, peçam-lhes conselhos, deixem-nos voar com a imaginação inventando pequenas histórias juntamente com vocês, à vez!

Pois, mas se um bebé de meses, e mesmo de dias, não me responde, o que posso eu fazer? Boa pergunta! Podemos ir, aos poucos, apresentando-lhes a linguagem, o vocabulário base mais comum e também o menos frequente da nossa língua. Podemos descrever as rotinas, o que fazemos no momento em que interagimos com eles, enunciando o nome dos objectos que vamos utilizando (roupas, produtos de higiene, …).  Vão ver, há sempre tantas possibilidades, todos os dias, de lhes apresentarem palavras novas!

Ao fim do primeiro ou segundo mês de vida os pequenitos começam também a interagir connosco, podendo mesmo realizar pequenos diálogos. Deixem o pequenote “falar” à sua maneira e respondam da mesma forma. Vão alternando estas “frases” com eles, como se de uma verdadeira conversa se tratasse!! Para eles é mesmo! Eles adoram! Oh, tantas conversinhas destas que temos com a nossa Eva cá por casa! Úm autêntico diálogo ternurento, que preenche grande parte dos nossos dias!

É isto! Devemos falar com os nossos pequenos, desabafar, descrever, perguntar, ouvir, … Mesmo que eles pouco percebam e nem sempre nos “respondam” da forma que estávamos à espera, a verdade é que todo este vocabulário vai entrando aos pouquinhos no seu cérebro, tornando-se cada vez mais familiar! É meio caminho andando para o despertar da linguagem! É mesmo o seu início!

Com a Eva faço isso todos os dias, é a minha mais recente confidente! Tenho por hábito contar-lhe segredos, coisas que vou fazendo no dia-a-dia, descrevo-lhe algumas tarefas que realizo com ela, … e a verdade é que ela presta muita atenção, como se me percebesse realmente! Todos os momentos são propícios a fazê-lo e ontem mesmo tivemos uma ótima hora de almoço! Enquanto a Eva estava no seu ginásio musical eu fui almoçando junto dela, sentada na carpete da sala, ao seu lado. Com os devidos cuidados por a comida estar ainda quente, tentei que ela sentisse o cheiro e fui-lhe descrevendo o que comia. Ela ia-me olhando, atenta, esboçando pequenos sorrisos! Depois falei-lhe das frutas! Ela olhava com tanta atenção a maçã que eu comia! Mas a melhor parte foi quando lhe agitei uma pequena garrafa com um pouco de água no fundo! O que ela prestou atenção ao som que fazia!

Todos os sentidos a trabalhar, é o que se quer! E todos os dias o fazemos!  Mais tarde, vai estar lá tudo em memórias, pois o nosso cérebro é mesmo uma poderosa máquina que armazena e utiliza o que contém nos momentos mais oportunos! Cabe-nos a nós, pais e educadores, estimularmos o potencial dos nossos meninos e meninas, despertando conhecimento que tão útil lhes será no futuro!

A escolha de ser Mãe, … e as opções que tomamos!

Escolhi ser Mãe este ano, … e foi a melhor decisão que poderia ter tomado. Sou Terapeuta da Fala há 5 anos e vivo no “maravilhoso” mundo dos recibos verdes desde então! (Contrato? Que palavra tão estranha, até para mim que diariamente lido com linguagem!)  Nunca conheci outra realidade que não esta. A realidade do “estar sempre disponível”, das 8:00 às 21:30 (isto sem contar com o trabalho em casa, por vezes até às 3:00 ou mais), do viajar de um lado para o outro sem dar descanso ao carro, das horas estranhas de almoço e todas essas trapalhadas a que um dito “trabalhador independente” se sujeita. É isto, … ou melhor, era!

Pois bem, ao fim de todo este tempo sem que, por mais que tentasse, alguma porta se abrisse, decidi que estava mesmo na hora de ser mãe. Deixei de lado a ideia da estabilidade financeira e profissional, pois a minha própria estabilidade emocional começava a dar de si. Tudo o que consegui foi por mérito próprio, sem dúvida, … mas nunca tive o chamado “golpe de sorte” que algum dia todos esperamos, e isso deixa-me com uma tristeza imensa. Muitas lágrimas derramei e derramo por isto mesmo… a revolta é muito grande! E chegou o momento em que queria mais, queria algo em que pudesse ver o meu valor reconhecido, já que na minha área profissional nunca mo deram verdadeiramente. E assim, no dia 12 de Dezembro descobria (ou melhor, confirmava!) que ia ser MÃE!

