O Natal deste ano teve um sabor diferente, … um sabor mais amargo, mais frio, mais distante, … foi um Natal como nunca tive nenhum na minha vida e espero que nos próximos anos a diferença seja pela positiva, pois não foi esta a memória que sempre criei do natal, nem quero que sejam estas as lembranças que venha a ter nos próximos natais, …

O melhor deste Natal, o meu refúgio, foi sem dúvida a Eva e o Carlos, o nosso núcleo duro e que está sempre lá, para o bem e para o mal, … para aqueles momentos em que tudo parece desabar à nossa volta, .. eles sim, continuam a ser o meu porto de abrigo, mais seguro que nunca, e só por eles o Natal ainda manteve um pouco do seu brilho e da sua essência: a família e os sentimentos mágicos que se vivem no seio do nosso lar.

O Natal deste ano foi feito de fragmentos e de uma luz diminuta, … quem me conhece, sabe que não costumo tirar férias, muito menos nesta altura do ano, … mas este ano precisei de o fazer para juntar em mim todas as peças soltas, aquelas que tenho tentado a todo o custo ir colando, minhas, dos outros, … sobretudo dos outros, … mas as forças começaram a faltar. Faltaram as forças que tento passar aos outros, … faltaram as forças para mim, e as que ia recebendo aos poucos também têm sido cada vez mais escassas. Este ano precisei de tempo para me recompor, para me encontrar, para poder continuar a dar o melhor de mim aos outros, aos que querem receber a essência dos meus sentimentos mais nobres. Sinto que mesmo com esta idade continuo a crescer, e a amadurecer, .. para muitos posso parecer mais fria, mais distante, mas é tanto disso que vou recebendo em certos casos, que me vou moldando desta forma.

As minhas melhores forças e energias vão sobrando para um grupo cada vez mais restrito de pessoas, de amigos, de conhecidos, … para aqueles que ainda me vão fazendo sorrir e para os que têm sido o meu suporte e conforto. Sinto que cada vez terá que ser mais assim. É para a minha família que quero ter tempo e energia, para lhes continuar a dar o melhor de mim … e espero que assim seja por muitos e bons anos. Aos que mesmo sem serem família já o parecem há séculos, deixo um agradecimentos sentido e especial, … e se tenho tido anjos no meu caminho, oh, se tenho, …

O Natal deste ano foi feito de fragmentos, … fragmentos de memórias e de um sem fim de locais e pessoas para visitar, … ainda mais que nos anos que o antecederam, … Já lá vai o tempo em que Natal era sinal de lareira acesa e dias passados em casa, com a família, em redor da azáfama na cozinha… da sesta a meio da tarde e da magia da chegada dos presentes, que abríamos impreterivelmente depois da meia noite, … dos serões que eu preparava com músicas no órgão, na flauta, as danças e os teatros, com direito a programa impresso a rigor e tudo! Essa magia começou a desfazer-se quando perdi a minha avô, … já lá vão 7 anos e a magia do natal vai caindo a olhos vistos, … restou-me a chegada do Carlos e a vinda abençoada da Eva, que todos os dias agradeço. Sem ela, o Natal teria sido mesmo obscuro e mais triste.

Este ano, o Natal teve menos uma presença: a do meu avô paterno, … já no ano anterior não tinha estado connosco em presença, ora pois é verdade, não existem famílias perfeitas. Hoje sinto que foi para meu bem, para o corte não ser tão duro e cruel, quando ele realmente partiu … ainda assim, foi-o na mesma, … Deste e de outros fragmentos se fez o Natal deste ano, … Não, não estivemos todos reunidos na sala, na mesa, … faltava a avó Palmira, o avô Manuel que partiu em Maio, … não estavam os primos, apenas a “prima Catarina”, emprestada com tanto amor e a Madrinha Cristiana, que ajudaram a acender uma réstia de luz a esta quadra. Obrigada a vocês! 🙂

Não estava o avô Serafim, pois o hospital de Viseu tinha sido o local de eleição para este ano, … o pior dos cenários? Não, … não é apenas isto, … Numa corrida de casa dos meus pais para a casa dos avós do Carlos, mais uma presença que estava ausente, .. o avô António está também internado, … mais um fragmento, … mais uma peça solta, … Aquelas camas de hospital pareceram-me ainda mais frias e desconfortáveis do que a que experimentei dois meses antes, … não, assim não faz sentido nenhum… têm mesmo a certeza que foi Natal? Acho que este ano fiquei esquecida no meio de tudo isto, …

Não, o Natal deste ano não se fez ao redor da mesa de natal, em família, … o Natal deste ano fez-se entre a casa de um, e de outro, e de outro, … entre um hospital e outro, … perdoem-me os avós que já partiram… estive de coração com vocês, mas a visita aos vossos locais de repouso definitivo já ultrapassava o limite das forças que me restam, … estiveram sempre no meu pensamento, … estão no meu coração, … na minha mente, estiveram sempre presentes, sempre lá, … farei em breve uma visita, pois também preciso desse conforto e de me sentir ainda mais perto de quem esteve sempre comigo ao colo, nos momentos mais difíceis, … Logo os dois, vocês os dois, … das peças mais importantes na minha vida, … tinham logo que partir os dois assim, tão cedo, … um depois do outro?

E por isso mesmo, a pausa deste ano está a servir para colar todos estes fragmentos, … para me encontrar neste novo eu, … que caminha por vezes numa estrada solitária, ainda que rodeado de tanta gente. Aos que nunca deixam de estar presentes, … aos que se cruzam no meu caminho de forma simpática, ainda que sendo recentes… só tenho a agradecer. Obrigada Eva, obrigada Carlos, … aos que não deixam de estar presentes e aos que vão deixando o seu carinho sob a forma de gestos e pequenos miminhos, … aos meus meninos, aos seus pais, … aos professores e educadores que, do lado profissional, não me poderiam fazer sentir mais realizada do que estou. Àqueles que mesmo sem grandes forças, à sua maneira, vão fazendo de tudo para estarem e continuarem presentes, … obrigada mãe, pai, Sara, … sabem que estou sempre aqui para vocês, enquanto as forças não me faltarem, …

Que 2018 reúna todos estes fragmentos e os converta em sentimentos positivos e nos mantenha próximos do que nos faz bem, … da minha parte, de tudo farei para continuar a ser a luz dos que me procuram e dos que cruzam os meus dias! O sorriso não há-de faltar, … e se esmorecer, tudo farei para o acender de novo! Boas festas, … com o coração frágil, mas repleto de amor!


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