Esta mudança foi sem dúvida das melhores da minha vida. Finalmente teria algo para me poder dedicar de corpo e alma, ainda mais, integralmente, com tudo o que tenho de melhor em mim, com todas as minhas forças e sentimentos. É assim que gosto de estar na vida, em tudo em que me envolvo. E nem imaginava que poderia ser ainda melhor do que eu já pensava e esperava à partida!

Com tanta correria de um lado para o outro e com os horários malucos que fazia, antes e durante a gravidez,  pensei para mim mesma que faria deste tempo uma espécie de “teste” para ver como seria a minha vida profissional e pessoal no futuro! E mesmo quase no final da gestação, e com alguns pequenos sustos pelo meio, decidi que daria ainda mais enfoque ao meu papel de mãe. Assim, de entre os 7 ou 8 sítios em que trabalhava (ou melhor, em que corria de um lado para o outro como barata tonta), decidi que deixaria 4 ou 5 deles. Não, não estou a abandonar de forma nenhuma a minha profissão, (nem “carreira” lhe posso chamar!), estou sim a dar à minha filha o espaço e a importância que ela merece.

Assim, manterei dois locais de trabalho e continuarei a fazer o que realmente gosto: ser Terapeuta da Fala, mas mesmo assim, ter tempo de qualidade para a minha pequenota. Devo-lhe isso, com tanto de bom que ela me proporciona! Hoje tenho ainda mais a certeza de ter tomado a melhor decisão! É claro que me custa imenso quando me ligam a oferecer trabalho/casos para intervenção… sinto-me bem e mal ao mesmo tempo. “Bem”, porque vejo o meu nome e o meu esforço dos últimos anos reconhecido, todo o mérito do meu trabalho, do meu empenho e dedicação. “Mal”, porque parece que só agora surgem algumas oportunidades, mas que mesmo assim seriam “mais do mesmo”. Sinto-me como se não estivesse totalmente a recolher os frutos do trabalho que desenvolvi… mas a decisão está mesmo tomada, e tenho a certeza de que é a melhor. A minha pequenota merece tudo, merece-me por inteiro na vida dela!

Anseio que este tempo me faça crescer ainda mais, como mãe e como profissional… que mature tantas ideias esquecidas e guardadas na gaveta há tantos meses (e anos, mesmo!). Que seja o início de algo muito bom, algo que já é tão bom apenas em poucos dias e meses. Acredito que assim seja! Espero poder descobrir a cada dia e partilhar com vocês a magia desta nova aventura, pois venero desde os primeiros dias a delícia que é ser mãe e amar um ser tão pequenino, tão puro e tão doce, que nos preenche totalmente apenas com um sorriso!

 

 

Já somos pais, e tudo muda… para (bem) melhor!

Tenho-me apercebido recentemente, e cada vez mais, que para a maioria dos nossos amigos e conhecidos “solteiros” ou sem filhos, ter um bebé se trata de um assunto “pânico”. É estranho para mim, totalmente imersa no mundo da maternidade e suas delícias, perceber como é que alguém, ao olhar para nós, fica com uma certa pena, pois agora somos pais e temos um bebé ao nosso cargo! Só mesmo quem não é pai e mãe para pensar algo assim!

Também nós aqui por casa, enquanto família e enquanto casal passámos e passamos todos os dias por um processo de adaptação, mas a verdade é que a cada dia que passa as coisas se tornam ainda mais especiais e o que sentimos um pelo outro e pela nossa filha cresce com uma velocidade cada vez maior. Tenho uma máxima a que recorro várias vezes: o amor não se divide, multiplica-se! E é precisamente isto que sentimos! Ter filhos é mágico e só quem passa por isso o sabe, mais uma vez o repito! Sei que um dia, o nosso circulo de amigos e conhecidos que assim pensa, no futuro também vai ter um papel de pai ou mãe e aí sim, perceberão todas as maravilhas que hoje apenas lhes contamos em palavras e que eles ouvem com o maior sorriso, mas ao mesmo tempo com um certo pesar e com um pensamento escrito na testa: “coitados deles”! Coitada de mim que agora sou mãe e sinto toda esta felicidade! Chega a ser engraçado presenciar situações destas!

E o mais estranho de tudo é que são as próprias pessoas que nos rodeiam que parecem estar mais “aflitas” com o facto de nos termos tornado pais. “Ah, agora têm a Eva, …!” e eu só penso “sim, temos a Eva (com os olhos a brilhar de orgulho), e é tão bom!”. Só depois de nos tornármos pais percebemos como pode ser boa uma simples ida às compras em família, pois vamos juntos! Um pequeno passeio ao fim da tarde, empurrando inchados de orgulho o carrinho do nosso rebento, qual Ferrari ou Jaguar! Aquele sim, é o nosso topo de gama, o nosso produto mais bonito, o fruto mais precioso do amor!

Amigos: estamos bem! Mesmo! Hehe! Mais felizes que nunca! Não se aflijam por nós,… experimentem e verão como é realmente incrível poder ver um sorriso tão sincero como o dos nossos bebés ao acordar, ao deitar ou num momento menos bom do nosso dia! Não digo que seja a receita perfeita para a felicidade (se bem que assim me sinto e penso nesta fase da minha vida), mas que nos molda a alma e todos os pensamentos lá isso é bem verdade! Não trocava este meu novo papel de mãe por nada deste mundo. Não o trocava por qualquer minuto a mais no meu (pouco) tempo livre, por nenhuma viagem ou ida ao cinema. Não, por nada!

Dia de Pediatra… e a igualdade entre Pai e Mãe!

Ontem, pela primeira vez, a Eva foi ao Pediatra! Coisas de mãe e de pai, mesmo quando a pequena se mostra saudável! Gostamos sempre de escutar outra opinião, saber que tudo está bem e ouvir da boca de um especialista que temos ali uma miúda “para as curvas”!

O Pediatra que escolhemos, o Dr. Luís Januário, não podia ter deixado em nós melhor impressão, a todos os níveis! E a Eva também parece ter empatizado com ele, pois sorriu vezes e vezes sem conta ao longo de toda a consulta, mesmo quando via os braços e as pernas serem esticados e testados de todos os ângulos possíveis e imaginários! Mais uma esticadela… mais um sorriso! Gostou tanto (sobretudo da parte em que ficou sem fralda, sem dúvida dos seus momentos preferidos do dia) que resolveu brindar-nos com um belo xixi! É delicioso ver o sorriso dela em momentos como este… parece que percebe claramente que nos fez uma marotice! E o doutor ainda disse: “têm aqui uma bela rapariga!” e “ela dá show”! Orgulho de pais: 100% (totalmente inchados, babados, olhos brilhantes, sorriso parvo, felicidade plena!).

A melhor parte da consulta, e que nos encheu ainda mais de orgulho enquanto pais, foi ver o espanto do médico por ver a nossa entrada em família pelo consultório adentro: pai com a filha ao colo e mãe a carregar o saco do bebé e o “ovo”! Ficou espantado pois diz que, por norma, está habituado a ver entrar as mães, possessívas, com as suas crias em braços, todas orgulhosas. Orgulhosa entrei eu também, sim, mas por ter a melhor filha e o melhor “pai” do mundo! Ver a Eva nos braços do pai preenche-me totalmente e faz-me ter todos os dias, cada vez mais, a certeza de que fiz a escolha certa!

Depois de nos dar os parabéns por esta “sintonia familiar” e pela calma com que encaramos a paternidade, sorrimos! Naquele dia, a “cadeira em frente ao médico”, toldada pelas formas femininas de tantas e tantas mães que ali se sentaram com os seus pequenotes, foi moldada com formas másculas e albergou pai e filha. Eu continuava a olhá-los, fascinada, sempre de mão dada à minha pequena princesa. Construimos e reforçamos laços de todas as formas, em todos os lugares!

E é assim que realmente somos: pai=mãe! Valemos os dois por igual, concebemos, criamos, amamos, com total equilíbrio. Penso que é por isso que recebemos tanto da nossa filha. A empatia e a cumplicidade entre a Eva e o pai é notória por qualquer pessoa. Mesmo o médico, que nunca nos tinha posto o olho em cima o disse! E é uma delícia vê-los interagir, “falar” na língua deles, segredarem malandrices só com o olhar e esbanjarem amor por qualquer lugar onde passam. Sou uma mãe babada, não só pela filha, mas também pelo pai dela! É vê-lo a aproveitar cada momento de colinho, cada brincadeira, … Parece que quer igualar comigo o tempo que a carrega, como se quisesse compensar agora os nove meses em que eu, exclusivamente, a carreguei. E sei que assim é, pois tantas vezes ouvi a sua saudável “inveja” sobre este facto. “Não é justo”, dizia ele, “nós também deviamos poder sentir o bebé na nossa barriga!”

É desta partilha, a todos os níveis, que revestimos as bases do nosso alicerce familiar, do nosso amor, da nossa vida! Se é visível aos outros, ainda bem! É puro, é sincero, … vem de nós! Que a vida nos leve sempre por este caminho, pois pensamos estar a percorrê-lo de forma nobre! Eva, que o orgulho que sentimos por ti seja recíproco, todos os dias das nossas vidas! Somos 3, … mas apenas um em cumplicidade! Que assim permaneça toda esta magia!